CARLOS DE LAET — PRÍNCIPE DOS JORNALISTAS
APRESENTAÇÃO - ÍNDICE - BIBLIOGRAFIA

"Se
homem do seu século é aquele que, sob a pressão do meio, vai aceitando
todas as idéias dominantes,
só porque sejam, como lá disse o Ferri, a corrente da ciência atual,
então confiadamente o digo, eu não
sou homem do meu século".
APRESENTAÇÃO DO AUTOR
“Mestre
incomparável”
(Austregésilo de Athayde)
“Nenhum
Brasileiro de seu tempo é maior do que Carlos de Laet”
(Gilberto Amado)
Carlos de Laet chegou a ser considerado, ao lado de Rui Barbosa e Machado de Assis, parte da "tríade gloriosa da suprema perfeição lingüística" nacional. O próprio Machado, que, num episódio memorável, desatou-se em lágrimas ao nosso periodista pela morte de sua Carolina, só abria o Jornal do Brasil, nos dias que lhe antecederam a morte, para lê-lo. Quer mais? Laet, o inigualável Laet, recebeu de dois Papas consecutivos, Leão XIII e São Pio X, por sua defesa da Fé verdadeira, honrosas distinções e o título Conde Papalino. Como, então, pôde este verdadeiro Veuillot brasileiro tornar-se em tão pouco tempo tão largamente desconhecido tanto pelos literatos como pelos próprios católicos?
A resposta para isto talvez se encontre no relativo ineditismo do autor aliado à indiferença de um ambiente cultural cada vez mais progressista e esquerdizante: Laet, apesar de sua obra jornalística ser vastíssima, estendendo-se por dezenas de anos em jornais diversos, publicou muito pouco em vida. Com efeito, a primeira antologia significativa de seus escritos veio a aparecer somente em 1983 — 56 anos após sua morte!
E que falta hoje nos faz Laet! Como não saberia ele, em seu incansável labor de jornalista, fazer-nos rir do sottisier contemporâneo? Sim, pois poucos aqui o superam: no humor fino e sempre surpreendente. Laet era impagável. Certa feita, após uma preleção sobre Criacionismo, contestou-lhe um jovem ouvinte com um curioso argumento de autoridade, o único que conseguira encontrar: "Mas... meus pais afirmam que viemos dos macacos..." Laet respondeu-lhe incontinênti: "não quero entrar em particularidades da sua família". Polemista ferrenho, não se escusava de uma boa briga, chegando, às vezes, a verdadeiras audácias, como quando resolveu polemizar com Camilo Castelo Branco sobre supostos erros de português na obra do grande escritor luso...
Foi um engenheiro-escritor, como seriam Euclides, Joaquim Cardoso ou Gustavo Corção. Com relação a este último, Antônio Carlos Villaça vê nele "numerosas afinidades", quais sejam "a preocupação com a ortodoxia católica, o estilo eminentemente literário, direto e contundente, a vocação de polemista".
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Segundo Pe. Francisco Leme Lopes, as letras brasileiras continuarão "em estado de pecado mortal enquanto não se publicarem as obras completas de Carlos Maximilano Pimenta de Laet". Façamos, pois, ato de contrição, e, como penitência — que agradável penitência! — leiamos e aprendamos a admirar a obra deste grandíssimo escritor pátrio.
Apresentamos abaixo algumas obras de Laet, seguida de uma bibliografia. Pretendemos futuramente publicar novos textos do autor e estudos sobre sua obra. Os textos abaixo foram tirados do Arquivo Leopoldo Aires, custodiado pela Fundação Casa de Rui Barbosa, e da antologia laetiana publicada por esta Casa. A ela, nosso agradecimento.
ÍNDICE DOS ARTIGOS PUBLICADOS AQUI
1. DIÁLOGO TRAVADO ENTRE UMA FREIRA E UM LIVRE-PENSADOR
3. FUTURISMO
5. O SR. MÚCIO E A MESA FALANTE
7. INDIFERENTISMO RELIGIOSO (conferência)
BIBLIOGRAFIA DO AUTOR:
Poesias (1873); Em Minas (1894);
Antologia nacional, em colaboração com Fausto Barreto (1895);
A descoberta do Brasil (1900);
Heresia protestante, polêmica com o pastor Álvaro Reis (1907);
conferência sobre a imprensa, publicada na Década republicana, vol. II;
obra jornalística avulsa publicada na Revista da Cultura.
Obras seletas: I - Crônicas; II - Polêmicas; III - Discursos e conferências.
Prefácio de Homero Senna. Edição da Fundação Casa de Rui Barbosa (1983).