A NOVA TEOLOGIA DA MISSA

 

 Francisco Lafayette de Moraes

 

 

 

ÍNDICE

 

01 - PROPÓSITO

 

02 - A TEOLOGIA DA MISSA

 

03 - SACRIFÍCIO DA MISSA: SACRIFÍCIO DA CRUZ CONTINUADO NO ALTAR

 

04 - A EXPLICITAÇÃO DA FÉ CATÓLICA: TRENTO

 

05 - MISSA: A FÉ CATÓLICA E A FÉ PROTESTANTE

 

06 - A TEOLOGIA HERÉTICA DA MISSA DE PAULO VI

 

OBRAS CITADAS E/OU TRANSCRITAS

 

 

 

01 - PROPÓSITO

 

Este trabalho tem por PROPÓSITO mostrar que, embora o Concílio de Trento tenha definido "de maneira precisa a católica" relativamente à “TEOLOGIA da Missa e do Sacerdócio”: sacrifício verdadeiro, presença real de Jesus Cristo e sacerdócio hierárquico, esses dogmas não estão claramente afirmados na definição da Missa de Paulo VI, dada pelo "artigo 7 da «Institutio Generalis», cuja TEOLOGIA é claramente herética". De fato, o "NOVUS ORDO MISSAE" — isto é, o Novo Ordinário da Missa — "afasta-se, tanto em seu conjunto como nos detalhes, da TEOLOGIA católica da Santa Missa" e "aproxima-se de modo impressionante da herética TEOLOGIA protestante e constitui assim um perigo para a ", como afirmaram os Cardeais Ottaviani e Bacci, em documento enviado ao Papa Paulo VI.

 

 

02 - A TEOLOGIA  DA  MISSA

 

 

A Associação "Una Voce Helvetica" publicou, em março de 1982, sob a rubrica do Pe. RENÉ MARIE, um estudo, "Teologia da Missa". São excelentes essas páginas e julgo útil extrair delas alguns trechos[1].

 

A Igreja Católica "possui as verdadeiras fontes da graça sobrenatural que são os sete sacramentos. E todas essas fontes de graça correm do Calvário, onde o Cristo Redentor ofereceu seu sacrifício. O sacrifício do Calvário é assim a fonte única donde se derrama sobre o mundo toda a vida sobrenatural... . O sacrifício é o ato supremo da virtude de religião e essa virtude é a justiça que devemos a Deus. Ela consiste em reconhecer a grandeza eminente de Deus e a submissão do homem... ".

"O sacrifício é a expressão privilegiada da virtude da religião. O sacrifício, segundo a etimologia da palavra (sacrum facere), consiste em fazer o sagrado, diz-nos São Tomás de Aquino, isto é, separar para Deus".

 

"Desde a origem da humanidade vemos o homem oferecer a Deus sacrifícios e exprimir desse modo sua  religião. Abel oferece as primícias de seus rebanhos...".

 

[...]

 

Relembremos, portanto, o resumo do ensinamento sobre o Sacrifício do Calvário: "Realizou-se no Calvário, em toda a sua plenitude, o sacrifício para a glória de Deus; há a vítima, a única digna de Deus: seu próprio filho. Existe o ofertante que não são nem os soldados romanos, nem os sacerdotes judeus, mas o próprio Cristo, o qual, simultaneamente sacerdote e vítima, se oferece a seu Pai e morre por sua própria vontade, após ter derramado todo o seu sangue, na imolação livremente consentida".

 

"Esse sacrifício é único e basta para render a Deus toda honra e glória e para obter para os homens a graça... . Esse sacrifício, fonte única de todo o bem superior, Deus o quis tornar presente em todas as gerações de homens que se sucederão ao longo de todos os séculos até o fim do mundo, pela instituição da Eucaristia, segundo o testemunho do Evangelho. O profeta Malaquias, o último do Antigo Testamento, havia profetizado: ‘Eis que em todo o lugar se oferece a Deus uma oblação pura’ (Mal.1,11)".

 

"Que o sacrifício eucarístico seja a renovação do sacrifício da Cruz[2] e o modo de torná-lo presente, é a doutrina de definida pelo Concílio de Trento: A vítima é a mesma, o sacerdote ofertante é também o mesmo, difere a maneira de oferecer".

 

"A vítima, com efeito, é sempre o Cristo, sob as aparências do pão e do vinho. O sacerdote sacrificador também é Cristo, que perpetua a oferenda voluntária de seu sacrifício".

 

"Os sacerdotes do Novo Testamento não são sucessores nem substitutos de Cristo, são simplesmente seus ministros ou seus instrumentos".

 

"Convém esclarecer que a Missa e o Sacrifício da Missa não constituem uma e mesma coisa, mas o Sacrifício se realiza na Missa. É a Igreja que institui os ritos da Missa para magnificar o sacrifício do Senhor e para explicitar seu mistério e dispor, desse modo, os espíritos aos sentimentos de adoração e de devoção".

 

Como se sabe, é na dupla Consagração que se realiza o Sacrifício: "O próprio Sacrifício da Missa encontra-se realizado essencialmente na dupla Consagração. É nesse rito, prescrito pelo Senhor, que se renova sacramentalmente o Sacrifício do Calvário. É somente nesse caso que o sacerdote age ‘na pessoa de Cristo’, em seu nome e em seu lugar".

 

[...]

 

“«O sacrifício do Calvário revivido sacramentalmente» é um parágrafo da brochuraUna Voce Helvetica’ que parece ser interessante aqui reproduzir”.

 

"O Concílio de Trento nos ensina que na Missa, como no Calvário, oferece-se a mesma vítima: o próprio Cristo; e é também o mesmo sacerdote que oferece; o próprio Cristo que se oferece pela redenção dos homens. a maneira de oferecer é diferente: no Calvário a imolação é sangrenta, na Missa a imolação reproduz-se sacramentalmente, isto é, por um sinal sacramental, a Deus reservado, que produz e realiza o que ele significa. A separação das oblatas é sinal sagrado que significa a morte de Cristo na Missa".

 

"No sacrifício de animais da Antiga Aliança, a separação do corpo e do sangue da vítima significa a morte da vítima. No sacrifício da Nova Aliança, a separação das oblatas significa sacramentalmente a morte da vítima: Cristo".

 

muito certo que Cristo morreu somente uma vez, mas, na Missa, sua imolação é significada e realizada sacramentalmente. Desse modo, a Missa é a renovação, a atualização no tempo, do Sacrifício da Cruz".

 

"Assim, cada vez que assistimos ao Sacrifício da Missa, subimos, em espírito, o Calvário, onde nos sentimos ao lado da Mãe das Dores e de São João. ‘Eu estava’ dizia Santo Agostinho. Este Sacrifício, continua a brochura, é satisfatório[3], oferecendo Cristo a Deus uma satisfação superabundante; ele é propiciatório[4], pois Cristo reconciliou o mundo com Deus; ele é impetratório[5], tendo Cristo suplicado ao Pai que concedesse aos homens as graças de santificação; ele é eucarístico, porque é homenagem perfeita de adoração, de louvor e de ações de graças a Deus".

 

"Mas, por que, então, a Missa?" indaga a brochura.

 

"É certíssimo - diz a publicação - que Cristo operou a Redenção do mundo em um ato único e que Ele morreu uma vez... Por sua morte, logrou Cristo a salvação para todos os homens. É a doutrina da Igreja... . Cristo morreu, portanto, para todos. No entanto, isso não quer dizer que todos os homens sejam salvos. Ao contrário, Cristo nos disse que muitos irão ao fogo eterno".

 

"A Paixão de Cristo é causa universal de salvação e uma causa universal deve ser aplicada aos casos individuais. Ora, os méritos da Paixão de Cristo nos são aplicados precisamente pela renovação do Sacrifício da Missa".

 

"Eis um exemplo. Uma fonte é suficientemente abundante para satisfazer as necessidades de toda uma cidade; contudo, será preciso ainda captar essa fonte e transportar a água até a porta de cada habitante, senão, apesar da fonte, pode-se vir a morrer de sede... Assim, por sua Paixão, Cristo abriu a fonte de todo o bem espiritual. Todavia, isso não basta para que efetivamente participemos dessa fonte, é preciso que a aplicação de seus frutos se faça para cada um de nós. Essa é a obra do Sacrifício da Missa renovada sobre os nossos altares, (pois) a Missa é necessária para que os frutos da Paixão cheguem até nós."

 

Evidentemente as diferentes orações da Missa não foram instituídas por Nosso Senhor. Os Apóstolos envolveram a Consagração e a Comunhão em preces e leituras e a Igreja, numa lenta elaboração, constituiu o Missal ou, mais exatamente, as diferentes Igrejas fizeram esse trabalho, donde a existência de missais diferentes uns dos outros, mas sempre com a mesma vontade de bem expor o mistério eucarístico e de preservá-lo das deformações heréticas”.

 

03 - SACRIFÍCIO DA MISSA: SACRIFÍCIO DA CRUZ CONTINUADO NO ALTAR

 

Jesus Cristo[6] é, Ele mesmo, o autor da Missa naquilo que ela tem de essencial, tendo a Igreja colocado os acessórios que são as cerimônias que acompanham o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor. O sacerdote, ao oferecer o Santo Sacrifício da Missa, apenas dá continuidade ao Sacrifício da Cruz, porque ele recebeu ordem formal de Jesus Cristo na véspera de sua morte, quando nosso divino Salvador deu, durante a Ceia, seu Corpo e seu Sangue aos seus Apóstolos dizendo-lhes: "FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM[7]".

 

O rei David dá a Jesus Cristo, no salmo 109, o título de "Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque", porque nosso divino Salvador vai utilizar o pão e o vinho no sacrifício (da Missa), como outrora o havia feito Melquisedeque. O rei profeta O chama Padre eterno, porque pai Ele será sempre e porque o sacrifício que Ele instituiu continuará a existir até o fim dos tempos graças ao sacerdócio católico!

 

O profeta Malaquias, no capítulo primeiro (1, 11), diz que "depois do nascer e até o pôr do sol, será oferecido (em todo lugar) um sacrifício puro e sem mancha à majestade do Altíssimo".

 

E o profeta Jeremias, no capítulo 33, 18, diz quenunca se verá faltar os sacerdotes, nem os sacrifícios”.

 

Onde encontraremos o cumprimento de tais profecias? na Igreja Católica, e não junto aos protestantes uma vez que eles não têm nem sacerdócio, nem sacrifício.

 

A Lei de Moisés prescrevia quatro sacrifícios: o holocausto, o sacrifício eucarístico, o sacrifício impetratório e o sacrifício propiciatório.

 

As vítimas eram oferecidas em holocausto em reconhecimento ao soberano domínio de Deus sobre todas as criaturas.

 

Os sacrifícios eucarísticos eram oferecidos para agradecer a Deus quaisquer favores consideráveis (ou graças) que tivessem sido recebidos.

 

Oferecia-se um sacrifício impetratório para pedir a Deus qualquer graça importante.

 

O sacrifício propiciatório era oferecido para a expiação de qualquer pecado e de forma a tornar Deus propício.

 

Santo Agostinho (354-430), falando do Sacrifício da Missa no seu décimo sétimo Livro da Cidade de Deus, diz: "Este sacrifício foi estabelecido para tomar o lugar de todos os sacrifícios do Antigo Testamento".

 

Santo Iríneu (140-202) diz ainda: "Os Apóstolos receberam este