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Jean Madiran (1920 - 2013)

Dom Lourenço Fleichman OSB

Faleceu neste dia 31 de julho, aos 93 anos, Jean Madiran, o famoso diretor da Revue Itinéraires, revista fundada por ele em 1956, e que congregou a nata do pensamento católico francês na 2ª metade do século XX. Dono de um pensamento lógico imbatível, tornou-se temido por seus adversários, sobretudo no campo da política francesa e no combate ao progressismo católico.  CONTINUE LENDO

Na sua revista escreveram os principais pensadores e filósofos católicos do século XX, tais como o Pe. Calmel, O.P., Pe. Bertho, Marcel de Corte, Gustave Thibon, Jacques Perret e, para nós da Permanência, com grande honra, Gustavo Corção e Julio Fleichman. Madiran conheceu Corção em 1973, quando o nosso saudoso fundador e mestre participou do famoso Congresso de Lausanne. Desde então, Corção foi um dos principais colaboradores da revista.

É conhecida a história do artigo em que Madiran explica para Luce Quenette porque aceitara a colaboração de um brasileiro em Itinéraires. Madiran explica à fundadora da Escola La Perrodière que o mundo de Gustavo Corção era o mundo da França católica. Prova com a conversa que Corção relata em um artigo, que ele travara com seu grande amigo, o escritor médico Fernando Carneiro. Carneiro entrara um dia em sua casa, chorando por causa da iminência da França se tornar comunista. E disse a Corção que comungara naquela manhã pela França. Dois dias depois, Corção recebia a notícia "mais espantosa e mais natural do mundo": Fernando Carneiro falecera, pela França católica. Com essa explicação que emocionou a muitos franceses da Tradição, Gustavo Corção ingressou neste fantástico time de escritores.

Madiran esteve no Brasil em 1975, pois queria encontrar-se com Corção. A foto ao lado mostra o escritor francês junto a Corção e Julio Fleichman, no aeroporto do Rio. Não é preciso dizer com que alegria e satisfação todos os amigos da Permanência se reuniam junto a estes grandes pensadores para ouvi-los e aprenderem com eles.

Porém, anos mais tarde, em 1988, Madiran tomará uma atitude impensada ao afastar-se de Mons. Lefebvre, quando este retirou sua assinatura do protocolo assinado com o Vaticano. Madiran, que sempre fora um grande defensor do bispo de Ecône, achou que este acordo seria um retorno de Roma à Tradição, e preferiu acompanhar seu grande amigo de colégio, Dom Gerard Calvet, superior do Mosteiro do Barroux, que assinara tal acordo.

Nessa época, Madiran já começara a deixar um pouco de lado a Revista Itinéraires, preferindo dedicar-se ao jornal Présent, de circulação diária, que tornou-se um órgão de pensamento político sobre o dia a dia da França. E a Revista Itinéraires desapareceu.

Aos poucos Madiran foi percebendo que a aproximação com o Vaticano só servira para levar os fiéis da Tradição em direção aos erros do Vaticano II, sem que houvesse uma conversão das autoridades da Igreja, em Roma, ou alguma mudança na pregação dos bispos diocesanos. Voltou a manter relações mais próximas com a Fraternidade São Pio X nos últimos anos, frequentando a Santa Missa em Saint Nicolas du Chardonet, a grande igreja da Fraternidade, no coração de Paris.

E sobretudo, le Bon Dieu, como dizem os franceses, lhe deu uma oportunidade de reparar a má influência que sua tomada de posição contra Mons. Lefebvre ocasionara, em 1988. De fato, quando os produtores do filme "Dom Lefebvre, um bispo na tormenta" gravaram o testemunho de Jean Madiran, no documentário sobre a vida do grande defensor da fé, no momento em que as máquinas de filmagem estavam sendo guardadas, Madiran pediu que voltassem a filmar, pois tinha outra coisa a dizer. E fez, então, uma reparação pública do seu erro, que deixou emocionados a todos os que o conheceram. Nossos leitores terão em breve a oportunidade de adquirir o DVD com legendas em português, que está sendo produzido, e onde podemos ouvi-lo dizer:

"Na época eu não estava em condições de julgar... Hoje é difícil para mim achar que ele cometeu um erro. Se a Fraternidade São Pio X existe ainda hoje, é porque Mons. Lefebvre lhe deu quatro bispos. É daí que vem a importância que ela tem; se ela é considerada pelo papa como uma interlocutora, é porque ela tem os bispos. Na Igreja, ser bispo tem sua importância. Assim, o fundador fez uma fundação duradoura e assegurou para ela as condições para que ela dure".

Nós, da Permanência, só podemos hoje oferecer a Jean Madiran nossas orações pelo descanso de sua alma, e nosso agradecimento pela obra que nos legou na Revista Itinéraires.

Requiescat in Pace

 

 

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