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Category: MeditaçõesConteúdo sindicalizado

O bispo e o prefeito

Setembro 14, 2020 escrito por admin

Hugues Keraly

 

Em 370, a perseguição ariana continua a seviciar em grande escala todos os estados do Império, e os santos continuam a resistir a ela tão soberbamente, que emudecem alguns de seus carrascos. Prova disso é o diálogo referido por Gregório de Nazianzo entre São Basílio, jovem bispo de Cesaréia (uma sucessão difícil) e Modesto, Prefeito Imperial do Oriente. A matéria, em seu perfeito arranjo dramático, dispensa qualquer comentário.

 

O Prefeito — Como, tu não temes o meu poder?

O Bispo — Que poderia ocorrer-me? Que poderia sofrer?

O Prefeito — Um só dos inumeráveis tormentos que estão em meu poder.

O Bispo — Quais são eles? Deixa-me conhece-los.

O Prefeito — A confiscação, o exílio, as torturas, a morte.

O Bispo — Se tens outras espécies de tormentos, podes ameaçar-me com elas, pois nada existe aí que me atinja.

O Prefeito — Como? Que queres dizer?

O Bispo — É que, na verdade, o confisco não tem valor para um homem que nada possui, a não ser que te refiras àqueles horríveis andrajos que ali estão e a alguns livros: é tudo o que tenho. Quanto ao exílio, desconheço-o, uma vez que não estou preso a lugar algum: aquele em que moro não é meu e eu me considerarei em casa em qualquer lugar para o qual me designem; aliás tenho que toda a terra pertence a Deus e sinto-me estrangeiro em qualquer parte que esteja. Referente aos suplícios, onde os aplicarias? Não tenho corpo capaz de suporta-los, a menos que chames suplício o primeiro golpe que me darás: é a única coisa em que és o soberano. Quanto à morte, ela me será benfeitora, conduzir-me-á mais cedo para Deus para quem vivo, por quem ajo, para quem já estou quase morto e por quem de há muito suspiro.

O Prefeito — Ninguém até hoje me falou desse modo e com tanta audácia.

O Bispo — É que talvez jamais tenhas tratado com um bispo; ele usaria da mesma linguagem, se tivesse que defender a mesma causa. Na maioria das vezes, somos afáveis, prefeito, e mais humildes que ninguém, pois a lei o exige; e não somente com autoridade tão alta, mas até mesmo com uma pessoa qualquer evitamos o menoscabo. Mas, quando Deus é questionado e quando dele se trata, desconsideramos todas as coisas; não vemos senão a Ele. O fogo, o cutelo, as feras, as garras que dilaceram as carnes antes são para nós delícias que terror. Depois disso, injúria, ameaça, faz tudo o que queiras, utiliza-te de teu poder. Que se notifique ao imperador que tu não conseguirás que nos dobremos à impiedade nem pela violência, nem pela persuasão. (1)

 

(1) Segundo a Histoire de l’Eglise, de Fliche et Martin, tomo 3, página 260.

 

 

 

“Presence d’Arius” — D.M.M. — pág. 108 — Tradução de Afonso dos Santos

Revista Permanência N° 162-163 Maio-Junho de 1982.

O Preciosíssimo Sangue e a nossa Redenção

Julho 31, 2020 escrito por admin

Não foi a necessidade que levou Deus a redimir o mundo com seu Preciosíssimo Sangue. Ele poderia tê-lo feito de milhares de outras maneiras. Seu poder não tem limites, e sua sabedoria é inesgotável. Poderia ter reconciliado o perdão do pecado com a pureza sem manchas da sua santidade, ou por uma série de invenções das quais nem nós nem os anjos podemos fazer idéia.

Deus é incompreensível e há nele abismos que sequer sabemos que existem. Seu poder absoluto permitiria que nos salvasse sem Jesus. Qualquer meio que usasse para nos redimir seria muito caro para nós; contudo, que outro meio de salvação haveria de ser tão digno da grandeza de Deus e do seu amor pelos homens quanto a nossa redenção por Jesus Cristo?

Ainda assim, Nosso Senhor poderia ter dispensado o derramamento de seu Sangue. Não havia necessidade de derramá-lo. Uma única lágrima, um suspiro momentâneo, um olhar levantado em direção ao trono de seu pai, bastaria, se as três Pessoas divinas o desejassem.

O derramamento do Preciosíssimo Sangue faz parte da liberdade do seu amor. Era, de uma maneira misteriosa e real, o modo de redenção mais digno de sua adorável Majestade, e o mais apto a despertar o afeto dos homens.

Quantas vezes Deus tomou como medida de suas próprias ações aquilo que mais convinha ao nosso coração! Quantas vezes não se sacrificou para seguir nossas inclinações?

 

(Fonte: F-W. Faber, O sangue precioso ou o preço de nossa salvação - FSSPX.News - 07/07/2020)

Maria e o Preciosíssimo Sangue

Julho 19, 2020 escrito por admin

Quem pode duvidar da doce autoridade que o Preciosíssimo Sangue exerce sobre o Imaculado Coração de Maria? Ela é a rainha do céu e da terra; seu império se estende para longe, por todos os lados, de modo que não é fácil distinguir seus limites daqueles do Sangue de Jesus, tão estreita e pacífica é a união dos dois reinos.

Maria guarda todo o poder sobre o Preciosíssimo Sangue. Ele obedece a sua vontade, e ela o comanda em virtude de seus direitos de mãe. No entanto, ela também está sujeita a ele e encontra sua felicidade nessa submissão.

É do seu coração que esse Sangue saiu; mas é a esse Sangue que ela deve sua Concepção Imaculada. O encargo de sua maternidade divina era de fornecer esse Sangue, mas é esse Sangue que, desde toda a eternidade, lhe rendeu a honra da maternidade divina. É o Preciosíssimo Sangue que a fez sofrer; mas foi esse Sangue que transformou seus sofrimentos em honras e coroas.

Ela deve tudo o que tem ao Preciosíssimo Sangue, e o Preciosíssimo Sangue deve a ela a sua própria existência. No entanto, o rio é maior que a fonte da qual decorre. O Sangue de Jesus é maior que Maria, e a ultrapassa em toda a extensão do infinito, porque sua corrente se uniu sem se misturar com as águas da Divindade.

Maria senta-se em seu trono para exaltar o Preciosíssimo Sangue. Seu poder é usado para propagar seu império. Suas orações dispensam as graças que Ele mereceu, e sua santidade, que encanta os céus, é um monumento e um troféu erguidos para a glória deste Sangue vitorioso.

 

Pe. F-W. Faber

O Preciosíssimo Sangue de Jesus

Julho 12, 2020 escrito por admin

Pe. F-W. Faber
 
O juízo que devemos ter da criação deve ser semelhante ao de Deus. Devemos contemplá-la, juntamente com as inúmeras almas que ela encerra, pela lente luminosa do Preciosíssimo Sangue; e em toda parte, e sempre, essa grande cena espiritual que a criação nos oferece deve aparecer para nós com o resplendor e as cores do preço glorioso da nossa redenção.
 
Essa é a forma com que o amor de nosso Pai Celeste se manifesta a suas criaturas. É um convite para cada um de nós vir adorar o Preciosíssimo Sangue e desfrutar da liberdade que ele nos oferece.
 
É por meio desse Sangue que Deus nos comunica suas perfeições; é nesse Sangue, como em um rico tesouro, que Ele depositou todas as bênçãos espirituais e temporais que nos são destinadas.
 
Se, apesar de nossos pecados, os elementos da natureza servem a todas as nossas necessidades; se, no mundo ao redor, nossos olhares só encontram beleza e grandeza; se nossas tristezas e dores encontram tantas razões de consolo; se no decorrer da vida a Providência vela por nós com tanta bondade e paciência; se nossos corações sentem tão pouco o peso e a amargura dos numerosos males ​​da nossa condição — tudo isso é graças ao Sangue Preciosíssimo; é por meio desse Sangue que Deus devolveu à criação as vantagens das quais o pecado a destituíra; é desse Sangue que vêm todas as graças, tanto aquelas com que Maria foi cumulada, como as que os anjos desfrutam, e as que são concedidas aos homens.
 
É esse Sangue que merece para todos os homens os favores que todos recebem. Sem esse Sangue, os maus seriam ainda piores, e os infelizes sofreriam com mais amargura o peso dos seus infortúnios. As chamas do inferno seriam mil vezes mais ardentes, se o derramamento desse Sangue não diminuísse a sua intensidade.
 
Não, não há nenhum lugar na criação de Deus que não sinta de algum modo a influência doce e benfazeja do Preciosíssimo Sangue. É com justiça, portanto, que o Pai Celeste chama suas criaturas para essa fonte maravilhosa e as convida a adorar sua sabedoria e seu amor.
 
Quem poderia ter pensado numa tal invenção? Quanto mais a mente penetra nesse mistério, mais encontra nele motivo para espanto.
 
[Pe. F-W. Faber, Le Précieux Sang ou le prix de notre salut. Tradução: Permanência]
 

 

O sacerdócio

Fevereiro 15, 2020 escrito por admin

"Porque se alguém procurasse considerar o que é um homem ainda envolto na carne e no sangue, ter o poder de se aproximar daquela feliz e imortal natureza, veria então quão grande é a honra que a graça do Espírito Santo concedeu aos sacerdotes. Pois por meio desses se exercem essas coisas e outras também nada inferiores,  que dizem respeito à nossa dignidade e a nossa salvação.

A eles que habitam nessa terra e fazem nela sua morada, foi dado o encargo de administrar as coisas celestiais e receberam um poder que Deus não concedeu nem mesmo aos anjos e arcanjos, pois não foram a esses que foi dito: "Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no Céu e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no Céu" (Mt18,18). Os que dominam nesse mundo possuem também o poder de atar, porém somente os corpos; mas a atadura de que falamos, diz respeito à própria alma e penetra os Céus; e as coisas que aqui na terra, o fazem os sacerdotes, Deus as ratifica lá nos Céus confirmando a sentença de seus servos.

Afinal o que mais lhes foi dado, senão todo o poder celestial? "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo. 20,23). Que poder maior do que esse alguém poderia receber? O Pai entregou ao Filho todo o poder, porém vejo que todo esse poder o Filho colocou nas mãos dos sacerdotes. É como se já tivessem sido trasladados aos Céus e erguendo-se sobre a natureza humana, livres de nossas paixões, tivessem sido elevados a tão grande poder.

Imagine se um rei proporcionasse tal honra a um de seus súditos, o qual  por sua vontade encarcerasse, ou pelo contrário, livrasse das prisões a quem bem entendesse, será que esse não seria visto como um fortunado e respeitado por todos? E aquele que recebeu de Deus um poder infinitamente maior, mais precioso ao Céu do que à terra, mais precioso à alma do que ao corpo, será que para alguns tal honra possa parecer algo tão insignificante que não mereça consideração ou que se possa depreciar o benefício? Longe de nós tal loucura!

De fato, seria sem dúvida uma grande loucura depreciar uma dignidade tão grande, sem a qual não podemos obter nem a salvação, nem os bens que nos foram propostos, porque ninguém pode entrar no Reino dos Céus se não for regenerado pela água e pelo espírito (Jo. 3,5).  E aquele que não come a carne do Senhor e não bebe seu sangue, está excluído da vida eterna. Nenhuma dessas coisas se faz pelas mãos de qualquer outro,senão por aquelas santas mãos do sacerdote. Como poderá pois alguém, sem o auxílio desses, escapar do fogo do Inferno ou chegar à conquista das coroas que lhes estão reservadas?

Esses pois são a quem foram confiados os partos espirituais e encomendados os filhos que nascem pelo Batismo. Através desses, nos revestimos de Cristo e nos unimos ao Filho de Deus tornando-nos membros daquela bem-aventurada Cabeça, de forma que para nós, com justiça eles devem ser  respeitados não apenas mais do que os poderosos e reis, mas até mesmo mais do que nossos próprios pais, porque esses nos geraram pelo sangue e pela vontade da carne, enquanto os sacerdotes são os autores do nosso nascimento para Deus, para aquela ditosa geração da verdadeira liberdade e da adoção de filhos segundo a graça."

Exortação do Pe. Pio para as almas consagradas

Janeiro 25, 2020 escrito por admin

Padre Pio de Pietralcina (Itália) que possuía as Santas Chagas de Jesus, disse em visão a um irmão (Padre): Escutai, almas consagradas!

"Que irá acontecer ao mundo? No meio da nossa alegria no Céu, estremecemos, com angústia, porque todos temos os nossos na terra. Apressa-te! Não temas as reflexões que façam! Escreve, fala, remexe os corações que se querem atolar no lodo. Mais que todos, são os nossos irmãos consagrados que embebem de amargura a Cristo, "Pão da vida", porque começam a corromper-se. A hora é grave, muito grave e eles serão os primeiros a serem arrebatados pela tempestade, porque é por eles, por seu intermédio, que vêm tantos males ao mundo.

Lembrai-vos disto; gravai-o profundamente em vossos corações. O mais belo e precioso ornamento do padre é a pureza virginal. A pureza penetra até o mais alto do céu, faz ver e compreender coisas sublimes; ela é um reflexo da claridade de Deus; dá o gosto e o sabor de tudo o que é santo; tem uma intuição particular das coisas espirituais e gera o heroísmo da virtude e do martírio; ela nos dá ardor e entusiasmo para a salvação das almas.

Que fareis vós, queridos irmãos, para vos conservardes castos e puros no meio de tantos perigos, no meio dum mundo sedutor e pérfido? Mortificai os sentidos, mortificai os olhos e principalmente os ouvidos, evitando familiaridades ociosas, que são a sepultura da pureza. Oh! A pureza virginal! Até os anjos a invejam! Ela dá a todo o ser brilho particular. A pureza vem do Céu; é preciso pedi-la sem cessar ao Senhor e ter o cuidado de não a ofuscar; é preciso fechar as portas à sensualidade da terra, como se barreiam as portas e janelas para impedir a entrada de alguém.

Inflamai-vos de amor por Deus o pensamento contínuo da sua onipotência, para que vivais neste mundo a vida do Céu. Que os fiéis se lembrem disto: faça-se nas paróquias ao menos em particular, uma hora santa, toda as quintas-feiras, pela santificação dos sacerdotes".

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