HOMENAGEM AOS HERÓIS DO MÉXICO
"Não encontrarás repouso, a não ser no Sangue"
Santa Catarina de Sena
Com que palavras homenagear os numerosos mártires desta verdadeira cruzada mexicana? Disse o principal historiador da Cristiada, Jean Meyer: "Não tenho a menor dúvida, a Cristiada se pode ler como a Ilíada" — eis o problema! temos o relato, falta-nos... Homero.
Limitados pelas palavras, nossa humilde homenagem será, portanto, de outra natureza: reproduzindo os olhares de alguns desses mártires — olhares não de plangência, mas de força — os homenagearemos.
Em seguida, como glosa a esta breve homenagem, publicaremos algumas palavras de Charles Péguy, extraídas de seu poema sobre a virtude teologal da Esperança, e encerraremos esta seção com um brado que aprendemos com estes heróis mexicanos...
O OLHAR DOS MÁRTIRES
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Luis Batiz Sainz Nascido em San Miguel del Mezquital en 1870, entrou no seminário de Durango com apenas 12 anos, sobressaindo por sua imensa piedade. Era um sacerdote cheio de fervor pela Eucaristia, e celebrava a Missa com muita reverência. Em uma ocasião, ante Jesus sacramentado, disse: "Senhor, quero ser mártir; ainda que seja um indigno ministro vosso, quero derramar meu sangue, gota a gota, pelo teu nome". Durante os eventos, engajou-se pela causa da defesa da liberdade da religião. Em agosto de 1926 foi denunciado como conspirador, em seguida preso e, apesar dos protestos do povo, assassinado. |
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Mateo Correa Nascido em Tepechitlán no dia 22 de julho de 1866, padre Mateo Correa terminou martirizado durante os tristes eventos da perseguição religiosa no México. Em 1927, quando preso pela segunda vez, foi obrigado a ouvir a confissão de um grupo de pessoas que iam ser fuziladas. Após, exigiu o general Ortiz que o Padre lhe revelasse as confissões. Ante a rotunda negativa do sacerdote, Ortiz ordenou sua execução.
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Rodrigo Aguilar Alemán Nascido em Sayula, no dia 13 de março de 1875, distinguiu-se no seminário por seu talento e aplicação. Cultivou a prosa e a poesia com grande talento literário. Foi perseguido por ser sacerdote, e teve de fugir e continuar seus ofícios na clandestinidade. Residindo num rancho, atendia a seus fiéis, administrava os sacramentos e dirigia os exercícios espirituais. Traído por um de seus fiéis, foi capturado pelos federais. Dia seguinte foi levado à praça principal para ser executado. Abençoou seus verdugos, perdoou a eles todos, e, a um dos que o iam matar, o presenteou com seu rosário. Morreu bradando: "Viva Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe". |
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Tranquilino Ubiarco
Nascido em Zapotlán el Grande em 1899, teve uma infância marcada por privações e trabalho. Contudo, isso não impediu de fazer com que se destacasse por seus talentos e piedade no seminário.
Ordenado padre, promoveu largamente o catecismo e os grupos de estudo. Fundou um jornal de doutrina cristã.
Durante as perseguições, exercia seu ministério na clandestinidade, em diversas casas particulares. Um dia, após terminar de dizer a Missa em uma casa, foi surpreendido e preso por diversos soldados. Na prisão, o padre exortou todos à confissão. Em seguida foi levado ao fuzilamento.
Como o soldado encarregado de executá-lo se negasse, foi também ele fuzilado. |
Nota: Todos os mártires acima foram canonizados pelo
Santo Padre, o Papa João Paulo II,
no dia 21 de maio de 2000. Espera-se
agora a canonização do Bem-Aventurado padre Miguel Pro.
POR FIM...
"Mas a Esperança, disse Deus
Isso sim me admira,
admira até a Mim mesmo.
Que estes pobres filhos vejam como hoje caminham
as coisas, e creiam que amanhã tudo irá melhor,
isto sim que é assombroso e é, com muito,
a maior maravilha de nossa graça.
E eu mesmo me assombro com isso.
Que será necessário que seja minha graça
e qual a força dessa minha graça
para que esta pequena Esperança,
vacilante ante o sopro do pecado,
trêmula ante os ventos,
agonizante ante o menor sopro,
siga estando viva,
impossível de apagar?
Esta pequena Esperança que parece coisa de nada,
esta pequena filha Esperança.
Imortal.
Pelo caminho escarpado, arenoso e estreito,
arrastada e braços dados
com suas duas irmãs maiores,
segue a pequena Esperança
como uma criança sem forças para caminhar.
Mas na realidade é ela
quem faz andar às outras duas,
e que as arrasta
e que faz andar o mundo inteiro,
e a que arrasta.
Porque, em verdade, não se trabalha senão pelos filhos,
E os dois maiores não avançam
Se não graças à pequena."
(Charles Péguy, Le Porche du
Mystère de la Deuxième Vertu)

"¡Viva Cristo Rey
y la Santa Virgen de Guadalupe!"