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Category: Vaticano IIConteúdo sindicalizado

A nova Carta aos amigos e benfeitores de Dom Fellay

Há quase um ano, o Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X reunificou em um mesmo espírito algumas diferenças que haviam surgido ao longo do ano de 2011 e início de 2012, diante da possibilidade de haver um acordo prático com as autoridades do Vaticano. Infelizmente, nessa ocasião, alguns padres da Fraternidade e outros de comunidades religiosas amigas da Fraternidade, resolveram precipitadamente romper com a Fraternidade, alegando que esta já havia traído a orientação de Dom Marcel Lefebvre. Não havia atos ou documentos que pudessem servir de base segura para tal atitude, e esses padres, insistindo em analisar argumentos anteriores ao Capítulo de julho de 2012, cometeram um grave equívoco que só serviu para dividir a Tradição. Da nossa parte, insistimos em que se devia desviar a atenção da internet e seus blogs e redes sociais, para nos dedicarmos à oração e ao silêncio, muito necessários nessas horas para guardarmos um mínimo de sabedoria. Após o Capítulo, o próprio Dom Fellay, assim como Dom Galarreta, fizeram sermões e conferências mostrando que o Capítulo tinha, de fato, sido um momento da graça, retomando critérios importantes para evitar quedas e divisões da Fraternidade. Mas os dissidentes insistiam em afirmar que um acordo já tinha sido feito e que Dom Fellay estava apenas enganando os resistentes. Uma calúnia, na verdade, sem fundamento. Hoje, queremos publicar a Carta aos amigos e benfeitores que Dom Fellay acaba de escrever, onde fica definitivamente marcada a defesa da fé, como sempre foi a pauta da Fraternidade São Pio X ao longo desses anos todos. Pedimos a São José que amanse os corações endurecidos trazendo-os à humildade, para que saibam retornar a essa unidade que, só ela, pode nos manter fortes no combate. 
 
Dom Lourenço Fleichman OSB
 

Conferência de Dom Galarreta - 13 de outubro de 2012

 

Diante das interpretações absurdas publicadas na internet, em sites e blogs do Brasil, pareceu-me necessário trazer para os nossos leitores o texto traduzido dessa importante conferência. Uma das causas dessas equivocadas interpretações é o fato de se ter apenas lido a transcrição em espanhol, sem terem escutado o áudio em francês. Cheguei a pensar em produzir legendas para acompanhar o áudio, mas não nos foi possível. Assim, apresento aqui o texto em português, traduzido diretamente do áudio em francês, acrescido dos meus comentários, entre colchetes e em itálico. Recomendamos ao leitor que mesmo não conhecendo o francês, que leia a conferência ouvindo o áudio: http://www.laportelatine.org/mediatheque/audiotheque/audiotheque2012.php, pois as pausas, entoações, insistências, mostram o valor de cada frase, de cada parágrafo, na tranquila e elevada exposição do autor. E que esse esforço da Permanência sirva para eliminar definitivamente a injuriosa acusação feita contra Dom Galarreta, de que teria traído, mudado de posição, e se inclinado a fazer um acordo prático com Roma.

Dom Lourenço Fleichman OSB

Leia a transcrição da conferência com comentários

A Igreja Católica e a Outra

Dom Lourenço Fleichman OSB

A leitura do debate em torno das Cartas do Concílio, do Padre Berto, teólogo de Mons. Marcel Lefebvre no Concílio, publicado na revista dos dominicanos franceses Le Sel de la Terre nº 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as direções no meio desta névoa espessa que cobre a Igreja.

Parece evidente que, quarenta anos após o Concílio, é necessário trabalhar mais a fundo a questão da natureza exata da crise modernista, sua essência, a base teológica explicativa de tal situação, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, também importantes. Assim, como conseqüência desta análise, devemos procurar estabelecer de modo mais sólido, até que medida um católico é obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos. Leia mais

Fraternidade São Pio X

Dom Lourenço Fleichman OSB

Está sendo difundido em alguns blogs um artigo meu antigo, sem que se avise ao leitor que ele não é atual. Lendo-o com a falta de atenção que costumam usar, querem insinuar que eu defendo o atual processo de união entre a Fraternidade S. Pio X e o Vaticano. Convido os leitores a ler esse texto prestando a atenção devida, e perceberão que minha defesa de Dom Fellay nesse antigo artigo está baseada na afirmação categórica de que o Superior Geral da Fraternidade não faria, naquela ocasião, nenhum acordo prático, pois assim sempre ensinou em suas conferências: sem a conversão das autoridades romanas, não se pode pensar em acordo prático.

É evidente que nessa hora de grande perturbação e angústia para todos os fiéis católicos da Tradição, em que vemos Dom Fellay declarar que deseja esse acordo prático, é preciso ter os critérios verdadeiros diante de si: a fé sobrenatural exige nossa adesão total à verdade, e não se vê da parte de Roma nenhuma mudança substancial nesse sentido. Não podemos apoiar tal acordo. Procuramos manter nossas almas em oração e penitência, pedindo à Virgem Maria que não permita que a Tradição perca sua força por essa aproximação com o Vaticano, que continua pregando os inaceitáveis erros do Concílio.

Leiam na mesma perspectiva:
A Igreja Católica e a Outra - Dom Lourenço
A Descoberta da Outra - Gustavo Corção
Miragem ou visibilidade - Dom Lourenço
Nossa Posição sobre a Crise da Igreja - Dom Lourenço
A Revelação do Homem - Gustavo Corção

 

"Unidade na diversidade"

 Dom Lourenço Fleichman OSB

Um leitor nos envia interessante e-mail contendo citações tiradas do Movimento Neocatecumenal.1
 
"Não digam nada às pessoas de todas estas coisas: simplesmente revalorizem o valor comunitário do pecado, sua índole social, o poder da Igreja, etc." (Kiko, Apostilas cit., 9º Dia, p. 137).
 
  1. 1. Notas: Citações das heresias do movimento Neo-catecumenal Francisco Arguelo -- Kiko -- Apostilas, Orientações às Equipes de Catequistas para a fase de Conversão, Anotações tiradas das gravações dos encontros realizados por Kiko e Carmem, para orientarem as equipes de catequistas de Madri, em Fevereiro de 1972.

Nossa posição sobre a crise da Igreja

Para chegarmos a ter uma noção mais exata do que seja a nossa condição de católicos, hoje, consideremos a Igreja como existia na época ainda recente do papa Pio XII. Apesar das diversas dificuldades que vinham criar obstáculos à vida normal da Igreja, esta conseguia manter as almas no caminho do céu. Quantas ocasiões de aumentar a fé e a piedade dos fiéis: Congressos Eucarísticos, Encíclicas papais reiterando a doutrina de sempre da Igreja, grandes colégios formando jovens católicos e universidades comandadas por sacerdotes seguros e determinados. Se olharmos para o quadro de bispos que compunham o episcopado tanto aqui no Brasil como em outros países, ficamos impressionados com a qualidade de alma, a firmeza na fé de tantos deles. Havia os liberais, mas estavam sob o controle da Igreja que velava para que as almas não recebessem doutrinas e ensinamentos perniciosos à fé.

As igrejas estavam cheias e por toda parte havia associações católicas para o estudo da doutrina ou para ajudar seus associados a viver melhor a vida cristã: Apostolado da Oração, Filhas de Maria, Congregação Mariana, Cruzada Eucarística e outras formadas por associações de leigos, como foi outrora o Centro Dom Vital, o Legionário etc. Grandes homens brilharam em nossa sociedade, como Jackson de Figueiredo, Carlos de Laet, Gustavo Corção, etc.

A Igreja, nesta época, apesar de estar juridicamente separada do Estado em praticamente todos os países, continuava exercendo uma saudável influência na formação dos costumes, e servia também de muralha contra os excessos dos mundanos, dos racionalistas e ateus de diversos matizes.

As almas recebiam da Igreja todo o necessário para alcançar a vida eterna: sacramentos, ensinamentos, orientações espirituais, orientações sociais e políticas. Tudo isso seguramente estabelecido de acordo com os dogmas da nossa fé, com o que sempre, em todo lugar e por todos havia até então sido ensinado pela Igreja. Era essa a nossa grande segurança; era essa nossa maior alegria.

Ora, este quadro que acabo de lembrar acima, nada mais é do que a vida católica tal como deve ser ensinada sempre pela Igreja. Esta é a vida de que precisamos para alcançar nosso fim último que é a vida divina, no céu. E se a Igreja Católica, em sua essência, Corpo Místico de Cristo, é nossa Mãe e nos traz sempre todo esse conjunto de vida e santidade, já na sua parte humana, na sua hierarquia, nos homens que a governam, cabe-lhe um dever, uma obrigação recebida da boca de seu fundador divino, Nosso Senhor Jesus Cristo, de dar às almas este alimento diverso e salutar. Mesmo o Novo Código de Direito Canônico explicita esse dever:

 
«Os fiéis têm o direito de receber dos Pastores sagrados a ajuda dos bens espirituais da Igreja, especialmente os provenientes da Palavra de Deus e dos Sacramentos» (cânon 213 do Código de Direito Canônico).

Assim como um pai de família, antes de exigir amor e confiança da parte de seus filhos, tem por obrigação lhes dar sustento material e moral, segurança e educação, assim também a hierarquia católica só pode exigir de seus filhos, dos seus fiéis, amor, caridade, confiança e obediência, na medida em que trouxer para eles a firmeza da fé, a proteção contra os erros, a defesa contra as instituições mundanas criadas para perverter a humanidade. Não me parece difícil considerar assim as coisas porque são noções de respeito à própria natureza do homem e da sociedade humana. Aplica-se a qualquer sociedade, seja ela familiar, religiosa, empresarial ou governamental.

Hoje, quando nos acusam de desobedecer ao papa ou aos bispos; quando nos caluniam chamando-nos de cismáticos, as pessoas cometem um erro simples: exigem de nós uma atitude que só cabe num ambiente onde se preserva o mais importante, onde o dogma da  fé seria preservado e ensinado como nos tempos antigos, seja de São Pio X, ou Pio XI, ou Pio XII. Acontece que entre a morte de Pio XII e nós espalham-se quarenta anos. E esses quarenta anos foram e continuam sendo de um terremoto avassalador que derrubou a  fé!

Ao longo desses quarenta anos foram diversos os aspectos da destruição. No início, nos anos 60, tímida, ainda misturada com algum resto de catolicismo. Já nos anos 70 foi avassaladora, derrubando e destruindo costumes, dogmas, imagens, devoções; época de grandes perseguições contra todos os que queriam permanecer fiéis. Veio, em seguida João Paulo II e a revolução abriu-se para um ecumenismo desenfreado jogando a quase totalidade dos católicos num profundo ceticismo, no indiferentismo religioso que considera qualquer religião como verdadeira. Ao mesmo tempo, tendo tudo destruído do que era tradicional, iniciou-se uma espécie de reconstrução em novas bases, com fundamentos ecumênicos da nova Igreja mundialista: uma nova bíblia foi elaborada, um novo Direito Canônico, a nova Missa, novo Catecismo, novas devoções a Nossa Senhora, novos ritos de sacramentos. Essa reconstrução foi feita sob o comando do Cardeal Ratzinguer, que soube dar a estas novidades certa roupagem antiga escondendo realidades completamente novas e contrárias ao dogma da fé.

Esta é a questão principal: a partir do Papa João XXIII até o papa João Paulo II, sem exceções, o catolicismo foi sendo esvaziado de sua seiva, de sua vida, de sua fé. Todas as instituições católicas levantadas ao longo de dois mil anos para nos proporcionar a salvação eterna foram destruídas, postas abaixo, por essa nova hierarquia saída do Concílio Vaticano II.

Ora, se os membros da hierarquia não cumprem mais o seu sagrado dever de nos alimentar com a fé de sempre, como podem exigir aquela obediência, submissão, amor e confiança? Como podem nos acusar de não ter o espírito católico porque não queremos seguir ao papa ou aos bispos, se estes chefes não cumprem o seu dever em matéria gravíssima? Como podem exigir dos católicos que digam que Vaticano II é um concílio católico se foi nesta reunião solene de bispos que se delineou a destruição total do catolicismo operada de dentro da Igreja? Como podem exigir de nós que aceitemos uma missa nova que na teoria e na prática "se afasta no seu conjunto como no detalhe, da teologia católica da missa" como declarou ao Papa Paulo VI (com a devida demonstração teológica) o cardeal Ottaviani, então pró-prefeito do Santo Ofício? Um católico não pode ficar indiferente a estas graves questões que põem em risco a sua fé e a sua salvação, sem correr o risco de ouvir, de Nosso Senhor Jesus Cristo, no dia do Juízo Final, a condenação e o castigo por não termos defendido nossa fé, como é nossa mais grave obrigação.

Como muitos dos nossos leitores podem não ter vivido o ambiente de destruição operado pela hierarquia ao longo desses anos, proponho listar, sem pretensões de seguir ordem cronológica e sem pretender também abranger tudo, exemplos dessa obra perversa que destruiu a nossa fé católica. Assinalo que a longa lista é apenas um esboço sem desenvolvimento algum. Cada um desses itens poderia ser desdobrado e multiplicado em milhares de escândalos e erros. Veja a lista aqui.

Isso posto, ficando claro que a destruição do catolicismo é uma realidade, cabe ao fiel tomar uma atitude de defesa da fé. Isso não significa que estejamos recusando a autoridade do papa ou dos bispos; não significa que estejamos aqui afirmando que João Paulo II não é papa. E àqueles que dizem caluniosamente que somos sede-vacantistas só na prática, respondo que fica fácil esquivar-se da análise dessa situação que acabo de descrever, fazendo fumaça para tapar a vista dos fiéis. O que significa ser cismático na prática? Se em nossas missas o papa João Paulo II é nomeado, no cânon, assim como os bispos diocesanos, como podemos ter um espírito cismático ou sede-vacantista? Nada mais fácil seria omitir-se os nomes dos chefes da hierarquia, pois que são orações da missa ditas em silêncio. Ninguém perceberia. Mas isso não acontece. E como podem ser cismáticos fiéis que vão a Roma rezar pelo Papa no Ano Santo?

Para se guardar a honestidade e a boa fé é preciso encontrar outros caminhos para nos criticarem. Esse não tem fundamento. Se querem afirmar que estamos errados, provem. Levantem uma tese, mostrem que não existe crise, tragam seus argumentos. Se acham que a obediência ao papa e aos bispos não depende do depósito da fé, que provem isso com os argumentos teológicos que a situação exige! E a explicação correta é essa falta de confiança, esse repúdio vigoroso e total do erro que nos é ensinado há quarenta anos pelas autoridades da Igreja. De modo que se alguém pretende exigir de nós uma mudança de atitude em relação a essas autoridades, comece provando que elas já não ensinam mais os erros de Vaticano II. Comece explicando a tremenda contradição que existe entre Assis e o Catolicismo, entre Neo-catecumenal e Igreja Católica. Comece mostrando que essas autoridades já não ensinam mais o ecumenismo devastador da Religião, já não consideram mais a falsidade da liberdade religiosa, já não pregam mais a democracia no governo da Igreja, já castigam os escândalos que se repetem há quarenta anos nas celebrações e nos seminários.

Se alguns acham que, apesar dessa grave falência da essência do catolicismo, devemos, mesmo assim, obedecer ao papa e manter uma situação de legalismo como se a Igreja vivesse no tempo de Pio XII, digo que estão invertendo os valores em matéria grave. Estão dando maior importância ao jurídico em detrimento da fé. Podem trazer tantas citações quanto quiserem de entrevistas e conferências de Dom Antônio ou de Dom Lefebvre, onde estes dois grandes defensores da fé teriam falado de modo mais diplomático sobre as autoridades. E sempre responderei pedindo uma só citação onde eles teriam dito que seja preciso reatar juridicamente com o Vaticano sem que de Roma nos venha uma palavra confirmando a fé católica e condenando os erros hoje ensinados. Ao contrário são diversas as ocasiões em que exigiram a fé íntegra e total antes de conceder um assentimento e submissão às autoridades.

Esta é, portanto a nossa posição diante da crise da Igreja. Caso nosso leitor deseje desenvolver seus conhecimentos sobre estas dolorosas realidades, recomendo a leitura dos demais textos do nosso índice sobre a crise da Igreja, o índice de artigos, assim como os artigos de Gustavo Corção que se encontram em www.gustavocorcao.permanencia.org.br. Até quando vai durar esta crise? Não sabemos, nem cabe a nós determinar o dia ou a hora. Aos soldados que nós somos pede Nosso Senhor que estejamos alertas, em combate, porque os dias são maus. Que a Virgem Maria nos proteja no combate e que possamos dizer com S. Paulo: "guardei a fé" !

A condição mínima

A recente visita de Dom Bernard Fellay, superior da Fraternidade S. Pio X, ao Papa Bento XVI levantou algumas interrogações, algumas curiosidades. Alguns esperavam que algo de concreto acontecesse, um início de acordo. Não atinaram que a visita nada mais era do que uma prática normal, de cortesia mútua; o bispo responsável por uma obra como a Fraternidade, acusado injustamente de ser cismática, vem pessoalmente mostrar ao Papa que não há cisma, apesar de haver, sim, muitos pontos de afastamento, de discordâncias, causadas pelas novidades, pelos graves erros de Vaticano II. Mas diante desta movimentação dos espíritos desses últimos dias, um leitor me perguntou qual seria a condição mínima para que houvesse, enfim, um acordo entre o Vaticano e a Fraternidade São Pio X, depois deste primeiro encontro do Papa com Dom Fellay.

Como avaliar? Quais os critérios para se definir um mínimo que permita alcançar este entendimento com o Vaticano? Seria a liberação da missa de S. Pio V a todos os padres, sem necessidades de permissões? Ou a anulação do ato de excomunhão? Estas foram as duas condições colocadas pela Fraternidade ao Card. Ratzinger, no ano 2000 para um início de conversa. Não creio que sejam "condições mínimas" para o acordo. Seriam, antes, atitudes de boa vontade da parte do Vaticano, coisa que até hoje não ocorreu.

O que aconteceria se fosse liberada assim a missa? Se nossa perspectiva fosse a de certos "conservadores", deveríamos considerar que o aumento das missas tradicionais levaria a um esvaziamento das nossas capelas, pois muitos diriam: se podemos ter a missa tradicional com Roma, porque tê-la sem Roma? Mas devemos constatar que esta dialética já existe e as capelas não se esvaziaram. Não deixa de ser curioso que em várias dioceses onde há missas da Fraternidade S. Pio X ou grupos afins, se tenha iniciado uma missa tradicional "oficial". Rio, Niterói, São Paulo, Santa Maria, Belo Horizonte. E eu pergunto: - porque não se esvaziaram as capelas da Fraternidade? Porque não é só a missa que nos distancia da Igreja de Vaticano II. Vejam o que diz o jornalista italiano Vittorio Messori, no jornal Corriere della Sera de 27/8: "Não se trata aqui apenas de liturgia em latim: existe uma eclesiologia e, com ela, uma teologia que hoje diverge".

Na nossa perspectiva, que não é a destes neo-conservadores, a multiplicação das missas de S. Pio V, com ou sem um acordo com Roma, poderia induzir os fiéis a considerar que tudo está resolvido, ficando de lado o mais importante deste combate de quarenta anos, que é a defesa da fé, diminuída e mesmo destruída em todos os poros da vida da Igreja. O que nos distancia de modo tão radical do Vaticano II é a essência do catolicismo, como dizia Gustavo Corção. É o que diz também o superior da Fraternidade S. Pio X para o distrito da Itália, Padre Nely, citado pelo mesmo Messori: "Não seria possível para nós deixar de denunciar os erros. Nosso papel é o de vigiar para que a ortodoxia seja respeitada".

Logo, devemos concluir que a liberação da Missa não é uma condição mínima para um acordo. A questão da excomunhão, por seu lado, não tem peso para ser esta condição visto que ela só foi colocada por Dom Fellay a João Paulo II para que seja devolvida a honra dos defensores da fé, manchada por este ato jurídico-disciplinar sem fundamento no direito canônico (cf. tese de doutorado do Pe. Gerald Murray)

Examinando a trajetória dos grupos tradicionais que fizeram o acordo com o Vaticano, constata-se que todos eles, quer se trate dos acordos de 1988 quer se trate dos padres de Campos, em 2002, tiveram que dar alguma coisa em troca, pelo direito de celebrar a missa tradicional ou de serem erigidos em abadias, administrações etc. Tiveram que aceitar Vaticano II, seus ritos, seus santos, sua missa. Todos eles mudaram bruscamente de linguagem e de atitude diante de tudo o que o Concílio e o  pós-Concílio produziu. Hoje, todos sabem, a Fraternidade São Pedro já não existe tal como surgiu, em 30 de junho de 1988. A intervenção do Vaticano no ano 2000 impôs novos chefes e novas práticas. No Barroux, a mesma coisa aconteceu, de modo talvez mais ameno, mas o atual jovem abade deixou claro que ali as duas missas são igualmente respeitadas e celebradas. Em Campos já não causa nem mais escândalo as fotos de Dom Fernando Rifan concelebrando a missa nova, assim como a aceitação total de toda a "espiritualidade" do Vaticano, que seja o novo Rosário, ou a devoção ao liberal Escrivá de Balaguer.

Parece-me, portanto, claro que a condição mínima para um acordo é que não haja, com a Fraternidade, a duplicidade que vemos nos acordos anteriores. Tanto Dom Gerard Calvet, como os padres de S. Pedro ou os padres de Campos repetiram incansavelmente que estavam sendo aceitos como eram, "sem contra-partida". E isso era falso. Era falso porque os agentes do Vaticano foram dúbios ou era falso porque os padres e religiosos foram dúbios com seus fiéis? O Cardeal Mayer foi claro quando propôs o acordo ao Barroux, em 1988. Disse que Dom Marcel Lefebvre não poderia mais pisar no Mosteiro de Santa Madalena, diante de um Dom Gerard que tentava de todos os modos esquivar-se da questão. E Dom Fernando Rifan? O que há de mais dúbio do que os três meses passados em Roma, possíveis promessas não confessáveis, possíveis concelebrações não confirmadas, antes daquelas que conhecemos? O que há de mais dúbio do que a tentativa de dividir o pensamento de Dom Antônio de Castro Mayer como se o grande defensor da fé fosse instável e incoerente em suas posições doutrinárias, como está sendo Dom Rifan e seus padres?

O fato é que só há um caminho para a reconciliação e este caminho me parece cheio de muitos e complexos obstáculos: o Vaticano não poderá exigir de Dom Fellay e da Fraternidade que mude seu discurso, que altere o tom de suas críticas à obra nefasta e herética de Vaticano II. Propor à Fraternidade o mesmo esquema de acordo já vivido me parece ilusório; pretender que a Fraternidade venha a aceitar a missa nova, mesmo quando "rezada corretamente", me parece ingênuo e inútil. A doce firmeza com que os bispos da Fraternidade mantém a exigência de um catolicismo totalmente verdadeiro e tradicional é a prova da continuidade, da perseverança, da presença espiritual de seu fundador, o venerado Dom Marcel Lefebvre.

Parece-me ilustrar bem estas considerações o que escreve, em mais uma citação, Messori: "o distanciamento teológico se agravou tanto nas últimas décadas que, humanamente falando, uma cura total da fratura parece impossível. Qualquer que seja a solução proposta pelos canonistas (prelazia pessoal, administração apostólica, ordem religiosa etc), os discípulos de Mons. Lefebvre não poderiam viver numa espécie de Igreja paralela, ignorando o que se produz em volta dela". Ora, para evitar este entrave é que os conservadores que fizeram o tal acordo com o Vaticano agem como se na Igreja existissem "guichês" para todos os gostos e necessidades: guichê da TL, guichê da RCC, guichê da Opus Dei, guichê de Taizê e... guichê da Tradição. Estão aí, ainda, os ecos da última JMJ para provar. Ecos, aliás, dissonantes e agressivos da música rock, pop, gospel, e protestante, misturadas ao lindo gregoriano do guichê da Tradição. Mas é justamente o que não passa pela cabeça dos bispos da Fraternidade, aceitar que se rebaixe assim a santidade da Igreja, que se diminua de modo tão iníquo a fé católica.

Cabe diante da situação uma verdadeira esperança de milagre. Cabe um esforço de orações para que a graça divina trabalhe nos corações e faça as autoridades devolverem a todos os fiéis o acesso à verdadeira Igreja Católica, esta que é prisioneira do autoritarismo e da marginalização, esta que é isenta de todas as manchas e rugas do mundo que se vieram grudar nela depois do Concílio, como um câncer espiritual que a devora.

A Essência do progressismo

 H. Le Caron

É inútil nos iludirmos. O que aconteceu depois do último Concílio prova que "o progressismo cristão", condenado pelos papas precedentes com diferentes qualificativos (L'Avenir por Gregório XVI; os "católicos liberais" por Pio IX; o "americanismo" por Leão XIII; o "modernismo" e o Sillon de Marc Sangnier por Pio X), terminou por intoxicar grande parte da Igreja, até os mais altos escalões.

A Renovação Carismática Católica

Pe. Scott Gardner, FSSPX

 

Fruto do Concílio Vaticano II, Semente de Destruição.

Introdução:

  Batizados no "Espírito"

            "Batizado no Espírito", "Oração em Línguas", "O Dom da Profecia", e um "Relacionamento Pessoal com Jesus Cristo" são todas expressões muito em voga e indispensáveis no vocabulário da assim chamada "Renovação Carismática Católica" (RCC) , um movimento cujas origens se deve a um retiro sem nenhum acompanhamento realizado em 1967 por alguns estudantes da Universidade de Duquesne em Pittsburg (USA) . Por volta de 1990, o movimento já contava com cerca de 72 milhões de seguidores no mundo inteiro e organizações oficiais em mais de 120 países.
LEIA A CONTINUAÇÃO

Em defesa da Fraternidade São Pio X

Dom Lourenço Fleichman OSB

O Fratres in unum tirou a máscara. Já há muito que se percebia um apoio constante aos "conservadores" ligados à Ecclesia Dei, enquanto que a Fraternidade São Pio X, que eles diziam apoiar, só aparecia ali quando alguma entrevista para os jornais, por si mesmas mais superficiais e amenas, levava os seus superiores a evitar críticas ao papa ou aos bispos. Mas um Superior de Distrito da Fraternidade não escreve um Comunicado da gravidade daquele publicado no site do distrito francês, como se falasse a jornalistas. É evidente. Qualquer superior militar sabe distinguir entre um aviso aos jornais e um comunicado aos seus soldados. Nada mais natural do que um chefe do combate espiritual dessa guerra que travamos, assim proceda. Não existe nisso contradição.

O texto publicado contra a Fraternidade São Pio X no Fratres in unum é um panfleto maldoso, cheio de erros de interpretação, de erros de tradução, de má fé. Seu autor, não podendo encontrar respostas ao grito de Fé do padre de Cacqueray, apela para um artigo de 2008, de outro padre, em contexto completamente diferente, e que, mesmo assim, é analisado de modo a induzir em erro seus leitores.
Pessoalmente, sempre achei que a situação atual, mesmo sendo necessária, induzia muitos a um erro de avaliação, ao julgarem que a ida da Fraternidade a Roma para as discussões teológicas significaria uma adesão desta à reforma da reforma trabalhada por Bento XVI. Bastou um ato mais forte do papa na direção dos erros do ecumenismo para essa gente dar gritinhos escandalizados, não com o gritante erro dos chefes, mas com a reação saudável dos filhos que não podem aceitar a nudez do pai. Aos que preferem rir-se da nudez do papa, embrigado de ecumenismo naturalista, só nos resta aquela condenação de Noé convertido, depois que passou o efeito do vinho: "Maldito seja Canaã!" (Gênesis, 9, 25) Para restabelecer a justiça gravemente ferida pelo Fratres in unum, publicamos aqui as pungentes palavras do padre de Cacqueray a seus padres e a seus féis franceses. Que elas sirvam de alerta para nossos leitores e amigos. A tradução é da Permanência. Leia a continuação
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