DÉCIMO
CAPÍTULO
As Ignorâncias do Naturalismo
Pe. Emmanuel-André
Três conhecimentos fundamentais são necessários à humanidade. É da mais alta importância conhecer a sua origem, seu fim e os meios de alcançá-lo.
A fé nos traz todas as luzes que podemos desejar sobre essas graves questões: Quem sou? De onde venho? Para onde vou? Que caminho tomar? Nossas crianças católicas o sabem melhor do que todos os sábios da antiguidade grega e romana, chinesa ou hindú. E as luzes que nossas crianças têm sobre esses assuntos são puras e livres de todo perigo de erro; são claras tanto quanto o permite o estado da criatura neste mundo: são consoladoras, acima de tudo o que se possa dizer e, depois de todas as satisfações que nos trazem nesta vida, nos levam por um caminho seguro às alegrias da bem-aventurada eternidade.
Na pura luz da fé sabemos que viemos de Deus e que vamos para Deus e que não há outro caminho a não ser o caminho do Deus feito homem para salvar os homens.
Eis o que é claro sobre a nossa origem e sobre a verdadeira dignidade do homem; claro sobre o fim para o qual devemos tender, claro ainda sobre os meios necessários para chegar ao nosso fim, que é a participação da felicidade de nosso Criador.
É nessas santas e divinas luzes que repousam nossas pequenas almas, e ali, elas estão ao lado dos mais sublimes gênios que honram a humanidade. Os grandes e os pequenos, os mais simples e os mais sábios saboreiam a mesma paz na unidade de uma mesma fé, de uma mesma esperança, de um mesmo amor.
É aí que o homem encontra o repouso de seu espírito, a paz de seu coração, o remédio para os seus males, o freio para suas paixões, o campo de ação aberto para todas as suas faculdades, a condição, a regra, a lei de todo o progresso, de toda perfeição, de toda felicidade possível nesta vida e na outra. Vem o naturalismo, semelhante a um flagelo desencadeado pelo inferno, e começa por nos tirar tudo o que possuíamos como cristãos. Arranca-nos o amor que temos no coração, a esperança que brilha no firmamento de nossa alma, a fé que nos esclarece o passado, o presente e o futuro.
O naturalismo nos arranca tudo. É impossível, repetimos, impossível, para ele, nos dizer se somos criatura ou Criador, se nós somos nós ou alguma partícula de um grande todo. Sobre nossa origem não sabe nada de nada.
E depois de ter produzido essas trevas três vezes profundas, gaba-se de bastar para tudo.
Mas, para bastar para tudo é preciso não ter falta de nada. E o que constitui o naturalismo é precisamente estar fora de toda verdade, de toda luz. O naturalismo é, pois, a própria indigência e, por conseqüência, a própria impotência.
Quem não tem nada, nada pode.
Mas o naturalismo tem, no entanto, alguma coisa: pretensões. E essas pretensões são, por si mesmas, uma nova demonstração de sua impotência.
Na verdade, o naturalismo nunca pode unir duas almas. Por mais forte razão nunca poderá falar à humanidade, nem persuadi-la, nem esclarece-la, nem lhe dar a paz, nem torna-la feliz.
O naturalismo não tem nada, não pode nada, não é nada; e esta é a última palavra que diremos sobre ele.
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