Skip to content

CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

Clique na imagem para ler a oração que acompanha o Rosário

Clique aqui para ler o texto explicativo

 

Introdução ao décimo nono domingo de Pentecostes

Como entraste aqui, não tendo a veste nupcial? ” (Evangelho)

 

Paramentos verdes

 

É por estes dias (no quinto domingo de setembro) que a Igreja lê no Ofício Divino a história de Ester. Julgamos, pois, que vem a propósito -- conforme a nossa intenção de rever com a Igreja as figuras do Antigo Testamento e de estudar, à luz do Breviário e do Missal, a liturgia destes domingos depois de Pentecostes -- falar hoje de Ester.

Assuero, Rei dos persas, tinha-se casado com uma donzela judia chamada Ester, sobrinha de Mardoqueu. Nomeara por outro lado intendente do palácio o amalecita Aman, muito conhecido pelo ódio que alimentava contra os judeus. Invejoso da preponderância que os judeus, por intermédio de Mardoqueu e de Ester, exerciam no ânimo do monarca, o amalecita convenceu o Rei de que os judeus conspiravam contra a paz do reino, e fez levantar em todo o país as forcas para as execuções. Ester, então, violando o decreto preventivo do tirano, de que ninguém se aproximasse dele naqueles dias, entrou à sua presença e lamentou que ela e o seu povo fossem entregues assim ao extermínio. Conhecendo Assuero por este meio que Ester era judia e sobrinha de Mardoqueu, perguntou irritado: “e quem ousa fazer isso? ” Ester respondeu: “O nosso inimigo, o cruel Aman” Então o rei, enfurecido contra o ministro, mandou revogar o decreto promulgado contra os judeus, e suspender Aman na mesma forca que ele preparara para Mardoqueu. Assim salvou Ester o seu povo. Isto mostra como Deus vigiava por aqueles que esperavam nele. E as coisas ainda não mudaram. “Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor, e se ele chamar por Mim, ouvi-lo-ei”. “Quando a tribulação me oprimia, Vós, Senhor, dáveis-me coragem, e contra a cólera dos meus inimigos levantáveis a Vossa mão direita”.

Aman, que Assuero condenou tão severamente, é como aquele homem do Evangelho que entrou no banquete sem a veste nupcial, e que o rei condenou às trevas exteriores. Deus tratará assim também todos os que, pertencendo ao Corpo da Igreja pela fé do Batismo, entrarem na sala do banquete sem a veste das virtudes cristãs. Falta-lhe na alma a graça vivificante. São estranhos na assembleia dos vivos. E é aqui visado particularmente o grande preceito da Caridade: “Rejeitando a mentira, digam todos a verdade a respeito do seu próximo”. São membros uns dos outros. Que o sol não se ponha sobre a vossa cólera. Os que não cumprirem este preceito serão lançados pelo juiz soberano nas trevas do inferno, onde haverá pranto e ranger de dentes. Assuero encolerizado mandou prender Aman. “O rei, diz o Evangelho, encolerizou-se e enviou os seus exércitos para exterminar os assassinos e lhes queimar a cidade”. Mais dum milhão de judeus morreram no cerco de Jerusalém. A cidade foi destruída e o templo incendiado.

Aman foi substituído por Mardoqueu. Os convidados às núpcias foram substituídos pelos que se encontravam nas estradas e nas encruzilhadas dos caminhos. Os judeus foram substituídos pelos pagãos. Foi para estes últimos que os Apóstolos cheios do Espírito Santo se voltaram no dia de Pentecostes. E no Juízo Final, que estes domingos simbolizam, serão promulgadas as sentenças definitivas. Os justos tomarão parte no banquete das núpcias eternas, e os pecadores serão lançados nas trevas exteriores.

Da Epístola: Diz S. Paulo que é necessário pôr o velho homem de parte e revestirmo-nos de Cristo. Entre os antigos, “revestir, pegar num vestido” significava muitas vezes tomar um estado de que a veste era o símbolo exterior. “Revestir-se de Cristo” quer, pois, dizer, na linguagem do Apóstolo, renunciar às paixões e às obras da carne que trazemos conosco, como filhos de Adão, e viver doravante a vida plena de Cristo.

Do Evangelho: Deus, diz S. Gregório, celebrou as núpcias de Seu Filho quando O uniu no seio da Virgem à natureza humana, e quando O uniu, por meio da Incarnação, à Santa Igreja. E por duas vezes enviou os servos a convidar para as núpcias os seus amigos. Primeiramente, mandou os profetas que anunciaram a Incarnação do Filho de Deus que estava para chegar, e os Apóstolos que O apresentaram como fato consumado. Depois, à última hora, a Igreja, tendo de momento recebido todos os que vinham, fará a discriminação dos bons e dos maus.

 

 Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

AdaptiveThemes