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Crise da Igreja (221)

A grande traição: a mentalidade católico-liberal

Outubro 22, 2016 escrito por site_permanencia

Dom Marcel Lefebvre

Reconciliar a Igreja com a Revolução: tal é a empresa dos liberais que se dizem católicos.

Os liberais que se dizem católicos sustentam que a doutrina católica do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo e da união da Igreja com o Estado é sem dúvida verdadeira, mas inaplicável mesmo nos países católicos:

·  Na teoria, pode-se aceitar a tese proposta pelos Papas e teólogos.

·  Na prática, deve-se ceder ante as circunstâncias e resolutamente aderir à hipótese: promover o pluralismo religioso e a liberdade de cultos:

Os liberais católicos não têm deixado de sustentar que desejam a ortodoxia tanto quanto os mais intransigentes, e que sua única preocupação são os interesses da Igreja: "a reconciliação que procuram não é teórica nem abstrata, mas somente prática”[1]

A "bondade"de João XXIII

Pe. Michel Simoulin, FSSPX

“João XXIII entrou para a história como o ‘Papa buono’ (Papa bom). A esse respeito, é licito se perguntar se ‘Papa buono’ equivale a bom papa” – cardeal Silvio Oddi[1].

A lista dos livros, estudos e artigos escritos que celebram a “bondade” desse papa é longa demais para ser relacionada aqui. O ponto culminante — e, parece, definitivo — dessa celebração é representado pela promulgação, em 20/12/1999, do decreto sobre as “virtudes” heroicas do servo de Deus, João XXIII. Isso pareceu colocar termo à discussão. Todavia, não podemos esquecer outros estudos e artigos publicados para destacar falhas e fraquezas desse mesmo papa[2]. Até o discurso dirigido ao papa atual[3] pelo prefeito da Congregação da Causa dos Santos, em 20/12/1999, suscita algum espanto. Com efeito, se as virtudes louvadas em Pio IX são belas virtudes cristãs (zelo pastoral infatigável, intensa vida de oração, profunda vida interior), as de João XXIII são estranhamente novas, até mesmo desconhecidas da Teologia Ascética e Mística:

Teilhard de Chardin, o profeta do Cristo cósmico

[Capítulo XV do livro Cent ans de modernisme. Généalogie du Concile Vatican II (Editions Clovis, 2003) do padre Dominique Bourmaud, FSSPX.]

Falando estritamente, uma síntese de Teilhard parece fora de propósito numa recensão genealógica dos princípios modernistas, porque nosso protagonista não é filósofo, nem exegeta, nem propriamente teólogo. Porém, fazer o álbum da família neomodernista sem incluir Teilhard de Chardin seria expor-se a subestimar a popularidade do movimento nos círculos profanos. Se, no período das primeiras publicações teilhardianas, em 1927, o modernismo não passava de uma sombra, trinta anos depois, quando da morte de Teilhard, o vírus conquistara todos os níveis hierárquicos e infectara aos pensadores mais sutis, antes de ganhar Roma. O fenômeno teilhardiano age como um termômetro. É o ponto de referência, o critério definitivo que permite distinguir entre modernistas e católicos fiéis. Depois de um esboço do profeta e da sua visão, será preciso abordar as razões profundas de sua celebridade, de ordem científica e mística, para concluir com sua influência póstuma.  Leia mais

"Roma perderá a Fé"— 170 anos de La Salette

Relativamente à aparição da Santíssima Virgem em "La Salette", como a qualquer outra manifestação do Céu sobre a terra, nossa curiosidade humana procura saber o que o Céu foi levado a dizer à terra. Mas é antes o atrativo do divino e a solicitude com a nossa santificação que nos deveria impelir a conhecer estas revelações. Por isso, daremos, duma parte, "in extenso", as revelações feitas por Maria a 19 de setembro de 1846, em La Salette, doutra parte esperamos que tendo sido a inteligência instruída com estas coisas, a vontade será então fortificada, para que daí venha a santificação das almas: é o objetivo de Nossa Senhora, o qual deve ser o nosso. Que os curiosos sem desejo de santidade se abstenham de continuar a ler, pois se arriscariam de não compreender a Santíssima Virgem; os que, porém, querem se santificar que tirem proveito disso.

A 19 de setembro de 1846, duas crianças, Maximino Giraud e Melânia Calvat, originário de Corps no departamento de Isère, na França, guardam as suas vacas nos arredores do lugarejo de La Salette. Eis aqui o que Melânia escreverá desde 1860 e que publicará em 1875, com o "imprimatur" de Dom Zola, bispo de Lecce na Itália. Aí ela confia o texto do seu segredo que havia escrito e transmitido, como Maximino fizera com o seu, ao Papa Pio IX, em julho de 1851. Leia mais

Madre Teresa de Calcutá: verdadeira ou falsa caridade?

Pe. Marie-Dominique, O.P.

 

O testemunho dos santos tem o seu valor; a nossa época teve o testemunho de Madre Teresa de Calcutá, humilde filha da Albânia, que – pela graça de Deus – se transformou em um exemplo de exercício da caridade e de serviço à promoção do ser humano para o mundo inteiro.” (Bento XVI, em 8 de março de 2009)[1].

Reuníamo-nos todas as manhãs na casa geral e gozávamos da alegria de nos ajoelharmos ao pé do túmulo de Madre Teresa.

Era impressionante observar um budista em posição de lótus ao lado de um muçulmano de rosto em terra e, próximo a eles, um cristão de joelhos. Nisso há um mistério! Lá estavam os três, sem se defrontarem; melhor ainda, estavam trabalhando juntos, pois é a caridade que os reúne.(Pe. Benoît-Joseph, da comunidade das Beatitudes[2]).  Leia mais

Francisco afirma que concubinos podem ter a "graça do verdadeiro matrimônio".

                             

Nosso Senhor comandou a Pedro que confirmasse seus irmãos na Fé (S. Lucas 22,32), mas Francisco deleita-se em fazer todo o contrário.

Em 16 de junho, em uma sessão de perguntas e respostas durante conferência em Roma, Francisco sinalizou que quem vive em "fiel" concubinato recebe a "graça do verdadeiro matrimônio por causa de sua fidelidade". Mas, ao contrário do que afirma o Papa, o concubinato nunca traz consigo a graça do verdadeiro matrimônio, pelo fato de em si ser uma desgraça.

Na continuação de três anos de comentários irresponsáveis, que provocam escândalos em escala mundial, Francisco falou da situação na Argentina, onde a maioria dos que freqüentam aulas de preparação para casamento vive em concubinato.  Conforme o registro de Catholic News Agency:   Leia mais

 

Paulo VI, o sepultador da Tradição

Nota da Permanência: Apresentamos a seguir um capítulo do livro “Cem anos de modernismo” (Cent ans de modernsime. Généalogie du Concile Vatican II, Editions Clovis, 2003) do padre Dominique Bourmaud, FSSPX.

Capítulo XXII

Há mais de um século que os Carbonários, a maçonaria italiana, tinham planejado destruir o papado:

“O trabalho que empreenderemos não é obra de um dia, nem de um mês, nem de um ano: pode durar vários anos, talvez um século; mas em nossas fileiras morre o soldado e a luta continua… O que devemos buscar e esperar, como os judeus esperam o Messias, é um Papa de acordo com nossas necessidades… E este pontífice, como a maioria dos seus contemporâneos, estará mais ou menos imbuído dos princípios humanitários que começaremos a pôr em circulação… Quereis estabelecer o reino dos escolhidos sobre o trono da prostituta da Babilônia? Que o clero marche sob o vosso estandarte, crendo sempre marchar sob a bandeira das Chaves Apostólicas… Estendei vossas redes… no fundo das sacristias, dos seminários, dos conventos… Tereis pregado uma revolução de tiara e capa pluvial, marchando com a cruz e a bandeira, uma revolução que não necessitará senão ser ligeiramente estimulada para atear fogo em todos os extremos da terra”[1].  Leia mais

Enfim, o cisma

Dom Lourenço Fleichman OSB

Em 1976, amigos franceses enviaram a Gustavo Corção notícias de um bispo italiano que escrevera para seus padres e fiéis denunciando o comunismo. Os amigos que enviaram a auspiciosa notícia ao jornalista e escritor católico estavam entusiasmados com a novidade, achando que aquela reação podia significar uma mudança de ares na Igreja.

Gustavo Corção escreveu sobre o fato um artigo em que mostrava aos seus amigos e leitores que o entusiasmo não era cabível. Antes de mostrar quão superficial era a crítica do bispo ao comunismo, Corção explicou:

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Pode a Igreja morrer?

Dom Lourenço Fleichman OSB

Muitas pessoas me pedem que atualize com mais freqüência o site. Confesso que não tenho conseguido me dedicar mais a este apostolado, levado pelo excesso de trabalho nas quatro capelas sob minha responsabilidade, nas revisões doutrinárias dos livros que editamos e na cura das almas. Estamos iniciando agora o projeto do Colégio São Bernardo, a primeira escola da Tradição no Brasil, sobre a qual falaremos a seu tempo.

Felizmente tenho a ajuda de uma equipe atuante no que toca a produção da Revista Permanência, de outra forma não conseguiria manter o ritmo dos lançamentos trimensais. Confesso que é um trabalho que nos traz muita satisfação.

Agora mesmo assistimos a mais um grave escândalo do ecumenismo desenfreado. A reunião promovida pelo papa Francisco I dentro do Vaticano, no domingo de Pentecostes é apenas um gemido naturalista, um grunhido da História, dentro da obra destruidora do Vaticano II.

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Romanos até o pescoço

Entrevista com Dom Bernard Tissier de Mallerais feita pela revista norte-americana The Angelus.

 

The Angelus: Sua Excelência, como o senhor entende o termo romanità?

Dom Tissier: A palavra traz consigo a idéia da Roma cristã, ainda que não exclua a da Roma pagã, que estabeleceu a unidade da futura Cristandade por meio da língua latina e da organização da Roma imperial; afinal, os primeiros príncipes cristãos foram imperadores romanos. É por isso que não negligenciamos a Roma pagã ou mesmo os autores latinos pagãos em nossos estudos. É um fato que a Providência tenha querido que a Roma pagã tenha se tornado cristã, e esta é a transformação que celebramos com a Festa de São Pedro em 29 de junho. É o que o Papa São Leão Magno expressou nesta bela passagem na qual enaltece a conversão de Roma: “e tu, que eras mestra do erro, te tornaste discípula da verdade.”

 

The Angelus: O senhor está sugerindo primeiro uma Roma pagã e então...?

Dom Tissier: Então Roma se tornou a Roma dos Papas. Uma vez que os imperadores se transferiram para Bizâncio, Roma tornou-se inteiramente a Roma dos Papas, juntamente com os Estados Papais. Seria Roma, por meio dos Papas, que iria iluminar a Cristandade e organizá-la contra seus inimigos.

 

The Angelus: Quais foram as circunstâncias que levaram Marcel Lefebvre a descobrir Roma?

Dom Tissier: O jovem Marcel foi enviado a Roma por seu pai, o Sr. Lefebvre, uma vez que seu irmão René já estava no Seminário Francês de Roma, então sob a direção do padre Le Floch, a quem seu pai tinha em alta conta. O Sr. Lefebvre obrigou o seu filho a ir para lá: “Você vai para Roma, sem discussões. Não há como ficar na diocese de Lille, onde já existem influências liberais, modernistas. Em Roma, você estará sob a direção do padre Le Floch”, a quem ele via como um diretor que transmitiria a doutrina dos papas.

 

The Angelus: O que a romanità significava para o jovem seminarista?

Dom Tissier: Para ele, significava a continuidade da doutrina papal. Assim, por exemplo, durante as refeições no seminário, por ordem do padre Le Floch, as encíclicas papais sobre os tópicos importantes da política cristã eram lidas em voz alta. E o próprio padre Le Floch dava aulas sobre as encíclicas papais dos últimos dois séculos, começando com aquelas dos papas que condenaram a Maçonaria até a Revolução Francesa. Os Papas Pio VI e Pio VII foram suas vítimas. Pio VI viria a condenar os princípios da Revolução. Pio VII viria a assinar a Concordata com Napoleão como que para reviver a Igreja na França. Havia também a carta encíclica de Pio VII ao bispo de Troyes, lamentando que Luís XVIII tivesse reconhecido a Religião católica não como a religião do reino, mas apenas como aquela da maioria dos franceses. Já se tratava da apostasia de um líder de um Estado católico. Então vinham as grandes encíclicas de Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X e Pio XI, todas as quais, numa admirável continuidade, condenavam os erros liberais na política e ensinavam a doutrina do reinado social e político de Cristo Rei.

 

The Angelus: Seria correto dizer que Dom Lefebvre não teria sido o bispo tradicionalista que conhecemos se ele não tivesse estudado no Seminário Francês de Roma?

Dom Tissier: Bem correto, ainda que a expressão “bispo tradicionalista” não fosse a sua linguagem. Ele dizia a nós seminaristas: “Minha vida foi completamente transformada por minha estadia em Roma. Se eu não tivesse freqüentado o seminário em Roma, teria me tornado um simples padre diocesano sem a herança de São Pio X, que recebi em Roma dos padres Le Floch, Voegtli, Le Rohellec, Frey e Haegy.” Esses cinco professores transmitiram-lhe o espírito de São Pio X. Quando ele chegou em Roma pela primeira vez, o odor de santidade, as virtudes e a doutrina de São Pio X ainda estavam no ar, porque este havia morrido há apenas nove anos. A vida de Dom Lefebvre foi completamente transformada em virtude da graça de ter vivido em Roma.

 

The Angelus: Essa graça foi uma iluminação? Uma convicção? A visão idílica da Igreja em sua essência?

Dom Tissier: O arcebispo nos contava que durante seus dias de escola havia sido bem liberal. Eles pensavam que a separação entre Igreja e Estado era uma coisa boa — não em sua família! Ainda assim, na escola ele não havia aprendido os princípios da Cidade Católica. Foi em Roma que aprendeu que o Estado deve professar publicamente a Religião católica e defendê-la. Então, ao ir para o seminário, passou por uma conversão intelectual sobre a qual freqüentemente falava conosco. Dizia: “Fiquei muito feliz por ter me dado conta de que estava errado ao pensar que a separação entre Igreja e Estado era uma coisa boa. Eu era um liberal!” Quando ouvíamos isso de sua própria boca, ríamos e batíamos palmas; apesar de ser um pouco preocupante, porque diziam que “uma vez liberal, sempre liberal” — talvez o arcebispo tivesse mantido alguns vestígios de liberalismo. Mas nós não pensávamos isso dele.

 

The Angelus: Como Dom Lefebvre pretendia instilar esse apego a Roma, esse espírito romano, em seus seminaristas?

Dom Tissier: Uma vez que a Fraternidade foi fundada, primeiramente em Friburgo e depois em Ecône, a primeira coisa que ele quis fazer foi inaugurar um ano de espiritualidade, que ele não havia recebido em Roma, mas que depois tinha experimentado no noviciado dos Padres do Espírito Santo em Orly. No currículo havia um curso especial intitulado “Os Atos do Magistério”. Esse curso motivava a reflexão sobre os erros modernos e o engajamento na batalha contra eles. O objetivo era alistar os seminaristas, por assim dizer, no combate dos papas contra o liberalismo e o modernismo.

    Mas alguns de seus colegas no noviciado realmente não alcançavam o propósito do curso. Para eles, era uma questão de discussão, enfrentamento e vitória intelectual sobre o liberalismo e o modernismo. Mas aquela não era a idéia do arcebispo. Para ele, era uma questão de compreender o espírito com o qual os papas haviam condenado os erros. E esse espírito era o espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dom Lefebvre sempre conectava o combate intelectual contra os erros com o combate sobrenatural no nível da graça e, portanto, com Cristo Rei. Tinha sido pelo reinado de Cristo Rei que todos aqueles papas condenaram o modernismo. Então, não se tratava simplesmente de um curso sobre os erros modernos, mas de um comentário sobre os próprios textos das encíclicas dos romanos pontífices sobre esses grandes temas. Porque, apesar de algumas fraquezas em suas políticas, a doutrina desses papas era absolutamente esplêndida e em perfeita continuidade com o constante ensinamento da Igreja.

 

The Angelus: Roma é a sé do sucessor de São Pedro. Quando a suprema autoridade docente pronuncia algo tão seriamente como nessas encíclicas...

Dom Tissier: Em princípio, é a verdade! Mesmo que todos esses escritos pontifícios não fossem infalíveis, ainda assim o ensinamento do papa era obedecido, recebido com piedade e devoção, com obediência. Mas tenhamos cuidado! Para Dom Lefebvre, a romanità não é meramente: “O Papa falou numa encíclica, então é preciso seguir e obedecer.” A romanità é uma tradição. Uma ruptura seria o fim da romanità. Nesse sentido, o Concílio Vaticano II foi a morte da romanità. Por isso a morte prematura de dois excelentes padres e teólogos romanos: Mons. Joseph Clifford Fenton, que havia lutado por anos e anos contra os teólogos modernos na década de 1950 na revista American Ecclesiastical Review e escrito seu explosivo diário manuscrito dos quatro anos do Concílio; e padre Alain Berto, um colega de classe de Dom Lefebvre no Seminário Francês de Roma, que havia sido secretário do Coetus durante o Concílio. Ambos não conseguiram aguentar a morte da romanità.

 

The Angelus: A Fraternidade tem uma casa em Albano, perto de Roma. Como isso veio a acontecer?

Dom Tissier: Dom Lefebvre comprou a propriedade em Albano, que estava esperando por ele e caiu em suas mãos graças a uma doação inesperada. Na noite de sua primeira visita a Albano ele lamentava não ter dinheiro suficiente para a compra. Seu chofer, Rémy Borgeat, lhe disse: “Monseigneur, vá em frente e compre! Preencha o cheque e deixe que São José o assine.” E eis que um benfeitor o convida para jantar, e ele tinha o milhão e meio necessário para comprar a propriedade.

 

The Angelus: Qual era sua intenção de uso para a propriedade de Albano?

Dom Tissier: O que ele queria fazer com ela? Ele queira que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X tivesse uma presença em Roma, da mesma forma que a Congregação do Espírito Santo tinha. Ele queria proporcionar um ano romano para todos os seus padres. Os padres, após sua ordenação, iriam a Albano para absorver o espírito romano. Eles teriam aulas sobre Roma, sobre o espírito romano, sobre a arqueologia e a história de Roma. E visitariam os monumentos, as igrejas, as relíquias e os papas em Roma.

 

The Angelus: Então os padres da Fraternidade não são antipapais e sedevacantistas?

Dom Tissier: Longe disso! É justamente o contrário. Dom Lefebvre tinha uma grande devoção pelos papas, mesmo por Pio XI, que havia condenado a Action Française. Mesmo por Paulo VI, o papa da Missa Nova, que suspendeu Dom Lefebvre, o arcebispo tinha um grande respeito.

 

The Angelus: O que de fato foi feito de Albano?

Dom Tissier: O ano dos padres só existiu mesmo por alguns meses. Em 1976, um pequeno grupo de padres, do qual eu não tive a boa sorte de participar, passou seis meses lá e depois foram enviados para seus ministérios. No fim, o ano dos padres acabou não se efetivando. Em seu lugar, nós tivemos um mês em Roma. Os seminaristas da teologia passariam um mês inteiro em Albano e todos os dias visitariam Roma.

 

The Angelus: Houve também um seminário estabelecido lá por um tempo, não foi?

Dom Tissier: Ah, sim! Eu havia esquecido! Entre 1978 e 1982, sob a direção do padre Bonneterre, havia dois anos de filosofia em Roma entre o ano de espiritualidade e a teologia em Ecône. Foi muito recompensante para eles.

 

The Angelus: O mês romano foi benéfico?

Dom Tissier: Eu fiz o meu e tenho memórias muito boas dele. Ficávamos hospedados em Albano e levantávamos todas as manhãs para sair, mas não muito cedo. (Os alemães, mais enérgicos, levantavam uma hora antes de nós.) Nós, franceses, levávamos as coisas com mais leveza; íamos de trem até a Estação Termini e então seguíamos para visitar as grandes basílicas romanas. Visitamos muitas igrejas praticamente desconhecidas com o padre Boivin, para os franceses, e com o padre Klaus Wodsack, para os alemães. Obviamente não seguíamos os mesmos itinerários, já que não tínhamos os mesmos interesses. Para o padre Wodsack, o objetivo era mostrar a influência dos imperadores do Sacro Império Romano, e para o padre Boivin, era mostrar o papel dos reis da França.

 

The Angelus: Os seminaristas obtiveram algum benefício?

Dom Tissier: Sim, de fato. Agora nossos jovens padres são capazes de liderar nossos fiéis na peregrinação a Roma e passar para eles algo do espírito romano — a romanità.

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