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Teologia (103)

A devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês

Parece difícil o rude combate pela fé? Quantos descobrem a verdade, recebem a graça de ver os graves erros de Vaticano II e, depois, não têm coragem ou forças para perseverar no bom combate. O que lhes falta? Eles estudam, passam horas na internet em bate-papos e leituras, mas mesmo assim, fraquejam. Falta-lhes talvez o essencial: vida de oração e fé, no sentido de levar sempre nossos pensamentos e nossas conclusões para as causas sobrenaturais da Revelação e da Santa Igreja. Ora, a Virgem Maria veio nos ensinar o caminho da última batalha pela conquista do céu. A devoção ao Imaculado Coração de Maria é a Cruzada dos últimos tempos. Comecemos logo, e o mais simples de tudo, é a prática da devoção aos 5 primeiros sábados do mês(Nota da Permanência).

 

 

 

Preâmbulo

 

 

Os dois pedidos de 13 de julho de 1917.

 

A 13 de junho de 1917, a Santíssima Virgem disse à Lúcia: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorzinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação.

 

No dia 13 de julho, a rainha do céu repetiu as mesmas palavras e as esclareceu fazendo dois pedidos concretos e precisos: “Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. [...] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (do mês).”

 

De fato, Nossa Senhora realizou perfeitamente sua promessa:

 

- Ela veio pedir expressamente a consagração da Rússia à irmã Lúcia, em Tuy, na Espanha, em 13 de junho de 1929:

 

É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena pelos pecados contra mim cometidos, que venho pedir reparação:  sacrifica-te por esta intenção e ora.

 

- Quanto à devoção reparadora dos primeiros sábados do mês, Nossa Senhora veio explicar à Lúcia, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra na Espanha, onde a vidente era jovem postulante à vida religiosa, nas irmãs dorotéias. Em dezembro de 1927, irmã Lúcia, por ordem de seu confessor, escreveu um relatório dessa aparição, mas por humildade, escreveu este texto na terceira pessoa:

 

Dia 10 de dezembro de 1925, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A Santíssima Virgem pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe ao mesmo tempo um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos. Ao mesmo tempo disse o Menino: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”. Em seguida, disse a Santíssima Virgem: Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.”

 

Notemos que se o ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria depende diretamente da boa vontade da autoridade hierárquica da Igreja (papa e bispos), a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês foi pedida a todos os católicos. Desta prática depende a salvação de muitas almas e mesmo a paz do mundo. Daí a importância de todo aquele que é batizado, saber exatamente em que ela consiste.

Mas antes, vejamos como a divina Providência preparou as almas para receber esta devoção.

 

Premissas de uma devoção

 

Nossa Senhora, quando pediu à irmã Lúcia, em 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, a prática da devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês, não estava inovando: este pedido celeste aparece como o apogeu de um movimento de piedade nascido muito tempo antes e encorajado pela Santa Sé desde de 1889.

 

Sábado, dia consagrado especialmente à Santíssima Virgem

 

Esta tradição  imemorável data, com toda certeza, dos primeiros séculos da Igreja: a presença da Missa de Nossa Senhora nos Sábados,1  no missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antigüidade desta prática que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana, depois de ter consagrado o dia da sexta feira para comemorar a paixão de Nosso Senhor e os sofrimentos de seu Sagrado Coração.

 

Foi apoiando-se nesta piedosa tradição que os membros das Confrarias do Rosário habituaram-se a consagrar especialmente à Nossa Senhora, quinze sábados consecutivos de cada ano litúrgico: durante esses quinze sábados, eles se aproximavam dos sacramentos e cumpriam exercícios de piedade particulares em honra dos quinze mistérios do santo rosário. Em 1889, o papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária a ser ganha durante um desses quinze sábados.

 

O primeiro sábado do mês

 

Foi com o grande papa São Pio X que a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada e encorajada por Roma.. Em 10 de julho de 1905, ele indulgenciou pela primeira vez esta devoção:

 

“Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou primeiro domingo de doze meses consecutivos, consagrarem algum tempo com a oração vocal ou mental em honra da Virgem Imaculada em sua Conceição ganham, cada um desses dias, uma indulgência plenária. – Condições: confissão, comunhão e oração nas intenções do soberano pontífice”.

 

A devoção reparadora dos primeiros sábados do mês.

 

Em 13 de junho de 1912, São Pio X concedia novas indulgências à devoção dos primeiros sábados do mês, insistindo muito na intenção reparadora com a qual esta devoção devia ser praticada:

 

“A fim de promover a devoção dos fiéis para a gloriosa e imaculada Mãe de Deus, e para favorecer o piedoso desejo de reparação dos fiéis (et ad fovendum pium reparationis desiderium) diante das blasfêmias execráveis proferidas contra o seu augusto nome e as celestes prerrogativas desta mesma bem-aventurada Virgem, Pio X, papa pela divina Providência, dignou-se conceder uma indulgência plenária, aplicável às almas dos defuntos, no primeiro sábado de cada mês, por todos aqueles que, nesse dia, se confessarem, comungarem, cumprirem exercícios particulares de devoção em honra da bem-aventurada Virgem Maria, em espírito de reparação como indicado acima (in spiritu reparationis, ut supra) e rezarem nas intenções do soberano pontífice. 2

 

Notemos a providencial coincidência das datas: 13 de junho de 1912, são cinco anos, dia por dia antes da segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima, durante a qual os três pastorinhos testemunharam a primeira grande manifestação do Imaculado Coração de Maria vendo-o “cercado de espinhos que pareciam enterrados nele”. “Compreendemos, escreveu Lúcia sobre isto em 1941, na sua quarta Memória, que era o Imaculado Coração de Maria  ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação”.

 

Os termos empregados por São Pio X anunciam quase exatamente os termos do pedido de Nossa Senhora em Pontevedra, em 1925: nos dois casos, é sublinhada a extrêma importância da intenção reparadora, única capaz de afastar e apaziguar a cólera de Deus.

 

Em Fátima e em Pontevedra, Nossa Senhora não é, pois, inovadora: ela veio dar a ratificação do Céu e um novo impulso a um movimento de piedade mariano enraizado na mais pura tradição católica, para encorajar a todos nós, a participarmos dele.

 

A intenção reparadora, chave desta devoção.

 

Respondamos, primeiramente, a uma objeção que muitas vezes escutamos da parte de pessoas pouco esclarecidas no domínio da fé. Essas pessoas contestam esta devoção afirmando que ela se opõe à perseverança na vida cristã: com efeito, dizem, bastaria praticar uma só vez na vida a devoção reparadora para ter assegurado sua salvação eterna; depois, as almas poderiam fazer o que quisessem, deixar a prática religiosa e cair nos piores pecados, pois estariam de qualquer maneira salvos para a eternidade! É fácil refutar esta objeção: uma alma que cumprir a devoção reparadora com tal espírito não obteria a graça da perseverança final, ligada por Nossa Senhora a esta prática, já que ela não a faria com reta intenção (condição indispensável a todos nossos atos religiosos e de devoção, para receber as bênçãos e graças de Deus) nem com o cuidado de reparar e consolar o Coração de Maria! Tal prática equivaleria, ao contrário, em abusar gravemente da misericórdia de Deus, utilizando a promessa da salvação eterna feita por Nossa Senhora para legitimar todos os pecados que fossem cometidos em seguida; isto é o pecado de presunção de sua salvação que é um dos sete pecados contra o Espírito Santo!

 

Reparar pelos pecadores.

 

As almas que querem praticar a devoção dos primeiros sábados do mês conforme a vontade do Céu, devem fazê-la na intenção geral de reparar e consolar Nossa Senhora, em substituição dos pobres pecadores que ultrajam e blasfemam contra ela: trata-se, por caridade fraterna, de “implorar o perdão e a misericórdia em favor das almas que blasfemam contra Nossa Senhora porque, a essas almas, a misericórdia divina não perdoa sem reparação”.3 Foi isso que afirmou Nosso Senhor a Lúcia em 29 de maio de 1930, depois de ter revelado as cinco espécies de ofensas e de blasfêmias que se trata de reparar (infra):

 

Eis, minha filha, porque motivo o Imaculado Coração de Maria me inspirou  para pedir esta pequena reparação e em consideração a ela, comover minha misericórdia  para perdoar às almas que tiveram a infelicidade de ofendê-lo. Quanto a ti, procure sem cessar, por tuas orações e teus sacrifícios, comover minha misericórdia em relação às pobres almas.”

 

Esta intenção reparadora, movida pela caridade fraterna, deveria nos dar um grande zelo para cumprir a devoção dos primeiros sábados não apenas cinco vezes em nossa vida, para assegurar a salvação pessoal, mas cada  primeiro sábado, a fim de permitir a salvação  eterna do maior número possível de pecadores. Porque aí está um dos grandes objetivos da devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria: “salvar almas, muitas almas, todas as almas”.4

 

Ora, o conjunto de acontecimentos sobrenaturais de Fátima, Pontevedra e Tuy nos mostra claramente e repetidas vezes, que são muitas as almas condenadas à eternidade:

 

- A 13 de julho de 1917, os três pastorinhos têm a visão do inferno, que está longe de ser um lugar vazio:

Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo [...]. Mergulhado nesse fogo, os demônios e as almas [...] almas flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas, que delas mesmas saíam, com nuvens de fumo caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e de desespero que horroriza e fazia estremecer de pavor. 5

 

- A 19 de agosto de 1917, no fim da aparição, Nossa Senhora diz aos três videntes:

Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores; que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas. 6

 

- A 13 de junho de 1929, na aparição de Tuy, Nossa Senhora concluiu a teofania trinitária com a qual Lúcia foi gratificada, por essas terríveis e surpreendentes palavras:

 

São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra mim cometidos que venho  pedir reparação. Sacrifica-te por esta intenção e reza.

 

Irmã Lúcia sempre afirmou que o número de almas danadas era muito grande. Ela conclui assim sua carta para um jovem, tentado a abandonar o seminário: “Não se surpreenda se falo tanto do inferno. Esta é uma verdade que é necessária lembrar muito nos tempos presentes, porque é esquecida: é um turbilhão de almas que caem no inferno. Então, o senhor não acha que são bem empregados todos os sacrifícios que é preciso fazer para não ir para lá e para impedir que muitos outros caiam lá?”.7 E ao Padre Lombardi que, em outubro de 1953, a interrogou sobre o inferno, ela respondeu: “Padre, numerosos são aqueles que são condenados.[...] Padre, muitos, muitos se perderão.”

 

Obter a conversão de um pecador

 

É também louvável e frutífero praticar esta devoção para obter a conversão desse ou daquele grande pecador de nossas relações. A carta da irmã Lúcia ao bispo titular de Gurza, de 27 de maio de 1943, já citada, esclarece muito bem sobre o poder e eficácia sobrenatural da devoção aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria:

 

Os Santíssimos corações de Jesus e Maria amam e desejam este culto [para com o Coração de Maria] porque dele se servem para atrair todas as almas a eles e isto é tudo o que desejam: salvar as almas, muitas almas, todas as almas”. Nosso Senhor me dizia, há alguns dias: “Desejo ardentemente a propagação do culto e da devoção ao Coração de Maria porque este Coração é o ímã que atrai as almas para mim, a fornalha que irradia na terra os raios de minha luz e de meu amor, fonte inesgotável de onde brota na terra a água viva de minha misericórdia”.

 

Pondo toda sua confiança no Imaculado Coração de Maria, muitos católicos portugueses praticaram a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados em favor de um próximo, grande pecador e bem afastado da vida cristã. Entre outros, este belo testemunho de uma senhora de Guimarães (norte de Portugal), publicado no boletim de agosto de 2001 da Cruzada Eucarística das crianças de Portugal: esta mulher conta que ela tinha um irmão repatriado de Moçambique, que era um revoltado e um blasfemador. Tinha abandonado a esposa legítima para viver com outra mulher, da qual tinha dois filhos. Para obter do Imaculado Coração de Maria a sua conversão, sua irmã fez por ele e em seu lugar, a devoção dos cinco primeiros sábados do mês:

No começo de agosto de 1981, meu irmão estava muito mal. Quando lhe perguntaram se queria ver um padre, proferiu blasfêmias contra os padres. Como a doença se agravava, deu entrada em um hospital de Braga. Os outros doentes diziam que ele não tinha um momento de repouso, nem de dia, nem de noite e que não deixava ninguém em paz. Para grande estupefação de todos, em 18 de agosto de 1981, pediu várias vezes um padre. Dois padres vieram administrar os últimos sacramentos. Imediatamente depois que eles saíram inclinou a cabeça para o lado e morreu. Sem dúvida, foi o Coração Imaculado de Maria que salvou meu pobre irmão, que fora tão pecador. Não queria olhar para ele depois de morto, temendo ver seu rosto deformado como o tinha durante sua doença. Mas não pude resistir e me aproximei durante a missa, que teve lugar na capela do hospital. Ele não parecia o mesmo homem! Estava tão bonito, sorridente. Parecia que sua amargura se transformara em alegria”.

 

O que é preciso fazer

 

Uma alma cristã que deseje realizar perfeitamente a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês deve fazer, durante cinco primeiros sábados consecutivos, na intenção geral de reparar seus próprios pecados e os de toda a humanidade, junto ao Coração Imaculado de Maria, quatro atos diferentes de piedade:

 

1 -  A confissão, que pode ser antecipada, até mesmo mais de oito dias, se for impossível ou muito difícil se confessar no primeiro sábado. O mais importante é ter a intenção, se confessando, de reparar o Coração Imaculado de Maria. (É preciso também, naturalmente,  estar em estado de graça no primeiro sábado do mês a fim de fazer uma boa e frutífera comunhão.) A intenção reparadora deve ser dita ao confessor? Irmã Lúcia nunca mencionou se é preciso dizer alguma coisa ao padre. Uma formulação interior, puramente mental, é suficiente. Nosso Senhor até mesmo acrescentou que aqueles que esquecessem de formular a intenção reparadora “poderão formulá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar.” 8

 

2 – Recitação do terço: Nossa Senhora, em Fátima, insistiu muito na recitação quotidiana do terço. Foi esse o único pedido que ela repetiu para as crianças em todas as seis aparições, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917: nesse dia revelou aos pastorinhos sua identidade: “Sou Nossa Senhora do Rosário”. Não é, pois, de espantar que a recitação do rosário seja encontrada na devoção reparadora dos primeiros sábados . Além disso, como não existe oração vocal mais mariana do que o terço, convém que este seja integrado a essa devoção já que se trata de reparar as ofensas feitas à Nossa Senhora e a seu Coração Imaculado.

 

3 – Os 15 minutos de meditação sobre os 15 mistérios do rosário: Trata-se de “fazer companhia a Nossa Senhora durante15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do rosário, em espírito de reparação”. Isto não quer dizer que se deva meditar todo primeiro sábado sobre os 15 mistérios em sua totalidade, passando um minuto em cada mistério. Ao contrário, cada alma está livre para organizar seu quarto de hora de meditação como entender, desde que o objeto da meditação seja os mistérios do rosário. Algumas almas preferirão meditar o mesmo mistério durante vários primeiros sábados, outras um mistério diferente cada primeiro sábado, outras ainda três mistérios cada primeiro sábado (cinco minutos por mistério), etc. Sendo as almas diferentes umas das outras, é normal que tenham gostos e necessidades espirituais diferentes; é por isso que a Igreja sempre teve o cuidado de deixar aos fiéis uma grande amplidão para cada um organizar sua vida espiritual.

 

4 – A comunhão, que é o ato essencial da devoção reparadora. Para compreender bem toda sua importância, convém colocá-la em paralelo com a comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, pedidas pelo Sagrado Coração em Paray-le-Monial e com a comunhão milagrosa dos três pastorinhos de Fátima, no outono de 1916: o Anjo da Guarda de Portugal deu então a esta comunhão um espírito eminentemente reparador, repetindo seis vezes com as crianças (três vezes antes da comunhão e três vezes depois) as palavras que são chamadas a segunda oração do Anjo:

 

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.”

No contexto da atual crise da Igreja é certo que esta intenção reparadora toma uma nova dimensão: quantas irreverências, sacrilégios são causadas pela reforma litúrgica de Paulo VI: não apenas pela comunhão dada na mão, como também distribuída a todos os assistentes sem nunca lembrar a necessidade do estado de graça; pela supressão das marcas de adoração ao Santíssimo  Sacramento, etc. Hoje, a comunhão dos primeiros sábados deve ser feita para reparar todas essas profanações.

 

Um último ponto importante: a prática da devoção reparadora em seu conjunto “será aceita no domingo que segue o primeiro sábado, quando meus padres, por motivos justos, o permitirem às almas.”9

 

É pois, aos padres, e não à consciência individual de cada um, que Jesus confia o cuidado de conceder esta facilidade suplementar, tão misericordiosa. Por essa concessão, talvez Nosso Senhor fizesse alusão a estes tempos em que estamos, onde não é sempre fácil aos fiéis assistir à verdadeira missa no sábado. Em todo caso, esta disposição torna mais fácil a prática da comunhão reparadora para os católicos fiéis de hoje.

 

Disposições requeridas

 

É muito simples praticar a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês. Está ao alcance de toda alma que põe um mínimo de generosidade na base de sua vida cristã, ainda mais que o Céu deu uma grande amplidão para a confissão e a comunhão. Infelizmente, muitas vezes, a ignorância, a moleza espiritual e a negligência se conjugam para afastar as almas, mesmo as mais fiéis, desta prática que, no entanto, é tão salutar, já que Nossa Senhora a ligou à perseverança final e à salvação eterna: “Prometo assisti-las na hora da morte com todas as graças necessárias à sua salvação.” 10

 

A desproporção entre a pequena devoção pedida (os primeiros sábados de cinco meses  consecutivos, uma só vez na vida!) e a graça prometida (a salvação eterna de sua alma) ilustra de maneira estrondosa o grande poder de intercessão concedido à Virgem Maria para a salvação de nossas almas: Nossa Senhora é verdadeiramente, em virtude de sua maternidade divina, nossa advogada e nossa medianeira junto ao coração de Deus. Padre Alonso,  claretiano espanhol que foi o grande especialista de Fátima até sua morte em 1982, escreveu sobre este assunto:

 

A grande promessa [da salvação eterna] não é nada mais do que uma nova manifestação deste amor de complacência da Santíssima Trindade para com a Virgem Maria. Para aquele que compreende isto é fácil admitir que a humildes práticas estejam ligadas maravilhosas promessas. Ele se entrega então filialmente à elas com um coração simples e confiante na Virgem Maria.” 11

Em algumas linhas o Padre Alonso nos desvenda algumas boas disposições necessárias para fazer bem esta devoção:

 

- uma grande simplicidade e humildade de coração;

- uma devoção marial inteiramente filial e cheia de confiança.

 

O Menino Jesus, aparecendo à irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926, nos dá a terceira disposição necessária:

 

- um fervor profundo.

 

Com efeito, nesse dia, irmã Lúcia dirigiu estas palavras ao Menino Jesus:

 

Mas meu confessor dizia em sua carta que esta devoção não fazia falta ao mundo porque já havia muitas almas que  vos recebia  todo primeiro sábado, em honra de Nossa Senhora e dos quinze mistérios do rosário”.

 

O Menino Jesus lhe respondeu:

 

É verdade, minha filha, que muitas almas começam, mas poucas vão até o fim; e aquelas que perseveram, não fazem para receber as graças que estão prometidas. As almas que fazem os cinco primeiros sábados com fervor e com o fim de reparar o Coração de tua Mãe do Céu me agradam mais do que aquelas que fazem quinze, sem ardor e indiferentes”.

 

Para falar agora da quarta disposição requerida para esta prática é preciso lembrar que o Céu nos pede cinco primeiros sábados de cinco meses consecutivos, e não nove, doze ou quinze. Porque este número? Lúcia perguntou a Nosso Senhor durante uma Hora Santa, em 29 de maio de 1930, em Tuy, e lhe foi respondido:

Minha filha, o motivo é simples. Há cinco espécies de ofensas e de blasfêmias proferidas contra o Coração Imaculado de Maria:

 

1 – as blasfêmias contra a imaculada conceição da Virgem Maria;

2 – as blasfêmias contra sua virgindade;

3 – as blasfêmias contra sua maternidade divina, recusando ao mesmo tempo reconhecê-la como mãe dos homens;

4 – as blasfêmias daqueles que procuram publicamente por no coração das crianças a indiferença ou o desprezo, ou mesmo o ódio em relação a esta Mãe imaculada;

5 – as ofensas dos que a ultrajem diretamente nas suas santas imagens.

Ai está, minha filha, o motivo pelo qual o Coração Imaculado de Maria me inspirou para pedir esta pequena reparação”.

 

Como, hoje em dia, não pensar nos ataques à dignidade, aos privilégios, às honras devidas à Virgem Maria, perpetradas pelos próprios homens da Igreja? Lembremos o que se passou no concilio Vaticano II, onde, longe de definir a mediação universal e a corredenção de Nossa Senhora, como muitos pediam, os bispos progressistas conseguiram fazer rejeitar o esquema sobre a Virgem Maria para pô-lo como simples anexo no esquema sobre a Igreja e isto para agradar aos protestantes; triste concílio, onde nem mesmo um só texto cita o terço como devoção a ser encorajado junto aos fiéis. Seguiu-se uma diminuição considerável do culto mariano em toda a Igreja. A impiedade da nova religião para com Nossa Senhora é certamente para ser incluída na intenção reparadora daqueles que praticam a devoção dos primeiros sábados.

 

Notemos que as três primeiras espécies de blasfêmias que se trata de reparar vão contra três dogmas de fé definidos. Pode-se então acrescentar uma quarta disposição às três já citadas:

 

- convém fazer esta devoção reparadora com espírito de fé e para pedir a Nossa Senhora a insigne graça de conservar a verdadeira fé católica em nossas almas, até a hora da nossa morte, no meio da apostasia geral do mundo que nos cerca, nutrido por utopias malsãs, de revoltas e de impiedade.

                                                                      

Tomemos a peito reparar a honra de Nossa Senhora, tão ultrajada pela ingratidão dos homens e para isso utilizemos a devoção que ela mesmo veio nos indicar, pedindo-lhe com insistência e perseverança as boas disposições de alma para bem praticá-la.

 

 Revista Le Sel de la Terre, nº 53

  1. 1. De Beata Maria Virgine in sabbato
  2. 2. AAS, t. 4, 1912, p 623.
  3. 3. Carta de irmã Lúcia de 31 de março de 1929.
  4. 4. Carta de irmã Lúcia em 27 de maio de 1943 ao bispo titular de Gurza
  5. 5. Terceira  Memória de irmã Lúcia, 31 de agosto de 1941
  6. 6. Quarta memória, 8 de dezembro de 1941.
  7. 7. Citado por A.  M. MARTINS, Cartas da Irmã Lúcia,  Porto. 1979, p.122.
  8. 8. Aparição de Nosso Senhor a irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926
  9. 9. Aparição de Nosso Senhora a irmã Lúcia , na noite de 29 para 30 de maio de 1930.
  10. 10. De Nossa Senhora à irmã Lúcia em 10 de dezembro de 1925.
  11. 11. Padre Joaquim Maria ALONSO, La gran promesa Del corazon de Maria en Potevedra, Madri, Centro Mariano, 1977, p.45.

Não pecarás contra a castidade

Na volta às aulas deste ano de 1999, ficou patente o quanto estamos à mercê de um poder que nos escraviza. Já há muito que as aulas de ciências servem para corromper a inocência das crianças, desde as primeiras séries. Vestindo a máscara do assunto "científico", livros para crianças de 8 anos descrevem a reprodução humana sem o menor cuidado com as alminhas delicadas de crianças inocentes, mas que carregam a inclinação da concupiscência e as levam a ter curiosidades perigosas.

A cada ano aquele assunto voltará, sob diversos aspectos, mantendo a atenção da criança na fonte de pecados contra a pureza do corpo.

Mas o que vimos este ano ultrapassou todos os limites. Leia mais

Depois de ter estudado todos esses anos este assunto, depois de terem suas forças minadas, ouvindo os professores falarem (científicamente!) sempre sobre isso, as crianças de 12-13 anos que ingressaram na 7ª série tiveram que comprar livros de ciências sobre o corpo humano. Mais uma vez vão falar do assunto. Porém, desta vez, aquilo que era ciência passou a ser Moral. Dentro do livro, em páginas de coloração diferente, bem destacado, introduziu-se uma verdadeira aula sobre pecados diversos contra o 6º mandamento da lei de Deus: não pecar contra a Castidade. Com ilustrações e desenhos de alta qualidade, o autor ultrapassa todas as barreiras da ética profissional, invade o campo alheio para deixar de lado a ciência do corpo e querer falar sobre a ciência da alma! Que autoridade tem esse autor, ou o diretor da escola que adota este livro, ou um professor que ouse falar destas coisas para meninas de 12 anos, que autoridade, repito, têm eles para falar sobre relacionamento sexual e ensinar as crianças a pecar?

Mas eles são materialistas, não acreditam em nada que não seja palpável e mensurável, não acreditam mais na alma, criada à imagem e à semelhança de Deus, ou seja, espiritual, inteligente e livre. Como pode um cérebro, um mecanismo, um corpo animal, conhecer como nós conhecemos, e amar livremente (conscientemente) como nós amamos, isso eles não explicam e nem podem explicar. Mentem! Inventam mágicas inexplicáveis cientificamente segundo as quais o cérebro foi evoluindo, evoluindo e, aos poucos começou a pensar.....

Logo, nada mais somos do que animais evoluídos e por isso, devemos usar do sexo como animais!Claro! Não existe a alma racional para impor aos sentidos uma razão elevada, uma finalidade sobrenatural. A dúvida é que eles não explicam porque, sendo tão evoluídos, eles ensinam aos homens um comportamento sexual tão degradante e baixo, inexistente no mundo animal. Se os homens seguissem o exemplo da natureza dos animais, que respeitam totalmente as finalidades criadas por Deus, não pecariam tanto!

Mas voltemos à escola pervertedora de crianças.

Falta ainda analisar a atitude dos pais diante desta monstruosidade.

Não existe nada que me faça entender que um pai, ou uma mãe, deva assistir ao envenenamento de seus filhos sem nada fazer. Eu bem sei que as crianças não aprendem estas coisas somente nestes livros, que é preciso acompanhar passo a passo as descobertas que elas fazem, e ir conversando, instruindo de modo católico, dando-lhes a consciência do pecado e a simplicidade da confissão, quando caírem. Quantas vezes eu mesmo ensinei assim.

Mas existem limites.

Uma coisa é a escola ensinar antes da hora, um aspecto natural do nosso organismo que, em si, nada tem de errado. Por ser ensinado antes da hora pode provocar curiosidades e mesmo pecados. Neste caso, pode acontecer que a única saída seja conversas e explicações para defender os filhos.

Outra coisa inteiramente diferente é a escola ensinar a pecar, pura e simplesmente. Neste caso, só existe uma atitude possível. Puxar a espada! Qualquer outra atitude seria uma fraqueza pecaminosa da parte dos pais.

Creio que a diferença entre as duas atitudes postas em negrito é bastante clara. Essa diferença estabelece o tipo de ação, assim como a responsabilidade dos pais em reagir à altura da gravidade da contaminação.

Daí vem a orientação que dei aos pais de rasgarem estas páginas dos livros antes das crianças lerem, e de se organizarem para que seus filhos não assistam às aulas que os professores derem sobre isso. Mais uma vez: eles não têm autoridade para ensinar a Moral, para ensinar quando um ato humano é bom e quando ele é mau. A moralidade dos nossos atos vem de Deus, de sua Lei Santa, da natureza criada e dirigida por Ele só. Por isso, só a Igreja Católica, única religião Revelada por Deus, pode nos dizer o que é certo e o que é errado. E os pais têm obrigação de ensinar assim aos filhos.

Vá para o Limbo!

Depois que o papa Bento XVI recusou-se a assinar o documento que falsifica a doutrina sobre o Limbo das crianças mortas sem batismo, chega-nos agora a notícia de que o documento acaba de ser publicado com a autorização do Pontífice. Método típico da Revolução, que toma atalhos extra-oficiais apimentados com uma ou duas mentiras difíceis de serem confirmadas. Ou será que, de fato, teria o papa autorizado a publicação? Por enquanto não encontrei nenhuma versão oficial da notícia, mas o texto é citado pelas agências de informação. Leia mais

 

Quanta asneira dizem esses falsos teólogos! Quanta arrogância e pretensão, de querer enganar o povo fiel com argumentos tendenciosos e de falsa doutrina. Basta uma formação média na doutrina para sentir o cheiro da heresia. Iniciam seu raciocínio com a questão da vontade de Deus. Dizem estes senhores que Deus é misericordioso e quer a salvação de todos os homens. Dizendo assim, parece que a Igreja Católica, de tantos santos doutores, de um Sto Anselmo que festejamos neste dia 21 de abril, de um São Tomás de Aquino, de tantos santos papas, não percebeu, ao longo de seus dois mil anos, a límpida verdade. Ora, ora... descobriram a pólvora! Deus quer a salvação de todos os homens! Pois eu digo que se Jesus Cristo estivesse diante desta tal comissão, diria: "Raça de víboras"! porque não apresentam aos fiéis a doutrina completa sobre a vontade de Deus? Porque não dizem que, na sua vontade absoluta, sim, Deus só pode querer a salvação de todos os homens. Mas na sua vontade aplicada, ou seja, diante da realidade de cada um dos homens, a vontade de Deus como que respeita as circunstâncias das causas segundas, da vontade livre do homem, da situação das almas, dos atropelos da vida. A vontade de Deus só se torna eficaz com a colaboração do homem. Se assim não fosse, seríamos robôs, e não seres criados à imagem e semelhança de Deus.

 

Depois de falsificar assim o princípio básico do raciocínio, a quadrilha de "teólogos" parte para outra frente de combate revolucinário: a doutrina do Limbo seria apenas uma hipótese teológica. Desconhecem estes bastardos da fé o modo como a doutrina da Igreja forma sua unidade coesa e sólida? Claro que sabem. Mas escondem e querem impor a novidade a qualquer preço, e escondem a verdade. E onde está a verdade? É dogma ou não é dogma? A verdade é que a teologia católica não é feita apenas de dogmas. Existem muitas verdades anexas aos dogmas, as quais, se forem negadas, atingem em cheio o dogma a que elas se referem. Por isso elas são intocáveis, não havendo autoridade neste mundo que as possa mudar. No caso do Limbo, o dogma do pecado original e o dogma da necessidade do batismo para a salvação. Com que autoridade podem eles sair por aí, numa revista americana, com ou sem o aval do Vaticano, dizendo que o Limbo é uma hipótese? Hipótese é Vaticano II, meus senhores! Hipótese é esta tese revolucinária, anti-católica, herética e que só serve ao senhor das Trevas. E porque razão pretendem estes modernistas evolucionistas, prestidigitadores, que os católicos deixem de dar seu assentimento de fé ao que a Igreja sempre ensinou, com a garantia de dois mil anos de santos e santidade, para aderir a eles? E por quanto tempo, pergunto eu, deveriam os católicos "obedecer" a estas fantasias? Até que um próximo passo seja dado e um documento novo venha acrescentar que, na verdade, não é só o Limbo que não existe, mas o inferno também?

 

Do mesmo modo, ao afirmar que é pela misericórdia de Deus que se estabelece esta novidade, mostram o total desconhecimento dos dogmas referentes a Deus. Reduzem a misericórdia divina a um sentimento humano, onde Deus teria pena das crianças mortas sem batismo, como se fosse possível para Deus ter sentimentos de pena e agir como um homem poderoso que agracia um criminoso que lhe pede perdão. Quanta fantasia. E dizem que são teólogos! Os autores tentam afirmar que esta doutrina não atinge o dogma do pecado original. Vamos mostrar que atinge sim.

 

A questão do Limbo está ligada intimamente à doutrina da necessidade do batismo para se entrar no Céu. Isto é um dogma da nossa fé, declarado explicitamente por Nosso Senhor a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito Santo não entrará no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito." (S. Jo, 3,5) Já aqui nos deparamos com uma justificativa dos modernistas de quererem acabar com o Limbo. De fato, depois de Vaticano II, estabeleceu-se a prática de deixar o batismo para um momento em que a pessoa possa escolher. Prática certamente diabólica, pela qual muitas almas, já contaminadas pelas tentações, tomaram o caminho do pecado e se embrenharam nas trevas do inferno. Porque, se é indiferente às crianças antes da idade da razão, morrerem com ou sem batismo, então desaparece a necessidade de batizar-se desde o nascimento. Mas não é esta a Tradição dos Apóstolos: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de batizar também as criancinhas" (Orígines, Ad Rom. VI,6). E o Concílio de Trento determinará que sejam batizadas as crianças recém-nascidas "ex traditione Apostolorum" (Dec. sobre o Pecado Original, 4). Sejamos honestos: não se pode dizer que o Limbo não existe porque Deus, na sua misericórdia, leva as almas das crianças para o céu mesmo sem batismo e, ao mesmo tempo, afirmar que esta nova doutrina não afeta o dogma do pecado original e da necessidade do batismo.

 

Vários erros grosseiros são cometidos por esta super "Comissão Teológica Internacional", da Congregação para a Doutrina da Fé. Segundo as citações apresentadas pela imprensa, um dos membros "acrescentou que os muitos fatores analisados oferecem a suficiente base teológica e litúrgica para se acreditar que as crianças que morrem sem batismo se salvarão e gozarão da visão beatífica". Pelo visto estas razões teológicas são tão fracas quanto o argumento levantado na notícia: Para este membro da Comissão, no caso das crianças mortas antes da idade da razão, a misericórdia de Deus prevalece sobre o pecado. Oh! trevas da ignorância; Oh! astúcia do antigo inimigo! A quem querem estes senhores enganar? Pois quem foi que disse que as crianças mortas sem batismo vão para o Limbo por causa do pecado? Este senhor acaba de provar que o Limbo existe, pois se a razão da não existência do Limbo é uma suposta prevalência da misericórdia sobre o pecado, basta assinalar a doutrina católica que dá razões bem diferentes para a existência do Limbo e todo o trabalho desta comissão será posto a nu diante de todos, como mais uma armação contra a fé católica.

 

De fato, o que obriga a existência do Limbo é a ausência de vida sobrenatural antes do batismo. Esta ausência se deve à presença do pecado original, sua marca na alma. Mas a presença do pecado original não significa que exista a culpa do pecado original, sendo esta atribuída a Adão e Eva. Não havendo a culpa, não há como se contrapor a este pecado a misericórdia de Deus. Esta só poderia ser apresentada como argumento diante de pecados pessoais, com a culpa correspondente. Mas, por definição, estes pecados atuais não existem na alma das crianças antes da idade da razão. Não há como negar, isso é dogma da nossa fé (e eles afirmam que o Limbo nada tem a ver com o dogma!) Quando um bebê nasce, ele possui a alma espiritual em estado natural: capacidade de conhecer, pela razão natural, e capacidade de amar, por atos livres da sua vontade. Mas ela não está apta, apenas por sua natureza, a ter em si a presença de Deus, a graça santificante, a posse do Divino Espírito Santo. Em outras palavras: ela não é o templo da Santíssima Trindade. Deus Nosso Senhor quis que só mediante o batismo nos fosse dada, em acréscimo, esta capacidade de vida sobrenatural. (cf. S. Marcos 16, 15)  Se alguém achar isso injusto, que vá se entender com Nosso Senhor lá na porta do céu. Não temos o que discutir o que é Revelado por Deus, basta-nos o ato de fé; e o batismo é o meio de obter a vida da graça, sendo, certamente, o melhor para nós, o mais fácil, o mais comum, o mais usual. As Sagradas Escrituras nos trouxeram pelo menos um exemplo maravilhoso desta imensa bondade e misericórdia de Deus, que facilitou a entrada de tantas almas na visão beatífica: o batismo é dado com água, e qualquer pessoa pode batizar. Foi na estrada de Gaza, onde viajava o eunuco da Rainha da Etiópia, sentado em um carro, lendo o livro de Isaías. A ele foi enviado o diácono Felipe, por obra do Espírito Santo. E ali mesmo, na beira da estrada, o pobre homem pergunta a  Felipe: "Eis água, que motivo me impede de ser batizado". (Atos, 8, 26) E Felipe o batiza, na beira da estrada, em açude ou riacho, e o milagre se consuma: aquela alma já não é um pagão, já não é incapaz da graça, mas tornou-se luminosa, filho de Deus, plenamente apta para a vida sobrenatural e mergulhada nela. E este milagre, os falsos teólogos querem roubar das criancinhas, atacando um dos flancos da muralha protetora da fé, que é o Limbo.

 

O que é o Limbo?

 

Diante da guerra levantada contra a doutrina católica sobre o Limbo, as pessoas sem formação tendem a pensar que este lugar é um castigo, quando na verdade não é. Trata-se de um lugar apropriado para a capacidade de uma alma humana impedida, pela presença do pecado original, de ter a vida sobrenatural. E o que acontece com esta alma, no Limbo? Ela vai agir segundo as suas capacidades naturais, e isto vai depender da idade em que tiver morrido. Se chegou a desenvolver um pouco sua inteligência e sua vontade, poderá receber algum conhecimento natural de Deus e dos eleitos do paraíso, que lhe trará uma felicidade natural compatível com o seu estado. É, portanto, um lugar de paz, de felicidade natural. Não é um lugar de visão beatífica, porém isso não afeta as almas dali, pois elas não têm nem mesmo a noção do que seja a visão beatífica, não podendo assim desejá-la ou sentir inveja dos eleitos do Paraíso. Ao contrário, Deus pode perfeitamente alegrar estas alminhas permitindo que algum lampejo da luz do Céu venha iluminar este lugar, como fogos de artifício para que batam palmas ao Criador.

 

Onde querem chegar?

 

Vários erros modernistas, da Nova Teologia de Henri de Lubac, von Balthasar e outros exigem as mudanças que esta comissão tenta empurrar goela abaixo aos católicos. Toda a Nova Teologia e Vaticano II baseiam-se na redução da ordem sobrenatural à ordem natural. Ou seja, a graça e a glória do céu deixariam de ser acréscimos sobrenaturais dados gratuitamente por Deus, para fazerem parte da própria natureza do homem. A partir daí, fica fácil introduzir outras novidades, como a salvação universal de todos os homens, já ao nascer, ou ainda o emparelhamento de todas as religiões como sendo eficazes para salvar os homens. De fato, se as crianças mortas sem batismo vão necessariamente para o céu, já não se faz necessária a fé católica, abre-se a porta para o ecumenismo radical e alucinado proposto durante mais de trinta anos por João Paulo II. Abre-se também as portas para canonizações de pessoas que, pelos critérios católicos, nunca alcançariam os altares. O próprio João Paulo II, absurdamente proposto para ser beatificado; Madre Tereza de Calcutá, a queridinha da mídia mundial, que proibia que fossem batizados, em seus hospitais, as crianças em perigo de morte vindas de outras religiões. Se elas iriam para o céu, então esta atitude seria tolerável, mas se a doutrina verdadeira, do Limbo, é a tradicional, então esta religiosa nunca poderá ser canonizada pelos ritos tradicionais, tendo impedido tantas e tantas alminhas de irem para o céu.

 

Ainda na questão das intenções destes agentes do mal, devemos assinalar a frase citada na imprensa: "o limbo representava um "problema pastoral urgente", pois há cada vez mais crianças que nascem de pais não católicos e que não são batizados e também "outras que não nasceram ao serem vítimas de abortos". A se confirmar o teor desta afirmação, estamos diante de um curioso critério dogmático: já que Vaticano II derrubou a fé católica no mundo inteiro, aumentou consideravelmente o número de crianças nascidas de pais não católicos. Cabe então, segundo a frase citada, uma modificação no dogma católico, para arrombar a porta do céu, explodir tudo, deixar entrar todo mundo, batizado ou não batizado, vindos de pais católicos ou não. É impressionante a pretenção dos desvairados: arrombaram as portas da Igreja com sua "abertura ao mundo" e com isso acham, sem se darem conta do ridículo, que abriram também as portas do céu.

 

Não estamos mais em 1965, ou em 1969. Naqueles dias, os católicos engoliram a heresia progressista sem perceber e hoje já não sabem mais o que são. Diante destes fatos urge ao católico armar-se com a armadura de Deus, resistindo-lhes fortes na fé, com a espada da verdade, o elmo da salvação, a alegria no coração no bom combate, na esperança da salvação, na vida eterna do céu.

 

 

O monstrengo que chia

Estamos debaixo de uma verdadeira avalanche. Ouvimos o ruído estrondoso de uma montanha que despenca morro abaixo, sobre os homens: a maioria acha lindo e bate palmas; outros poucos choram e pedem a Deus "que as montanhas caiam sobre nós". Será de neve, a avalanche, como nos Andes? Ou de lama e rochas, como na serra de Petrópolis? Será de lixo e barracos como nas favelas cariocas? Apesar de todas estas avalanches serem graves e horríveis, falo aqui de outro tipo de destruição. A humanidade, orgulhosamente fincada em pés de barro, achando-se forte como o ferro e rica como o ouro, ousou gritar no desfiladeiro e se alegra com o rufar da neve, da lama, do lixo e de tudo o mais. Porque não restará pedra sobre pedra quando a vingança de Deus se levantar.

 

Esta avalanche provocada por sérios cientistas de jaleco branco, provocada por não tão sérios políticos de terno e gravata, está em todos os jornais, em todas as revistas de nosso pobre país. Está liberada a manipulação de cadáveres, de inocentes criancinhas abortadas. Depois do assassinato, vem a feira. O produto do assassinato é, assim, posto nas prateleiras da feira da esquina, onde os embriões humanos, aqueles mesmos que poderiam, amanhã ser um grande homem, bom, honesto, santo talvez, e que teve sua existência roubada antes mesmo da luz, antes mesmo da tosse e do choro, do abrir dos olhos para ver os olhos da mãe, estes bebês vão virar remédio! Dizem que já viram cosméticos num mercado macabro e paralelo. Agora vão ser sopinhas nutritivas.

 

Não vou entrar aqui nos detalhes da coisa, do monstro horrendo que nos devora sob os aplausos do mundo. Quisera antes tremer como o homem do leme diante do monstrengo do fim do mundo, tremer mas lutar, em nome d´El Rei e Senhor de toda a terra, e do céu e do mar:

"O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»





Um corpo sem cérebro tem alma?

 

Podem juntar todos os argumentos que estes homens maus e desgraçados lançam enganando a gente simples. Todos juntos não valem um graveto de palha. Começa que são materialistas até o fundo da alma. E sendo materialistas, querem nos impingir a falsa idéia de que um corpo humano sem cérebro não é humano, logo poderia ser abortado. Falso. Um corpo humano, no primeiro momento de sua existência, ou seja, na primeira divisão celular que ocorre quando as células reprodutoras do homem se unem às da mulher, neste momento em que se forma maravilhosamente o código genético que nunca mais será alterado, até a morte; neste momento em que todas as características do homem maduro já estão presentes, neste momento em que não existe nem cérebro, nem coração, nem órgão algum, Deus, o Criador dos homens e do mundo, sopra, num ato único de criação, particular, daquele ser, uma alma imortal, espiritual, racional. A presença desta alma é atestada pela nossa própria reflexão, pela própria observação do ateu que afirma não existir a alma. Só um ser dotado de alma espiritual seria capaz de escrever um artigo para tentar provar a não existência da alma racional. Só um ser dotado de vontade livre e espiritual, e não de instinto material, poderia tomar uma decisão tão grave de enfiar uma ferramenta dentro do útero de uma mulher para estraçalhar a cabeça de uma criancinha inocente, linda, maravilhosamente viva, que se debate defendendo sua vida, como se fora um adulto nas mãos de inimigos cruéis. O assassino cruel tem nas mãos a ferramenta da contradição e o castigo clama aos céus. O ato pecaminoso que comete é a prova da nulidade de seus argumentos.

 

Mas eles não se dão por vencidos,  lá vem os materialistas enlouquecidos insistir que um embrião sem cérebro não é humano, que pode ser abortado. Vamos tentar entender a argumentação. Se eles dizem que não é humano porque não têm cérebro, significa que, para essa gente, é o cérebro que define o homem. Se tem cérebro é humano, se não tem cérebro não é. Para um materialista, faz sentido, pois onde poderia ele se apoiar para explicar a vida? No centro de comandos dos sinais vitais. É compreensível, mas é pobre como explicação, é falso. Mas a questão é, como já assinalei acima, que o fato do organismo humano ter um centro nervoso que explique seus atos, seus movimentos físicos e psíquicos, não dá razão de um único pensamento racional. Não há nada na matéria que possa explicar como uma criança, olhando um ser estranho, pergunte para seu pai: — Pai, isso é bicho ou gente? A formulação da questão onde aparecem conceitos racionais definindo seres diferentes só é possível a partir de algo que está acima do centro nervoso ou do bater do coração. O simples bom senso permite que se entenda isso com facilidade, mas esta sabedoria popular parece faltar nos políticos e cientistas ateus. Ou será que eles entendem, mas têm outros interesses inconfessáveis? Imaginem um quadro de botões para apagar e acender um jogo de luzes. Dizer que o cérebro é a razão da vida, significaria dizer que o quadro de botões explica a luz. Do mesmo modo que o coração não explica a vida, apenas bombeia o sangue que alimenta os órgãos, assim também o cérebro, apenas abre e fecha comandos. Poderíamos imaginar que o funcionário de uma estrada de ferro que move com uma alavanca os trilhos para desviar o trem para determinada direção seria a razão essencial da viagem?

 

Como se combinam corpo e alma

 

Se o cérebro é matéria, faz-se necessário encontrar a forma substancial que explique o seu funcionamento. Desde Aristóteles que o homem aprendeu que todo ente material não possui na própria matéria a razão do seu ser. Todo ser material precisa da forma substancial para explicar o que ele é. O corpo humano, portanto, precisa de uma forma que explique e defina o ser humano e todas as suas faculdades. O cérebro só é causa dos impulsos nervosos, ou seja, algo material e físico; nada tem a dizer sobre uma série de atos que se constata no agir humano e que ultrapassam o domínio da matéria: o saber intelectual, o querer livre que comporta uma escolha, a renúncia de um bem material por escolha de um bem espiritual etc. A forma substancial do homem precisa dar razão também desta atividade espiritual, que se constata tão facilmente. Logo deve-se concluir na existência de uma forma substancial espiritual, capaz de todos os atos não materiais. Esta forma substancial é a alma. O termo procede de "coisa animada" e por isso será usada por Aristóteles de modo analógico em cada nível de atividade vital: a alma vegetativa explica como um ser material consegue atividades vitais nos vegetais; alma sensitiva explica como um ser material consegue atividades sensíveis e vitais nos animais; alma espiritual explica como um ser material consegue atividades espirituais, sensíveis e vitais, no homem. É na seqüência deste raciocínio que se alcança a compreensão da imortalidade da alma. Pois se as atividades espirituais do homem não têm sua origem na matéria (que se decompõe), mas sim na alma espiritual criada por Deus na concepção, então deve permanecer mesmo quando o organismo material falha, causando a morte, ou seja, a separação daquela matéria de sua forma substancial que a organizava, a mantinha na vida, a fazia agir.

 

A morte cerebral

 

Se é na origem da vida, no embrião, que a sociedade apóstata descarrega todo o seu ódio e loucura, na outra ponta da vida também estará presente a fraude do homem brincando de Deus. Tudo começou com os transplantes de coração, mas acontece também com transplante de fígado e outros órgãos vitais. Para que estes órgãos sejam viáveis para um transplante, é necessário que o coração do doador ainda esteja batendo, que o sangue ainda corra em suas veias, em outras palavras: que o doador esteja VIVO. Evidentemente a prática das doações de órgãos vitais trouxe para o mundo da medicina interesses que passam longe da cura dos doentes. Um mercado impressionante se estabeleceu nos grandes países e é a peso de ouro que este tipo de operação é feita. Era preciso continuar matando doadores para que as pesquisas continuassem e o mercado não se extinguisse. Calaram o crime e inventaram rapidamente um subterfúgio: a morte cerebral. A sociedade, por estar adormecida e sedada pelos prazeres, pela televisão, pelo grande objetivo de enriquecer, não percebeu o engano e foi engolindo a falsa noção de morte que estes senhores inventaram. Quando o cérebro não apresenta mais determinado nível de atividade nervosa, considera-se que a pessoa está morta e começa a carnificina, sob os eufemismos de "caridade", "benemérito da humanidade" e "salvador de vidas", que são passados para as famílias, em geral já anestesiadas pela dor do momento. A guerra é tão absurda que os organismos internacionais e os governos calam os cientistas que têm provado que certos tratamentos como a hipotermia (diminuição da temperatura do corpo) têm trazido grande número de "mortos cerebrais" de volta às atividades cerebrais. Se voltam é porque não estavam mortos. E se arrancam seus órgãos neste estado, estão assassinando. Portanto, não permitam que se faça o retalhamento dos seus doentes em coma profundo. Se não for possível que voltem, pelo menos que possam morrer em paz, assistidos por um padre para a salvação de suas almas.

 

Eutanásia

 

Evidentemente estamos entrando à galope na era da eutanásia. Hollywood está aí, desprezando o sucesso estrondoso do excelente filme "A Paixão de Cristo" para elevar à gloria dois filmes de propaganda de eutanásia ou suicídio assistido, como gostam de dizer. Já passou o aborto, já passou o homossexualismo, agora chegamos à escolha da morte. O homem que já se acha no direito de matar as criancinhas inocentes agora exige aos berros o direito de matar a si mesmo quando achar razoável. Não é preciso conversarmos sobre o que seja razoável ou não; Deus só é Senhor da vida e da morte. Nossa vida nos foi dada por Ele e só Ele pode tomá-la da volta. Nós somos depositários e temos contas a prestar no dia do juízo. É preciso viver num mundo pagão e sem razões profundas como é o neo-paganismo atual para achar que uma doença sem solução seja motivo para buscar a morte. Não é. Todo sofrimento tem uma razão, a qual se refere necessariamente com o resgate do gênero humano realizado por Jesus na Cruz. Ele deu sua vida por nós num sofrimento infinitas vezes maior do que qualquer sofrimento nosso, pois somava ao martírio terrível do seu corpo a expiação espiritual do peso tremendo de todos os pecados. Se os homens soubessem o que é o dogma da Comunhão dos Santos, não perderiam um minuto de sofrimento sem oferecer. Se soubessem que todos os nossos atos atuam sobre as almas do nosso próximo, por ação da pura vontade divina, que aplica uma oração, um sacrifício oferecido, para o bem de outros que, muitas vezes, nem conhecemos. É como uma grande equilíbrio espiritual onde o fiel da balança é a vontade divina, o coração de Deus amolecido pela dor de seus filhos que oferecem uns pelos outros. É preciso lembrar aos nossos velhinhos que eles têm uma razão muito forte para suportar o peso da idade, da doença, das dores. Eles podem carregar o mundo nas costas, converter os piores pecadores, salvar almas para o céu. Nossa missão aqui na terra só termina na hora da morte, quando Deus nos chama para o descanso eterno. Não aceitem os falsos argumentos da televisão. Estudem e mostrem aos familiares e amigos que só Deus pode nos dar a recompensa.

 

Porque a morte é a separação da alma e do corpo quando o corpo não tem mais organização material suficiente para ser "animado". A morte não é um dado da religião. Vamos deixar as coisas claras. Nem a questão da morte cerebral, nem a eutanásia, nem o aborto, nem a manipulação de embriões são temas apenas religiosos. Não é preciso invocar nenhum tratado de teologia, nem passagem da Bíblia ou texto do Magistério para se rechaçar com todas as forças tais crimes. Estamos lidando com argumentação filosófica, natural, horizontal e humana. E se o Papa aparece diante do mundo como um ferrenho defensor do "direito à vida", não significa que ele o faça porque é o chefe da Igreja. Ele o faz porque é homem e assim como ele, todos os homens, de qualquer credo que for, devem também fazer. A moral católica vem reforçar a argumentação com os dados da Revelação e com o ensinamento infalível da Tradição. Mas não significa, de modo algum, que a defesa destes valores da vida humana seja uma "opção" de tal ou tal credo religioso. Portanto, o pecado existe para todos e se não houver uma conversão de tudo isso, em breve o castigo de Deus cairá sobre a humanidade.

 

Existe um direito à vida?

 

Costuma-se alegar como motivo para combater o aborto, o direito à vida. Os que assim argumentam costumam afirmar que a vida é um bem sagrado, um direito absoluto e o que há de mais importante para o homem. Apesar de compreender a boa intenção desta argumentação, não posso deixar de salientar que não me parece correto o argumento. É verdade que, estando vivos, existe um certo direito civil de desenvolvermos esta vida, de podermos viver em paz, de termos alimento para saciar a nossa fome etc. Mas este "direito" é da ordem civil, no trato entre homens dentro de uma sociedade. Mas quando argumentamos sobre aborto, eutanásia ou morte cerebral, estamos, antes de tudo, diante de Deus. E neste caso, devemos lembrar que recebemos a vida de Deus sem mérito algum da nossa parte. Existimos mas poderíamos perfeitamente não existir. E se não temos méritos, também não temos direitos. Antes, ao contrário, temos muitos deveres para com Deus e para com o próximo, seja ele a sociedade civil ou o padeiro da esquina. O que quero dizer é que nossa argumentação para condenar o aborto, o uso dos embriões, a eutanásia e tudo mais, é que estas coisas são crimes e pecados contra a Lei Santa de Deus, que foi inscrita nos corações de todos os homens, chamada Lei Natural; que foi explicitada na Revelação do Antigo Testamento, nos dez mandamentos, e que foi santificada pela doutrina salvífica do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. E para que serve uma doutrina de salvação? Para nos dar uma vida feliz e com saúde, como se costuma desejar? Não me parece. A vida para nós só pode ser um bem imenso e absoluto se estivermos falando da Vida Eterna! A vida, em si mesmo, não é sagrada. Ela faz parte da ordem natural. Torna-se sagrada pelo Santo Batismo, quando recebemos a vida sobrenatural, divina, dentro de nós, nos transformando e nos tornando aptos para a Vida Eterna. E é nela, na Beatitude de Deus, no Céu, na Visão beatífica que estaremos descobrindo no próprio Deus a razão de ser de tantos sofrimentos neste vale de lágrimas.

 

 

Feliz Natal

Dom Lourenço Fleichman OSB

O que deve ser o voto de Feliz Natal de um padre, de uma Capela como a nossa a todos os nossos fiéis, a todos os nossos amigos e leitores? É de praxe e de bom tom trocar votos de felicidades nesta data do nascimento do Menino Jesus. E fazemos bem. Pois no fundo de nossas almas paira ainda a teologal esperança que avança sem tréguas em meio ao mar revolto deste mundo. Servirão os votos que damos e recebemos, pois de alguma forma as pessoas precisam da paz natural para viver em sociedade.

Mas é esse lado natural o que me incomoda. E onde está a realidade sobrenatural do Natal? Onde encontraremos, perdidos e abandonados nos cantos das ruas, os santos de outrora, que talvez corressem agitados, preparando tudo, organizando os mínimos detalhes de uma festa sem fim: Et Verbum caro factum est! Pois o Verbo se encarnou e habitou entre nós. O Verbo de Deus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, recebe uma natureza como a nossa para nascer na manjedoura em Belém. E onde estão as almas admiradas e contemplativas para fugir do shopping, largar as bolsas de compras, os presentes dos filhos, o novo celular, e correr desembestado por um estacionamento entupido..... Ah! Ele nasceu, eu vi a estrela, eu vi o Menino. Hosanna in excelsis! Eu vi, eu compreendi o que acontece. Por que não nos dizem isso? Onde estão os padres, onde estão os bispos, onde está o sangue católico, que já não corre nas veias dos homens, para nos dizer, para nos lembrar que o louco não sou eu que corri feito doido largando tudo no chão; os loucos são eles, que estão lá dentro, fazendo compras e mais compras; os doidos são eles, que, mesmo quando criticam o esvaziamento do Natal católico, não param para meditar no Mistério dos mistérios, na candura e inocência, na paz... na paz... Para que foi mesmo que ele nasceu? Para nos trazer a paz...

Não foi isso o que eu vi, não foi isso o que Ele quis me dizer quando me fez mergulhar naquele mundo de silêncio, no meio da multidão que corria agitada atrás das compras, das promoções, da última moda. Não foi isso o que o Príncipe da Paz me disse, quando abri seu Livro Santo e li: "Não vim trazer a paz, mas sim a espada!" Não, ele não veio nos trazer a paz, nesse sentido natural que os homens querem. É isso! Era isso o que me incomodava. Às favas com essa falsa paz de que nos fala o profeta, esse romantismo abusado que usa o Inocente, nosso Deus, para fingir que deseja a paz a todos. Não, não é isso o que eles desejam! O que eles querem é o paraíso na terra, é prolongar a vida até não poder mais, é liberar-se de toda obediência à Verdade Eterna. Pergunte a um deles se querem seguir os ensinamentos da Verdade? Qual Verdade? Eles não querem aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Eles querem, exigem, e batem pé: nós queremos a verdade de Pôncio Pilatos! Trata-se da verdade relativa, do liberalismo, de você seguir o que você pensa, autônomo, achando-se adulto, responsável... sem Deus, sem Cristo, sem a Igreja! Depois vêm me cantar musiquinhas bonitinhas na televisão para fazer chorar de emoção numa confraternização universal. Chega disso!

Por favor, não venham me dizer que é preciso esquecer certos acontecimentos, e deixar de lado as convicções, pois é noite de Natal. Acho que esse argumento pode ser válido para muitas ocasiões e para muitos natais. Mas se a causa de tantos desastres e tragédias está justamente no esquecimento de Jesus, no abandono da Criança de Belém, como não pensar nisso tudo? Se hoje a Argentina vive um Natal terrível e amanhã qualquer país o poderá viver também; se hoje aviões são lançados sobre prédios porque os loucos assassinos querem matar todos aqueles que não pensam como eles. Se tudo isso acontece porque o Rei Pacífico não tem direito de reinar sobre as nações, então essa paz e essa felicidade que eles desejam é de uma hipocrisia total!

E no entanto... E no entanto há lugar para a Paz, desde que não seja a paz dos jornais. Há lugar para cantar, numa noite de Natal, um cântico novo ao nosso Deus, ao Menino-Deus, desde que nossos olhos sejam olhos de filhos, puros e espirituais. Desde que nossas almas sedentas saibam dobrar os joelhos e rezar no silêncio da noite: Venite adoremus! vinde, adoremos a Criança, Jesus nosso Deus e Salvador, que nasceu hoje para morrer amanhã, para nos dar seu Sangue, para nos dar sua vida. Há lugar para desejar, ao menos para desejar, que o Rei da Paz seja o chefe das nações, o chefe de nossa Pátria; que ela se dobre diante do seu cetro e se deixe governar por seu Evangelho e por sua Igreja.

Então, sim, nesta hora em que nas igrejas soam os sinos, a missa do Galo, a Santa Eucaristia: meu Senhor e meu Deus. Que nossos corações tenham um ímpeto de amor e queiram com todas as forças espalhar pelo mundo as luzes do nosso Bom Deus. Então, sim, mergulhados na oração, saudemos nossos amigos e irmãos, troquemos nossos votos e orações, pois Ele nasceu, ele nos foi dado. "Hodie, filius datus est nobis — hoje, um Filho nos foi dado".

É por isso que desejamos a todos um Feliz Natal e um ano-bom repleto de todas as graças de Deus.

Razão, Paixão e Namoro

Dom Lourenço Fleichman OSB

Hoje eu queria lhes falar sobre um tema que tenho pensado e exposto em algumas conferências que andei fazendo por aí. Tema difícil e que eu tenho falado como em uma espécie de laboratório, de reflexão, captando aqui e ali as ponderações das pessoas sábias. É dentro desse espírito que eu lhes trago aqui. Meu intuito é tratar do assunto do namoro de forma racional, buscando as razões profundas que levam os homens a se comportar com respeito, na obediência à Lei de Deus. Não é suficiente, hoje, um padre dizer aos jovens: não façam isso ou aquilo. Quem quer entender, busque a verdade!   Leia Mais

 

Noite de Natal

 NOITE DE NATAL

Dom Lourenço Fleichman OSB


Noite de Natal. Nossos presépios preparados, aguardando ansiosos a entrada das crianças carregando o Divino Filho para, enfim, completar as imagens piedosas que marcam, todos os anos, nossa adoração.

Noite de Natal. Nossos sinos majestosos, aguardando silenciosos a chegada do Menino Deus para, enfim, soltarem a voz, ressoando pelo mundo o repicar alegre do angélico canto.

Noite de Natal. Vemos São José chegando a Belém, conduzindo sua esposa, Maria, prestes a dar à luz a Luz do mundo. Triste e aflito José.  LEIA MAIS

Ordenação Sacerdotal

Mais um padre saído da Permanência

Tendo hoje voltado da Argentina onde assisti à ordenação sacerdotal do Padre Fábio Calixto, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, senti a necessidade de lhes falar um pouco sobre todos aqueles sacerdotes que, tendo conhecido a Tradição, a fé católica, dentro do nosso movimento Permanência, receberam das mãos de Mons. Marcel Lefebvre, ou dos bispos por este consagrados, o sacramento da Ordem, que os tornou para sempre Sacerdotes de Jesus Cristo.

Andei falando por aí que o Padre Fábio Calixto era o décimo sacerdote saído do nosso pequeno grupo de fiéis da Tradição. Enganei-me. Na verdade ele é o nono. Mas a diminuição de um não elimina a espantosa marca. Sempre fomos pequenos, mesmo nos tempos em que nosso fundador, Gustavo Corção, ainda dava suas aulas aos amigos e companheiros saídos do Centro Dom Vital. Desse pequenino rebanho de fiéis, nove padres ordenados significa uma proporção muito grande, frutos abundantes que só podem se explicar pela santidade da obra de Gustavo Corção. Não, Corção não se tornou um velho manipulado, como pretendem certos autores atuais, quando levantou-se com as armas da sua pluma penetrante e vigorosa em defesa da nossa Fé. A prova está aí, na ordenação de um jovem que nem mesmo o conheceu, mas que respirou em nossas Capelas o ar puro da graça, da oração e da inteligência da fé católica que persiste em Permanecer entre nós. Apesar de nós não estarmos à altura do nosso fundador, apesar de não termos o vigor daqueles antigos que nos precederam. Mas, pela graça de Deus, Permanecemos!

Por mais que a vida católica nas famílias da Tradição seja um dos grandes objetivos do nosso trabalho, não podemos deixar de nos admirar diante da grandeza do sacerdócio de Cristo. Que tipo de atitude devemos ter diante de alguém que recebeu tal poder?

"Pertence ao sacerdote oferecer o Sacrifício, abençoar, presidir, pregar e batizar" (Ritual da ordenação).

Oferecer o Sacrifício é a mais alta dignidade que se pode receber nesta terra. Nesse ponto não há diferença entre o bispo e o simples padre. Quando um sucessor dos Apóstolos celebra a missa, usa seu poder sacerdotal para oferecer o Sacrifício, o mesmo poder que ele mesmo confere aos padres. É assim que a Santa Igreja transmite a um homem mortal um don divino e sobrenatural, uma força, uma virtus, capaz de mudar a natureza do pão e do vinho, trazendo sobre o Altar do sacrifício o Salvador. O padre também interfere no tempo, com seu ato sacrifical, ao trazer para hoje a morte de Cristo na Cruz.

Abençoar é um poder imenso, poucas vezes bem avaliado, sobretudo nos tempos atuais. Muitos hoje usam essa expressão: "Deus o abençoe". Mas a bênção que os leigos distribuem é apenas um desejo, uma oração. Só o padre abençoa com a eficácia própria de um poder seu, recebido nessa hora, no sacramento da Ordem.

Presidir é a função de orientação das almas, de autoridade litúrgica e espiritual, jamais substituída pelos leigos, como se vê no progressismo. O padre, em sua Paróquia, toma a dianteira, mostra o caminho,  para conduzir ao céu as almas que lhe foram confiadas. Só mesmo a revolução litúrgica poderia arrancar do sacerdote seu poder sacrifical, fabricando uma nova missa refeição, e fingir que o padre preside à mesa, como um pai de família faz em sua casa. Uma nova missa para um novo sacerdócio, um como o outro de inspiração protestante.

Pregar é a função sacerdotal da autoridade doutrinária diante das almas dos fiéis. O padre, enquanto colaborador do bispo, ensina a doutrina com a firmeza e retidão necessárias para que a Fé seja preservada. Só ele recebe de Deus essa missão. Mesmo quando grandes intelectuais conseguem falar das coisas de Deus com retidão e profundidade, devem estar atentos para não pretenderem substituir o sacerdote no seu múnus de orientar as almas no conhecimento de Deus, na prudência do saber, na sabedoria divina. Quantas vezes vemos leigos se arvorarem no papel de orientar os jovens, supostamente em nome de Deus, mas sem qualquer força vinda do sacramento.

Batizar é a função do ministro ordinário do primeiro sacramento. Grande graça para um homem poder derramar sobre a cabeça de uma criança a água que abre sua alma para a vida da graça, tornando-a participante da vida divina. Tudo virá em seguida segundo a primeira graça recebida.

E o bispo segue louvando as virtudes que devem animar o jovem revestido dos poderes sacerdotais. E continua:

"Procurai, pois, ser tais  que possais dignamente ser escolhidos com a graça de Deus, para auxiliares de Moisés e dos doze Apóstolos, isto é, dos bispos católicos".

Diante dessa realidade que está prestes a ser conferida aos jovens diáconos, o bispo dirige-se a eles de modo mais pessoal:

 

"Conservai nos vossos costumes a integridade de uma vida casta e santa. Compenetrai-vos do que fazeis - imitais o que operais e, já que celebrais o Mistério da morte do Senhor, procurai mortificar os vossos membros fazendo-os morrer para todo o vício e para toda a concupiscência. Que a vossa doutrina seja uma medicina espiritual para o povo de Deus. Que o perfume da vossa vida faça as delícias da Igreja de Cristo."

 

 

Esta linda oração terminada, os diáconos fazem a prostração durante as Ladainhas. Logo em seguida vem a imposição das mãos. Trata-se da matéria do sacramento da Ordem. O único ministro da cerimônia, o bispo, impõe suas mãos silenciosamente sobre a cabeça dos ordenandos. Pronto. Está aplicada a matéria. Falta a forma sacramental, que está presente no belo Prefácio que o bispo vai agora cantar. Porém, sempre cheia de surpresas e mistérios, a Santa Igreja introduziu aqui um complemento ao singular gesto do celebrante. Cada sacerdote presente na cerimônia, revestido da Estola, que é o símbolo mesmo do seu poder sacerdotal, aproxima-se dos diáconos e, por sua vez, eles também impõem suas mãos silenciosas sobre suas cabeças. O silêncio é total, o gesto de uma beleza impar, solene, ganha ainda mais força pelo fato de todos aqueles que já passaram diante dos ordenandos, manterem sua mão direita levantada, como que atestando publicamente terem tido a honra de manifestar a união de todos os sacerdotes ao bispo celebrante e, por meio deste, ao único Sacerdote que é Nosso Senhor Jesus Cristo. No meu fraco entender, este rito tão singelo, silencioso, austero, todo ele concentrado no essencial, ou seja, sem acessórios desnecessários, é uma das maiores evidências da santidade da Igreja. Qualquer rito fabricado pelo homem escorregaria no supérfluo.

Tendo todos os padres imposto suas mãos, o bispo encerra esse rito conjunto com uma curta oração, e os padres voltam aos seus lugares, enquanto o prelado inicia o Prefácio consecratório. Ao chegar na Forma sacramental, o bispo muda o tom do canto e diz:

"Dai a estes Vossos servos, nós vo-lo pedimos, ó Pai onipotente, a dignidade do Sacerdócio; renovai em seus corações o espírito de santidade, para que exerçam dignamente o cargo que receberam de Vós, ó Deus, e o exemplo da sua vida seja uma censura para os costumes depravados".

Pronto. O essencial do sacramento da Ordem lhes foi conferido. Já pode-se dizer que são sacerdotes de Jesus Cristo. Outros ritos virão, cada um com sua importância e seu significado, mas todos eles serão complementos daquilo que já receberam, o caráter sacerdotal que os transformou em "Sacerdotes da eternidade, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl. 109)

 

O padre recebe, assim, as vestes sacerdotais, a estola e a casula. Depois disso, ungirá as mãos dos ordenandos com o Óleo dos Catecúmenos, dizendo esta belíssima oração: "Dignai-Vos, Senhor, consagrar e santificar estas mãos, por esta unção e pela nossa bênção. Amén.  Para que tudo o que elas abençoarem seja abençoado, e o que elas consagrarem seja consagrado e santificado, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo."

 

 

Suas mãos, já ungidas e consagradas, são amarradas ainda molhadas com o óleo santo. Assim tocarão elas no cálice, na patena e na hóstia (não consagrada). É o rito da Porrecção dos Instrumentos, pelo qual são transmitidos ao neosacerdote os objetos próprios do seu ofício.

Só depois disso é que suas mãos são desamarradas. Em nossas terras, é costume que as mães as desamarrem, guardando consigo aquela faixa de linho branco.

A Santa Missa seguirá seu curso. A partir do Ofertório, os neosacerdotes acompanham o bispo em todas as orações, inclusive consagrando o pão e o vinho em conjunto com o celebrante principal.

Após a comunhão, o bispo entoa um lindo Responsório: "Já não vos chamarei servos, mas meus amigos, porque vós conhecestes tudo o que eu operei no meio de vós." Em seguida o bispo impõe novamente as mãos sobre a cabeça dos ordenandos para lhes transmitir o poder de perdoar os pecados. "Recebe o Espírito Santo, àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ao perdoados; a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos". E o bispo desdobra a parte posterior da casula que tinha ficado dobrada quando da imposição das vestes sacerdotais.

E após um rito de submissão e obediência, termina a missa ao som dos órgãos e no júbilo dos corações.

Que estes pequenos comentários ao ritual da ordenação sacerdotal faça crescer nos nossos leitores o amor pela santa Igreja, a reverência pelos padres, a adoração a N. Sr. Jesus Cristo, único Sacerdote. E que os nove sacerdotes que fincaram suas raízes na nossa Permanência, por sua oração e por seu sacrifício, ajudem a que muitas outras vocações apareçam, tanto sacerdotais quanto religiosas.

"Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes".

A Visitação da Bem-aventurada Virgem

2 de Julho
 
Depois da Conceição de Cristo, narra-se ter a bem-aventurada virgem feito três coisas, que representam as três coisas que toda alma santa deve buscar após ter (espiritualmente) concebido o Verbo de Deus: a Virgem subiu a montanha, saudou Isabel e deu graças ao Senhor. O primeiro significa a perfeição das virtudes, o segundo a caridade fraterna, o terceiro, o louvor e a exultação.

Bibliografia de ascética e mística

O índice bibliográfico que apresentamos abaixo, tirado da obra de R. Garrigou-Lagrange, O. P., « Les Trois Ages de la Vie Interieure », constitui um poderoso recurso ao estudante de teologia ascética e mística da nossa Igreja. Sua leitura, por si só, já é um programa de estudo feliz, por proporcionar um panorama da história e do progresso do pensamento católico na ciência da santidade, além da divisão dos nossos autores segundo as diversas famílias espirituais que, dentro da Igreja, formularam o mesmo saber e contaram a mesma experiência do « único necessário » segundo estilos diversos, mas compatíveis com a unidade de Deus e dos caminhos que a Ele conduzem.

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