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Dom Lourenço Fleichman, OSB (125)

A escandalosa vinda de Dom Williamson ao Brasil

 

 O Dia em que a Terra parou

Dom Lourenço Fleichman OSB

Nosso Brasil é um país curioso. Mistura certa ingenuidade com uma capacidade de estar sempre envolvido em discussões tolas. Somos, de um modo geral, superficiais, metidos sempre em curiosidades, em busca desenfreada de informações, constantemente deixadas para trás na medida em que novas notícias vão sendo publicadas em toda parte. Conta-se nos dedos os brasileiros que conseguem recuar diante de uma notícia, meditar, ponderar, e aguardar o melhor momento para falar, se for o caso.

Não deixe o sal perder a sua força

Não deixe o sal perder a sua força

Uma das características mais importantes de uma instituição é sua fidelidade à ideia mestra que define sua fundação e sua linha de pensamento. Se os responsáveis por uma empresa, por um projeto qualquer, ou por uma ordem religiosa, variarem a cada passo na finalidade que determina aquela reunião de homens, ela jamais poderá perdurar no tempo, pois seus membros não saberão em que direção caminhar. LEIA MAIS

 

A Igreja Católica e a Outra

Dom Lourenço Fleichman OSB

A leitura do debate em torno das Cartas do Concílio, do Padre Berto, teólogo de Mons. Marcel Lefebvre no Concílio, publicado na revista dos dominicanos franceses Le Sel de la Terre nº 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as direções no meio desta névoa espessa que cobre a Igreja.

Parece evidente que, quarenta anos após o Concílio, é necessário trabalhar mais a fundo a questão da natureza exata da crise modernista, sua essência, a base teológica explicativa de tal situação, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, também importantes. Assim, como conseqüência desta análise, devemos procurar estabelecer de modo mais sólido, até que medida um católico é obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos. Leia mais

Fraternidade São Pio X

Dom Lourenço Fleichman OSB

Está sendo difundido em alguns blogs um artigo meu antigo, sem que se avise ao leitor que ele não é atual. Lendo-o com a falta de atenção que costumam usar, querem insinuar que eu defendo o atual processo de união entre a Fraternidade S. Pio X e o Vaticano. Convido os leitores a ler esse texto prestando a atenção devida, e perceberão que minha defesa de Dom Fellay nesse antigo artigo está baseada na afirmação categórica de que o Superior Geral da Fraternidade não faria, naquela ocasião, nenhum acordo prático, pois assim sempre ensinou em suas conferências: sem a conversão das autoridades romanas, não se pode pensar em acordo prático.

É evidente que nessa hora de grande perturbação e angústia para todos os fiéis católicos da Tradição, em que vemos Dom Fellay declarar que deseja esse acordo prático, é preciso ter os critérios verdadeiros diante de si: a fé sobrenatural exige nossa adesão total à verdade, e não se vê da parte de Roma nenhuma mudança substancial nesse sentido. Não podemos apoiar tal acordo. Procuramos manter nossas almas em oração e penitência, pedindo à Virgem Maria que não permita que a Tradição perca sua força por essa aproximação com o Vaticano, que continua pregando os inaceitáveis erros do Concílio.

Leiam na mesma perspectiva:
A Igreja Católica e a Outra - Dom Lourenço
A Descoberta da Outra - Gustavo Corção
Miragem ou visibilidade - Dom Lourenço
Nossa Posição sobre a Crise da Igreja - Dom Lourenço
A Revelação do Homem - Gustavo Corção

 

Lançamento da Revista Permanência e do Catecismo da Crise na Igreja

Dom Lourenço Fleichman OSB

 

Em 1991 propus ao meu pai, Julio Fleichman, o relançamento da Revista Permanência. A publicação fora interrompida em 1990, poucos meses antes, por falta de interesse dos assinantes...Meu pai recusou minha proposta, alegando estar cansado de tanto insistir, sem sucesso, para que os leitores pagassem as assinaturas...Dediquei-me, então, à edição de livros. Verdadeiramente heróicos foram aqueles tempos...Quarenta e quatro anos após o lançamento da Revista Permanência, e vinte e dois anos após seu encerramento, voltamos a editá-la. Curiosamente o tempo ficou dividido de forma simétrica: vinte e dois anos com a Revista, seguidos de vinte e dois anos sem ela. Serão quatro números por ano, designados pelo Tempo Litúrgico: números do Natal, da Quaresma, da Páscoa e de Depois de Pentecostes. No início eles serão vendidos avulsos na nossa loja virtual.  Mais tarde, dependendo da reação dos leitores, poderemos voltar a oferecer assinaturas anuais.   Leia mais

Reparação

 

 

NOVA REUNIÃO ECUMÊNICA EM ASSIS
 
27 DE OUTUBRO DE 2011

 

 
25 ANOS DEPOIS - REPETIÇÃO DO SACRILÉGIO DE 1986
 
ATO DE REPARAÇÃO
 
Capelas N. Sra da Conceição (Niterói) e São Miguel (Rio)
Quinta-feira, 27 de outubro
18:30 - Via Sacra - Missa Votiva pela Propagação da Fé.
 
Em Janeiro de 2002 publicávamos este artigo para alertar nossos leitores e amigos, para que rezassem na intenção de reparar a blasfêmia e o sacrilégio. Infelizmente, o papa Bento XVI continua a obra do falso ecumenismo do seu predecessor.
 
«Não farás aliança com eles, nem com os seus deuses. Não habitem na tua terra para que te não façam pecar contra mim, servindo os seus deuses, o que certamente seria para ti um escândalo»
(Êxodo, 23, 32-33 - Recomendações de Deus a Moisés antes deste subir ao Monte Sinai)
 

O Patriarca supremo dos Budistas, não se levantou do trono para receber ao Vigário de Cristo, que se sentou na cadeira
Leia a continuação
 
 

"Unidade na diversidade"

 Dom Lourenço Fleichman OSB

Um leitor nos envia interessante e-mail contendo citações tiradas do Movimento Neocatecumenal.1
 
"Não digam nada às pessoas de todas estas coisas: simplesmente revalorizem o valor comunitário do pecado, sua índole social, o poder da Igreja, etc." (Kiko, Apostilas cit., 9º Dia, p. 137).
LEIA A CONTINUAÇÃO
 
  1. 1. Notas: Citações das heresias do movimento Neo-catecumenal Francisco Arguelo -- Kiko -- Apostilas, Orientações às Equipes de Catequistas para a fase de Conversão, Anotações tiradas das gravações dos encontros realizados por Kiko e Carmem, para orientarem as equipes de catequistas de Madri, em Fevereiro de 1972.

Os escravos da imaginação

Dom Lourenço Fleichman OSB

 

Uma oposição sistemática entre o mundo e a Igreja, entre a sociedade civil apóstata e a família católica: realidade mais do que conhecida, denunciada e lamentada. Todos nós sabemos disso e procuramos nos orientar de modo a não perder a fé, a não nos entregarmos aos prazeres e aos critérios desse mundo mau. Temos, sim, os Evangelhos e São Paulo que já nos alertavam e nos alertam ainda hoje, pela Revelação das Sagradas Escrituras. Temos a Igreja, com sua palavra forte, sua Tradição, seu depósito da fé, transmitindo, de papa a papa, de concílio a concílio, os conselhos e mandamentos que devemos seguir para não cair no abismo. E os padres lembram, em sermões e artigos, que devemos viver no mundo sem ser do mundo, que devemos estudar, nos armar contra a enganação do mundo, defender as crianças contra as escolas deformadoras, a televisão invasora e destruidora da moral católica.

Tudo isso nós sabemos e por isso devemos estar atentos e fortalecidos pela graça.
Mas não adiantou muito! Leia mais
 

O bramido do mar, uma manchete de jornal

Haverá consternação dos povos pelo bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de susto na expectativa do que virá sobre o mundo, porque as forças dos céus se abalarão”. S. Lucas, 21,25 - 1º domingo do Advento
 
Não é com trombetas e cânticos de alegria que abrimos este ano, mas com a lembrança apertada da ira de Deus que se abate sobre a terra para mostrar aos homens que só Ele é o Senhor. Alguns podem contestar a idéia de que seja um castigo divino a tragédia da Ásia, mas não podem esconder que pelo menos 50% de chances existem para que o seja. Eu, de minha parte, espero sinceramente que assim seja, e estou convencido disso, pois os desígnios de Deus são sempre sábios e visam a salvação do maior número possível de homens. Prefiro a idéia de Deus castigando a humanidade que, aqui para nós, abusa há muitos séculos da capacidade de pecar, do que de uma simples permissão divina, anódina e sem conseqüências para a salvação tão esperada no céu. Se é para que muitos se convertam, que venham as ondas, os raios, o fogo, que caiam do céu os meteoritos, os satélites, que calem os telefones, internets e globalizações para que os homens descubram que são pó e ao pó hão de voltar. Leia mais
 

O mundo está pronto

Se viver mergulhado no mundo não leva ninguém para o inferno, pergunto: porque a porta do céu é tão estreita? Porque N. Senhor insiste com essa idéia, ao dizer que é mais fácil um camelo entrar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no céu? É claro que não se trata aqui, apenas de um homem que possui muitos bens. Rico é aquele apegado às coisas, aos bens materiais, ao conforto, ao mundo. Um homem que centraliza sua vida nas coisas desse mundo. Fica, de fato, quase impossível entrar no céu carregado de tantos apegos, vaidades, orgulhos e vícios.

Do seu lado, os santos insistem sempre: levem uma vida piedosa; o católico deve guardar sua vista, seus sentidos para evitar todo pecado; vivam com modéstia, na castidade.

Não é bem esta a prática atual, onde os católicos não diferem em nada dos mundanos. Assistem aos mesmos programas de televisão, freqüentam os mesmos shows, as mesmas festas; gastam seu dinheiro no mesmo comércio anunciado pela mídia: Natal com Papai Noel, Páscoa com ovos e coelhinhos, e essa gama impressionante de festas inventadas para ocupar o lugar das tradicionais festas religiosas e dos santos: dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados, dia da criança, dia do zumbi, dia do black power, dia das bruxas...  Quando acabaram com os feriados nos dias santos de guarda, diziam que atrapalhava o trabalho. Como mentem! Mentem e manipulam as cabeças de todos, mesmo daqueles que lêem jornais cults todos os dias e compram o "Código da Vinci". Grandes culturas! São porquinhos mansos indo pelo curral em direção à morte. E não percebem nada.
 
Naquele tempo se praticava virtudes
 
Houve época em que o mundo se pautava pela prática das virtudes. Que o homem fosse católico ou não, o critério de sua vida seria o mesmo: cada qual trabalhava para ser reconhecido pela sociedade como pessoa honesta, honrada, homem de palavra, fiel. Virtudes como a coragem, a castidade, a piedade estava na pauta do dia. Se era católico, praticava essas virtudes voltadas para a vida eterna, virtudes sobrenaturais. Se não era católico, praticava essas mesmas virtudes sem a marca divina, eram as virtudes naturais. Não diferem em si das primeiras, apenas nessa qualidade divina que dá à virtude sobrenatural uma nova força, vinda de Deus, que conduz o homem ao seu fim último, em Deus. Que ele fosse um médico ou um jurista, soldado ou quitandeiro, dono de terras ou colono, todos se gabavam de dar a seus filhos a boa educação, de corrigir seus filhos malcriados, de ensinar aos filhos a prática das virtudes. Qual o pai que não se orgulhava de ver sua filha prendada tomar bom marido, recomeçando assim o ciclo virtuoso da família decente? Não eram santos, por certo. Mas quando pecavam ficavam com a consciência culpada diante de Deus e tinham medo de serem mal-vistos na sociedade.

O drama que estamos vivendo vem do fato de que o mundo atual não se pauta por estes critérios de vida. Homens "iluminados" introduziram um novo eixo no pensamento da humanidade. Este novo eixo levou Gustavo Corção a entender o mundo moderno como "antropo-excêntrico", ou seja, um mundo que trocou o seu eixo1.
 
Hoje se pratica a liberdade
 
O pólo desarticulador do mundo veio da falsificação da liberdade. A prática da virtude passou a ser vista como obstáculo à liberdade. No pensamento greco-católico, a liberdade é uma faculdade do espírito inteligente que o faz mover-se para o bem por um movimento interior da própria pessoa, e não empurrada por alguma outra força. Ora, só existe verdadeira liberdade quando nos inclinamos para o bem. Quando os homens passam a ensinar que a inclinação para o mal também é válida, estabelecem as bases para uma nova civilização: o mundo sem Deus, o mundo sem virtudes, sem piedade.

O resultado é catastrófico. Nada ficou de pé na nova civilização. Não somente a Igreja Católica foi alijada de qualquer influência no pensamento moderno2, como a simples prática das virtudes naturais perdeu qualquer respaldo. Se perguntarmos como vivem os homens deste nosso século, logo teremos uma lista das novas atitudes:

- o reino do sexo  livre, sem qualquer tipo de limite tanto pela natureza quanto pela cultura. Forma-se uma pressão sobre todos para que se acostumem a romper com os limites da própria consciência. Esta pressão vem pelos programas de televisão, pelos filmes, pela presença constante diante dos olhos, de imagens sensuais espalhadas pelas cidades. É um dado positivo (no sentido de afirmativo) que vem somar a uma impressionante propaganda negativa que há décadas faz uma verdadeira lavagem cerebral, convencendo a todos que a castidade seria uma doença.

- o reino do erro livre, onde todos têm razão e ninguém é dono da verdade porque expulsaram a verdade. Expulsaram das suas vidas a autoridade divina, pois todas as religiões passam a se valer; expulsaram a autoridade paterna, pois um pai não pode mais corrigir seu filho, educá-lo na prática das virtudes condenando seus erros. O mundo onde cada qual constrói sua própria verdade é um mundo esquizofrênico. Como a inteligência humana se alimenta da verdade dos objetos que conhece, entra em colapso quando é forçada a criar verdades de dentro para fora, sua própria consciência passando a dar vida às coisas, o que é propriamente “tornar-se como deuses”.3

- o reino da desonestidade livre, pois é evidente que não cabe no mundo tantas verdades individuais opondo-se umas às outras. Por isso o colapso da verdade gera o ódio, a guerra, inimizades. Não pensem que algum tipo de governo ou de partido poderá escapar da corrupção. Ela é endêmica, faz parte essencial da vida onde a liberdade é deusa. Lá onde a verdade movia os homens ao amor, temos hoje o erro movendo os homens ao ódio. Na política como dentro das empresas, nas famílias como no mundo jurídico.

- o reino da infidelidade livre, pois a falsa noção de verdade e o falso amor geram uma relação social evolutiva, chacoalhante, em constante movimento. Nada fica de pé, nada tem aparência de duração, de solidez, de eternidade. Neste mundo não há lugar para a família. Por isso podemos dizer que o Divórcio foi a bomba de retardo lançada no mundo todo, que detonou a seu tempo sobre os alicerces da família, base da antiga sociedade.

Tudo isso está invadindo as casas há mais de cinqüenta anos, sem que os católicos reajam. O liberalismo já tinha minado as bases da família. Poderíamos dizer que o liberalismo fez o trabalho de sapa e a liberdade enlouquecida fez o trabalho de restauração da casa destruída, com novas bases. O pior de tudo não é o mundo ser assim; o pior é ver os católicos vivendo no meio disto sem enxergar; cegos, surdos, sem forças, marionetes burrificadas por cinqüenta anos de estupidez televisiva.

Na formação deste impressionante “Reino” do mal, algumas armas foram usadas de modo mais constante:

- a imagem, essa rainha da falsidade que escraviza a nossa imaginação, marca, fere, choca, tirando dela toda reação possível.

- o som, que trouxe ao mundo vários tipos de música que simplesmente destrói na alma qualquer capacidade de raciocínio, de concentração.

- a ocupação, escravizando o homem numa avalanche de preocupações, de trabalhos, de excitações que o obriga a estar 24 horas por dia "ligado" na coisa material. Ao mesmo tempo, através de décadas de mentiras, arrancaram a mulher do seu trabalho materno, do seu lar, onde sua presença era a maior garantia da boa educação dos filhos.

- a diversão, que vem preencher o resto de tempo que os pobre-coitados ainda poderiam dispor: agora é hora de malhar, de correr, de praticar esportes cada dia mais exigentes. E tem o show alucinante, a festa que termina pela manhã, a praia, a viagem, o carnaval.

Pobre gente. Já não conseguem entender as coisas mais banais. Já não percebem que os frutos dessa nova civilização já estão estabelecidos como práticas consagradas:

- o aborto que mata a criança inocente, contraponto dos famigerados "estatutos" da criança que protege o marginal de baixa idade.

- a eutanásia, que é o aborto dos velhos, tão indesejados pelo "custo" quanto os filhos. Temos como exemplo gritante desta prática o assassinato de Terri Schiavo no início de 2005, executada pela fome e pela sede com carimbos dos juizes e da polícia.

- o casamento homossexual, que choca a natureza, contraponto das vantagens que a lei outorga aos concubinatos. Chegamos ao ponto mais baixo na destruição da sociedade.

- vários detalhes da chamada bio-(sem)ética, onde homens levam o delírio até experimentos com genética humana, verdadeiros alucinados brincando de Deus. Seria o caso de perguntarmos: porque querem matar as crianças inocentes e, ao mesmo tempo, gerar artificialmente seres humanos? Não podemos deixar de incluir aqui a aberração dos embriões congelados que ninguém quer, seres humanos que sofrem sem piedade e que serão destruídos cruelmente.

Em todos esses exemplos a família aparece destruída. Já não é mais a base da sociedade. Os homens que construíram isto que está aí detestam a família, odeiam qualquer cheiro de tradição familiar, de fidelidade conjugal, de casa cheia de crianças.

Ora, se esses são os critérios e as práticas da nova civilização anti-cristã, então somos obrigados a constatar: o mundo está pronto para o Anti-Cristo!
 
O mundo  está pronto para o Anti-Cristo
 
Sempre me pareceu impressionante a facilidade com que a humanidade segue apaixonadamente o Anti-Cristo, que é uma das bestas, no relato divino do Apocalipse.4 Dizia-me: como pode ser que os homens se entreguem a uma vida completamente enganadora e destruidora de tudo? Hoje ficou mais claro para mim. E muito me impressionou ao encontrar no Pe. Castellani, grande pensador argentino, uma descrição feita em 1953 disso tudo que só hoje estamos vivendo:

“... porque o Homem do Pecado tolerará e se aproveitará de um cristianismo adulterado...Imporá por todas as partes o reino da iniqüidade e da mentira, o governo puramente exterior e tirânico, a “Liberdade” desenfreada dos prazeres e diversões, a exploração do homem; e seu modo de proceder hipócrita e sem misericórdia. Haverá em seu Reino uma estrondosa alegria falsa e exterior, cobrindo o mais profundo desespero.
Em seu tempo acontecerão os mais estranhos distúrbios cósmicos, como se os elementos se houvessem revoltado. A humanidade estará numa grande expectativa e reinará grande confusão e dissipação entre os homens. Rompidos os laços de família, de amizade, de lealdade e bom relacionamento, os homens não poderão confiar em ninguém, e correrá no mundo como um tremor frio, um universal e ímpio “salve-se quem puder”. Será atropelado o que há de mais sagrado e nenhuma palavra terá mais fé, nem pacto algum terá vigor, senão pela força. A caridade heróica de alguns fiéis, transformada em amizade até a morte, manterá no mundo ilhotas de fé; porém mesmo ali, ela estará continuamente ameaçada pela traição e pela espionagem. Ser virtuoso será um castigo em si mesmo e como uma espécie de suicídio”.5

Parece-me evidente que os processos políticos atuais geraram um mundo sem lideranças. Não há verdadeira liderança nos atuais países porque todo o jogo político local obedece a ordens que não entendemos nem ouvimos. E não há, também, uma liderança mundial, porque o lugar ainda está vago. É o lugar dele, do Anti-Cristo. Quando este homem do pecado determinar que chegou a hora de aparecer, será certamente ovacionado por toda a humanidade, pois falará a mesma linguagem, terá o mesmo pensamento de todos, sobre tudo isso que citei acima. Sua ideologia, sua política, sua ciência, tudo corresponderá ao que os homens pensam e praticam já hoje. Por isso podemos dizer sem medo de errar. O mundo está pronto.

Não estou aqui a dizer que o fim do mundo está próximo, ou que o Anti-Cristo seja tal ou tal pessoa. O que me interessa nestas linhas é que os verdadeiros católicos tenham consciência do perigo que correm se mergulharem no mundo. Se acharem que podem viver com estes critérios que lhes são impostos, correm o grave risco de serem enganados pelo grande líder, quando este chegar. Algumas pessoas poderiam objetar que podemos conviver com todos e permanecermos católicos. Mas eu os alerto para essa diferença radical entre o mundo de hoje e o mundo de cinqüenta anos atrás: lá, no final da civilização cristã, ainda era possível viver assim porque os homens tinham aquele critério da prática das virtudes, para suas próprias vidas e para os seus filhos. Mas hoje já não é assim. Portanto, estejam armados, de espada em punho, pois aquele que não combater, que não desviar seu pensamento das falsas idéias, que não fugir das práticas absurdas, blasfematórias, ultrajantes para Deus e sua Igreja, pode enredar-se na fina malha que já foi lançada sobre os homens e que os arrasta para o reino do Anti-Cristo, que não é outro que o reino das trevas. Está na hora de reler algumas páginas dos santos e doutores da Igreja:
 
“Estas são as marcas da vinda do Anti-Cristo:
Quando os velhos não tiverem nem bom senso nem prudência,
Quando os cristãos estiverem sem fé,
Quando o povo estiver sem amor,
Quando os ricos forem sem misericórdia.
Quando os jovens não tiverem respeito,
Quando os pobres forem sem humildade,
Quando as mulheres tiverem perdido o pudor,
Quando, no casamento, não houver mais continência,
Quando os clérigos forem sem honra e sem santidade,
Quando os religiosos não tiverem verdade nem austeridade,
Quando os bispos não se inquietarem de sua administração e não tiverem piedade,
Quando os mestres da terra não tiverem misericórdia nem liberdade”.6
 
E o Padre Emmanuel, grande espiritual do sec. XIX:
 
“Apresentar-se-á como cheio de respeito pela liberdade dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, que Maomé é um grande profeta... Talvez até irá dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteon de falsos deuses”7.
 
Impotentes que somos diante de tal situação, só podemos olhar para a Virgem Maria, para seu Coração Imaculado, e suplicar a ela que nos proteja contra toda influência do maligno. Que nos dê a mão, que nos acolha em seu Coração. É preciso fincar o pé, recusar ser arrastado como um cordeirinho para a destruição de nossa personalidade, de nossa fé, de nosso espírito. É preciso ler, estudar, conhecer a verdade objetiva, clara, de Deus, do mundo, do pensamento. É preciso amar. Amar na ordem da Caridade, ou seja, amar como Deus nos ordena, praticando os mandamentos, cumprindo nosso dever. E nossos deveres são de três ordens: para com Deus, para nós mesmos, para com o próximo.

É preciso, com toda urgência, praticar a devoção reparadora dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Fazer os Primeiros sábados do mês, rezar o Terço todos os dias, para que, ao chegar o Anti-Cristo, estejamos recolhidos e protegidos por nossa Mãe do Céu. Com a espada em punho, lançaremos contra o rosto tenebroso do homem do pecado o grito de Viva Cristo Rei! Imaculado Coração de Maria, salvai-nos! E Jesus Cristo o vencerá “com o sopro da sua boca”.
 

  1. 1. Corção, Gustavo, Dois Amores, Duas Cidades, Agir, 1967, Tomo II, parte 3 – A civilização do Homem-Exterior
  2. 2. Diga-se de passagem que o Concílio Vaticano II amordaçou a Igreja, retirando o último obstáculo para conter a avalanche.
  3. 3. Foi a primeira mentira proferida na face da terra, do demônio a Eva. “Sereis como deuses” se desobedecerem a Deus.
  4. 4. “E toda a terra, cheia de admiração, seguiu a besta” (Apoc. XIII, 3)
  5. 5. Castellani, Leonardo, Los Papeles de Benjamin Benavides, Buenos Aires, 1953,  Caderno 4, cap. 2.
  6. 6. São Boaventura
  7. 7. Pe. Emmanuel-André, O drama do fim dos tempos, Revista Permanência 198-199.
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