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Artes (61)

Centenário de Mozart

A 27 de janeiro de 1756 — faz hoje duzentos anos — nascia em Salzburgo, de uma pequena e modesta família, o menino que teria na certidão de batismo o nome de Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart. Nasceu numa casa onde se vivia da música. Aos três anos de idade, como se houvesse diligência de bem aproveitar os poucos que a sorte lhe reservava, manifesta os primeiros sinais de vivo interesse pelas lições de cravo de sua irmã.

Wolfgang Amadeus Mozart

Autores há que num pequeno fragmento de obra, página incompleta ou melodia esboçada, são logo reconhecidos e até saboreados, como se a alma deles estivesse toda a palpitar naquela simples amostra.

 

A semana do gari

Se o leitor imaginava que o assunto de hoje seria a Carta Apostólica de Paulo VI, enganou-se redondamente. Eu também me enganava, e acabaria escrevendo alguma coisa de meu catálogo de aflições de acaso a vista cansada não fora atraída para o canto da página 3 do mesmo “O Globo” onde começara a ler o documento pontifício. Lá estava, num anúncio discreto e encantador, uma carrocinha de lixeiro cheia de flores, e em cima estes dizeres líricos e proféticos: “...

As comunicações do presidente Eisenhower

“As comunicações diretas de Eisenhower com a Casa Branca serão feitos em Brasília, através do próprio avião presidencial, poderosamente equipado para isto: funcionários e técnicos em comunicações do governo norte-americano estiveram este fim de semana em Brasília, tratando do assunto; a nova capital passará por um trabalho de limpeza geral para receber o ilustre visitante; os americanos levarão teletipos para Brasília, os quais poderão ser utilizados pelos jornalistas brasileiros...”.

Ainda as comunicações com Brasília

Tentei ontem resumir uma explicação para o leigo, mostrando que há dois serviços em andamento para o mesmo fim: comunicações telefônicas entre Brasília, Rio e São Paulo. O primeiro é constituído por uma instalação de rádio de ondas curtas, como usam os amadores que conseguem falar com a Austrália, se as condições atmosféricas são favoráveis. Se não são, o amador fecha a estação e vai ao cinema.

Alguém mentiu

Trata-se das comunicações telefônicas de Brasília. Antes de mais nada é preciso frisar que há dois serviços em andamento com o mesmo objetivo. O primeiro é formado por estações de Rádio de ondas curtas, com modulação chamada de single-side-band permitindo doze canais. Esse sistema tem a conhecida precariedade, que consiste na instabilidade do nível e na dependência das condições atmosféricas.

G.K.Chesterton

Graças à vigilância de Antônio Olinto, na sua “Porta de Livraria” de O Globo, chego ainda a tempo para saudar o centenário de G. K. Chesterton, o incomparável escritor inglês que mais indelevelmente me marcou a alma nos dias em que andei perdido pelo mundo a procurar uma luz, luz de João e Maria, luz de Casa, luz de acolhimento entre as trevas de meu triste exílio. Devo a Chesterton as primeiras alegrias católicas.

Reminiscências astronômicas

 

Foi no terceiro ano da Escola que voltei à astronomia. Em 1918? Creio que sim. Mas não era à poética astronomia dos anéis de Saturno ou da nebulosa espiral de Andrômeda que eu voltava, e sim à geometria e abstrata, que toma as estrelas como pontos de referência para determinar as coordenadas geográficas. O símbolo se impõe: quando queremos saber com firmeza onde pisamos, devemos erguer os olhos para o céu.
 

O viúvo viu a ave

 

Fiquei então convencido, nesse tempo, de que o mundo estava torto, intencionalmente torto, por malícia humana, para benefício exclusivo da detestada classe burguesa. Não havia tragédia nem mistério de iniqüidade, o que havia era trapaça. Um jeito que se lhe desse e o mundo endireitaria. O erro, sem dúvida alguma, continuaria a existir, mas com aquele caráter que tem na técnica: erro de detalhe, pequeno, estimulante, de cujo desgaste a evolução se encarregaria.
  

O malogro de um jovem químico

Ia eu contar-lhes o resto da história da Astronomia, quando alguém trouxe à baila a estranha resistência vital ou os sete fôlegos dos gatos, e, desviado por essa consideração, fui parar na rua do Matoso, 107, em 1915 ou 1916. Trocara as estrelas pelos átomos, e a minha paixão, uma paixão espanhola, debruçou-se sobre a química.

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