H. Le Caron
É inútil nos iludirmos. O que
aconteceu depois do último Concílio prova que "o progressismo cristão",
condenado pelos papas precedentes com diferentes qualificativos (L'Avenir
por Gregório XVI; os "católicos liberais" por Pio IX; o
"americanismo" por Leão XIII; o "modernismo" e o Sillon
de Marc Sangnier por Pio X), terminou por intoxicar grande parte da Igreja, até
os mais altos escalões.
O espírito pós-conciliar, na realidade, é o espírito progressista. O verdadeiro espírito pós-conciliar,
fundado no respeito à doutrina e à tradição, se é que chegou a existir, foi
abafado há já muito tempo.
A atual mutação da Igreja foi
desejada e preparada desde Lamennais, isto é, desde há 150 anos.
Depois de ter caminhado de
maneira subterrânea, a heresia progressista chegou à tona no momento do Concílio;
o que até então eram raízes perniciosas, desabrochou e deu os frutos
envenenados que surpreenderam e envolveram bom número de padres conciliares (os
que não pertenciam à minoria ativa, que, ela sim, sabia perfeitamente o que
fazia).
Não é fácil discernir o vírus
progressista — freqüentemente não se descobre sua presença a não ser
constatando seus efeitos (como numa doença). Seus efeitos são múltiplos, o
que engana muitas vezes os católicos fiéis.
São Pio X, que o desmascarou de
maneira extraordinária, constatava: "Combinando em si o racionalismo e o
catolicismo, eles (os modernistas) o fazem com tal refinamento de habilidade,
que transviam os espíritos desprevenidos... Ah! se se tratasse somente deles,
poderíamos, talvez, contemporizar; mas é
a religião católica e sua segurança que estão em jogo."
O espírito progressista difere
enormemente do espírito de um católico romano. A fé que professa não é a nossa.
Para o modernista, precisa São
Pio X, "a fé, princípio e fundamento de toda religião, reside em certo
sentimento íntimo decorrente da necessidade do divino... A Revelação não
pode ser outra coisa senão a consciência adquirida pelo homem das relações
existentes entre Deus e ele.”
Assim, já não nos encontramos
diante de verdades objetivas que se impõem, como, por exemplo, Jesus, segunda
pessoa da Santíssima Trindade, Redentor do gênero humano, verdades às quais
devemos aderir sem discutir (e às quais o homem de fé adere sob inspiração
da Graça).
Encontramo-nos, ao contrário, em
presença de um sentimento íntimo, subjetivo, às vezes vago, que a inteligência
analisará e interpretará e que, uma vez aprovado pela Igreja, acabará por
constituir um dogma. Disso resulta que o dogma nascerá do próprio crente e
evoluirá conforme evoluir o sentimento de onde se origina. É por isso que uma
das máximas favoritas do modernismo é que a evolução religiosa deve
"coordenar-se (ou subordinar-se) à evolução intelectual e moral".
A
fé católica permite-nos aderir a verdades objetivas, exteriores ao homem
(Revelação e ensinamentos da Igreja). A fé progressista é uma projeção de
um sentimento de religiosidade[1].
Ela pode variar continuamente
como o sentimento que a anima. Para o progressista, "a verdade não é mais
imutável que o próprio homem, porque evolui com ele, nele e por ele". As
fórmulas dogmáticas são submetidas às mesmas vicissitudes, às mesmas mutações
que os estados de alma dos crentes, como observou São Pio X na Pascendi:
"Fica assim aberto o caminho à variação substancial dos dogmas."
Por conseguinte, podemos afirmar
que a fé progressista é diametralmente oposta à fé católica. Ela constitui
uma verdadeira inversão,
apresentando, sem dúvida, caráter satânico; como a maior parte das inversões.
Essa inversão espiritual se
situa no lado oposto ao do espírito de fé verdadeira que é a dos santos. A fé
progressista, se podemos chamar de fé o estado de espírito deles, é toda
sentimental, imaginativa, feita de sonhos que permitem ao homem procurar-se a si
mesmo em vez de procurar e encontrar a Deus. Os santos, ao contrário, na sua
humildade, numa ascese permanente, procuram sem cessar conformar as suas
vontades à vontade de Deus, ao qual se sentem unidos por um laço de amor.
O que importa, com efeito, não
é projetar nosso sentimento, ainda que seja de ordem religiosa, por meio de
reformas permanentes e estéreis promulgadas pelo magistério. A Criação é
perfeita, e nós não lhe acrescentaremos nada com nossos esforços. O único
objetivo a perseguir é, com paciência, nas trevas da fé, purificarmo-nos,
separando-nos do velho homem, implorando a graça e deixando-nos conduzir por
ela, e assim aproximarmo-nos do Imutável, d’Aquele que se definiu a si próprio
como aquele que é.
A verdadeira evolução permite
à criatura, machucada pelo pecado original, de que guarda a cicatriz, mas
resgatada pelo sacrifício redentor, avançar em direção ao Absoluto que é
seu criador. Ela é interior e pessoal. Torna-nos capazes de passar do plano
natural ao plano sobrenatural pela fé em Jesus Cristo[2].
O
progressismo, ao contrário, ao
procurar-se a si próprio, não sai do plano natural. Pensa enriquecer o cosmo,
pensa progredir, mas dá voltas como gato que corre atrás do próprio rabo.
Santo Agostinho diz que “dois
amores construíram duas cidades: o amor de si próprio até o desprezo de Deus,
e o amor de Deus até o desprezo de si próprio. Um se glorifica em si próprio,
o outro no Senhor...”
São dois amores diferentes que
criaram dois tipos de fé, de que resultaram duas cidades diferentes.
Os progressistas têm consciência
mais nítida que os católicos fiéis de que se trata antes de tudo de um novo
espírito. L. Saleron, em artigo recente (Itinéraries, n. 219), constata
que, “depois de dez anos, nos fazem compreender em todas as ocasiões que os
textos de Concílio só têm valor quando usados por quem tem espírito
conciliar, isto é, espírito de evolução ou de revolução, espírito de
inovação, de adaptação, de criatividade e de abertura para o mundo”.
Esse espírito novo, que podemos
chamar de espírito pós-conciliar, é o mal que corrói atualmente a Igreja Católica.
Teilhard de Chardin, que foi um
dos artesãos dessa desordem, profetizou ao dizer: “Uma forma ainda
desconhecida de religião está para germinar no coração do homem moderno, num
sulco aberto pela idéia de Evolução...”
São Pio X foi o primeiro a
perceber que o progressismo é, antes de tudo, um espírito destruidor de tudo o
que constitui o fundamento do cristianismo.
Quando era diretor do grande
seminário de Trévise, já punha seus seminaristas em guarda: “Não vos
deixeis envolver por doutrinas fantasiosas e estrangeiras”, dizia ele. “A
verdade é absoluta e imutável... O que o primeiro homem e todo o Antigo
Testamento acreditaram em germe é acreditado hoje pelos católicos. A fé
antiga e a nossa se encontram e se ligam ao centro único e indissolúvel da
verdade que é Jesus Cristo. Estudai a história de qualquer ciência e, ao
contrário, nas mudanças sucessivas de suas teorias encontrareis a marca de sua
falibilidade” (Pio X, de René Bazin).
Um pouco mais tarde, na Pascendi,
o santo Papa revelará que as causas profundas da heresia modernista podem
reduzir-se a duas: a curiosidade e o orgulho.
a) Observações Gerais:
Podemos constatá-las passo a
passo.
O Courrier de Rome publicou um artigo, “Concílio e pós-concílio”,
onde o autor expõe essas conseqüências perfeitamente. Cita entre outras estas
palavras do Papa reinante: “A Igreja convida todos os cristãos a uma tarefa
dupla de animação e inovação a fim de fazer evoluir as estruturas para adaptá-las
às necessidades atuais” (Carta de Paulo VI ao Cardeal Le Roy), e estas: “A
Igreja entrou no movimento da História que evolui e que muda” (28-07-1971).
O autor cita também esta frase
do Bispo de Metz no seu boletim diocesano de 1o. de outubro de 1967:
“A mudança de civilização que vivemos acarreta mudanças não apenas em
nosso comportamento exterior, mas na concepção que formamos tanto da criação
quanto da salvação trazida por Jesus Cristo.”
Os católicos de hoje, precisa
ainda o autor do artigo, são impelidos a se pôr em “estado de pesquisa”
para fazer evoluir, de modo muito aberto, a religião, a fim de melhor adaptá-la
à evolução do pensamento e dos costumes.
O espírito progressista
transpira atualmente no menor boletim paroquial ou em qualquer revista
religiosa.
É o vírus destruidor da
liturgia, da catequese, dos dogmas da Igreja.
O progressismo é muito mais
perigoso que o protestantismo, porque destrói a Igreja por dentro e porque são
os próprios padres e bispos os artífices desta destruição. Quando o
progressismo já não é combatido pela hierarquia, sendo, ao contrário,
favorecido, seus sucessos tornam-se fulminantes.
Estava escrevendo estas linhas,
quando recebi o boletim (inverno de 76) da associação missionária de Assunção
(apesar de não ser assinante).
Em um artigo intitulado:
“Encontro com um Cristão Perturbado”, o Padre André Sève descreve, sem
querer, sem se dar conta, os estragos do progressismo nas almas, e por suas
respostas mostra quais são as engrenagens intelectuais de um espírito
progressista. (A leitura deste artigo é recomendável — traz todos os subsídios
necessários aos adversários do progressismo.)
“O cristão perturbado”, um
Juan de tal, casado, quatro filhos, declara “ter nascido uma segunda vez com o
Concílio Vaticano II e ser um filho do Vaticano II”. Até converteu a esposa
“a esta nova respiração cristã a plenos pulmões”. O Concílio, diz ele
“tinha feito deles cristãos mais abertos, mais livres, mais ao corrente de
tudo.” Nascera uma raça de cristãos adultos, cristãos que “refletem mais
por si mesmos, que têm coragem de tomar uma decisão mais pessoal” — mas
“vieram golpes duros que abateram e quebraram Juan e sua mulher”. “A filha
mais velha, solteira, ligou-se a um homem casado, e o filho único entrou para
uma escola judia, para tornar-se rabino... Imagine-se uma coisa assim!” E Juan
exprime suas desilusões: “O que aconteceu com nossos filhos? Éramos cristãos
clássicos, ainda que não muito entusiasmados, é verdade, bafejados pela vida,
rotineiros e a serviço dos padres.”
“O Concílio fez de nós cristãos
mais vivos, mais inteligentes, entusiasmados pela idéia de nos tornarmos mais
responsáveis pela Igreja. E agora estamos diante de rapazes e moças que tudo põem
em dúvida.”
Nesta hora, o padre, que devia,
como um bom pastor, deplorar as infelicidades de Juan e de sua mulher com
palavras consoladoras, pergunta simplesmente: “A contestação não é
tipicamente conciliar?”
E Juan, que se tinha escaldado, responde: “Sim, é, com a condição de manejá-la com prudência. É preciso ver de onde viemos e para onde vamos — nossos filhos ‘se lixam’ para o passado. Como algumas palavras mágicas, como colonianismo, libertação sexual ou análise marxista, liquidam qualquer debate sobre o dia de ontem... o que lhes interessa é envolver-se numa experiência, experimentar qualquer coisa: é preciso ver, não se pode falar daquilo que não se sabe. Saber, para eles, é fazer. No começo, lutamos, proibimos isto, exigimos aquilo, e falamos muito. Dizíamos”, continua João: “não é possível, temos nossa fé para transmitir, nossa moral, nossa concepção de vida, mas, de tanto discutir, sentimos um mal-estar: onde estava nossa fé? Pedimos conselho, procuramos livros — o mal-estar aumentou, tínhamos perdido nossos marcos.”
E
então seu interlocutor, padre de Jesus Cristo, faz esta pergunta horrível:
“Que marcos?” E como João lhe diz que as dúvidas perpétuas são muito
interessantes, “mas que ele começa a se sentir à deriva”, o Padre Seve,
pensando “elevar-lhe a moral”, pergunta: Vocês preferiam o “é preciso
crer exatamente nisto, é preciso fazer exatamente aquilo?”
E
o pobre João, que não ficou nada apaziguado por tal resposta, declara: “Não
queria isto; não se pode voltar a ser um cristão de antes do Concílio, mas
queria alguma coisa entre a precisão
infantil e o grande vago — e eu tenho uma multidão sadicamente ‘em
pesquisa’.”
Então
o padre, subitamente interessado em João, lhe pergunta: “Você também
pesquisa?”
“Forçam-me
a pesquisar”, responde João, “e o que é que agora sei? Quais são minhas
posições em relação aos problemas sexuais, ao aborto, à eutanásia, ao
marxismo? Será que vejo alguma coisa bastante clara dentro de mim para
responder às perguntas de meus filhos? Será que conheço Jesus Cristo como
deve ser conhecido atualmente? Já não se pode fazer uma
leitura ingênua do Evangelho (sic), mas qual é a leitura
inteligente? A leitura que me porá em contato com Jesus Cristo vivo e atuante
em 1976?”
Um
pouco mais adiante, Juan, a quem o “caso de Monsenhor Lefebvre” fez refletir
sobre sua própria evolução, mostra ainda sua confusão: “Isto parece
simples, mas que se deve aceitar exatamente? O que disse o Concílio? E que
disse ele? Para um cristão de base como eu, isto acaba por tornar-se mito, ser
conciliar ou anticonciliar. Tenho todos os textos do Concílio, mas de que
adianta?”
E
o padre faz esta confissão, que corresponde ao que acabamos de expor: “Acho
que se trata mais do espírito do que dos textos, sobretudo levando-se em conta
as evoluções rápidas”, e um pouco mais adiante: “É preciso perceber o
grande movimento conciliar... O conservadorismo é a coisa mais grave, porque
mata a vida...”
Citamos
trechos extraídos desta notável entrevista porque ela mostra de modo claro os
estragos que o progressismo provoca nas almas. (Padre Sève escreveu numerosas
“Entrevistas–encontros” em La Croix,
órgão oficial da Arquidiocese de Paris.)
b)
As Conseqüências do Espírito Progressista na Liturgia:
Se
se aprender a chave do problema, quer dizer, se se analisar convenientemente o
que constitui “o espírito progressista”, compreender-se-á quais são as
conseqüências deste estado de espírito, tanto na liturgia como na catequese e
na Igreja.
A
propósito da liturgia, M. Louis Saleron em seu notável trabalho sobre a nova
missa (Nouvelles Editions Latines) precisa (pp. 39 ss):
“A
constituição conciliar acerca da liturgia fixou regras e orientações. Os
inovadores puseram-se a interpretá-las invocando o que chamam ‘o espírito do
Concílio’ e que o Papa chama, para bem o marcar,
“o espírito pós-conciliar”.
Este
dito espírito pós-conciliar alimenta e mantém um clima revolucionário, em
que, entre muitos outros, cinco temas principais de subversão recebem incentivo
especial: “a volta às fontes”, “a dessacralização”, “a
inteligibilidade”, o “comunitarismo” e o “culto do homem”.
A
volta às fontes permite romper com a tradição e introduzir concepções
próprias, que são batizadas de “concepções primitivas”. Sustenta-se então
que “o espírito constantino perverteu tudo”.
Uma
verdadeira volta às fontes deveria ser acompanhada de uma revalorização do
sagrado! Mas entre os progressistas é ao contrário o que se passa — dá-se a
dessacralização. Padre Antoine, na revista jesuíta Études (março
de 1967), propõe que as catedrais sejam convertidas em museus. Precisa:
“Recusamos toda valorização intrínseca ou ontológica de qualquer lugar de
per si sagrado; o que tornaria a localizar o divino.” E nós nos espantamos de
ver as catedrais e igrejas servir de lugar de reunião a toda a sorte de
manifestações que já nada têm de religiosas (por exemplo, o escândalo da
Catedral de Reims); espantamo-nos com a comunhão na mão, com a indecência dos
trajes na casa do Senhor...
A
inteligibilidade, escreve Louis Saleron, é um tema querido aos
inovadores. “É em nome da inteligibilidade que empreendem a demolição dos
ritos litúrgicos” (banimento do latim, introdução de formas heréticas como
“da mesma natureza do pai”, que é mais compreensível, dizem eles, do que
“consubstancial ao pai”).
O
comunitarismo, que grassa cada vez mais na Igreja, e em todos os níveis,
manifesta-se pela importância crescente dada aos grupos — colegiados, assembléias,
equipes, associações e reuniões de todo o gênero, comunidades de base, que são
organizadas para “pesquisas”, pesquisas essas que acabam na maior parte das
vezes nas piores extravagâncias, como: “uma missa só é válida se a
comunidade está presente para participar da missa”, apesar de a doutrina católica
estabelecer nitidamente que um padre pode celebrar a missa sem a presença física
dos fiéis. É preciso compreender bem o que se chama “comunitarismo” —
trata-se de um eufemismo que permite introduzir a democracia na Igreja e solapar
a autoridade que vem ao alto.
O
culto do homem — M. Saleron escreveu sobre isso que “o
denominador comum dos desregramentos que observamos hoje, tanto no domínio da fé
quanto no da liturgia, não passa da substituição progressiva do Culto de Deus
pelo culto do homem. Revirou-se a crença cristã. Deixou-se a fé cristã de
que Deus criou o homem e o Verbo se fez carne, para conceber um Deus que é o próprio
homem em vias de se tornar Deus”. Este é o espírito progressista. A inversão
espiritual (inversão da atitude do espírito) tem por conseqüência direta uma
inversão da religião.
Assim,
em resumo, pode-se afirmar que, todas as vezes que se constata na liturgia uma
glorificação do homem, uma dessacralização, uma diminuição dos dogmas e
dos mistérios pela supressão ou interpretação subjetiva dos textos, se trata
de inspiração progressista. E ainda não vimos tudo, pois nos anunciam que a
Igreja ainda está no início das “mutações”.
c)
As Conseqüências do Espírito Progressista na Catequese:
Em
seu jornal hebdomadário n. 451, de 20/12/76, M. Pierre Debray examina o que
aconteceu com “a instrução religiosa”, usando uma brochura editada pelo
Centro Regional de Ensino Religioso do Oeste” e intitulada Proprietários
da Verdade? (tomamos nossos exemplos no que há de mais atual).
Para
o autor da brochura, a “transmissão” da fé já não aparece como um saber
que a catequese comunica. Os Apóstolos tinham encerrado o essencial da fé nas
fórmulas ditas “querigmáticas”. Para eles, a fé da Igreja possuía uma realidade objetiva. Não podia ser entregue ao arbitrário. São
Paulo escrevia aos Tessalonicenses: “Nós vos ordenamos [...] que vos aparteis
de todo o irmão que viver desordenadamente, e não segundo a doutrina que
receberam de nós” (II Tes 3,6).
“A
nova catequese vira as costas ao ensinamento dos Apóstolos.” O educador
“caminha com a criança ou com o moço, cada
um se pondo em dúvida, cada um apresentando ao outro a sua própria verdade”.
Deste
modo, a fé perdeu todo o conteúdo objetivo — é o puro subjetivismo (um filósofo
diria que se trata de uma espécie de “idealismo”, sistema que nega qualquer
forma de realidade objetiva exterior ao “eu”).
Com
tal ensino, pergunta-se: Qual será o futuro espiritual destas pobres crianças?
Segundo uma pesquisa recente, não mais que 7% de franceses são capazes de
explicar convenientemente o que significa “Natal”.
Seria
instrutivo igualmente saber qual a percentagem de padres e de bispos capazes de
recitar ainda o Credo (Símbolo de Nicéia), sem nenhuma hesitação.
d)
As Conseqüências do Espírito Progressista na Igreja:
O
que foi feito da Igreja, una, santa, católica e apostólica, mestra de verdade
e guarda da verdade?
Já
ninguém ousa perguntar. Que desmoronamento em tão poucos anos! Até os
protestantes se espantam e se inquietam. Essa é a obra do espírito
progressista, que solapou o edifício como faria um exército de cupins.
Quando
os inovadores dizem que a Igreja nunca esteve tão resplandecente, que isso é
um novo nascimento, que o Concílio Vaticano II “foi tão importante, mais
importante até que o Concílio de Nicéia”, tem-se o mesmo sobressalto que
quando se ouve o secretário-geral do Partido Comunista Chileno afirmar “que já
não existem prisioneiros políticos na URSS”.
São
Pio X profetizara que, se deixassem campo livre, o espírito progressista
destruiria tudo, incluídas as bases da fé, como está destruindo nestes dias.
Quem
é cego e quem se deixa cegar? Os inovadores e os tolos pretendem que dois mil e
quinhentos bispos não podem enganar-se nem enganar-nos; mas o argumento não é
convincente. O número nunca fez a verdade. E existem precedentes. No tempo de
Ário, a quase totalidade dos bispos se deixou levar pela heresia. Santo Atanásio
e Santo Hilário foram canonizados, mais tarde, porque foram os que se
levantaram contra a heresia geral.
Por
outro lado, ignoramos o que pensa a maior parte dos bispos. Talvez façam a si
mesmos muito mais perguntas do que imaginamos.
Sabemos
muito bem que a tarefa dos bispos não é fácil. A força de caráter
desaparece nas nossas sociedades cheias de delinqüência, e a Igreja não foi
poupada. A autoridade diminui — os clérigos obedecem cada vez menos — e,
ainda que quisessem, poderiam agora nossos bispos reagir? Sabe-se que, hoje em
dia, a imprensa católica e os principais meios de expressão estão nas mãos
dos progressistas, que exercem forte pressão sobre a hierarquia. Mas por que
esses bispos, mais ou menos reduzidos à impotência ou ultrapassados, declaram
guerra a um bispo corajoso como M. Lefebvre e contra seu seminário, que forma
padres fiéis à tradição? É isto o que nos espanta e inquieta.
Não
devemos, no entanto, mostrar-nos tão pessimistas. A Igreja recebeu de seu
fundador as promessas de eternidade. Se Jesus Cristo ressuscitou no terceiro
dia, para estupor de seus inimigos, depois de ter sido colocado no sepulcro, por
que a Igreja, corpo místico do Cristo, não conheceria as mesmas provas e o
mesmo triunfo?
III
— O Espírito Progressista na Teologia Moderna
A
teologia moderna faz compreender quanto os padres conciliares ficaram
intoxicados. Ela explica a evolução da Igreja atual.
Não
tenho a pretensão de tratar de assunto tão vasto em poucos parágrafos.
Aconselho
o leitor a se valer dos estudos admiráveis do prof. Marcel de Corte, de Louis
Saleron, do padre Philippe de la Trinité e de outros filósofos e teólogos de
grande valor e de grande saber.
Pessoalmente,
acho que os maiores responsáveis pela evolução catastrófica da Igreja foram
Maritain (o Maritain de Humanismo Integral),
Teilhard de Chardin, e Karl Rahner, da Companhia de Jesus, que teve influência
determinante no último Concílio (Lamennais pertenceu ao século passado). Os
três tinham espírito progressista.
A
— Maritain foi um dos mestres do pensamento do Papa reinante, depois
de ter sido eminente tomista. Deixou-se levar pelo espírito progressista. Não
se deve esquecer que foi grande amigo de Mounier e que cooperou na criação da
revista Esprit. Há um ano expus no Courrier (n.148 — “A
grande ilusão”) o que é o “humanismo integral” de Maritain.
Este,
considerando como fato definitivo o desaparecimento da “concepção cristã
sagrada do temporal” (realeza social de Nosso Senhor, com seu corolário, a
doutrina dita “dos dois gládios”), propunha substituí-la por uma “concepção
profana cristã”, não exigindo sequer um mínimo doutrinário comum. Esta
fraternidade universal e democrática, compreendendo cristãos e não-cristãos,
devia, segundo Maritain, realizar sua unidade numa “obra prática comum”.
Nesta
nova civilização, “a obra comum já não apareceria como obra divina a ser
realizada na terra pelo homem, mas como obra humana a ser realizada pela introdução
de qualquer coisa de divino, que é o amor, nos meios humanos e nos
trabalhos humanos”[3].
Assim
a “obra da cidade dos homens seria realizar, aqui em baixo, um regime temporal
realmente conforme à dignidade humana, a essa vocação e a esse amor”.
A
Igreja, no meio dessa sociedade universal (que conheceria forçosamente a paz,
porque o povo seria soberano), tornar-se-ia uma modesta e discreta inspiradora,
somente.
A
força animadora dessa nova civilização seria cristã, mas de maneira
indireta, sem que se fizesse referência a Jesus Cristo, pela simples prática
da vida comum, em que se introduziria essa “qualquer coisa de divino”. Todos
os sincretismos religiosos se tornariam possíveis, e poderíamos até
reconciliar a França da Revolução com a França de Joana d’Arc.
Vê-se
que há uma aproximação perigosa da doutrina de Maritain com o MASDU
(Movimento de Animação Espiritual da Democracia Universal), denunciada de
maneira notável, há já muito tempo, pelo Abbé de Nantes.
Mas
essa doutrina é absolutamente contrária à da Realeza
Social de Nosso Senhor, professada pelos maiores Papas.
Para
nos convencermos, basta-nos reler a Imortale Dei de Leão XIII ou a Intaurare
omnia in Christo (4 de outubro de 1903), de São Pio X.
É
portanto necessário, declarava este grande santo, “pela palavra e pelas
obras, reivindicar para Deus a plenitude de seu domínio sobre os homens e sobre
toda a obra criada, de modo que seus direitos e seu poder de comandar sejam
reconhecidos”.
A
doutrina de Maritain “enterra” definitivamente a doutrina chamada dos
“dois gládios”, sem a qual, estou convencido, não haverá nenhuma renovação
possível nem na sociedade nem na Igreja. Também quanto a isto São Pio X foi
clarividente, quando, no momento da separação entre a Igreja e o Estado na
França, escreveu na encíclica Vehementer (11/02/1906): “Que se deva
separar a Igreja do Estado é uma tese completamente falsa, um erro pernicioso.
[...] Essa tese é a negação clara da ordem sobrenatural. Ela limita a ação
do Estado à finalidade única da prosperidade pública, durante esta vida...
Subverte a ordem estabelecida por Deus no mundo, ordem que exige harmoniosa
concordância entre as duas sociedades [...]. Que princípio se invoca para
separar o Estado da Igreja? O seguinte: que
o Estado não deve reconhecer nenhum culto, grave injúria a Deus, criador
do homem e fundador das sociedades humanas, a quem é devido não somente um
culto privado mas um culto público e social.”
Nossos
leitores notarão que a política atual do Vaticano tende a fazer desaparecer
todas as concordatas. Essa política, que pareceria insensata a São Pio X, é o
corolário da nova doutrina sobre a liberdade
religiosa em foro externo, de cujo esquema o mínimo que se pode dizer é
que é o mais equívoco de todos os que o Concílio promulgou.
A
igualdade das religiões, trate-se da verdadeira ou das falsas, e a neutralidade
do Estado devem permitir a realização de um sincretismo religioso que foi
sempre o objetivo das Grandes Lojas da maçonaria.
B
— Teilhard de Chardin, que influenciou grande número de padres
conciliares, foi o homem que os progressistas desejavam e esperavam.
Este
jesuíta procurou adaptar os dogmas à ciência. Ele acreditava na mutação do
homem pelo progresso, o que permitiria achar uma solução para as oposições
entre a fé no mundo e a fé em Deus.
“Servindo
ao mundo, servimos ao Cristo Universal”, dizia ele, “assim como, servindo ao
Cristo, servimos ao mundo” (fusão do profano e do religioso no seio de uma
evolução homogênea, ao mesmo tempo cósmica e crística, em direção ao
ponto Cristo-Ômega).
Teilhard
estava persuadido de que, no dia em que o cristianismo aceitasse converter-se às
esperanças terrestres para divinizá-las, ficaríamos “estupefatos vendo as
torrentes de povos refluir para Jesuralém”.
Essa
conversão às esperanças terrestres se produziu na Igreja atual, mas a
“estupefação” dos católicos não é a que profetizou Teilhard... Os povos
não refluem para Jerusalém... mas muitos católicos saem da Igreja.
A
ilusão teilhardiana foi condenada, antes que aparecesse, por São Pio X na Pascendi:
“Para o modernista”, afirmava o Santo Papa, “o dogma deve estar em
harmonia com o que os mantenedores do erro chamam ‘a ciência e a história’
e que não é, na realidade, nada mais que a opinião atual de alguns cientistas
e historiadores agradáveis ao modernismo.”
C
— Karl Rahner, diz Marcel de Corte, compreendeu que a empresa de
modernização da fé católica não chegaria a termo sem a conversão
intelectual dos teólogos católicos às exigências do pensamento filosófico
moderno, em particular à antropologia transcendental, isto é, a ciência que
se adquire pela tomada de consciência do homem acerca de si mesmo fora da
experiência de qualquer realidade. Assim, Rahner, discípulo de Heidegger,
acredita que o homem tem o poder de sobrepujar-se a si próprio fazendo-se seu
próprio criador, e ao mundo exterior dando-lhe um sentido, ao qual aquele deve
submeter-se. A verdade científica ou teológica já não se define pela
conformidade da inteligência à realidade, mas, ao contrário, pela adaptação
da realidade ao dinamismo do espírito, ávido de lhe dar sentido... A palavra
de Deus, longe de nutrir o discurso teológico, não é senão a ocasião de
refletir, antes e essencialmente, acerca das condições da possibilidade de sua
acolhida. Assim, o catecismo holandês perguntará como um espírito moderno
pode aceitar o dogma do pecado original ou a conceição virginal de Maria.
Na
perspectiva de Rahner e de seus amigos, a antropologia transcendental obriga a
remodelar completamente o Evangelho, a tradição e a Igreja, para os adaptar às
exigências de suas subjetividades — é a inversão modernista que denunciamos
no começo deste artigo.
O
exame dessas perspectivas demonstra que o caso de M. Lefebvre não se reduz a
uma questão de batina ou de latim. Estamos diante de uma nova religião e de
uma fé oposta à antiga. Como profetizou Teilhard, a Igreja chega a um período
de “muda” ou de “reforma necessária”, como sucede, segundo ele, à própria
humanidade. “A reforma já não é um simples caso de instituição e de
costumes, é um caso de fé.”
IV — São Pio X Previu Todas as Conseqüências Que Decorreriam do
Espírito Modernista
Ele
o conseguiu porque, com seu olhar de águia e com a ajuda do Espírito Santo (o
Espírito Santo esclarece a inteligência), analisou admiravelmente o que é o
espírito modernista. Definiu-o como “a encruzilhada de todas as heresias, que
não deixam subsistir nada das verdades da fé.”
“O
Cristo filho de Deus”, disse ele, “é negado; a doutrina da morte expiatória
de Cristo é declarada não-evangélica, mas simplesmente ‘paulina’. O Credo
de Nicéia, muito favorável à divindade de Jesus, ‘não é a doutrina que
Jesus ensinou’. Os sacramentos já não são os sacramentos; não tem outro
fim senão lembrar ao espírito do homem a bondade do criador.” Mais adiante
(na Pascendi) Pio X resume as ditas reformas que a heresia aconselha à
Igreja. Muitas dessas reformas foram já realizadas.
—
A escolástica já não será ensinada nos seminários. Em lugar da doutrina
tomista, será ensinada a filosofia moderna. O dogma será posto em harmonia com
a “ciência e a história”.
—
O governo da Igreja será reformado em todos os seus ramos, e será posto em
harmonia com a democracia (veja-se a atual colegialidade e a ditadura das
repartições e conferências eclesiásticas).
—
As congregações, e particularmente as do Santo Ofício e do Índex, que
atrapalham a heresia, serão postas em situação de já não prejudicar (o que
já foi feito).
—
O celibato eclesiástico será abolido (projeta-se essa abolição).
Esta
enumeração é assustadora. Mas tudo a que assistimos era previsível, se se
analisasse corretamente o espírito progressista.
Ao
meditarmos os textos de São Pio X, perguntamo-nos necessariamente como se
conciliam eles com certas reflexões ou com certas declarações de Paulo VI. Se
um deles tem razão, o outro forçosamente está errado.
Como
escreveu Marcel de Corte (Itinéraires, 2a. nota sobre a
heresia conciliar), “podemos fazer um catálogo impressionante das declarações
dos dois últimos papas que contradizem frontalmente as afirmações mais nítidas
e mais reiteradas dos papas anteriores. Paulo VI não recua nem sequer diante
dos desmentidos que ele se inflige a si mesmo”.
O
Papa reinante é um mistério.
O
“Credo” de Paulo VI e a encíclica Humanae Vitae pareceriam provar
que ele tem a fé católica; mas o seu “humanismo’, sua imensa admiração
pelo homem e pela democracia deixam supor que ele tenha tendências e simpatias
progressista[4].
A
fé em Deus vivo, a fé no Cristo Rei é compatível com a fé no homem colocado
num pedestal?
Esta
questão não parece preocupar o Papa reinante. Tenho a impressão (posso estar
enganado) de que ele se instalou nessa dualidade e se acomodou como um homem
igualmente ligado à sua mulher e à “outra”, sendo sincero nas suas afeições
pluralistas.
A
dificuldade que ele resolve mais ou menos bem é a de manter certo equilíbrio
(mas por quanto tempo?) entre as duas tendências. Santo Agostinho escreveu:
“Dois amores construíram duas cidades...” Um amor misto cria uma cidade
confusa e equívoca... É a imagem que nos dá a Igreja pós-conciliar.
Os
católicos que estão preocupados com esse estado de coisas têm freqüentemente
uma idéia falsa da infalibilidade do Papa. Um erro professado por um Bispo não
se torna verdade se ele sobe ao trono de São Pedro.
A
infalibilidade não existe se a nova doutrina está em contradição com as
proposições definidas anteriormente ou com o ensino tradicional da Igreja. O
prof. Marcel de Corte (art. cit. em Itinéraires) afirma:
“Encontramo-nos aqui fora do tempo, no nível do Eterno, e nesse nível o
papel do Magistério não pode jamais ser o de criar coisas novas que diferem da
verdade imutável e que irrompem no tempo, nem o de provocar uma mudança, uma
mutação da Igreja e na Igreja, como se diz na algaravia de hoje, mas
sim o de manifestar mais plenamente para nós a única verdade inalterável.”[5]
Teríamos
muito que escrever sobre esse assunto. Sei de fonte segura que D. Guéranger,
voltando do Concílio Vaticano I, disse, chorando, a um amigo que o felicitava
por ter sido o artesão do dogma da infalibilidade papal, “que a definição não
fora suficientemente clara e que os italianos eram tão espertos, que a
utilizariam um dia para fins contrários ao seu espírito”.
Apesar
de tudo, e ainda que a frase careça de precisão, a definição do Vaticano I
sobre a infalibilidade do Papa terá constituído uma muralha contra todas as
inovações atuais do modernismo.
Para
um cristão fiel, os dogmas já definidos não podem mais voltar a ser postos em
discussão.
É
por isto que, na crise atual da Igreja, nós devemos permanecer agarrados ao
dogma e ao ensinamento tradicional do Magistério. Eles constituem uma rocha que
os progressistas procurarão, em vão, derrubar. Chegará o momento em que eles
desfalecerão contra ela.
V — Conclusão
O
progressista está sempre à procura porque
não acredita em nada.
Mas
essa pesquisa permanente destrói a verdadeira fé, sobretudo se emana de padres
e bispos.
Aí
está a armadilha. Existirá uma atitude mais desconcertante para um fiel do que
ver posto em dúvida aquilo que constituía a própria base da fé? Se a Igreja
se enganou durante quase dois mil anos, onde estará a verdade desde o último
Concílio?
Dessa
maneira, insinua-se a dúvida nas almas e acaba-se por destruir a fé. O
progressista é um assassino no sentido mais completo do termo.
Os progressistas não são homens de fé porque não
são homens de verdade. Estas palavras de São Paulo lhes dizem respeito
diretamente: “Porque eles não abriram seus corações à verdade que os salva
é que Deus lhes envia ilusões profundas que os fazem acreditar na mentira.”
O verdadeiro Amor (Deus é a Verdade) condiciona a
verdadeira fé e dá a vida (porque Deus se disse também a Vida).
O
progressismo é uma doutrina de morte. Os progressistas são liberais porque não
acreditam na verdade, e não acreditam porque não a amam.
O
Amor, a Fé, a Vida, tudo se encadeia e se mantém.
(do Courrier de Rome nº169, tradução de Maria Tereza Ferreira da
Costa e Anna Luiza Fleichman, e publicado na Revista Permanência, ano
XII, nº 124/125, 1979.)
[1]
Se você tem sentimentos revolucionários, projete esses sentimentos no
objeto que é Cristo, e ele se tornará um precursor de Fidel Castro ou de
Che Guevara. Se você tiver teorias científicas, como Teilhard de Chardin,
projete um Cristo cósmico etc.
[2]
A Salvação também é individual. Ela não é nem nunca será coletiva.
[3]
Na nova liturgia: “O vinho, fruto do trabalho do homem”.
[4]
Costumam apresentá-lo como um homem dilacerado, mas pode-se permanecer
dilacerado durante tanto tempo?
[5]
Lembremo-nos
de que Paulo VI (12/1/1966) fez a seguinte declaração: “Dado o caráter
pastoral do Concílio, evitou-se proclamar, de maneira extraordinária,
dogmas dotados da nota de infalibilidade.”