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Category: ApologéticaConteúdo sindicalizado

O Santo Sudário — Um retrato da Paixão de Cristo

Tiago Ferreira da Costa

 

Acabamos de assistir ao impressionante filme “A Paixão de Cristo” que tem suscitado tanta polêmica. O trabalho que vou apresentar tem por finalidade mostrar como o Santo Sudário de Turim corresponde perfeitamente a tudo que Nosso Senhor sofreu, em sua flagelação, em sua Via Sacra, na sua horrível morte na Cruz. Permanece para nós a imagem rápida, sutil, mas quão bela e verdadeira, do “esvaziamento" do sudário, como o filme nos apresentou. Que seja esta imagem o ponto de partida do nosso estudo.

 

1 - O objeto Sudário

1.1. - A mortalha

O Sudário é uma mortalha de linho, um tecido de boa qualidade, trançado em “espinha de peixe” no Oriente Próximo; “uma sarja facilmente encontrada nas lojas de Jerusalém no princípio do séc. I”. Mede 4,30 m x 1,10 m e tem estampada a  figura bem esmaecida de um corpo de homem, tanto de frente quanto de costas, em posição de sepultamento. Vêem-se ainda marcas de queimaduras, de dobras e alguns remendos. Muito importante também são as marcas de cor sépia que, à primeira vista, nos leva imediatamente a pensar em sangue emanado das feridas que se pode apenas perceber no corpo, visto a olho nu. Voltaremos a este assunto mais à frente, pois ele tem uma importância capital. 

O quadro de Giovanni Battista della Rovere nos mostra com muita propriedade como os judeus costumavam preparar o morto para o enterro, envolvendo-o numa mortalha comprida que passava por baixo, pelas costas, dobrava pela cabeça e voltava novamente cobrindo a parte da frente do corpo. Esta a razão dos 4,30 m de comprimento. (Continue a leitura)

A cruzada albigense (parte IV)

[Esse texto foi extraído da obra apologética de Jean Guiraud, Histoire partiale, histoire vraie (Beauchesne Editions, 1912). Jean Guiraud desmantela, parte por parte, os falsos argumentos do anticlericalismo, dedicando um capítulo ao tema da Cruzada contra os Albigenses. Na primeira parte, resumiu os argumentos dos anticlericais e mostrou suas contradições. Na segunda, terceira e quarta parte, examina a moral e a doutrina dos albigenses.]

 

Jean Guiraud

Após analisar a moralidade do albigensianismo e sua negação do casamento, devemos tomar nota de suas doutrinas políticas e sociais.

 

Negação das sanções sociais e do patriotismo

Os outros compromissos assumidos pelos hereges quando se juntavam à seita são contrários aos princípios sociais nos quais se fundam as constituições de todos os Estados.

Eles prometiam, no dia de sua iniciação, não fazer nenhum juramento, porque, como todas as seitas cátaras ensinavam, “não se deve fazer juramento”. Atualmente, há seitas filosóficas e religiosas que rejeitam a tomada de juramentos com o mesmo ânimo, e conhecemos todas as dificuldades que acarretam em uma sociedade que, apesar de sua secularização, ainda envolve o uso de juramentos como parte dos aspectos mais importantes da vida social.

Que tipo de mudanças profundas tais doutrinas trariam aos Estados da Idade Média, quando todas as relações dos homens entre si, de súditos com seus soberanos, de vassalos com seus suseranos, de cidadãos da mesma cidade, dos membros de uma confraternidade em si, eram garantidas por um juramento, quando, finalmente, toda a autoridade derivava sua legitimidade de um juramento?

Era um dos laços mais fortes do corpo social que os maniqueus1 destruíam e, ao fazê-lo, se assemelhavam a verdadeiros anarquistas. Agiam também como verdadeiros anarquistas quando negavam à sociedade o direito de derramar sangue em defesa contra seus inimigos internos e externos, invasores e malfeitores.

Tomavam em sentido literal e rigoroso a palavra de Cristo declarando que quem matar pela espada deve perecer pela espada, e disso deduziam a proibição absoluta, não apenas do homicídio, mas também de matar por qualquer razão.

Desse princípio advinham consequências sociais muito sérias, e, em sua formidável lógica, os albigenses não se furtavam delas.

Qualquer Guerra, mesmo que fosse justa em suas causas, tornava-se criminosa em razão das matanças que acarretava: o soldado defendendo sua vida no campo de batalha, após ter se armado pela defesa de seu país, era tão assassino quanto o criminoso mais vulgar; porque nada lhe autorizava derramar sangue humano.

Assim como o soldado em campo de batalha, os juízes, nem qualquer detentor de autoridade pública em seu ofício têm direito de prolatar sentenças de morte. “Deus não quis”, dizia o albigense Pierre Garsias, “que a justiça dos homens pudesse condenar alguém à morte”; e, quando um dos seguidores da heresia se tornou cônsul de Toulouse, ele lhe lembrou do rigor desse princípio.

Os hereges do Século XIII negavam à sociedade o direito em si de punir? É difícil dizer, porque, se a maioria deles parecia sustentar essa posição ao proclamar que “não se deve, de modo algum, fazer justiça, que Deus não quer justiça”, outros não hesitavam em restringir essa negação absoluta às sentenças capitais, “ao condenar alguém à morte”.

A última posição, porém, parece ter sido tomada por considerações políticas, mitigando o rigor do preceito através de restrições razoáveis. A Suma Contra os Gentios nos ensina que todas as seitas ensinavam “que não deveria haver nenhuma punição, nem justiça alguma feita pelo homem”; o que parece indicar que a doutrina cátara em si negava, absolutamente, à sociedade o direito de punir.

De qualquer modo, pela proibição absoluta de juramentos e da guerra, pelas restrições feitas às leis positivas, os albigenses tornaram difícil a existência e a preservação não apenas da sociedade medieval, mas de qualquer sociedade; e é compreensível que a Igreja tenha, incansavelmente, denunciado o perigo que suas doutrinas poderiam representar à humanidade.

“Devemos admitir”, diz o autor das Adições à História do Languedoc, “que os princípios do maniqueísmo e dos hereges dos Séculos XII e XIII, atacando as fundações últimas da sociedade, produziriam as perturbações mais estranhas e perigosas e colocariam em cheque as leis e a sociedade política para sempre”.

Esses são os hereges que Aulard e Debidour apresentam como sendo simples reformadores do Cristianismo, que Gauthier e Deschamps apresentam como “pessoas simples e pacíficas” e que Guiot e Mane apresentam como homens gentis e inofensivos, sonhando, apenas, com poesia.

O Sr. Lea, em sua História da Inquisição, entendia os cátaros melhor. Embora fosse protestante e inimigo da Igreja, percebeu que o niilismo dos albigenses representava um retorno ao barbarismo, enquanto a doutrina cristã representava a civilização e o progresso.

A vitória dos Albigenses teria sido o despertar do fanatismo mais terrível, pois dava glória ao homem que cometesse suicídio e o dever às famílias de se dissolverem. Ao combate-los, a Igreja Católica defendeu, com a verdade da qual é depositária, a causa da vida, do progresso, da civilização.

É isso que dizem os documentos contra esses historiadores privados de consciência, que pintam um quadro falso e fantasioso dos albigenses, para melhor representá-los como inocentes vítimas da Igreja.

  1. 1. N.T.: O maniqueísmo foi uma religião da antiguidade criada por um persa chamado Maniqueu. O maniqueísmo inseria-se em um conjunto de religiões e heresias que foram condenadas pela Igreja e agrupadas sob o nome de gnosticismo, cujos princípios eram bastante semelhantes ao catarismo medieval: a pregação da salvação através do conhecimento, crença num deus bom em batalha contra um deus mal, crença no mal como uma substância (é bastante comum nas seitas gnósticas a ideia de que o corpo é mau em si), mentalidade sectária que tornava os “iluminados” separados do restante da sociedade, que vivem em trevas. O autor chama os cátaros de maniqueus para enfatizar a natureza gnóstica que o catarismo tinha em comum com o maniqueísmo. O leitor mais atento perceberá que muitos dos erros, heresias e seitas dos nossos tempos são profundamente gnósticos, incidindo nos mesmos erros dos maniqueus antigos e dos cátaros medievais.

Catolicismo e astrologia

 

Parte I: O Ensinamento dos santos doutores

Santo Tomás, logo no início de sua epístola sobre o tema, afirma que não procurará escrever senão sobre aquilo que ensinaram os santos doutores (ea quae a sacris doctoribus traduntur). Com efeito, a oposição às adivinhações astrológicas e outras supertições não é uma peculiaridade do Aquinate — ao contrário, é ela quase tão antiga quanto a própria Igreja. Façamos um breve retrospecto e ouçamos a voz da Igreja.

Talvez a primeira coisa que se deva dizer acerca da consulta aos astros é que ela está formalmente condenada desde os primeiros séculos da Igreja, como se vê no Denziger:

[Dz 35] Se alguém pensa que se deve crer na astrologia, seja anátema. [Concílio de Toledo, ano 400].

E, novamente, pelo Papa João III, no século VI:

[Dz 239] Se alguém crê que as almas humanas estão ligadas a um signo fatal, como disseram os pagãos e Prisciano, seja anátema.

Estas definições, suficientes para todo católico que não tem nem quer ter espírito de revolta, foi ainda repetida por inúmeros Santos, Doutores e Teólogos. Mesmos em tempos mais recentes, não deixou o Magistério de condená-la, como se vê em trechos do Catecismo de S. Pio X.

As condenações à astrologia são antiquissimas. Se tentássemos fazer uma história destas condenações, começaríamos com as próprias Sagradas Escrituras: Dt. 4:19, 17:3, 2 Rs. 17:16, 21:3 Jr. 8:2.

Passaríamos, em seguida, ao Catecismo dos Apóstolos, chamado Didaqué:

“[...] Também não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria.” [Didaqué, ed. Paulus, 1989, pp. 12-13]

Mais um passo, e encontraríamos as objeções dos Padres da Igreja. Citemos alguns autores:

— Tertuliano: “Observamos entre as artes algumas acusáveis de idolatria. Dos astrólogos, nem deveríamos falar; mas como nesses dias um deles nos desafiou, defendendo em proveito próprio a perseverança nesta profissão, direi algumas palavras. Alego não que ele honre ídolos, cujo nome escreveu nos céus, para quem atribui todo o poder de Deus... Proponho o que segue: aqueles anjos, os desertores de Deus [demônios]... eram muito provavelmente os descobridores dessa curiosa arte [a astrologia] por isso mesmo condenada também por Deus” (Idolatria 9 [211 D.C ]).

— Hipólito: “Quão impotente é o sistema [astrológico] para comparar as formas de disposições dos homens com os nomes das estrelas!” (Refutação de Todas Heresias 4:37 [228 D.C.]).

— Taciano o Sírio: “[Sob a influência de demônios] os homens formam o material de sua apostasia. Tendo a eles mostrando o plano da posição das estrelas, como jogadores de dados, introduzem o Destino, uma injustiça patente. O julgamento e o julgado são feitos pelo Destino, os assassinos e os assassinados, os afluentes e os necessitados – [todos são] o produto do mesmo Destino” (Discurso Aos Gregos 8 [D.C. 170])

 

Escutemos agora os Doutores da Igreja:

— Sto. Atanásio: “Donde ser verdade que os autores de tais livros [os astrólogos] acarretaram a si próprios uma dupla reprovação, pois aprofundaram-se em uma desprezível e mentirosa ciência”. (Carta de Páscoa 39:1 [D.C. 367])

— Sto. Basílio Magno: “Aqueles que ultrapassam os limites, fazendo das palavras da Escritura sua apologética para a arte de calcular temas de genitura [horóscopos], pretendem que nossa vida dependa da moção dos corpos celestes, e assim os Caldeus leem nos planetas o que nos ocorrerá”. (Os 6 dias da Criação 6:5 [D.C. 370])

— Sto. João Crisóstomo: “(...) E de fato uma treva profunda oprime o mundo. É ela que devemos fazer dissipar e dissolver. E tal treva não se encontra somente entre os heréticos e os gregos, mas também na multidão do nosso lado, no que diz respeito às doutrinas da vida. Pois muitos [os Católicos] descrêem inteiramente na ressurreição; muitas fortificam-se com o horóscopo; muitos aderem a práticas supersticiosas, augúrios e presságios”. (Homilias sobre Coríntios I, 4:11 [D.C. 392])”.

— Sto. Agostinho: "O bom cristão deve precaver-se de astrólogos e outros adivinhadores ímpios" (cit. na Suma Teológica de Sto. Tomás, IIa IIae., q.95, art.5).

Para não nos alongarmos demasiadamente em citações, mencione-se apenas que também condenaram a astrologia Sto. Isidoro de Sevilha, na sua obra Etimologias, Sto. Boaventura, no Hexaemeron (onde qualifica a astrologia de “abuso da razão”), Sto. Afonso Maria de Ligório, doutor em teologia moral, para quem praticar astrologia é incorrer em pecado mortal (Comentário aos Dez Mandamentos).

Parte II: A posição de Santo Tomás de Aquino

Para maior esclarecimento quanto à posição de Santo Tomás de Aquino, publicamos estas notas extraídas das “Conclusões” do capítulo X do livro "Les corps célestes dans l´univers de saint Thomas d´Aquin", de Thomas Litt, O.C.S.O (Publications Universitaires — Louvain, Belgique, 1963, p. 240-241). Entre colchetes, algumas observações de nossa autoria:

 

Finalmente cremos poder resumir como segue a posição de Santo Tomás com respeito à astrologia:

 

1. Ele afirma como absolutamente certo o princípio geral de uma influência universal dos corpos celestes sobre todos os eventos corporais da terra, incluídos os eventos fisiológicos concernentes aos animais e aos homens.

É para ele uma certeza filosófica absoluta; é, ademais, uma verdade de senso comum (II Sent., 15, 1, 2, c.) e é também uma verdade ensinada pelas "autoridades dos santos" (ibidem); ele cita notadamente Dênis e Santo Agostinho (p.ex., Ia, 115, 3, sed contra).

[A influência admitida restringe-se aos eventos corporais. Nisso, na Suma Contra os Gentios, Santo Tomás é taxativo: "é impossível que a operação intelectual esteja sujeita aos movimentos celestes" (III. 84). Da mesma forma, nega qualquer influência dos astros sobre nossa vontade, como se vê na epístola supra, "... é preciso absolutamente compreender que a vontade do homem não está sujeita à necessidade dos astros". Assim, Santo Tomás exclui do raio de influência dos astros justamente as faculdades que especificam o homem — os intelectos e a vontade.]

 

2. Ele afirma com igual certeza que a influência dos corpos celestes sobre os atos humanos é indireta e jamais necessitante. Acrescenta que a opinião contrária é herética, porque exclui a liberdade humana.

[Isso fica claro nessa passagem da C. G. (III. 85): "[os corpos celestes] podem ser, não obstante, causa ocasional indiretamente (...)". E o exemplo clarifica: "por exemplo, quando por disposição dos corpos celestes o ar se esfria intensamente, decidimos esquentar-mo-nos no fogo ou outras coisas em consonância com o tempo".]

 

3. Ele não se pergunta nem uma única vez se o axioma ou postulado astrológico fundamental é fundado ou não: a importância decisiva, sobre todo o futuro de um homem, da configuração do céu no momento de seu nascimento (tema de genitura).

Não encontramos senão uma só vez em Santo Tomás a palavra nativitas no sentido de tema de genitura: na citação do Centiloquium que referimos na p. 233. Esta citação é aliás a única predição astrológica concreta que encontramos, e é introduzida por uma formula muito dubitativa.

Sucede-lhe outra vez mencionar os patronatos estrelares dos sete dias da semana, mas é para observar que se pode, sem perigo para a fé, adotar ou rejeitar essa teoria.

 

4. Ele admite que, em princípio, os astrólogos predizem corretamente o futuro dos homens. Eis as dez referências que conhecemos. Nas três últimas em data, diz que as predições são justas ut in pluribus.

II Sent., 7, 2, 2, ad 5: Quando as predições têm em vista os atos humanos livres, são amiúde falsas.

II Sent., 15, 1, 3, ad 4: As predições são verdadeiras, mas porque os demônios ajudam o astrólogo.

II Sent., 25, 2, ad 5: As predições fazem-se conjecturaliter et non per certitudinem scientiae.

C. G. III, 84: Os astrólogos podem julgar do nível intelectual de um homem (não há indicação sobre a frequência dos julgamentos justos).

C. G. III, 85: A impressão das estrelas produz seu efeito na maior parte dos homens, a saber, naqueles que não resistem a suas paixões.

C. G. III, 154: Os demônios podem fazer muitas predições justas (mais acima Santo Tomás mais ou menos equiparou a ciência das demônios e a dos astrólogos).

De sortibus, c. 4, n. 660: Os astrólogos predizem justamente quandoque, e enganam-se amiúde nas predições particulares.

Ia., 115, 4, ad 3: Os astrólogos predizem justamente ut in pluribus, sobretudo nas predições gerais.

Ia.IIae., 9, 5, ad 3: Eles predizem justamente ut in pluribus.

IIa. IIae., 95, 5, ad 2: Eles predizem justamente frequenter.

5. Acerca da licitude da adivinhação astrológica, temos seis textos, onde o ensinamento permanece constante ao longo da carreira de Santo Tomás, sem que se possa discernir uma evolução nem para mais nem para menos severidade.

A doutrina resume-se a isto: não é supersticioso nem ilícito buscar prever pelos astros as secas, as chuvas etc. É supersticioso e ilícito buscar prever pelos astros as ações livres humanas, e, segundo a autoridade de Santo Agostinho, o demônio imiscui-se amiúde nesse gênero de consultas, que se tornam por isso mesmo um pacto com o demônio.

Carta Aberta aos Católicos perplexos e a nova Revista Permanência

Dom Lourenço Fleichman OSB

Houve épocas em que as pessoas escreviam cartas umas às outras. A carta fazia parte das relações humanas, e cumpria funções variadas na vida dos homens. Havia cartas oficiais, secas e sem vida; havia cartas agressivas, cheias de brigas e desprezos. Havia cartas de amor, de saudades, de despedida. Cartas circulavam por toda parte quando nascia o bebê, outras eram guardadas no sigilo, quando deixada pelo desesperado. Muitas vezes elas preenchiam o vazio da ausência sentida de um filho, de uma pessoa amada. 

E assim corria o mundo, numa lentidão cheia de sabedoria e recuo, onde a letra caligrafiada era reconhecida, tornava mais calorosa a escrita e a leitura, e onde a espectativa da chegada do correio enchia os dias de um colorido impossível de se reproduzir nos dias atuais.

Quem poderá medir com precisão o imenso prejuízo social, psicológico e espiritual causado pelo desaparecimento das cartas trocadas entre os homens. O mundo do e-mail, pior, o mundo do imediato, do superficial, do banal, dessas mensagens instantâneas e invasivas nunca mais poderá saborear as delícias de uma bela e amorosa carta.

Pois bem, estas considerações me vieram à mente no momento de apresentar aos nossos leitores esta bela carta escrita por Dom Marcel Lefebvre para você, caro leitor, para todos os católicos que ainda guardarm um mínimo de apego e amor à santa doutrina católica. Não é uma carta qualquer, mas uma carta pública, uma Carta Aberta aos Católicos Perplexos. Uma carta de consolação espiritual no meio da guerra sem tréguas. 

Um livro escrito para você, para todos nós. Um livro escrito por um pai, a todos os seus filhos, um livro essencial para quem descobre o combate pela fé, pela Igreja, pela Tradição.

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REVISTA PERMANÊNCIA DO TEMPO DEPOIS DE PENTECOSTES - Nº 279

Recomendamos igualmente aos nossos leitores o novo número da nossa Revista Permanência. Vários artigos sobre os Cristeros mexicanos, verdadeiros soldados de Cristo-Rei, que deram suas vidas lutando pela restauração da Religião católica num México maçônico e dominado por anti-clericais.

Uma grande epopéia, cheia de personagens impressionantes, cheia de mártires admiráveis.

No momento em que o Brasil mostra a que nível de decomposição moral e política nós chegamos, o exemplo da reação mexicana de 1925 a 1929 deve animar a todos os católicos para que resistam, para que acordem do sono, para que se dediquem, na oração e no trabalho, à restauração das famílias católicas.

Além desses artigos, o leitore encontrará ainda outros com temas variados e de grande proveito para a formação católica.

160 páginas - R$ 30,00

Jó, o Eclesiastes e o Orkut

 Dom Lourenço Fleichman OSB

Conta o Livro de Jó, em seu início, uma conversa entre Deus e Satanás. Quando Deus pergunta a Satanás o que anda fazendo, o Príncipe das Trevas responde: "Andei dando voltas pelo mundo e passeando por ele". Podemos perceber que não é de hoje que o Demônio anda por aí espalhando entre os Filhos dos Homens sua malícia disfarçada em coisas boas. Como anjo mau muito esperto, o Demônio hoje não passeia, ele navega pelas ondas da virtualidade (coisa fácil para um espírito). "Andei navegando pelo Orkut, e vi a juventude entediada, vazia e descarada!" E eu, no meu esconderijo protegido contra Orkuts fiquei imaginando se o Cão não estaria dizendo uma grande mentira, um exagero, com alguma intenção desconhecida. Leia Mais

Do ORKUT ao FACEBOOK

Dom Lourenço Fleichman

Há alguns anos, após tecer algumas considerações sobre o fenômeno do Orkut, primeira "rede social" a se espalhar de modo universal, atingindo particularmente o Brasil, lancei uma campanha aconselhando ao leitor apagar sua conta naquele sistema de escravidão. Os e-mails recebidos na época indicaram cerca de 150 pessoas que tomaram a iniciativa de apagar sua conta e de escrever à Permanência comunicando este fato.

Analisando este número de corajosos leitores, considerei um resultado muito bom, diante dos meios de que dispomos e, sobretudo, diante dos motivos espirituais e civilizacionais oferecidos como incentivo para se tomar decisão aparentemente tão sofrida e difícil.

O diabo não dá ponto sem nó, como se diz, e logo surgiu fenômeno mais amplo e pernicioso do que o primeiro. Contam que o Facebook começou como um sistema de reconhecimento dos rostos dos alunos em certa universidade. Basta conhecer um pouco a natureza humana para compreender porque milhões de pessoas pelo mundo foram contaminados com a Síndrome da Bruxa Má, da Branca de Neve! "Espelho, espelho meu". O engenhoso "crachá" eletrônico é como a "imagem da besta", que aparece no Apocalipse. O joguete do dragão adquiriu tanto movimento que ele fala, escreve, e vai variando sua bela imagem, cativando a todos e gozando dessa imensa felicidade: "digam-me se há mais bela do que eu" Continue Lendo

Vá para o Limbo!

Depois que o papa Bento XVI recusou-se a assinar o documento que falsifica a doutrina sobre o Limbo das crianças mortas sem batismo, chega-nos agora a notícia de que o documento acaba de ser publicado com a autorização do Pontífice. Método típico da Revolução, que toma atalhos extra-oficiais apimentados com uma ou duas mentiras difíceis de serem confirmadas. Ou será que, de fato, teria o papa autorizado a publicação? Por enquanto não encontrei nenhuma versão oficial da notícia, mas o texto é citado pelas agências de informação. Leia mais

 

Quanta asneira dizem esses falsos teólogos! Quanta arrogância e pretensão, de querer enganar o povo fiel com argumentos tendenciosos e de falsa doutrina. Basta uma formação média na doutrina para sentir o cheiro da heresia. Iniciam seu raciocínio com a questão da vontade de Deus. Dizem estes senhores que Deus é misericordioso e quer a salvação de todos os homens. Dizendo assim, parece que a Igreja Católica, de tantos santos doutores, de um Sto Anselmo que festejamos neste dia 21 de abril, de um São Tomás de Aquino, de tantos santos papas, não percebeu, ao longo de seus dois mil anos, a límpida verdade. Ora, ora... descobriram a pólvora! Deus quer a salvação de todos os homens! Pois eu digo que se Jesus Cristo estivesse diante desta tal comissão, diria: "Raça de víboras"! porque não apresentam aos fiéis a doutrina completa sobre a vontade de Deus? Porque não dizem que, na sua vontade absoluta, sim, Deus só pode querer a salvação de todos os homens. Mas na sua vontade aplicada, ou seja, diante da realidade de cada um dos homens, a vontade de Deus como que respeita as circunstâncias das causas segundas, da vontade livre do homem, da situação das almas, dos atropelos da vida. A vontade de Deus só se torna eficaz com a colaboração do homem. Se assim não fosse, seríamos robôs, e não seres criados à imagem e semelhança de Deus.

 

Depois de falsificar assim o princípio básico do raciocínio, a quadrilha de "teólogos" parte para outra frente de combate revolucinário: a doutrina do Limbo seria apenas uma hipótese teológica. Desconhecem estes bastardos da fé o modo como a doutrina da Igreja forma sua unidade coesa e sólida? Claro que sabem. Mas escondem e querem impor a novidade a qualquer preço, e escondem a verdade. E onde está a verdade? É dogma ou não é dogma? A verdade é que a teologia católica não é feita apenas de dogmas. Existem muitas verdades anexas aos dogmas, as quais, se forem negadas, atingem em cheio o dogma a que elas se referem. Por isso elas são intocáveis, não havendo autoridade neste mundo que as possa mudar. No caso do Limbo, o dogma do pecado original e o dogma da necessidade do batismo para a salvação. Com que autoridade podem eles sair por aí, numa revista americana, com ou sem o aval do Vaticano, dizendo que o Limbo é uma hipótese? Hipótese é Vaticano II, meus senhores! Hipótese é esta tese revolucinária, anti-católica, herética e que só serve ao senhor das Trevas. E porque razão pretendem estes modernistas evolucionistas, prestidigitadores, que os católicos deixem de dar seu assentimento de fé ao que a Igreja sempre ensinou, com a garantia de dois mil anos de santos e santidade, para aderir a eles? E por quanto tempo, pergunto eu, deveriam os católicos "obedecer" a estas fantasias? Até que um próximo passo seja dado e um documento novo venha acrescentar que, na verdade, não é só o Limbo que não existe, mas o inferno também?

 

Do mesmo modo, ao afirmar que é pela misericórdia de Deus que se estabelece esta novidade, mostram o total desconhecimento dos dogmas referentes a Deus. Reduzem a misericórdia divina a um sentimento humano, onde Deus teria pena das crianças mortas sem batismo, como se fosse possível para Deus ter sentimentos de pena e agir como um homem poderoso que agracia um criminoso que lhe pede perdão. Quanta fantasia. E dizem que são teólogos! Os autores tentam afirmar que esta doutrina não atinge o dogma do pecado original. Vamos mostrar que atinge sim.

 

A questão do Limbo está ligada intimamente à doutrina da necessidade do batismo para se entrar no Céu. Isto é um dogma da nossa fé, declarado explicitamente por Nosso Senhor a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito Santo não entrará no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito." (S. Jo, 3,5) Já aqui nos deparamos com uma justificativa dos modernistas de quererem acabar com o Limbo. De fato, depois de Vaticano II, estabeleceu-se a prática de deixar o batismo para um momento em que a pessoa possa escolher. Prática certamente diabólica, pela qual muitas almas, já contaminadas pelas tentações, tomaram o caminho do pecado e se embrenharam nas trevas do inferno. Porque, se é indiferente às crianças antes da idade da razão, morrerem com ou sem batismo, então desaparece a necessidade de batizar-se desde o nascimento. Mas não é esta a Tradição dos Apóstolos: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de batizar também as criancinhas" (Orígines, Ad Rom. VI,6). E o Concílio de Trento determinará que sejam batizadas as crianças recém-nascidas "ex traditione Apostolorum" (Dec. sobre o Pecado Original, 4). Sejamos honestos: não se pode dizer que o Limbo não existe porque Deus, na sua misericórdia, leva as almas das crianças para o céu mesmo sem batismo e, ao mesmo tempo, afirmar que esta nova doutrina não afeta o dogma do pecado original e da necessidade do batismo.

 

Vários erros grosseiros são cometidos por esta super "Comissão Teológica Internacional", da Congregação para a Doutrina da Fé. Segundo as citações apresentadas pela imprensa, um dos membros "acrescentou que os muitos fatores analisados oferecem a suficiente base teológica e litúrgica para se acreditar que as crianças que morrem sem batismo se salvarão e gozarão da visão beatífica". Pelo visto estas razões teológicas são tão fracas quanto o argumento levantado na notícia: Para este membro da Comissão, no caso das crianças mortas antes da idade da razão, a misericórdia de Deus prevalece sobre o pecado. Oh! trevas da ignorância; Oh! astúcia do antigo inimigo! A quem querem estes senhores enganar? Pois quem foi que disse que as crianças mortas sem batismo vão para o Limbo por causa do pecado? Este senhor acaba de provar que o Limbo existe, pois se a razão da não existência do Limbo é uma suposta prevalência da misericórdia sobre o pecado, basta assinalar a doutrina católica que dá razões bem diferentes para a existência do Limbo e todo o trabalho desta comissão será posto a nu diante de todos, como mais uma armação contra a fé católica.

 

De fato, o que obriga a existência do Limbo é a ausência de vida sobrenatural antes do batismo. Esta ausência se deve à presença do pecado original, sua marca na alma. Mas a presença do pecado original não significa que exista a culpa do pecado original, sendo esta atribuída a Adão e Eva. Não havendo a culpa, não há como se contrapor a este pecado a misericórdia de Deus. Esta só poderia ser apresentada como argumento diante de pecados pessoais, com a culpa correspondente. Mas, por definição, estes pecados atuais não existem na alma das crianças antes da idade da razão. Não há como negar, isso é dogma da nossa fé (e eles afirmam que o Limbo nada tem a ver com o dogma!) Quando um bebê nasce, ele possui a alma espiritual em estado natural: capacidade de conhecer, pela razão natural, e capacidade de amar, por atos livres da sua vontade. Mas ela não está apta, apenas por sua natureza, a ter em si a presença de Deus, a graça santificante, a posse do Divino Espírito Santo. Em outras palavras: ela não é o templo da Santíssima Trindade. Deus Nosso Senhor quis que só mediante o batismo nos fosse dada, em acréscimo, esta capacidade de vida sobrenatural. (cf. S. Marcos 16, 15)  Se alguém achar isso injusto, que vá se entender com Nosso Senhor lá na porta do céu. Não temos o que discutir o que é Revelado por Deus, basta-nos o ato de fé; e o batismo é o meio de obter a vida da graça, sendo, certamente, o melhor para nós, o mais fácil, o mais comum, o mais usual. As Sagradas Escrituras nos trouxeram pelo menos um exemplo maravilhoso desta imensa bondade e misericórdia de Deus, que facilitou a entrada de tantas almas na visão beatífica: o batismo é dado com água, e qualquer pessoa pode batizar. Foi na estrada de Gaza, onde viajava o eunuco da Rainha da Etiópia, sentado em um carro, lendo o livro de Isaías. A ele foi enviado o diácono Felipe, por obra do Espírito Santo. E ali mesmo, na beira da estrada, o pobre homem pergunta a  Felipe: "Eis água, que motivo me impede de ser batizado". (Atos, 8, 26) E Felipe o batiza, na beira da estrada, em açude ou riacho, e o milagre se consuma: aquela alma já não é um pagão, já não é incapaz da graça, mas tornou-se luminosa, filho de Deus, plenamente apta para a vida sobrenatural e mergulhada nela. E este milagre, os falsos teólogos querem roubar das criancinhas, atacando um dos flancos da muralha protetora da fé, que é o Limbo.

 

O que é o Limbo?

 

Diante da guerra levantada contra a doutrina católica sobre o Limbo, as pessoas sem formação tendem a pensar que este lugar é um castigo, quando na verdade não é. Trata-se de um lugar apropriado para a capacidade de uma alma humana impedida, pela presença do pecado original, de ter a vida sobrenatural. E o que acontece com esta alma, no Limbo? Ela vai agir segundo as suas capacidades naturais, e isto vai depender da idade em que tiver morrido. Se chegou a desenvolver um pouco sua inteligência e sua vontade, poderá receber algum conhecimento natural de Deus e dos eleitos do paraíso, que lhe trará uma felicidade natural compatível com o seu estado. É, portanto, um lugar de paz, de felicidade natural. Não é um lugar de visão beatífica, porém isso não afeta as almas dali, pois elas não têm nem mesmo a noção do que seja a visão beatífica, não podendo assim desejá-la ou sentir inveja dos eleitos do Paraíso. Ao contrário, Deus pode perfeitamente alegrar estas alminhas permitindo que algum lampejo da luz do Céu venha iluminar este lugar, como fogos de artifício para que batam palmas ao Criador.

 

Onde querem chegar?

 

Vários erros modernistas, da Nova Teologia de Henri de Lubac, von Balthasar e outros exigem as mudanças que esta comissão tenta empurrar goela abaixo aos católicos. Toda a Nova Teologia e Vaticano II baseiam-se na redução da ordem sobrenatural à ordem natural. Ou seja, a graça e a glória do céu deixariam de ser acréscimos sobrenaturais dados gratuitamente por Deus, para fazerem parte da própria natureza do homem. A partir daí, fica fácil introduzir outras novidades, como a salvação universal de todos os homens, já ao nascer, ou ainda o emparelhamento de todas as religiões como sendo eficazes para salvar os homens. De fato, se as crianças mortas sem batismo vão necessariamente para o céu, já não se faz necessária a fé católica, abre-se a porta para o ecumenismo radical e alucinado proposto durante mais de trinta anos por João Paulo II. Abre-se também as portas para canonizações de pessoas que, pelos critérios católicos, nunca alcançariam os altares. O próprio João Paulo II, absurdamente proposto para ser beatificado; Madre Tereza de Calcutá, a queridinha da mídia mundial, que proibia que fossem batizados, em seus hospitais, as crianças em perigo de morte vindas de outras religiões. Se elas iriam para o céu, então esta atitude seria tolerável, mas se a doutrina verdadeira, do Limbo, é a tradicional, então esta religiosa nunca poderá ser canonizada pelos ritos tradicionais, tendo impedido tantas e tantas alminhas de irem para o céu.

 

Ainda na questão das intenções destes agentes do mal, devemos assinalar a frase citada na imprensa: "o limbo representava um "problema pastoral urgente", pois há cada vez mais crianças que nascem de pais não católicos e que não são batizados e também "outras que não nasceram ao serem vítimas de abortos". A se confirmar o teor desta afirmação, estamos diante de um curioso critério dogmático: já que Vaticano II derrubou a fé católica no mundo inteiro, aumentou consideravelmente o número de crianças nascidas de pais não católicos. Cabe então, segundo a frase citada, uma modificação no dogma católico, para arrombar a porta do céu, explodir tudo, deixar entrar todo mundo, batizado ou não batizado, vindos de pais católicos ou não. É impressionante a pretenção dos desvairados: arrombaram as portas da Igreja com sua "abertura ao mundo" e com isso acham, sem se darem conta do ridículo, que abriram também as portas do céu.

 

Não estamos mais em 1965, ou em 1969. Naqueles dias, os católicos engoliram a heresia progressista sem perceber e hoje já não sabem mais o que são. Diante destes fatos urge ao católico armar-se com a armadura de Deus, resistindo-lhes fortes na fé, com a espada da verdade, o elmo da salvação, a alegria no coração no bom combate, na esperança da salvação, na vida eterna do céu.

 

 

Dossie contra a tentativa de difamação contra o Papa Pio XII

 
Mentira X Verdade
À esquerda, o cartaz do filme "Amém" de Costa Gavras mostra uma cruz se transformando em Suástica. 
— é a cruz da mentira.
À direita, a capa de uma revista alemã da época mostra a cruz como clara inimiga do regime nazista.  
— é a cruz da verdade.

A Espiritualidade dos movimentos católicos

SOBRE A ESPIRITUALIDADE DOS MOVIMENTOS CATÓLICOS

Dom Lourenço Fleichman OSB

Passei estes dias a reler coisas antigas, movido pela perplexidade diante da nossa condição humana. Não falo da conjuntura política, que já ultrapassou todos os limites da razão; não falo da economia nem da insegurança nacional.

Tenho pensado mais, nestes últimos dias, nos nossos movimentos católicos de defesa de uma civilização que já não existe mais, de defesa da Tradição.

Neste curto texto já amarelado pelo tempo, apesar do tempo e do amarelo do papel, brilha aquilo que até hoje 

Sede-vacantistas

Para os que nunca ouviram esta expressão eu explico: são aqueles que afirmam que o papa não é papa. Não tem papa. A sede está vacante, ou seja, vazia. Esta tese baseia-se no fato de que a teologia católica não exclui a possibilidade de um papa perder o papado por pecado formal de heresia. Porém, isto que é uma possibilidade teológica, não pode ser afirmado categoricamente por ninguém neste mundo, pois também é doutrina católica que o papa só pode ser julgado pela Igreja, o que exige um outro papa legitimamente eleito, devidamente escolhido pelo Divino Espírito Santo.

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