Skip to content

Blog de admin

Lavorate – pregate – votate!

Outubro 13, 2022 escrito por admin

São Pio X e o voto nas eleições

Giuseppe Sarto, futuro papa São Pio X, tomou posse na sede cardinalícia de Veneza em 1894. Foi muito mal recebido pelos maçons, então na administração da cidade das gôndolas.

Em 1895 houve eleições municipais. Vendo os católicos desorganizados e sem forças para enfrentar o partido no poder, o Cardeal Sarto estabeleceu uma coalizão entre o partido católico e o partido liberal-moderado. A chapa na qual deviam votar era a do Conde Grimani, um liberal-moderado, mas que guardava certos princípios católicos; vários pontos concretos apontados pelo partido católico seriam respeitados.

Em 3 dias e 3 noites, o santo cardeal escreveu de próprio punho mais de duzentas cartas aos párocos, personalidades civis, comunidades religiosas, dando instruções sobre a votação e pedindo orações. Seu grito de guerra aos venezianos católicos da época era: Lavorate – pregate – votate! (Trabalhem – rezem – votem).

De fato, houve muitos trabalhos antes das eleições: o santo ressuscitou o jornal católico “La Difesa”, repetindo com Mgr. Ketteler: “Se São Paulo voltasse agora, tornar-se-ia jornalista”.

Os comitês paroquias receberam suas instruções para reunirem-se com o intuito a persuadir os fiéis da importância daquele voto. Inúmeras reuniões no palácio Patriarcal foram organizadas pelo cardeal Patriarca de Veneza.

No dia das eleições, a vitória foi brilhante, e Grimani manteve-se no poder por 25 anos, mostrando a força da organização de São Pio X.

Algumas más línguas acusaram o cardeal junto ao Papa Leão XIII, por ter-se juntado aos liberais. O papa convocou o cardeal para lhe pedir explicações. Diante das explicações do santo Patriarca, que mostrava os compromissos católicos assumidos pelo partido liberal-moderado, o papa compreendeu que eles não eram tão liberais a ponto de não ser possível trabalhar com eles. Leão XIII escreveu, então, uma carta de felicitações aos católicos de Veneza por terem vencido as eleições sob o comando do santo Patriarca.

(Bibliografia: Biografias de São Pio X de Dal-Gal, de Fernessole, de Hoornaert e de Mitchell.)

Coronavírus: Entre o medo e a audácia

Abril 4, 2020 escrito por admin

Dom Lourenço Fleichman OSB

Mais uma vez me vejo na obrigação de esclarecer nossa posição católica, diante de crises que se abatem sobre a nossa sociedade. Nosso mundo anda mergulhado no que lhe parece ser um grande sol a iluminá-lo, quando na verdade é apenas uma escravidão consentida e desejada. Sim, os tecnológicos homens desse mundo pós-moderno sabem, percebem sua incapacidade de fugir da compulsão das redes sociais, das massificantes notícias e informações, e sobretudo da sensação que tomou conta de todos, de serem livres como um passarinho a voejar entre galhos de árvores e fios elétricos. 

Poderíamos perguntar a nós mesmos o porquê dessa doença; creio que responderia que o homem busca companhia. Até certo ponto, convenhamos, essa busca é natural, visto a definição mais do que antiga feita pelo Filósofo, segundo a qual o homem é um animal político: vive na companhia dos seus semelhantes. Ora, como o mundo moderno desenhou no pé da mesa do computador (eu sei, eu sei, já não é mais no computador, é deitado na cama ou no sofá com o celular nos dedos, mas não atrapalhem, por favor, a minha história!)... então, retomemos: como o mundo moderno desenhou no pé da cama, ou da mesa, uma bola de ferro virtual, e disse ao ser debruçado na máquina: – veja, caro amigo, esta é uma bola de ferro virtual, nada mais “real” do que o virtual. Portanto, você está preso, velho escravo. Não se mexa, não saia daí.

Edição Hors Série

Março 30, 2019 escrito por admin

Editorial

Dezembro 27, 2022 escrito por admin

Carta no. 27 Cristo Rei 2022

Mosteiro beneditino de "Notre-Dame de Toute Confiance"

No meio desse mundo que corre para a sua ruína, ouvimos por vezes as questões seguintes: “Que fazer?”, ou mesmo: “Há algo a ser feito?”

Há séculos o homem oscila entre duas atitudes igualmente desordenadas, que vamos resumir com os termos pelagianismo quietismo. Ou bem o homem crê que lhe cabe salvar-se a si mesmo e resolver tudo sozinho. Ou, ao contrário, crê que não há nada a fazer e que cabe a Deus fazer tudo.

Bem se vê que os irmãos do pelagianismo são o voluntarismo, o autoritarismo e o orgulho humano que diz: EU salvarei o mundo! As irmãs do quietismo são a preguiça, a pusilanimidade, a demissão e a fraqueza humana que diz: “Ah! não sou capaz”. Entre os dois extremos, a sabedoria dos santos nos ensina o justo meio: virtus in médio stat (a virtude está no meio).

Consideremos Santa Joana D´Arc -- cuja vida, bem como o sublime Processo de Rouen, acabamos de ler no refeitório. Na sua simplicidade e inspirada pelo Altíssimo, encontrou a resposta lapidar à questão: “Deus não poderia ter dado a vitória sem a batalha?”. Disse ela: “os homens de armas lutarão e Deus dará a vitória”. E ainda: “Deus não age se o homem não quer”. Os seus contemporâneos testemunhavam: “ela sempre fará tudo o que depender dela”.

Eis a chave: tudo depende de Deus e tudo depende do homem. É esse o sentido do ditado popular: “ajuda-te a ti mesmo, e o Céu te ajudará”. Também é o sentido desse outro ditado: “reza como se tudo dependesse de Deus, e age como se tudo dependesse de ti”. É tão estéril rezar sem agir (isto é, sem se converter, cumprir seu dever de estado, praticar a caridade) quanto agir sem rezar (pois a ação não será fecunda e sobrenaturalizada por Deus). “Eu te criei sem ti, mas não te salvarei sem ti” disse Deus a Santo Agostinho, que nos ensinou: “é preciso fazer o que pudermos e pedir o resto a Deus.”

Santa Teresinha do Menino Jesus diz o mesmo com uma imagem tocante: se uma criancinha tenta subir uma grande escada, põe o seu pequeno pé no primeiro degrau, mas não consegue subir; tenta mais uma vez, e outra, e outra. Após algum tempo, a mãe, com pena da criança, pega os seus bracinhos e faz com que suba  facilmente. Essa criancinha somos nós, que queremos subir a rude escadaria que nos leva à perfeição. É preciso tentar, tentar e tentar, sem esmorecer. Após algum tempo, o Bom Deus, com pena de nós, nos tomará nos seus braços e nos fará subir até Ele – mas, se não tentarmos, não fará nada.

Um outro exemplo mais recente e próximo de nós: nosso professor de canto acabou de nos deixar depois de uma semana de trabalho onde nos repetiu: é preciso cantar com serenidade e energia! Aí está o problema, nós confundimos serenidade com moleza, e energia com rigidez! Pobres de nós! Que Santa Joana d´Arc nos ajude a encontra o justo meio: aliar a paz com a força, a alegria com a cruz, a mansidão com a firmeza, a confiança em Deus com o devotamento ao seu serviço. E para nos encorajar a isso, escutemos o que as suas vozes (S. Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida) lhe sopravam para lhe encorajar: “Mantenha a calma, o rosto sereno e não te preocupe com o martírio.”

Concluímos com Jesus: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5), e São Paulo: “Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4, 13).

Corações ao alto! Viva Cristo Rei!

 

Irmã Clara, abadessa

Dom Carlo Maria Vigano fala sobre Dom Lefebvre

Setembro 27, 2022 escrito por admin

[Apresentamos a seguir trecho de entrevista de Dom Carlo Maria Vigano em que fala da sua descoberta da crise da Igreja e do papel de Dom Marcel Lefebvre]

 

Pergunta: Excelência, o Vaticano II aconteceu há mais de 60 anos, a destruição da liturgia, há 50 anos, Assis há quase 50 anos; após 60 anos de desastres religiosos e políticos em que tudo foi destruído, em que fiéis católicos são desprezados, até mesmo condenados injustamente, o Sr. está, aos 80 anos, tornando-se fortemente anticonciliar. Por que o Sr. só agiu agora?

Resposta: Eu já tive a oportunidade de dar testemunho, em minhas intervenções anteriores, de como ocorreu meu despertar gradual para a crise da Igreja Católica e as causas profundas da presente apostasia. Como eu havia relatado, meu envolvimento no serviço diplomático da Santa Sé, minhas obrigações – como eu disse – para com o serviço da Santa Sé (primeiro como um jovem secretário nas Representações Pontifícias no Iraque e no Kuwait, depois em Londres; na Secretaria de Estado; depois como chefe de missão em Estrasburgo no Concílio Europeu; depois como núncio apostólico na Nigéria; e novamente na Secretaria de Estado como delegado para representações pontifícias e, finalmente, como núncio apostólico para os EUA), que tentei desempenhar com dedicação, devotando todo meu tempo e forças a ele, absorviam-me por completo, tornando praticamente impossível refletir com calma sobre os eventos que estavam tomando lugar na Igreja.

Porém, isso não me impediu de nutrir perplexidades fortes interiores e até mesmo críticas das “novidades” introduzidas após o Concílio. Estou falando, particularmente, dos sérios abusos litúrgicos, da crise na vida religiosa, do panteão de Assis, dos deploráveis pedidos de desculpas pelas Cruzadas, por exemplo, durante o Jubileu do ano 2000. Também estou me referindo ao que eu pensava como jovem estudante na Universidade Gregoriana em Roma. Eu percebia que tudo isso advinha dos novos princípios estabelecidos pelo Concílio.

Mas foi apenas muito mais tarde, em face dos graves escândalos do então Cardeal McCarrick e sua rede homossexual, e dos escândalos ainda mais graves de Bergoglio, que o link intrínseco entre a corrupção moral e a doutrinal tornou-se mais claro para mim, assim como as causas profundas da crise que está afligindo a Igreja por décadas, gerada pela revolução conciliar.

E não pude permanecer em silêncio.

A catástrofe era previsível desde o princípio. Mas, como eu já expliquei, nós havíamos sido treinados – em nossa formação para o ministério sacerdotal e ainda mais para o serviço diplomático – a considerar impensável que o papa e toda a hierarquia católica pudessem abusar de sua autoridade, exercendo-a para um propósito contrário ao que Nosso Senhor quer para sua Igreja. Fomos treinados a não questionar a autoridade dos superiores. E isso foi explorado por aqueles que, justamente explorando nossa obediência e nosso amor pela Igreja de Cristo, gradualmente, passo a passo, levaram-nos a aceitar novas doutrinas, estranhas àquelas que a Santa Igreja sempre ensinou, especialmente aquelas relativas ao ecumenismo e à liberdade religiosa.

Além disso, assim como na Igreja, a deep church se espalhou, passo a passo, em direção à dissolução do corpo eclesial, também na esfera civil o deep state desenvolveu-se no que eu diria que é um modo similar, através de uma infiltração gradual em direção às formas de tirania da Nova Ordem Mundial, do Fórum Econômco Mundial e a Agenda 2030.

Nesse caso, também, pode-se perguntar: por que os cidadãos não se rebelaram contra a subversão do Estado por pessoas revolucionárias que tomaram o poder para destruir as instituições que elas deveriam direcionar ao bem comum?

Muitos responderiam: nós não imaginávamos seus desígnios perversos, seu plano de nos tornar escravos de um sistema iníquo. Não imaginávamos que, quando eles falavam de democracia ou soberania popular, o que eles realmente queriam era nos tornar cada vez mais sujeitos a um poder totalitário radicalmente anticristão.

Considero que o fato de não se ter compreendido antes a natureza do processo revolucionário seria escusável; por outro lado, não compreender hoje é uma irresponsabilidade e faria de nós cúmplices de um golpe de Estado nas coisas temporais e de apostasia na esfera eclesial.

Portanto, agradeçamos àqueles que, muito antes de nós, com suas vozes proféticas, soaram o alarme para as ameaças na sociedade civil e na Igreja Católica.

 

Pergunta: Obrigado, Monsenhor. Tenho uma segunda pergunta: o que o sr. pensa de Dom Marcel Lefebvre e sua luta, particularmente de seu ato mais controverso, as sagrações episcopais de 1988?

Resposta: Só consigo olhar para Dom Marcel Lefebvre com admiração e muita gratidão por sua fidelidade e coragem. Uma coragem e uma fidelidade que foram infalíveis diante de tanta adversidade, hostilidade, até mesmo de falta total de compaixão da parte de uma hierarquia que se rendeu às ideias da modernidade e infiltrada pelos apoiadores maçônicos de um projeto de destruição capilarizado, sem precedentes, cujo alcance devastador podemos ver hoje em suas consequências extremas.

Dom Marcel Lefebvre deve ser visto como um santo homem, não um cismático! Como um fervoroso missionário e confessor da fé, um zeloso defensor da Tradição, do Sacerdócio e da Missa Católica. Ele se expôs ao risco de sofrer sanções severas, até mesmo a excomunhão, porque ele percebeu que era mais correto obedecer a Deus que aos homens, guardar e transmitir a Tradição que abraçar as ideias modernistas.

Sua vida é marcada por piedade, um espírito de sacrifício, um senso de dever, uma pureza de consciência e uma grande consistência interior. Sua vida foi dada a Deus e à Igreja, devotada ao serviço das almas, à evangelização, ao ensino e à pregação de doutrina sólida, à celebração do Santo Sacrifício e à formação de jovens chamados ao sacerdócio.

Uma vida que é testemunha da solidez da fé que nos foi dada pelos apóstolos, pelos pontífices, pelos concílios e pelos santos doutores da Fé, e pela qual os mártires derraram seu sangue.

Alguns consideram que as sagrações de 1988 “foram longe demais”. Outros enxergam uma necessidade vital para salvaguardar a Missa de todos os tempos.

Dom Lefebvre percebeu a urgência dos tempos em que vivemos e o drama de uma situação que piorou e tomou novos tons de gravidade em anos recentes, tornando mais evidente o estado de exceção em que nos encontramos.

Alguns consideram desobediência; nós consideramos fidelidade!

Dom Lefebvre continuou a ensinar e a fazer o que a Santa Igreja sempre fez e ensinou. Ele se opôs ao liberalismo, à destruição da Missa e de todo o edifício litúrgico da Igreja, à ruína do sacerdócio, da vida religiosa e da moral cristã. Repito: alguns consideram desobediência; nós consideramos fidelidade!

Nigéria: Massacre em uma Igreja no Dia de Pentecostes

Junho 26, 2022 escrito por admin

Um ataque, que não foi reivindicado, ocorreu durante a missa da Festa de Pentecostes na igreja de São Francisco, localizada na cidade de Owo, no estado de Ondo, no sudoeste da Nigéria, a menos de 200 quilômetros de Lagos.

Os agressores, em número de pelo menos cinco, estavam munidos de armas e explosivos. Depois de terem detonado uma bomba perto do altar, atiraram metodicamente contra os fiéis tomados de pânico que tentavam sair do prédio.

Um primeiro relato dado, na segunda-feira, 6 de junho, pela manhã, fala em 21 mortos, incluindo crianças. Depois, vários jornais nigerianos anunciaram um número bem maior na noite de segunda-feira: pelo menos 50 pessoas teriam morrido neste massacre. Há também cerca de 50 feridos, alguns em estado grave.

O atentado atingiu um Estado até então poupado da violência que se desenvolve no país. Assim, houve nada menos que quatro ataques desde sábado, 4 de junho, com mortes e sequestros em massa em regiões mais ao norte.

O ataque de Owo está, sem dúvida, ligado a um contexto político, além de religioso. O partido no poder, o APC (Congresso de Todos os Progressistas, ou Congresso dos Progressistas) deve de fato realizar suas primárias para a eleição presidencial de 2023, para suceder Muhammadu Buhari, que deve renunciar após dois mandatos.

A segurança é um dos maiores desafios deste país, que é – de longe – o mais populoso da África e que também é a maior economia do continente. Além disso, as tensões continuam a crescer, por um lado, entre os estados do norte, principalmente muçulmanos e que estabeleceram a Sharia, e os estados do sul, majoritariamente cristãos.

O exército deve enfrentar uma guerra jihadista no Nordeste, que se arrasta há doze anos; deve lutar contra as gangues de saqueadores e sequestradores que aterrorizam o Noroeste; e, finalmente, deve pacificar o Sudeste, teatro dos movimentos separatistas.

(Fontes: Le Monde/Blueprint/Le Figaro – FSSPX.News)

Entrevista com Sua Excelência, Monsenhor Bernard Fellay, acerca da recente Consagração da Rússia

Maio 20, 2022 escrito por admin

08 de Abril de 2022.
Sete Dores de Nossa Senhora
 
Queridos amigos e benfeitores,
 
Nessa festa de Nossa Senhora, teremos dois novos subdiáconos, e 21 homens receberão as ordens menores. As ordenações sacerdotais acontecerão no dia 17 de junho, quando seis homens serão ordenados ao sacerdócio, e dois ordenados ao diaconato. Por favor, rezem por eles. À medida que o mundo se afasta cada vez mais de Deus, a necessidade urgente dos homens de Deus aumenta. Esperamos que muitos de vocês possam comparecer para os encorajar nesse momento em que eles são enviados à messe.
 
A festa da Anunciação este ano trouxe o grande dom da consagração da Rússia pelo papa em união com os bispos, padres e fiéis de todo o mundo. No Seminário, tivemos a bênção de ter Sua Excelência, Dom Bernard Fellay, conduzindo a comunidade do seminário nessa consagração. Antes dela, Sua Excelência bondosamente ofereceu uma entrevista falando da devoção ao Imaculado Coração de Maria e a Consagração da Rússia. O texto segue abaixo.
 
Que Deus lhes dê uma linda Páscoa como recompensa de manter Sua Paixão próximo de seus corações durante esta quaresma.
 
In Christo Sacerdote et Maria,
Pe. Yves le Roux.
 
 
Entrevista com Sua Excelência, Dom Bernard Fellay
O que o Sr. pensa sobre a consagração de hoje da Rússia e da Ucrânia pelo Santo Padre?
Houve várias consagrações que não atenderam aos requisitos. Desta vez, incluiu-se uma consagração da humanidade inteira, mas a Rússia foi citada. Não me preocupo muito com a menção à Ucrânia, porque, na História, a Ucrânia foi o começo da Rússia: aquilo que chamamos de "Rus" começou ali, ela era parte da Rússia. A Santíssima Virgem Maria pediu [essa consagração] ao papa e aos bispos, de modo que isso cabe a ele, não a nós, não queremos tomar o lugar dele. Certamente, nos uniremos às intenções da Santíssima Virgem Maria e, na medida em que o Santo Padre as estiver atendendo, daremos graças a Deus. Ainda assim, o texto é tão pobre, que Menzingen preparou outro texto. Nós não fomos convidados como os outros bispos, no entanto, nós nos unimos [a eles]. E nos alegramos, porque parece que será a primeira vez que chegaremos bem próximos do que a Santíssima Virgem Maria pediu.
 
Qual o papel do Imaculado Coração de Maria na Igreja e no mundo hoje, especialmente à luz da consagração?
A Santíssima Virgem Maria, em Fátima, explica: "Meu Filho quer estabelecer a devoção ao meu Imaculado Coração"; isso é Fátima, isso é a chave de tudo, de todos os acontecimentos históricos.
 
Temos esse episódio no plano global de Deus, temos a História da Rússia, e, ali, a Santíssima Virgem, mais uma vez, disse que quer esse país consagrado a ela; mas, nessa consagração, há dois aspectos. O primeiro é que o Papa, como cabeça da Igreja, deve consagrar a ela esse país; o segundo está encerrado nessas palavras: "se o mundo não se converter..."; aqui entramos no problema do pecado, que também está relacionado com o Imaculado Coração. O mundo está pecando, ofendendo a Deus insistentemente. Deus ofereceu ao mundo um meio de salvação, um meio de fugir do pecado... esse meio é a devoção ao Imaculado Coração de Maria.
 
Se o mundo não se converter -- é o que diz Nossa Senhora -- então haverá outra guerra. Nesse mesmo sentido, ela diz que Deus confiou a ela a paz das nações, que a paz foi colocada em suas mãos; se quisermos a paz, devemos recorrer a ela. Mas também temos de nos comportar adequadamente perante Deus. Ela que anunciou o fim da Primeira Guerra Mundial também anunciou que haveria uma segunda guerra. As datas do fim dessas guerras são datas marianas. É muito claro, ela é a rainha e detém em suas mãos, em nome de Deus, a paz deste mundo. Dentro dessa perspectiva, a consagração é boa, ela pediu isso.
 
Não basta dizer que não queremos a guerra. "Se vocês não querem a guerra, então não pequem!" É isso que precisa ser dito a este mundo. Convertam-se! Parem de pecar, e assim teremos a paz. Recorram ao Imaculado Coração! 
 
Na consagração inteira, não se faz menção ao Imaculado Coração de Maria, apenas naquele momento específico em que realizamos a consagração propriamente dita. No texto inteiro, nas duas páginas, não há nada além disso sobre o Imaculado Coração, nada sobre o pecado. Ainda assim, estamos pedindo isso por anos a fio, suplicamos a Deus para que essa consagração acontecesse. Portanto, nós nos alegramos, nós nos alegramos de todo nosso coração, nós nos unimos a esse ato de consagração. A promessa não está explícita no texto do papa: a Rússia se converterá. E converter-se significa converter-se, significa tornar-se católico. Além disso, a paz será dada à Igreja.
 
Consideramos a situação da Igreja hoje, e não sabemos como [essa conversão] acontecerá, não temos resposta para isso, mas sabemos que tudo está nas mãos de Deus. Será que, após essa consagração, teremos de atravessar um tempo ruim antes do Triunfo? Não excluo essa possibilidade, mas ela prometeu. E sabemos que, todas as vezes que os papas fizeram algo, ainda que não fosse de modo perfeito, houve uma resposta do Céu. Todas as vezes, algo de bom aconteceu.
 
É de se esperar que o Triunfo será imediato?
Eu gostaria de poder dizer que sim, mas isso está nas mãos de Deus, na misericórdia de Deus. Mas já será uma misericórdia inacreditável se Deus poupar o mundo daquilo que merecemos. Talvez sim, mas as almas precisam voltar para Deus. E, quando olhamos, principalmente para o Ocidente, que agora está pior que o Oriente... Eles se afastaram de Deus.
 
Nosso Senhor disse que quer que seja claro que a conversão da Rússia se dará por meio do Imaculado Coração de Maria. O Sr. acredita que veremos essa conexão nessa consagração?
Absolutamente, haverá uma conexão, é preciso haver essa conexão. Esperemos que essa consagração seja correta. Se for, a conexão entre os fatos estará clara. Terá de estar, porque, com os fatos, as pessoas recorrerão a Maria. Não é certo que essa seja a consagração correta, mas, se for, sentiremos os efeitos. Ainda falando do futuro, não podemos brincar de profetas, porque o futuro realmente está nas mãos de Deus. Às vezes, Deus ama os tempos difíceis, porque extrairá algo bom deles. Temos vários exemplos disso. Lembre-se da história de José do Egito: ele foi vendido por seus irmãos, porém, graças a isso, José salvou toda a tribo de Israel. Algumas coisas não compreendemos agora, mas, mais tarde, diremos "sim, agora eu entendo".
 
Devemos depositar uma enorme confiança em Deus. Devemos tomar o lado do Céu, do Imaculado Coração.

Videomensagem de Dom Carlo Maria Viganó

Novembro 6, 2021 escrito por admin

VÍDEO MENSAGEM DE DOM CARLO MARIA VIGANÓ POR OCASIÃO
de uma manifestação organizada pela Associação "No Paura Day"

15 de Outubro, Turim

 

Vocês se encontram reunidos, em grande número, nesta praça de Turim, enquanto milhares de pessoas ao redor do mundo manifestam sua oposição ao estabelecimento de uma tirania global. Milhões de cidadãos de todas as nações, sob o silêncio ensurdecedor da mídia, vêm gritando seu “não” há meses. Não à loucura pandêmica, não aos confinamentos, não aos toques de recolher, não à vacinação compulsória, não ao passaporte sanitário ou à chantagem de um poder totalitário à serviço das elites. Um poder que se mostra intrinsecamente mau, movido por uma ideologia infernal e motivado por objetivos criminosos. Um poder que agora declara ter quebrado o pacto social e já não nos considera como cidadãos, e sim como escravos de uma ditadura, hoje sanitária, amanhã ecológica.

Este poder está tão convencido de ter conseguido seu golpe de Estado silencioso que descaradamente nos lança não só a ideologia que o move, mas também a religião que o inspira. Hoje, no Quirinal – o palácio que já foi residência dos Soberanos Pontífices na cidade de Roma – foi inaugurada uma exposição emblemática intitulada O Inferno, marcada pela exposição da Porte de l'Enfer, uma escultura de Auguste Rodin, produzida entre 1880 e 1890. Esta obra destinava-se à entrada do Museu de Artes Decorativas de Paris, e o seu esboço foi também apresentado na Exposição Universal de 1900, para selar o carácter maçónico e anticatólico deste evento. E há anos, no Coliseu, encontra-se o ídolo de Moloque, dos sets do filme Cabiria. O demônio devorador de crianças, a porta do inferno inspirada nas Fleurs du mal de Charles Baudelaire, há poucos dias o Festival da Blasfêmia em Nápoles. Na cidade de São Januário, cartazes com horríveis blasfêmias contra Deus foram colocados – com a permissão da Câmara Municipal – para celebrar a liberdade de pensamento e de expressão, insultando Nosso Senhor.

Eles nos dizem claramente: são servos do diabo e, como tais, pretendem se afirmar, serem respeitados e propagar suas ideias. Não só isso, mas em nome de um poder usurpado – um poder que, segundo a Constituição, deveria pertencer ao povo – eles exigem nossa obediência até a automutilação, a privação dos direitos mais básicos e a supressão de nossa identidade.

Esses cortesãos do poder, que ninguém elegeu e que devem sua nomeação à elite globalista que os usa como cínicos executores de suas ordens, desde 2017 vêm declarando em alto e bom som que tipo de sociedade desejam alcançar. Nos documentos relativos à Agenda 2030, que podem ser encontrados no site do Fórum Econômico Mundial, está escrito: “Não tenho nada, não tenho privacidade e a vida nunca foi tão boa.” A propriedade privada, no plano dos globalistas promovidos por Klaus Schwab e Rothschild, deverá ser abolida e substituída por uma renda universal que nos permita alugar uma casa, sobreviver, comprar o que as elites decidirem nos vender, talvez até mesmo o ar que respiramos e a luz do sol.

Este não é um pesadelo distópico: é exatamente o que eles se preparam para fazer, e não é por acaso que durante estas semanas ouvimos falar de revisão de estimativas cadastrais e incentivos à renovação de edifícios. Primeiro, nos endividam com a ideia de restaurar nossa casa, depois os bancos as tomam e as alugam para nós. O mesmo vale para o trabalho: hoje nos dizem que podemos trabalhar se tivermos um passaporte sanitário, uma aberração legal que usa a pandemia para nos controlar, para acompanhar cada movimento nosso e decidir se, onde e quando podemos entrar ou sair. Nesta Agenda 2030, também existe o dinheiro eletrônico, é claro, com a obrigatoriedade de compra e venda com cartão vinculado ao passaporte e ao crédito social. Porque a emergência sanitária e ecológica, agora iminente, legitima os governos a criar um sistema de avaliação de nosso comportamento, como o que já existe na China e na Austrália. Cada um de nós terá uma determinada pontuação, e se não formos vacinados, se comermos muita carne ou se não usarmos carro elétrico, pontos serão subtraídos e não poderemos utilizar determinados serviços, tomar o avião ou o trem de alta velocidade, ou teremos que pagar pelos nossos próprios cuidados de saúde, ou nos resignar a comer baratas e minhocas para recuperar a pontuação que nos permitiria viver. Repito: estes não são os pressupostos de nenhum “teórico da conspiração” mas sim fatos que já estão a acontecer [...].

Mas se hoje é possível nos impedir de trabalhar só porque não nos submetemos a uma regra ilegítima, discriminatória e vexatória, o que impedirá esses tiranos de decidir amanhã que não teremos acesso a restaurantes ou ao local de trabalho se participarmos de manifestações não autorizada, ou escrevermos algo em uma rede social a favor do tratamento precoce, contra a ditadura ou a favor de quem protesta contra a violação de nossos direitos? O que os impedirá de apertar um botão e nos restringir do uso do nosso dinheiro, só porque não somos membros de tal partido ou não veneramos a Mãe Terra, o novo ídolo verde, adorado até por Bergoglio?

Eles querem nos privar dos próprios meios de subsistência, forçando-nos a ser o que não queremos ser, a viver como não queremos viver, a acreditar no que consideramos uma heresia blasfema.

“É preciso ser inclusivo”, dizem-nos; mas em troca são agressivos contra nós, discriminando-nos porque queremos ter saúde, porque consideramos normal que a família seja composta por um homem e uma mulher, porque queremos preservar a inocência dos nossos filhos, porque não queremos matar as crianças no ventre de suas mães ou os idosos e enfermos em suas camas de hospital.

“O nosso modelo de sociedade funda-se na fraternidade”, asseguram-nos; mas nessa sociedade só se pode ser irmão negando e blasfemando o Pai comum. É por isso que vemos tanto ódio contra Nosso Senhor, Nossa Senhora e os Santos. É por isso que, a pretexto de festejar o Poeta Supremo, não fazemos uma exposição sobre o Céu, mas sobre o Inferno, que se tornou o lugar a desejar e a realizar na terra.

"Respeitamos todas as culturas e tradições religiosas", especificam, e é verdade que todos os ídolos e superstições têm seu lugar no Panteão ecumênico da nova religião universal desejada pela Maçonaria e pela Igreja Bergogliana. Mas só há uma religião que está banida de lá: a religião verdadeira que Nosso Senhor transmitiu aos apóstolos, e que a Igreja nos propõe. É verdade que, no caldeirão globalista, todas as culturas são bem-vindas, exceto a nossa: a barbárie da poligamia, a grosseria, a incivilidade, a obscenidade, tudo que é feio e obsceno e ofensivo tem o direito de se apresentar e se impor; ao mesmo tempo - com a maior coerência - a civilização, a verdadeira cultura, os tesouros da arte e da literatura, os testemunhos de nossa Fé traduzidos em igrejas, monumentos, pinturas, música devem ser banidos para que não haja comparação, nenhum termo de comparação que mostre quão horrível é o mundo sonhado por essas pessoas e quão preferível aquele que nos fazem negar e desprezar.

A mentira reina e não há cidadania para a verdade. Verificamos isso nos últimos meses, quando o mainstream fez a cobertura da pandemia censurando quaisquer vozes dissidentes; e até hoje quem discorda do Sistema é não apenas ridicularizado e desacreditado, mas criminalizado, tachado de inimigo público, feito parecer um louco a quem impor o TSO. Esses são os meios que cada regime totalitário usou contra oponentes políticos e religiosos. Tudo se repete diante de nossos olhos de forma muito mais sutil e escorregadia. Por outro lado, quem se inclina para o tirano oferecendo-lhe a sua lealdade é elogiado publicamente, como vemos em todos os programas de televisão, e se torna uma espécie de referência.

Nosso protesto contra o passaporte verde não deve se limitar a este evento específico, por mais ilegítimo e discriminatório que seja, mas devemos procurar ter uma visão mais ampla, identificar os objetivos da ideologia globalista; quem são os responsáveis ​​por este crime contra a humanidade e contra Deus; quem são os cúmplices e quem são os nossos possíveis aliados. Se não compreendermos a ameaça a todos nós, limitando-nos a protestar contra um – ainda que macroscópico – pormenor de todo o projeto, não seremos capazes de opor uma resistência forte e corajosa. Uma resistência que deve basear-se não na simples exigência de liberdade – por mais legítima que seja – mas na orgulhosa e altiva exigência de respeito pela nossa identidade, pela nossa cultura, pela nossa civilização e pela nossa fé que fez a grandeza da Itália e que animou todas as expressões da vida do nosso País, das mais humildes às mais sublimes.

O passaporte é apenas mais um passo em direção àquela porta do inferno em exibição hoje no Quirinal, como uma indignação desavergonhada de quem se considera irremovível e se beneficia de proteções poderosas.

Não temos os bilhões de Soros ou Bill Gates; não temos fundações filantrópicas, nem subornamos políticos para que se tornem nossos aliados; não temos redes de televisão ou redes sociais para compartilhar nossas ideias; não somos organizados como os apoiadores do Great Reset e não formulamos hipóteses de pandemia ou cenários econômicos.

Mas, apesar de nossa aparente fraqueza; apesar de não conseguirmos sequer ganhar visibilidade na televisão ou nas redes sociais; apesar do fato de sermos desorganizados e relutantes em nos manifestar e protestar – já que esse sempre foi o domínio de revolucionários profissionais e anarquistas de esquerda – ainda assim temos algo que eles não têm. Temos Fé, a certeza da promessa de Nosso Senhor: "As portas do inferno não prevalecerão". Somos animados por uma força interior que não é nossa, e que lembra a coragem serena com que os cristãos perseguidos enfrentaram a perseguição e o martírio. Uma força que assusta os sem coração, que aterroriza aqueles que servem a uma ideologia de morte e mentiras, aqueles que sabem que estão do lado dos eternamente vencidos.

Esquecem, esses miseráveis ​​servos da Nova Ordem, que sua utopia, mesmo uma distopia infernal, repele a todos nós, justamente porque não considera que não somos feitos de circuitos eletromagnéticos, mas de carne e osso., Paixões, afetos, atos de generosidade e heroísmo. Porque somos humanos, criados à imagem e semelhança de Deus. Mas isso os demônios não podem entender: é por isso que eles falharão miseravelmente.

Aos Portões do Inferno de Rodin, respondemos com o Janua Coeli, o Portão do Céu, o título pelo qual invocamos a Santíssima Virgem. Que ela, que esmaga no Apocalipse a cabeça da antiga serpente, seja nossa Rainha e a Senhora da Guerra, para o triunfo de seu Imaculado Coração.

E para que neste dia, em que se manifesta publicamente e com coragem contra a tirania iminente, não seja estéril e desprovido de luz sobrenatural, convido a todos a rezarem comigo com as palavras que o Senhor nos ensinou. Façamo-lo com fervor, com ímpeto de caridade, invocando a proteção de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima sobre todos nós, nas nossas famílias, na nossa pátria e no mundo inteiro: Pai nosso, que estás nos céus...

 

+ Carlo Maria Viganò, arcebispo

Duas histórias sobre o Padre Pio e as almas do purgatório

Novembro 2, 2021 escrito por admin

Pe. Thierry Gaudray, FSSPX

Em maio de 1922, em uma noite de inverno após uma forte nevasca, o Padre Pio sentava-se junto à lareira do calefatório, absorto em oração, quando um homem idoso, vestindo um casaco antiquado ainda usado pelos camponeses do sul da Itália naquele tempo, sentou-se ao seu lado. Sobre o homem, Padre Pio declarou: “Não conseguia imaginar como poderia ter entrado no convento àquela hora da noite, porque todas as portas estavam fechadas.” Perguntei a ele: "Quem é você? O que quer? "

O velho respondeu: “Padre Pio, chamo-me Pietro Di Mauro, sou filho do Nicola, apelidado de Precoco”. Ele prosseguiu: “Eu morri neste convento no dia 18 de setembro de 1908, na cela número 4, quando ainda era um asilo. Uma noite, enquanto estava na cama, adormeci com um charuto aceso, que ateou fogo ao colchão e morri sufocado e queimado. Ainda estou no purgatório e preciso que uma Santa Missa para ser liberado. Deus me permitiu vir ao seu encontro e pedir sua ajuda. "

Depois de ouvi-lo, Padre Pio respondeu-lhe: "Fique tranquilo que amanhã celebrarei a missa pela sua libertação”. Padre Pio se levantou e acompanhou-o até a porta do convento. Ele percebeu que a porta estava fechada e trancada: abriu e disse adeus. A lua iluminou a praça coberta de neve. Padre Pio sentiu medo quando o homem desapareceu sem deixar vestígios. Fechou a porta e voltou para o calefatório, onde explicou aos colegas o que acabara de lhe suceder.

Poucos dias depois, o Padre Pio também contou a história ao Padre Paolino, e ambos decidiram ir à prefeitura, onde consultaram os registros civis do ano de 1908 e descobriram que, em 18 de setembro daquele ano, um certo Pietro Di Mauro havia de fato morrido de queimaduras e asfixia no quarto número 4 do convento, então usado como abrigo para moradores de rua.

*  *  *

O Padre Pio contou essa história ao Padre Anastasio. “Uma noite, enquanto rezava sozinho no coro, ouvi o farfalhar de um hábito e vi um jovem monge parado perto do altar-mor. Pareceu-me que o jovem monge espanava os candelabros e endireitava os vasos de flores. Pensei que fosse o Padre Leone quem estava a arrumar o altar e, como era hora da ceia, fui vê-lo e disse-lhe: "Padre Leone, vá jantar, não é hora de tirar o pó e endireitar o altar ”. Mas uma voz que não era a do Padre Leone respondeu: "Não sou o Padre Leone". "E quem é você?” Perguntei-lhe.

“Sou um dos seus irmãos que fez o noviciado aqui. Recebi a ordem de limpar o altar durante o ano do noviciado. Infelizmente, várias vezes não fiz a genuflexão a Jesus ao passar pelo altar, desrespeitando o Santíssimo Sacramento guardado no tabernáculo. Por causa dessa grave negligência, ainda estou no purgatório. Ora, Deus, na Sua infinita bondade, enviou-me ao senhor para que apresse a chegada do momento em que desfrutarei do Paraíso. Cuide de mim!” Acreditando ser generoso com esta alma sofredora, exclamei: “Amanhã de manhã estarás no céu, quando celebrarei a Santa Missa”. Essa alma exclamou: “Como o senhor é cruel!” Então chorou e foi-se embora. Essa reclamação produziu uma ferida em meu coração que senti e sentirei pelo resto da minha vida. Na verdade, poderia ter enviado imediatamente esta alma para o Céu, mas a condenei a ficar mais uma noite nas chamas do Purgatório."

 

(La Sainte-Anne 337)

 

 

AdaptiveThemes