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Category: MéxicoConteúdo sindicalizado

Deve-se lastimar a conquista do México pelos espanhóis?

Pe. Pierre Mouroux

 

No dia 13 de agosto de 1521, após um cerco de 80 dias, caia a cidade de Tenochtitlán (atualmente, Cidade do México), pondo fim o império asteca. Esse dia marcou para sempre o nascimento da nova Espanha e o início da evangelização da América. Em poucas décadas, o império espanhol se estenderia da Terra do Fogo, ao Sul, até a California, ao Norte. A esses acontecimentos, os historiadores deram o nome de “Conquista”.

O ano de 2021 marcou os 500 anos do início dessa epopeia. Devemos nos alegrar dessa conquista? Se formos seguir o pensamento dos intelectuais de hoje em dia, a resposta aparentemente será não.

Em fevereiro de 2016, quando o Papa Francisco visitou o México, durante uma Missa em Chiapas, ele pediu para que “aprendêssemos a dizer perdão” e fizéssemos um “exame de consciência”, insistindo sobre a exclusão dos povos indígenas na história. Do mesmo modo, no dia 9 de julho de 2015, durante a sua viagem a Bolívia, o Papa Francisco apresentou oficialmente as suas desculpas, em nome da Igreja Católica, pelas “injúrias” feitas aos povos autóctones do continente pelos colonizadores espanhóis. “Cometeram-se muitos e graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de Deus”. Ele reconheceu então se tratar de “crimes”, coisa inédita[1].

Mas, bem antes dele, sem falar em “crimes”, o Vaticano mencionou “danos” cometidos pelos colonos. Assim, em 2007, Bento XVI reconheceu “os sofrimentos, as injustiças e as sombras” desse período de colonização. E, desde 1992, a via do arrependimento já fora escolhida. João Paulo II, tinha, durante a sua viagem para a República dominicana, “pedido perdão humildemente”, fórmula retomada pelo Papa Francisco na Bolívia. Ele reconhecia então a “dor e o sofrimento” causados pelos católicos durante 500 anos. Na grande cerimônia de arrependimento do ano 2000, por ocasião do Jubileu, João Paulo II havia solenemente renovado esse pedido de perdão.

Em outubro de 2020, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, esquerdista inveterado, remeteu uma carta ao Papa Francisco convidando a Igreja a pedir perdão pelos abusos cometidos há 500 anos na conquista do México. O presidente recordava que “atrocidades vergonhosas” foram experimentadas pelos povos originários, a pilhagem de seus bens e da sua terra, e sua submissão cultural e religiosa, “desde a conquista de 1521 até o passado recente”. Declarava também: “Aproveito essa ocasião para insistir no fato de que, por ocasião dessas efemérides, a Igreja Católica, a monarquia espanhola e o Estado mexicano devem pedir desculpas públicas aos povos originários.” No dia 27 de setembro de 2021, o Vaticano enviou uma carta em resposta na qual apresentava as suas desculpas ao povo mexicano “por todos os pecados pessoais e sociais, por todas as ações ou omissões que não contribuíram para a evangelização”, seguindo aqui a longa tradição de arrependimento inaugurada por Paulo VI. Mas, isso não é tudo: o prefeito da Cidade do México decidiu, no dia 13 de março de 2021, não mais festejar os 500 anos da conquista, mas os 700 anos da fundação de Mexico-Tenochtitlán; e, nessa ocasião, alterou o nome de muitas ruas e algumas estátuas emblemáticas da cidade para que, 500 anos após a sangrenta invasão espanhola, pudéssemos valorizar a diversidade cultural.

A lenda negra, subjacente à mentalidade atual, existe há séculos. Foi o Frei Bartolomé de las Casas, O.P., quem primeiro denunciou as supostas atrocidades da conquista espanhola1. Tudo o que ele relata se apoia, segundo ele, no que viu com seus próprios olhos, embora nunca tenha mencionado nomes, datas ou os lugares exatos que permitam corroborar os fatos, o que nos mostra que falta seriedade às suas afirmações. Evidentemente, todos os países inimigos da Espanha, a Inglaterra à frente deles, aproveitaram para dar publicidade a esses escritos e macular a imagem dos espanhóis. Se tivéssemos de caricaturar as afirmações dessa lenda negra, diríamos que os espanhóis, embora se mostrassem cavalheiros na Europa, tão logo cruzaram o Atlântico mostraram-se como realmente eram: homens terríveis, ávidos de riqueza e poder, prontos a tudo para alcançar o seu fim: escravidão, tortura, homicídio etc. Uma breve análise dos fatos nos mostrará uma paisagem um pouco diferente.

Alguns autores criticam o uso do termo “conquista” pois, segundo eles, antes se deveria falar em “libertação”. Com efeito, quando se estuda os acontecimentos e quando se conhece como viviam os povos originários do México (e a maior parte dos ameríndios) no tempo da chegada dos espanhóis, e quando se vislumbra tudo o que o império espanhol lhes legou, pode-se bem falar em liberação, tanto social como religiosa.

 

O México antes da chegada dos espanhóis

Recordemos inicialmente que “até o começo do século XVI, o México não existia como Estado, nem como Nação, nem como Pátria” 2. Não havia unidade política, propriamente dita. Existia uma entidade mais poderosa que as demais, os Astecas, que tinham como capital a Grande Tenochtitlán (hoje em dia, México). Essa entidade guerreira se estendia do Golfo do México, com as regiões de Veracruz e Tabasco, até o Oceano Pacífico, com as regiões de Guerrero e Oaxaca. Mas, numerosos povos – conhece-se mais de 110 – viviam no que é hoje o México, alguns a menos de 50 quilômetros dos astecas (por exemplo, o povo de Tlaxcala). Quando se fala em império asteca, não se trata de algo assimilável à nossa ideia europeia de império. Falava-se mais de oitenta línguas distintas nessa região. Esses povos não conheciam a escrita fonética e só utilizavam símbolos e figuras. Não conheciam o uso industrial e mecânico da roda nem trabalhavam o ferro, não possuíam animais de tração e de carga, nem bovinos, porcos, cabras ou ovelhas, e careciam dos principais cereais. Não havia unidade religiosa, a não ser pela prática de sacrifícios humanos, dos quais declarou o historiador Frei Diego Durán: “Se a história não me obrigasse, e se não tivesse visto o episódio afirmado e descrito em numerosos lugares, não ousaria me referir a eles com o temor de ser tomado por um escritor de fábulas.” Fala-se em dezenas de milhares de vítimas na inauguração do Templo Maior de Tenochtitlán, em 1487. Para realizar esses sacrifícios, muitas guerras ocorriam, a fim de fazer prisioneiros, vítimas perfeitas, e os povos submissos também deviam pagar um tributo anual de futuras vítimas. Todas essas vítimas, após terem os seus corações arrancados, eram devoradas pelos habitantes! No que diz respeito ao ambiente moral, um dos principais historiadores da Conquista, Frei Toribio Benavente (1482-1569), também conhecido como Motolinia, missionário franciscano no México, nos dá esse testemunho, um pouco cru mas realista: “Essa terra era uma transposição do inferno; podia-se ver os seus habitantes gritando pela noite, alguns clamando pelo diabo, outros embriagados. [...] Eles tinham todas as mulheres que quisessem, e havia os que tinham até duzentas mulheres; para tanto, os grandes senhores roubavam todas as mulheres, de sorte que, quando um índio ordinário queria se casar, dificilmente podia encontrar uma mulher.” 3

Hoje em dia, os intelectuais criaram um mito a propósito das comunidades indígenas da época. Eles nos apresentam como se elas vivessem em um estado ideal. Mas a realidade histórica é bem diferente. De fato, a maior parte dos povos oprimidos pela tirania antropófaga asteca se aliaram aos espanhóis para se liberar do jugo asteca, e assim permitiram a tomada de Tenochtitlán, em 1521. Foram milhares de ameríndios que, somados aos soldados espanhóis, derrubaram o “império” asteca. Compreende-se o seu desejo de sair de um tal ambiente, do qual alguns intelectuais mostram-se saudosos! Modificar a histórica com fins ideológicos é uma especialidade moderna. Por exemplo, muitos mexicanos foram levados a crer que são todos descendentes de um único povo – os astecas – que povoavam o território atual do México; fizeram-lhes esquecer que muitos deles descendem na verdade de povos que os astecas capturavam com o fim de realizar sacrifícios humanos4. Um filósofo argentino, Juan José Sebreli, declarou com justiça que “a destruição dos grandes monumentos, templos e palácios dos astecas e dos incas é repreensível, mas uma civilização não consiste apenas em obras de arte, mas sobretudo em sua organização política e social, seu direito e sua ética, e, sob esse aspecto, as grandes civilizações pré-colombianas não foram exemplares. Eram teocracias sanguinárias sem autoridade moral para condenar a crueldade dos espanhóis [...]. Os indigenistas repudiam como um ato de barbárie a destruição da cultura asteca pelos conquistadores, mas se esquecem de que, cem anos antes, sob o reino de Izcoatl, os astecas destruíram os livros antigos e destruíram os monumentos do Tolteques, a fim de impor sua própria cultura. Aquele que mata um assassino não deixa de cometer um crime, mas o assassino morto não recupera absolutamente a sua inocência.” 5

 

O legado dos espanhóis

Os espanhóis trouxeram consigo a paz, ao dar um fim às guerras tribais e aos costumes sanguinários. Eles fizeram obra de caridade ao fundar milhares de hospitais em todo o continente, e ao fundar centenas de universidades, com as quais lhes transmitiram as suas tecnologias, sua língua, sua cultura, sua religião; ofereceram a esse continente o seu próprio sangue, estabelecendo as bases de um novo povo, resultado da mestiçagem entre os povos originários e os espanhóis. Também propiciaram a unidade ao redor da única religião verdadeira, a religião católica. Em uma palavra, o seu legado foi o da verdadeira civilização. Foi graças a eles que os diferentes países da América Latina existem.

Consideremos agora a religião, pois se a liberação social foi uma grande coisa, que podemos dizer da libertação religiosa, sabendo que as almas valem bem mais do que o corpo? Vimos como os ameríndios estavam todos entregues à idolatria antropófaga. É importante recordar que os reis espanhóis quiseram que a evangelização dos povos ameríndios fosse o fim primeiro da Conquista, ao menos na ordem da intenção, quando não era possível na ordem da execução. Eles não faziam outra coisa do que seguir as indicações do Papa Alexandre VI na sua bula Inter coetera (1493): “Bem sabemos que vós vos propusestes, há muito tempo, procurar e encontrar Ilhas e Continentes, afastados e desconhecidos, dos quais ninguém até agora fez a descoberta; que quereis reconduzir os habitantes e indígenas à honra do nosso Redentor e à profissão da fé Católica; e que, fortemente empenhados, até esses dias, a fazer o cerco e a recuperar o Reino de Granada, não lograstes levar a bom termo esse santo e louvável projeto.” O papa prossegue dizendo que, com a descoberta das Índias, a hora desejada por Deus chegou: “E assim, uma vez que vós mesmos, por vossa própria iniciativa, desejais, por amor da fé, iniciar e prosseguir até o fim a vossa empreitada, nós vos instamos vivamente, em Nosso Senhor, e igualmente, pelo sacramento do Santo Batismo, que vos ligais às ordens apostólicas, e pelas entranhas de misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo; nós vos solicitamos com instancia a crer que deveis estimular os povos que habitam nestas ilhas e continentes a abraçar a religião católica, de querer lhes transmiti-la, de não vos deixar jamais desviar e de pensar firmemente que Deus Todo Poderoso abençoará os vossos esforços.” A Rainha Isabel6, no seu Testamento de 1504, não dirá outra coisa, lembrando que a sua principal intenção fora a de converter os povos dessas terras para nossa Santa Fé Católica, e pedindo que esses últimos não fossem atingidos nas suas pessoas ou nos seus bens.

Essas preocupações se verificam em numerosos textos oficiais do Vaticano e dos reis espanhóis. Os conquistadores seguiram essas diretivas? Vejamos alguns extratos dos cronistas, a respeito dos feitos de Hernán Cortés. É Benal Diás del Castillo quem testemunha: “Nós nos dirigimos para os lados do Yucatan, e chegamos primeiro na Ilha de Cozumel. Lá havia alguns ídolos com figuras muito disformes em um santuário onde os indígenas costumavam oferecer sacrifícios. Cortés fez com que os ídolos fossem despedaçados e construiu um altar no templo, onde se colocou a imagem da Virgem e um crucifixo. O Pe. Juan Díaz disse a missa, com grande atenção dos mais velhos, dos caciques e de todos os índios.” 7 Lopez de Gomarra, por sua vez, declarou: “Em cada lugar em que ele [Cortés] se dirigia, erguia uma capela ou um altar, e colocava uma cruz ou a imagem de Nossa Senhora, na qual todos os ilhéus rendiam culto com devoção e orações, e acendiam incenso e ofereciam codornas, milhos, frutas e outras coisas que tinham o hábito de trazer para as imagens. E tinham tanta devoção à imagem de Nossa Senhora de Santa Maria que iam com ela em direção aos navios espanhóis que abordavam, clamando: ´Cortés´, ´Cortés´ e cantando ´Maria, Maria´ para mostrar que eram amigos de nossa santa religião.” 8 encontramos testemunhos idênticos nas crônicas da viagem de Laonso e Parada, Pánfilo de Narvaez e de Cristóbal de Olid. Em que pese algumas dificuldades no início, e sobretudo a partir das aparições de Guadalupe, em 1531, dezenas de milhares se converteram ao catolicismo, e o movimento foi tão profundo que essas terras são ainda hoje aquelas onde se encontram mais católicos.

Outro ponto interessante, que pode nos ajudar a julgar essa Conquista é a intervenção do céu. Encontramos em muitas crônicas, tanto espanholas como indígenas, relatos de fatos extraordinários. Por exemplo, durante a “noche triste” (noite triste), quando os espanhóis fugiram da cidade de Tenochtitlán, uma jovem (a Virgem Maria) e um cavaleiro (São Tiago), os protegiam dos ataques dos astecas. Que dizer das aparições de Guadalupe, em 1531? A Virgem apareceu a um índio de nome Juan Diego e deixou sobre a sua tilma (vestido local) a sua imagem, sem que nenhum cientista possa ainda hoje explicar como essa imagem foi pintada, e como é possível que essa toalha não se tenha corrompido após séculos. Esse gênero de fatos é corrente e deixou traços: centenas de santuários espalhados por toda a América latina. Os milagres são um motivo de credibilidade e Deus os utiliza para mostrar que uma obra é divina. Se o céu interveio tantas vezes nessa Conquista em favor dos espanhóis, é porque não se opunha a ela, muito ao contrário! Com efeito, se considerarmos esses acontecimentos com visão sobrenatural, perceberemos quantas almas foram salvas pela ação dos espanhóis e dos missionários!

 

O julgamento da Igreja sobre a obra da Espanha na América

O Papa Pio IX, dirigindo-se a uma comissão de católicos espanhóis, no dia 20 de junho de 1871, lhes declarou: “A Espanha sempre demonstrou predileção especial por esta Sé Apostólica, e se esforçou para levar a civilização cristã a todas as nações do globo. A bandeira espanhola tremulou sobre todos os mares da América, da Índia e de outras regiões, como símbolo da fé em Jesus Cristo (...). Por isso, a Espanha foi outrora grande, porque sua grandeza estava a serviço da propagação, do serviço e da defesa da religião católica, ao preço de todos os sacrifícios.” 9

Por ocasião do IV centenário da descoberta da América, Leão XIII dava “graças ao Deus imortal por esse feliz acontecimento” pelo qual “milhões de homens que se encontravam no esquecimento e nas trevas, foram reintegrados à sociedade, e passaram da barbárie à mansidão e à humanidade, e, o que é mais importante, foram chamados da morte para a vida eterna pela comunicação dos bens que Jesus Cristo produz.” 10

Ao terminar a guerra civil espanhola, o Papa Pio XII manifestou sua alegria ao General Franco e recordou: “A valente Espanha (...) é a nação escolhida por Deus como principal instrumento de evangelização do Novo Mundo, e como fortaleza inexpugnável da fé católica.” 11

O mesmo pontífice, recebendo em audiência os reitores dos grandes seminários da América latina, lhes dizia: “A América latina é um formidável bloco católico, cujo zelo missionário das duas grandes mães ibéricas soube edificar para sua grande honra e para proveito da Igreja.” 12

Durante um discurso a uma missão naval espanhola, o papa se exprimiu assim: “Vossa profissão de marinheiros espanhóis traz à nossa memória as providenciais caravelas da Espanha missionária, verdadeiras auxiliares da Barca de Pedro que, com a civilização da Europa, levavam primeiramente ao Novo Mundo o tesouro incomparável da fé em Jesus Cristo e, com a religião católica, legaram a esses imensos continentes a sublime e verdadeira civilização das almas.” 13

Pio XII chegou a louvar a devoção dos Conquistadores pela Virgem Maria nesses termos: “Conhecemos o lugar eminente que coube à devoção para com Nossa Senhora na evangelização do Novo Continente e na conservação da sua fé. A América dos Conquistadores – Jeronimo de Aguilar, Hernan Cortés, Pedro de Alvarado, Alfonso de Ojeda – que, em seu peito armado souberam conservar um coração muito terno por sua mãe; essa América, da qual mais de cem cidades trazem o nome tão doce [de Maria], da qual dezenas de catedrais reclamam seu patrocino (...).”14

No Congresso mariano das Filipinas, o mesmo papa louvou assim o país dos reis católicos: “O impulso evangelizador e colonizador da Espanha missionária, da qual um dos méritos foi o de saber fundir os dois aspectos da sua ação em uma só coisa [evangelização e colonização], não podendo se contentar, nem mesmo com a imensidão do Novo Mundo, lançou-se na solidão do Pacífico (...).”15

 

Balanço

Certamente, a Conquista ou a liberação da América das garras do demônio também conheceu pontos sombrios, pois, como ocorre em toda obra humana, ocorreram pecados, abusos e fatos pouco edificantes, ainda que o governo espanhol tivesse o hábito de castigar aquele que ultrapassasse as leis estabelecidas para a proteção dos habitantes indígenas. Mas, numa visão geral sobre essa obra, é evidente, após o que pudemos estudar, que a balança se inclina para o lado do bem: a conversão e a obra de civilização não têm preço. Ademais, os abusos perpetrados jamais tiveram o caráter sistemático que a lenda negra quis atribuir. Antes de concluir, eis as palavras de Frei Toribio de Benavente, confessor de Hernan Cortés, a respeito desse conquistador, o mais ilustre dentre todos e o mais criticado pelos intelectuais: “Ainda que, como homem, fosse um pecador, ele tinha a fé e as obras de um bom católico, bem como o desejo de empregar a sua vida e os seus bens para o aumento da sua fé em Nosso Senhor. Ele se confessava com muitas lágrimas, recebia a Santa Comunhão com devoção e colocava a sua alma e os seus bens nas mãos do confessor, a fim de poder comandar e dispor deles como convinha à sua consciência. E Deus o visitou por meio de grandes aflições, trabalhos e doenças para purgar as suas faltas e purificar a sua alma. Creio que é um filho da salvação.” 16

 Esse pequeno resumo dado pelo confessor desse grande conquistador é a imagem de sua obra. Enquanto católicos, não temos o porquê de lamentarmos essa obra providencial, ao contrário, é preciso agradecer aos espanhóis por ela!

Encerremos esse pequeno estudo com a declaração de um historiador mexicano: “O inferno e nada além disso era o estado do território habitado por nossos ancestrais. Como é possível que existam pessoas saudosas dessa situação e que lamentem que tenha sido terminada pelos espanhóis? Não duvidemos que o diabo, o verdadeiro e autêntico diabo, tenha tomado posse do povo e o colocado a seu serviço. Glorioso foi o dia em que a Cruz apareceu e pôs a legião satânica em fuga!”17

 


[1] “E eu quero dizer-vos, quero ser muito claro, como foi São João Paulo II: Peço humildemente perdão, não só para as ofensas da própria Igreja, mas também para os crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América” (https://www.cnbb.org.br/confira-a-integra-do-discurso-do-papa-francisco-...)

  1. 1. De las Casas, Bartolomé, Brevísima relación de la destruición de las Indias, 1542
  2. 2. Sanchez Ruiz, Pedro, Prehistoria de Méjico, In Nacimiento, grandeza, decadência y ruína de la Nación Mejicana.
  3. 3. Benavente, Fray Toribio, Historia de los Indios de la Nueva España, Porrúa, México, 2011
  4. 4. Dias del Castillo, Bernal, Historia Verdadera de la Conquista de la Nueva España, capítulo 27, Porrúa, México, 1994
  5. 5. Sebreli J.J., El asedio
  6. 6. (N. da P.) Trata-se da rainha de Castela e Leão Isabel I (1451-1504), apelidada de “Isabel, a Católica”
  7. 7. Lopes de Gomara, Francisco, la llegada a la isla de Cozumel, in Crónica General de las Indias
  8. 8. Gullo Omodeo, Marcelo, Madre Patria
  9. 9. Citado por Jean Terradas, em Une chrétienté d´outremer, NEI, Paris, 1960
  10. 10. Encíclica Quarto abeunte saeculo, 16/7/1892
  11. 11. Radiomensagem à nação espanhola de 16/4/1939
  12. 12. Discurso de 23/11/1958
  13. 13. Discurso de 6/3/1940
  14. 14. Radiomensagem de 12/12/1954
  15. 15. Radiomensagem de 5/12/1954
  16. 16. Benavente, Fray Turibio, Historia de los Indios de la Nueva España, Porrúa, México, 2001.
  17. 17. Trueba, Alfonso, Huichilobos, Jus, 1955.

Grandeza e Miséria dos Astecas

O império asteca
 
Diversos povos coexistiram no imenso território que chamamos de México e concebemos como unidade nacional: no sul, Maias e Zapotecas; no leste, Olmecas, Totonacas e Toltecas; no centro, Tlaxcaltecas, Tarascos, Otomíes e Chichimecas; ao norte, Pimas, Tarahumaras e muitos outros, todos estranhos entre si, quase sempre inimigos. Dentre eles, a distinção coube aos Astecas; vindos do norte, migraram em direção aos grandes lagos mexicanos, na região de Anáhuac. Conduzidos por sua divindade, Huitzilopochtli — Huichilobos para os espanhóis –, um deus guerreiro e terrível, chegaram em 1168 no vale do México (termo que deriva de Mexitli, e que era o outro nome de Huitzilopochtli) e estabeleceram sua capital em Tenochtitlán

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