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J

JOVENS
"Uma dessas aberrações é a frenética promoção d´O JOVEM. À primeira vista parece simpática, otimista e esperançosa essa exaltação da juventude; melhor reflexão, todavia, revela sua falsidade, e então o que parecia auroreal e otimista torna-se lúgubre e até obsceno. Tomemos por exemplo a frase "eu tenho confiança no jovem" de que muitos Padres e Bispos não conseguiram escapar. Essa frase parece uma proposição inofensiva, um sorriso, uma amabilidade, uma generosidade; na verdade, porém, é uma frase destituída de sentido e carregada das mais dissolventes conotações. De início a proposição é tola porque o jovem, por definição, é algo que ainda não disse ao que veio e, portanto, é alguém de que só posso dizer que tenho esperanças ou inquietações, conforme os sinais que nele observo. Mas dizer que tenho arrematada confiança em quem ainda não deu provas, é dizer um nonsense. A rigor, dos jovens e aos jovens, só podemos dizer com propriedade e sinceridade que cresçam e apareçam.
 
"Com verdadeiro amor só posso dizer aos moços que não tenham tanta jactância de suas imaturidades e que cuidem diligentemente de aprender duas coisas. Primeira -- agradecer a Deus e aos homens o que encontraram feito: água nas bicas e no mar, frutos nas árvores e no prato. O primeiro sinal que me predisporá a ter confiança num moço será essa disposição de agradecer. O segundo será a visível disposição de continuar e prolongar o que encontrou.
 
"Ora, a adulação, com que os padres progressistas cercam os moços, só pode produzir o resultado oposto a essas duas virtudes: sim, só pode produzir fatuidade e soberba."
(O 4o. mandamento, Permanência, no. 59, set. de 1973)
 
"O moço recém-acordado da infância é o menos infantil dos homens e, se não tem a capacidade de uma infância mais alta, a da contemplação que vence o tempo, não pode voltar às figuras do passado nem procurar as estrelas do futuro. Então, só lhe resta o presente, proximidade morna dos outros presentes aprisionados. Sim, só lhes resta esse calor dos gestos sem razão: poderá divertir-se até queimar a carne, poderá sangrar-se até incendiar o mundo. Torno a dizer: prisioneiros do presente. Eis a estranha segregação em que se gloriam os jovens; e ainda mais esquisita e repugnante é a admiração com que os mais idosos assistem ao suplício das almas jovens aprisionadas, no exíguo camarote de um navio-fantasma que não veio de lugar nenhum, e não procura nenhum porto seguro".
(Não sabem o que Querem, O GLOBO)

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