AO
IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
Camillo
Castello Branco
Senhora!
O vosso altar já foi sacrário
De
riquezas do céu, que o céu vos dava
Em
prol de Portugal.
Em
cada português tínheis um filho,
De
todos éreis Mãe, refúgio a todos,
Nas
angústias do mal.
Em
vosso coração imaculado
As
lágrimas da dor tinham asilo,
Ó!
Rainha dos Céus!
As
lágrimas com vosso patrocínio
Erguiam-se
da terra, qual perfume,
Ao
trono do meu Deus!
Em
transes d’aflição, nos grandes riscos,
No
afogo das pelejas duvidosas,
Vosso
nome se ouvia:
As
ramas orgulhosas, destemidas,
Afrouxavam
nas mãos dos inimigos,
Ao
nome de Maria!
Lá
nas iras do mar, quando o sepulcro,
Ao
convulso baixel a tempestade
Nos
recifes abria;
Azulavam-se
o céus, fugia a nuvem,
Voava
a viração, vinha a bonança
Ao
nome de Maria!
Quando
em leito de pálida doença
Febril
enfermo abandonado e triste,
Sem
esp’ranças jazia;
De
novo o coração lhe palpitava,
Erguia-se
robusto, as mãos erguendo
Ao
nome de Maria!
Donzela
que a chorar passara noites,
De
saudades, por quem tamanho afeto
Lhe
não agradecia;
Lá
vinha a ser feliz com quem amara,
Pois
dera o seu futuro em segurança
Ao
nome de Maria!
E
a carinhosa mãe, que o filho amado
De
seus amigos braços para a guerra
Chorando,
despedia;
Joelhava-se
depois, ante o oratório,
E
a vida de seu filho confiava
Ao
nome de Maria!
E
seu filho, mais tarde, em vivas ânsias.
À
porta do seu lar, com mão tremente,
Receoso,
batia.
Nos
braços maternais contava, ufano,
Triunfos,
que tivera sobre a morte
Ao
nome de Maria!
O
nome de Maria hoje invocamos,
Nós,
filhos desses homens d’outras eras,
Que
morreram na fé!
Senhora!
Protegei nossos trabalhos!
Sem
proteção do Céu o esforço humano
Baldado
esforço é!
No
coração dos vossos portugueses
Despertai
o temor, tão vivo um dia,
No
porvir immortal.
De
vosso resplendor a luz das crenças,
Descei
sobre este solo, escuro e pobre;
—
Salvareis Portugal!