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A
LÍNGUA LITÚRGICA DA IGREJA
A
Igreja emprega na missa a língua latina.
I.
A língua latina convém ao culto católico porque é venerável, misteriosa
e invariável.
A
língua latina é venerável
pela sua
antiguidade: era a
que empregavam os cristãos dos primeiros séculos para celebrar os louvores de
Deus.
«Sente-se comoção e entusiasmo
quando se ouve
oferecer o Santo Sacrifício na mesma língua e com as mesmas palavras de que se
serviam os primeiros cristãos nas profundidades sombrias das catacumbas» —
A língua latina é uma língua
misteriosa, porque,
como língua morta, o povo não a
compreende. Empregando-a dá-se a entender que no altar se passa alguma
coisa que se não pode compreender alguma coisa misteriosa. Nos primeiros
séculos do cristianismo, o altar estava encoberto por um véu desde o Sanctus
até à Comunhão. Este uso desapareceu, mas existe sempre um véu diante
do altar: é a língua latina que o povo não compreende, e que nos torna os
santos misteriosos veneráveis. —
Finalmente por ser língua
morta é invariável e significa com isto a imutabilidade da doutrina católica, que não muda,
como não mudam as formas desta língua,
— Além
disso, convém notar que
os Judeus e
os Pagãos se serviam, no seu culto
religioso, de uma língua que não era a língua vulgar. Entre os Judeus, por
exemplo, empregava-se o antigo hebreu, que era língua dos Patriarcas.
Jesus Cristo e os Apóstolos assistiram ainda ao ofício divino que se celebrava
nessa língua e a história não nos diz que Jesus Cristo e os Apóstolos hajam
censurado esse costume. —
Na Índia, o sânscrito é a língua sagrada, e difere dos dialetos que
usa povo. — Os
Gregos, quer os não unidos quer os
unidos. empregam nas suas igrejas o grego antigo, e não o grego moderno
ou vulgar. — Até
na Igreja russa se servem grego antigo, ao passo que o povo fala o
eslavo. — igreja anglicana emprega o inglês antigo. Só os Romenos
unidos se servem, com aprovação de Roma, da sua língua materna.
II. A língua latina no serviço divino é muito útil à Igreja:
contribui para manter a sua unidade e evita muitos inconvenientes.
A língua latina
serve para manter a unidade na
Igreja; liga entre si, e com a Igreja-Mãe de Roma, as Igrejas espalhadas
pelo universo, e assim preenche em parte o abismo que separa os
diferentes povos da terra. «A língua latina da Igreja faz de todos os povos e
de todas raças do mundo uma só família de Deus; o reino de Jesus
Cristo. O altar é cópia da Jerusalém celeste, em que todos os anjos e
os santos cantam com uma voz unânime os louvores de Deus». Se a língua latina
não fosse língua oficial da Igreja, seria impossível haver, nos concílios,
uma discussão comum
entre os bispos, uma troca recíproca dos pensamentos e dos pareceres dos teólogos
e doutores de tantos povos diversos. Que enorme prejuízo daí viria à Igreja! A
língua latina, que vem
de recorda-nos também que pertencemos à
Igreja romana e que
foi de Roma, Igreja-Mãe, que os missionários foram enviados às nossas terras
a espalhar nelas a fé católica: ela é, pois, uma exortação contínua à
unidade. — A língua latina evita
muitos inconvenientes; como
língua morta, não
varia: o sentido das palavras permanece o mesmo através dos séculos, o que não
se dá com as línguas vivas, que mudam muitas vezes no decurso dos séculos.
Se a língua litúrgica fosse uma língua viva, facilmente nela se
introduziriam heresias. Por outro lado o latim evita que homens grosseiros
abusem, fora dos ofícios divinos, das palavras e orações sagradas para
fazerem com elas audaciosos gracejos, ou que mofem das coisas
santas. — A
Igreja todavia não teve a mínima idéia de manter os fiéis na ignorância do
significado das funções sagradas: pelo contrário, ela ordena aos seus
sacerdotes que expliquem a missa e as suas cerimônias, tanto na escola às
crianças como no púlpito aos adultos (Conc. Trid. XXII, 8). Além disso, não
é necessário que povo conheça todas as cerimônias nos seus mais pequenos
pormenores. “Se entre os ouvintes alguns há
que não compreendem palavra por
palavra o que se
reza ou canta, sabem
contudo que se reza e canta em louvor de Deus, e isto basta para excitar a
piedade”
(S. Agostinho; Tomás
de Aquino.), De mais, a experiência ensina que a língua latina não
impede nada a piedade dos fiéis; com efeito as nossas igrejas, apesar desta
língua, estão de ordinário tão cheias, que não bastam para conter os fiéis.
— A
Igreja também não tem a intenção de depreciar a língua nacional, porque
a emprega com freqüência na pregação, na administração dos sacramentos, no
confessionário, nas devoções da tarde, nas orações depois da missa, etc.;
portanto, se se emprega a língua latina na missa, mais
do que nas outras funções litúrgicas, é porque a missa é um sacrifício
e não uma prédica ou uma
instrução para o povo. De mais, o padre deve recitar em voz baixa a maior
parte das orações da missa, e o povo não as ouviria, portanto, mesmo, se fossem
ditas em língua vulgar. “Além de que o santo sacrifício da missa consiste mais
nas ações do que nas palavras; as ações, as cerimônias, os movimentos,
falam suficientemente por si mesmos uma linguagem compreensível» (S. Roberto
Belarmino). — Se, como alguns desejam, se empregasse exclusivamente a língua
vulgar no culto divino, os indivíduos de nacionalidade diferente tornavam-se
como estranhos à sua religião. O emprego da língua nacional diminuiria
até o respeito que se deve ter à missa, assim como o zelo de assistir a
ela, como a experiência o demonstrou no tempo da Reforma, quando, para imitar
os protestantes, se haviam traduzido fielmente as orações da missa. Aqueles
que desejariam se empregasse a língua nacional no serviço divino, viriam,
quando muito, uma vez à igreja por curiosidade, para de novo se
afastarem dela, porque não é a língua latina o que eles detestam, são as
verdades da religião, que lhes advertem que mudem de vida. “Essas pessoas
deviam ocupar-se menos de corrigir as palavras da boca do que os sentimentos íntimos
dos seus corações” (Mons. Sailer).
(Extraído
do Catecismo Católico Popular, de Francisco Spirago)
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