NOTAS
BIOGRÁFICAS SOBRE MONS.
DE SÉGUR:
Louis-Gaston de Ségur nasceu em Paris a 15 de abril de 1820. Seu pai era o conde Eugène de Sègur. Sua mãe, nascida Sophie Rostopchine, é a célebre condessa de Ségur, autora de livros infantis que até hoje fazem sucesso: Les petite filles modèles, Les malheurs de Sophie, L´aubergue de l ánge gardian, Le General Dourakine, Um bom petit diable... Terminou seus estudos em direito e foi nomeado adido da embaixada próxima a Santa Sé. Neste cargo reside um ano em Roma (1842-1843); sentindo-se chamado ao sacerdócio, ao retornar a Paris, entra no seminário de Saint-Sulpice onde foi ordenado padre por Mons. Affre em 17 de dezembro de 1847. Desde então, ele consagra seu zelo ao sacerdócio pelas crianças e pelos desamparados. Junto com alguns padres animados pelo mesmo espírito de pobreza e amor a Deus, funda uma comunidade de orações e de boas obras, e se dedica às obras em prol da juventude (catecismo e apoio às crianças pobres, retiro de aprendizes, círculos católicos de jovens trabalhadores) e aos prisioneiros militares. Seus encargos consumiam tanto suas forças que ele cai doente e pára por alguns meses. Ele emprega seu tempo livre para escrever Résponses aux principales objections contre la religion [1], que obtém um sucesso extraordinário.
Quando
se restabeleceu, o príncipe-presidente Luis-Napoleão conferiu-lhe a alta função
de auditor da Rota pela a França: nesta função permanece em
Roma de 1852 a 1856, estimado tanto pelo papa Pio IX como pelo imperador Napoleão
III. A comunidade que ele constituíra em Paris não sobreviveu a sua partida.
Parecia destinado ao episcopado, quando perdeu a visão: mais de uma vez sofrera
da vista; em 1854, ficou cego completamente e para sempre. Tomou a resolução de abandonar suas
funções de auditor da Rota; Pio IX nomeou-o protonotário
apostólico, e Napoleão, dignitário do capítulo de Saint-Denis. Mons. De Ségur
volta a Paris e ocupa sua casa da Rue du Bac, nº 39, onde passa os últimos 25
anos de sua vida. Devota-se novamente aos operários e é inspirador de
numerosas obras de caridade, funda uma Conferência de padres destinada a
instituir missões nas paróquias pobres, forma e organiza (1857) a Fundação São
Francisco de Sales e a partir dela (1871), a União dos Operários. Os biógrafos de Mons. De Ségur destacam
como algo surpreendente que, durante os vinte e cinco anos de seu sacerdócio desde a cegueira, nenhum acidente
ocorreu ao ministrar a santa comunhão.
Foi assim que durante estes anos, auxiliado pelas pesquisas de seu secretário,
ele compôs e ditou suas brochuras, volumes, instruções, tratados, todos os
pequenos livros de apologética, de espiritualidade ou de apostolado, que tanto
bem fizeram. O santo padre morreu a nove de junho de 1881 em seu
apartamento da Rue du Bac. Seu funeral foi celebrado em meio à universal comoção:
uma multidão considerável de trabalhadores e de pobres acompanhou aquele que
tanto lhes tinha amado e tão eficazmente os socorria.
Mons. De Ségur foi, sobretudo, e talvez exclusivamente, um diretor de almas, e a maioria de seus escritos são tratados de piedade ou de devoção. Sua doutrina teológica era aquela da Escola Francesa, e o objetivo que sua direção perseguia era imprimir no cristão a vida de Jesus. Com esta intenção escreveu La piété et la vie intérieure, em 8 volumes. Como os mestres da Escola Francesa, Bérulle em particular, Mons. De Ségur insiste sobremaneira na incorporação do cristão em Jesus. A espiritualidade de São Francisco de Sales deixou nele mais que uma impressão. Para as crianças, escreveu La piété enseignée aux enfants. Seu método de direção era: 1. a frequentação dos sacramentos: Traité sur la confission, Traité sur la sainte comunion, no qual recomenda a comunhão freqüente e mesmo cotidiana; 2. a prática das obras de caridade para o próximo; 3. uma grande devoção à Santa Virgem; 4. o amor à Igreja e ao papa. Sobre este ultimo assunto, escreveu numerosos opúsculos, tais como Le pape, Le souverain pontifice, e dois outros destinados a defender a definição do concilio Vaticano: Le pape est infallible e Le dogme de l´infaillibilité. Assinalemos ainda uma obra de polêmica, Les causeries sur le protestantisme, em reação à propaganda protestante do século XIX.
Notas:
[1] [N. da P.] É espantoso o sucesso deste livro. Até o momento de sua morte, tinha vendido mais de 700.000 cópias apenas na França e na Bélgica. O livro foi ainda traduzido e editado em italiano, alemão, inglês, espanhol e até mesmo no idioma hindu. Outros livros seus, como "Le Pape", "La Communion", "La Confession" e suas "Instructions familières" também alcançaram um notável sucesso editorial. Sua obra completa, editada em 10 volumes, compreende ainda diversas obras de combate, tais como "Causeries sur le protestantisme" (1898); "le Denier de Saint Pierre" (1861); "les objections populaires contre Encyclique [Quanta cura]" (1869); "Les Francs-Maçons" (867); "le Pape est infallible" (1870) e "l'Ecole sans Dieu" (1873).