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Dom Carlo Maria Vigano fala sobre Dom Lefebvre

Setembro 27, 2022 escrito por admin

[Apresentamos a seguir trecho de entrevista de Dom Carlo Maria Vigano em que fala da sua descoberta da crise da Igreja e do papel de Dom Marcel Lefebvre]

 

Pergunta: Excelência, o Vaticano II aconteceu há mais de 60 anos, a destruição da liturgia, há 50 anos, Assis há quase 50 anos; após 60 anos de desastres religiosos e políticos em que tudo foi destruído, em que fiéis católicos são desprezados, até mesmo condenados injustamente, o Sr. está, aos 80 anos, tornando-se fortemente anticonciliar. Por que o Sr. só agiu agora?

Resposta: Eu já tive a oportunidade de dar testemunho, em minhas intervenções anteriores, de como ocorreu meu despertar gradual para a crise da Igreja Católica e as causas profundas da presente apostasia. Como eu havia relatado, meu envolvimento no serviço diplomático da Santa Sé, minhas obrigações – como eu disse – para com o serviço da Santa Sé (primeiro como um jovem secretário nas Representações Pontifícias no Iraque e no Kuwait, depois em Londres; na Secretaria de Estado; depois como chefe de missão em Estrasburgo no Concílio Europeu; depois como núncio apostólico na Nigéria; e novamente na Secretaria de Estado como delegado para representações pontifícias e, finalmente, como núncio apostólico para os EUA), que tentei desempenhar com dedicação, devotando todo meu tempo e forças a ele, absorviam-me por completo, tornando praticamente impossível refletir com calma sobre os eventos que estavam tomando lugar na Igreja.

Porém, isso não me impediu de nutrir perplexidades fortes interiores e até mesmo críticas das “novidades” introduzidas após o Concílio. Estou falando, particularmente, dos sérios abusos litúrgicos, da crise na vida religiosa, do panteão de Assis, dos deploráveis pedidos de desculpas pelas Cruzadas, por exemplo, durante o Jubileu do ano 2000. Também estou me referindo ao que eu pensava como jovem estudante na Universidade Gregoriana em Roma. Eu percebia que tudo isso advinha dos novos princípios estabelecidos pelo Concílio.

Mas foi apenas muito mais tarde, em face dos graves escândalos do então Cardeal McCarrick e sua rede homossexual, e dos escândalos ainda mais graves de Bergoglio, que o link intrínseco entre a corrupção moral e a doutrinal tornou-se mais claro para mim, assim como as causas profundas da crise que está afligindo a Igreja por décadas, gerada pela revolução conciliar.

E não pude permanecer em silêncio.

A catástrofe era previsível desde o princípio. Mas, como eu já expliquei, nós havíamos sido treinados – em nossa formação para o ministério sacerdotal e ainda mais para o serviço diplomático – a considerar impensável que o papa e toda a hierarquia católica pudessem abusar de sua autoridade, exercendo-a para um propósito contrário ao que Nosso Senhor quer para sua Igreja. Fomos treinados a não questionar a autoridade dos superiores. E isso foi explorado por aqueles que, justamente explorando nossa obediência e nosso amor pela Igreja de Cristo, gradualmente, passo a passo, levaram-nos a aceitar novas doutrinas, estranhas àquelas que a Santa Igreja sempre ensinou, especialmente aquelas relativas ao ecumenismo e à liberdade religiosa.

Além disso, assim como na Igreja, a deep church se espalhou, passo a passo, em direção à dissolução do corpo eclesial, também na esfera civil o deep state desenvolveu-se no que eu diria que é um modo similar, através de uma infiltração gradual em direção às formas de tirania da Nova Ordem Mundial, do Fórum Econômco Mundial e a Agenda 2030.

Nesse caso, também, pode-se perguntar: por que os cidadãos não se rebelaram contra a subversão do Estado por pessoas revolucionárias que tomaram o poder para destruir as instituições que elas deveriam direcionar ao bem comum?

Muitos responderiam: nós não imaginávamos seus desígnios perversos, seu plano de nos tornar escravos de um sistema iníquo. Não imaginávamos que, quando eles falavam de democracia ou soberania popular, o que eles realmente queriam era nos tornar cada vez mais sujeitos a um poder totalitário radicalmente anticristão.

Considero que o fato de não se ter compreendido antes a natureza do processo revolucionário seria escusável; por outro lado, não compreender hoje é uma irresponsabilidade e faria de nós cúmplices de um golpe de Estado nas coisas temporais e de apostasia na esfera eclesial.

Portanto, agradeçamos àqueles que, muito antes de nós, com suas vozes proféticas, soaram o alarme para as ameaças na sociedade civil e na Igreja Católica.

 

Pergunta: Obrigado, Monsenhor. Tenho uma segunda pergunta: o que o sr. pensa de Dom Marcel Lefebvre e sua luta, particularmente de seu ato mais controverso, as sagrações episcopais de 1988?

Resposta: Só consigo olhar para Dom Marcel Lefebvre com admiração e muita gratidão por sua fidelidade e coragem. Uma coragem e uma fidelidade que foram infalíveis diante de tanta adversidade, hostilidade, até mesmo de falta total de compaixão da parte de uma hierarquia que se rendeu às ideias da modernidade e infiltrada pelos apoiadores maçônicos de um projeto de destruição capilarizado, sem precedentes, cujo alcance devastador podemos ver hoje em suas consequências extremas.

Dom Marcel Lefebvre deve ser visto como um santo homem, não um cismático! Como um fervoroso missionário e confessor da fé, um zeloso defensor da Tradição, do Sacerdócio e da Missa Católica. Ele se expôs ao risco de sofrer sanções severas, até mesmo a excomunhão, porque ele percebeu que era mais correto obedecer a Deus que aos homens, guardar e transmitir a Tradição que abraçar as ideias modernistas.

Sua vida é marcada por piedade, um espírito de sacrifício, um senso de dever, uma pureza de consciência e uma grande consistência interior. Sua vida foi dada a Deus e à Igreja, devotada ao serviço das almas, à evangelização, ao ensino e à pregação de doutrina sólida, à celebração do Santo Sacrifício e à formação de jovens chamados ao sacerdócio.

Uma vida que é testemunha da solidez da fé que nos foi dada pelos apóstolos, pelos pontífices, pelos concílios e pelos santos doutores da Fé, e pela qual os mártires derraram seu sangue.

Alguns consideram que as sagrações de 1988 “foram longe demais”. Outros enxergam uma necessidade vital para salvaguardar a Missa de todos os tempos.

Dom Lefebvre percebeu a urgência dos tempos em que vivemos e o drama de uma situação que piorou e tomou novos tons de gravidade em anos recentes, tornando mais evidente o estado de exceção em que nos encontramos.

Alguns consideram desobediência; nós consideramos fidelidade!

Dom Lefebvre continuou a ensinar e a fazer o que a Santa Igreja sempre fez e ensinou. Ele se opôs ao liberalismo, à destruição da Missa e de todo o edifício litúrgico da Igreja, à ruína do sacerdócio, da vida religiosa e da moral cristã. Repito: alguns consideram desobediência; nós consideramos fidelidade!

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