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PREFÁCIO DA EDITORA PERMANÊNCIA


Em 1997, quando do centenário de morte de Sta Teresinha do Menino Jesus, tive ocasião de visitar Lisieux e rezar junto ao túmulo da santa, diante de um belíssimo mausoléu-relicário oferecido pelos fiéis brasileiros, tão devotos da santa Carmelita. Nesta viajem, levei comigo, para ler, o livro que ora editamos, Devo Narrar minha Vida. Fiquei muito impressionado com a sólida doutrina que emanava de uma história de criança, simples e fresca como a alma de Santa Teresinha. E Cecy Cony nasceu três anos após a morte da carmelita.

Ao voltar ao Brasil, consegui contato telefônico com a vice-superiora da casa das Franciscanas, no Rio Grande do Sul, e perguntei à madre se não haveria outros documentos, cartas, escritos, dessa santinha brasileira. Ouvi, então, do outro lado da linha, palavras que me custou acreditar vindas de uma religiosa: "Ah! padre, o senhor sabe, depois do Vaticano II, essas coisas são vistas como doença mental. Tudo foi arquivado e já não se fala nela há muitos anos."

Essas foram as exatas palavras que ouvi, naquele dia de 1997, ainda vivendo a atmosfera santa de uma capela carmelita onde jaz o corpinho de uma virgem que conquistou o mundo, enviando do céu uma chuva de rosas. Valha-me Deus!, diria a grande Teresa (a de Ávila). Que vergonha! Quanta pobreza espiritual na cabeça de senhoras que já não vivem para Deus e para o amor de Jesus Cristo. Devem viver em congressos essas novas "teólogas", preocupadas em conseguir arrancar do Papa a ordenação das mulheres. Mas vida de oração, busca de santidade, ah! isso elas esqueceram de vez, pois consideram isso tudo como "doença mental". O que seria do mundo, o que seria da Igreja, se as carmelitas de Lisieux tivessem a mesma opinião, em 1897, quando dormiu no Senhor uma menina tuberculosa que nunca saíra do convento para nada! E pensar que, para os adeptos da Nova Teologia, do Vaticano II, a Igreja, coitada, canonizou um bocado de doentes mentais: São Paulo foi arrebatado ao terceiro céu e ouviu palavras que não é permitido ao homem proferir: doente. Santo Antão lutou em sua gruta com demônios em forma de animais horríveis: coitado, devia ser um esclerosado, já delirando com o peso da idade. Santa Catarina de Sena andou dialogando com uma miragem que ela chamava de Pai, mas nada prova que fosse o próprio Deus. Santa Margarida Maria sonhou profundamente que Jesus lhe mostrou seu Sagrado Coração, e em Fátima, contemporâneas de Cecy Cony, três criancinhas deviam ter é recebido um corretivo forte dos maçons que as prenderam, para aprenderem a não inventar histórias absurdas.... Essa é a lógica dessas freirinhas modernas, filhas do Vaticano II. Destroem a vida da Igreja e de seus santos.

Tiramos a presente edição do livro das Edições Rosário, Curitiba, PR, 1985. Ao pedir a autorização para a versão francesa, foi-me declarado que essa editora não possui direitos sobre este livro. Segue abaixo a introdução do Pe. Reus, S.J., que foi confessor da irmã Maria Antônia.

Como não temos nenhum intuito comercial ao editar na rede este texto, consideramos como obrigação nossa levar ao conhecimento de todos estes fatos extraordinários de uma criança brasileira, que passou vinte e um anos de sua vida na companhia de seu anjo da guarda, seu "Novo Amigo", como o chamava. Se ela estiver no céu, pedimos que interceda junto a seu Esposo Celeste, para que Ele interrompa a tremenda crise que cega até mesmo as almas religiosas.

 

Dom Lourenço Fleichman OSB

 

IRMÃ MARIA ANTÔNIA
(Cecy Cony)

 

“Devo Narrar Minha Vida...”

 

MEMÓRIAS DA INFÂNCIA DE UMA RELIGIOSA

FRANCISCANA DA PENITÊNCIA E DA CARIDADE

CRISTÃ DA CASA-MÃE DE SÃO LEOPOLDO

 

Editadas pelo P. J. BATISTA REUS, S.J. , Antigo professor de Ascética e Mística

 

IMPRIMATUR

Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom
Pedro da Cunha, antigo bispo de Petrópolis,
com a data de 15/4/1953

 

 Introdução

No inicio do ano de 1944, adoeci tão gravemente que acharam oportuno fosse eu sacramentado. Por alguns dias continuei doente, sem melhoras sensíveis. Na quarta-feira da semana seguinte, comecei uma novena em honra do S. Coração de Jesus e da Irmã Antônia, Cecy Cony, que falecera alguns anos antes, em São Leopoldo, depois de uma vida virtuosa (1900-1939): pedia o favor de poder fazer, na segunda-feira da semana vindoura, a preleção de Liturgia, de que era professor. Caso alcançasse a realização do meu desejo, atribuiria a graça à Irmã Antônia. Contudo piorei, na quinta e na sexta-feira, e receei ter sido temerário na minha confiança. Melhorei, porém, no sábado, e solicitei do meu superior a licença de fazer, na segunda-feira, a preleção do horário. Riu-se ele e acrescentou que para isto seria necessário um milagre. Na mesma tarde, comuniquei o meu propósito ao Pe. Prefeito da Saúde, médico formado. “Isto não pode ser”, respondeu, e só se tranqüilizou quando ouviu que o Padre Reitor já me tinha dado a licença necessária. Nenhum dos dois superiores sabia qualquer coisa da novena.

No domingo, cerca de 40 juvenistas da casa rezaram em minha intenção, e na segunda-feira, acompanhado do terço dos juvenistas e protegido por N. Senhora, fui fazer a minha preleção acadêmica. Depois de terminar a aula, declarei que fora a Irmã Antônia quem me ajudara no meu pronto restabelecimento. Apenas saíra da aula, rodearam-me os teólogos com perguntas: Quem é esta Irmã Antônia? Onde está ela? Dei as explicações necessárias, satisfazendo assim a curiosidade dos meus alunos.

É esta a pessoa de cuja vida trata o presente livro. Obrigada pela obediência, escreveu ela as reminiscências da sua vida, sem reflexão, com certa repugnância e pedindo auxílios especiais a Nosso Senhor. Mal terminava algum dos seis cadernos de que se compõe o manuscrito, entregava-o logo às Superioras e não perguntava mais por ele. Morreu antes de concluir a sua autobiografia, que só abrange seus primeiros 21 anos de vida, e pôde apresentar-se na presença do Senhor com a beleza deslumbrante da inocência batismal.

O manuscrito foi lido por algumas pessoas. Acharam-no de tal beleza que pediram repetidas vezes a sua publicação para o bem de muitas almas. Os fatos referidos merecem a fé de qualquer pessoa prudente e versada nestes assuntos. Cecy era inteligente e de formação esmerada. Os atestados do colégio davam-lhe quase sempre o 1º ou o 2º lugar. No magistério foi professora habilíssima, como atestam suas superioras. Humilde, extremamente sincera e inocente, nunca na sua vida proferiu uma mentira nem ofendeu a Nosso Senhor “por querer”. Esta declaração dá-nos a chave para julgarmos com justiça de certas fragilidades exteriores que lhe notaram algumas pessoas. Era incapaz de inventar fatos místicos. Nem por leitura nem por qualquer outro meio ordinário pôde conhecer os fenômenos dessa natureza que descreve com tanta nitidez. Ao saber, quase no fim de seus dias, que havia almas que nunca experimentavam a presença sensível de Nosso Senhor por ocasião da Sagrada Comunhão, perguntou assustada: “Nem na primeira s. comunhão?” A resposta negativa fê-la chorar amargamente. E exclamou: “Estas almas, nesta vida, nunca chegaram a conhecer Nosso Senhor”.

A vida da finada Irmã foi muito apreciada pelo Pe. Francisco Xavier Zartmann, S.J., falecido em 1946. O seu parecer é de grande valor: foi ele, por muitos anos, Superior da Província Sul-brasileira da Companhia de Jesus, Instrutor da 3a. Provação, experimentado Diretor Espiritual e Mestre de Exercícios de muitos sacerdotes e religiosas, homem de juízo reto e sereno, ótimo conhecedor dos fenômenos místicos.

Foi preciso omitir algumas passagens do manuscrito relativas à vida interior ou a pessoas que poderiam ser identificadas. Os títulos dos episódios referidos foram acrescentados. As notícias sobre os seus anos de vida religiosa devemo-las a informações de pessoas que gozaram da amizade e confiança da Irmã. O editor do livro dirigiu-a, como Diretor Espiritual, nos últimos anos de vida religiosa.

Não poderíamos concluir melhor esta sumária introdução do que dando a palavra ao filósofo e conhecido conferencista Frei Pacífico, O.F.M. Cap., que leu a autobiografia.

“Com toda a atenção e vivo interesse, li as páginas ingênuas e sinceras da Irmã Antônia. São elas o eco de uma bela alma que estaria muito bem ao lado dos amiguinhos de S. Francisco, Frei Junípero e Frei Leão, a ovelhinha de Deus, como o chamava o Pai Seráfico. Impressiona a intervenção santificadora do Anjo da Guarda, em relação sensível e quase contínua, com a alma virginal da criança privilegiada. Teremos aqui o indício de uma missão providencial para reavivar a fé no dogma, tão importante e tão esquecido, do anjo da guarda? A S. Igreja, pelos seus representantes autorizados, esclarecerá, creio, um dia, na hora oportuna, o que se deve pensar neste ponto. A missão de S. Teresinha, ensinando a 'via da infância espiritual', não foi logo compreendida, mas Deus falou pela boca de seus Pontífices, e todas as dúvidas foram dissipadas. Quem sabe se não falará também, um dia, na missão angélica da Irmã Antônia? Creio que a devemos tornar conhecida, essa missão santificadora, e fizeram muito bem em mandar a amiguinha do Anjo da Guarda escrever suas relações impressionantes e instrutivas com seu angélico 'Novo Amigo'. Pela minha parte, muito desejo que se escreva, com a mesma simplicidade e lealdade, o que se sabe da Irmã Antônia, qual foi a sua vida e morte no convento. Só assim teremos uma idéia completa do que foi a 'Cecy', e poderemos esboçar um juízo sobre uma missão tão oportuna e santificadora como é a intervenção do S. Anjo da Guarda em nossa vida. É pela boca dos 'inocentes, das crianças' que Jesus revela aos homens os tesouros de seu infinito amor. Eu gostei imenso das páginas da feliz criança, encheram minha alma do desejo de recorrer mais seguido ao meu anjo da guarda.”

São Leopoldo, Colégio Cristo Rei, 8 de dezembro de 1946.

Pe. J. Batista Reus, S.J.

Apreciação do Censor Eclesiástico

Na leitura das singelas e encantadoras páginas de Devo narrar minha vida, nada encontrei que desaconselhasse a sua publicação.

Concordo com a opinião de Frei Pacífico O.F.M. Cap.: a vida íntima da Irmã Antônia, nesta época infestada pelo espiritismo, poderá ter a finalidade providencial de reavivar a devoção ao Santo Anjo da Guarda.

Porto Alegre, 13/6/1948.

Mons. Nicolau Marx

Protestação

Às revelações dos dons sobrenaturais e virtudes da Irmã Antônia que este livro contém, dá-se apenas a fé humana, em conformidade com o decreto do Papa Urbano VIII, e em inteira submissão ao juízo infalível da Santa Igreja Católica.

São Leopoldo, Festa da Imaculada Conceição de 1946.

 (pdf)Pe. J. Batista Reus, S.J.

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