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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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A cruzada albigense (parte III)

Esse texto foi extraído da obra apologética de Jean Guiraud, Histoire partiale, histoire vraie (Beauchesne Editions, 1912). Jean Guiraud desmantela, parte por parte, os falsos argumentos do anticlericalismo, dedicando um capítulo ao tema da Cruzada contra os Albigenses. Na primeira parte, resumiu os argumentos dos anticlericais e mostrou suas contradições. Na segunda e na terceira parte, examina a doutrina dos albigenses.]

 

Após analisar a moralidade do albigensianismo e sua negação do casamento, devemos tomar nota de sua licenciosidade fundamental e sua rejeição da família.

 

Casamento e libertinismo

Os hereges tinham tanta aversão ao casamento que chegaram ao ponto de declarar que o libertinismo era preferível a ele e que era mais grave “praticar o ato carnal com a própria esposa do que com outra mulher”.

E isso não era nenhuma brincadeira, pois davam a essa opinião uma justificativa em perfeita concordância com seus princípios. Frequentemente ocorre -- diziam eles -- de um homem ter vergonha de seus pecados; desse modo, ao pecar, o faz em segredo. Portanto, sempre é possível que venha a se arrepender e a cessar o pecado; por essa razão, o libertinismo é quase sempre oculto e temporário.

Ao contrário, o que é particularmente grave no estado de casamento, é que não se tem vergonha dele e que não se pensa em abandoná-lo, pois não se suspeita do mal que é praticado dentro dele. Isso explica a condescendência estranha que os “Perfeitos” demonstravam com as desordens de seus seguidores.

Eles mesmos faziam profissão de castidade perpétua, fugindo com horror da mínima ocasião de impureza; e, ainda assim, aceitavam as concubinas dos crentes na sua sociedade e as deixavam participar dos ritos mais sagrados, mesmo quando não tinham intenção de emendar suas vidas.

Os crentes mesmos não tinham problemas em manter suas amantes enquanto aceitavam o direcionamento dos "Perfeitos". Entre os crentes que, por volta de 1240, compareceram à pregação de Bertrand Marty em Montségur, podemos distinguir vários falsos casais: “Guillelma Calveta, amante de Pierre Vitalis, Willelmus Raimundi de Roqua e Arnauda, sua amante, Pierre Aura e Boneta e o amante de sua esposa, Raimunda, amante de Othon de Massabrac”

Essas concubinas e bastardos, que aparecem tão frequentemente nas assembleias cátaras, foram a causa desses hereges serem acusados da torpeza mais imunda. Dizia-se que suas rigorosas doutrinas eram apenas uma máscara, debaixo da qual os piores excessos estavam escondidos. Gauthier e Deschamps fazem eco dessas acusação quando apresentam os albigenses como um povo simples, de moral pacífica e não austera.

Por outro lado, é certo que as populações, com muita frequência, deixavam-se seduzir pela impressão de austeridade que os "Perfeitos" lhes transmitiam, e isso é mencionado por Aulard e Debidour, Rogie e Despiques quando falam da pura moral desses hereges.

É fácil resolver essa aparente contradição lembrando que havia dois tipos de albigenses: os crentes, que simpatizavam com as doutrinas cátaras e não estavam totalmente sob sua influência; e os "Perfeitos", que aderiam integralmente a ela e praticavam-na em suas prescrições.

Enquanto os crentes não tivessem recebido a iniciação completa, se fosse necessário, poderiam viver com uma mulher, porém fora do laço do casamento. Qualquer ato sexual era indubitavelmente mau, mas a coabitação poderia ser tolerada, jamais o casamento, pois, se acontecesse uma iniciação completa, seria mais fácil romper um laço ilegal.

 

Negação da família.

Desnecessário aprofundar-se nas consequências antissociais de tal doutrina. Ela visava, nada mais nada menos, que a supressão do elemento essencial de toda a sociedade, a família, ao tornar toda a humanidade numa vasta congregação religiosa sem recrutamento e sem futuro.

Embora aguardando o advento desse estado de coisas, que deveria emergir do triunfo das ideias cátaras, os "Perfeitos", gradativamente, quebraram, como resultado do progresso de seu apostolado, os laços familiares já formados.

Se quisessem ser salvo, antes de se submeter à lei de castidade rigorosa, o marido devia abandonar a esposa, a esposa, o marido, os pais deviam abandonar os filhos, fugindo de um lar que lhes inspirava apenas horror, pois a heresia lhes ensinava “que ninguém pode ser salvo mantendo-se em companhia de seu pai e de sua mãe”. E, portanto, toda moralidade doméstica desaparecia, juntamente com a família, que era sua raison d’être.

Esse ódio da família era, além disso, entre os albigenses, apenas uma forma particular de sua aversão a tudo que fosse estranho à sua seita. Eles se abstinham de relações com todos que não pensassem do mesmo modo que eles, exceto quando julgavam possível conquistá-los às suas doutrinas, e faziam as mesmas recomendações aos crentes.

No dia do exame de consciência ou apparelhamentum, que acontecia todo mês, exigiam dos crentes um relato severo das relações que haviam mantido com os infiéis. E isso é compreensível: eles só tinham como homem aquele que, como eles, havia se tornado, pelo consolamentum, um filho de Deus.

Quanto aos outros, que haviam permanecido no mundo mau, eles, de algum modo, pertenciam a outra raça e eram estranhos, para não dizer inimigos.

(Continua)

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