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Espiritualidade (148)

Prática em dia do Arcanjo S. Miguel

Angeli eorum in Caelis semper vidents faciem Patris mei (Matth. 18)
 
I
 
Se aos Anjos festejam neste dia os homens, não sei eu melhor modo de os festejar do que aspirando os homens a ser Anjos. Não pareça temerária a pretensão; por quanto o que não pode a natureza, pode a graça. E para que os fundamentos desta verdade se entendam, ouçam a seguinte história, que se bem no modo de referir-se parecerá nova, na substância é a mais antiga que há no mundo.

As santas, mães dos santos

Pequena introdução da matéria
Gostaríamos, contemplando as santas, mães dos santos, tecer uma coroa à maternidade divina da Virgem Maria.
 
Quando Deus resolveu unir nossa natureza humana à pessoa de seu Filho único, entre todas as filhas de Adão, destinou, escolheu uma mãe, foi Maria. Assim a predestinação de Maria está inseparavelmente unida à predestinação de Jesus. Ao lado do homem Deus, está a mulher eleita, bendita entre todas; essa mulher é sua Mãe.

A sabedoria do oratório - trechos selecionados do Pe. Manuel Bernardes

HIPOCRISIA
 
É hipócrita o mercador que dê esmolas em público e leva usuras em oculto; é hipócrita a viúva que sai mui sisuda no gesto e no hábito, e dentro em casa vive como ela quer e Deus não quer; é hipócrita o sacerdote que, sendo pontual e miúdo nos ritos e cerimônias, é devasso nos costumes; é hipócrita o julgador que onde falta a esperança do interesse é rígido observador do direito; é hipócrita o prelado que diz que faz o seu ofício por zelo da honra e glória de Deus, não sendo senão pela honra e glória própria. Hipócrita é o que não emenda em si o que repreende nos outros; o que cala como humilde, não calando senão como ignorante;o que dá como liberal, não dando senão como avarento solicitador das suas pretensões; o que jejua como abstinente, não se abstendo senão como miserável.

Amor divino

Do Seráfico Padre S. Francisco.
 
Perguntado uma vez como podia tolerar os rigores do inverno com tão rota e pobre túnica, respondeu: Se a chama da celeste pátria nos forrara por dentro, facilmente suportaríamos maiores frios
 

Prática da Imaculada Conceição da Virgem Maria Senhora Nossa

 Quaeretur peccatum illius, et non invenietur. (Sl 9, 10)
 
Há umas coisas que se buscam para se acharem, e há também outras, que para se não acharem é que se buscam. A mulher do Evangelho buscava a jóia, e o pastor buscava a ovelha, para achar um a ovelha e outro a jóia. Pelo contrário, aqueles exploradores, que foram em busca de Elias, quando desapareceu da terra, buscavam-no para o não acharem. Foi o caso: sendo arrebatado Elias em um carro de fogo, disseram alguns zelosos que queriam buscá-lo, porque poderia estar aí lançado em algum monte ou vale. Sabia Eliseu muito bem que Deus o tinha transportado para si, e disse-lhes: não há para que o buscar. Eles, pelo contrário, instaram tanto, até que lhes disse: buscai embora: Coegeruntque eum, donec acquiesceret, et diceret: Mittite (4 Rg 2). Partiram cinqüenta homens expeditos, cada um por diferente parte a procurar Elias — três dias andaram por cerros e campos e vales, sem descobrir rastro do que buscavam, até que, cansados, tornaram a Eliseu, o qual lhes disse com grande descanso: Não vos disse eu, que o não buscásseis? Numquid non dixi vobis: Nolite mittere? Pois se Eliseu estava certo que o não haviam de achar, porque ali havia especial mistério e obra de Deus, para que deixou estes pobres homens irem cansar-se debalde? Oh, que obrou como prudente! Se o não buscaram, a qualquer tempo haviam de dizer: Se nós o tivéssemos buscado, pode ser que o tivéssemos achado. Ah, sim. Pois buscai-o, embora: Mittite. Porque se não achareis a Elias, ao menos achareis o desengano. Porque há coisas que se buscam para o mesmo efeito de se não acharem.

A inexcedível formosura de Maria, Senhora Nossa

Escreve o Padre Euzébio de Nieremberg, referindo-se a outros autores, o seguinte caso admirável. Um clérigo, devotíssimo de Nossa Senhora, considerando quanta seria a formosura daquela soberana Virgem, que excede incomparavelmente a todas as formosuras que Deus criou no Céu e na terra, se ascendeu em fervorosos desejos de a ver. E como os que nascem do amor santo e sincero tem seus atrevimentos e confianças pias, fez instante e continuada petição à mesma Senhora que o deixasse ver sua formosura, para mais a venerar e estimar. Foi-lhe revelado por um anjo, que não se podia ver tão grande Majestade sem que perdesse a vista, por quanto não era decente que olhos que viram a Senhora se empregassem em outros objetos da terra. O clérigo respondeu, como animoso e namorado, que não importava que ficasse cego, contanto que lograsse tal excessiva dita. Mas, advertindo depois que, perdendo a vista, ficava reduzido a pedir esmola de porta em porta para sustento da vida, lhe pareceu que seria conveniente abrir um só dos olhos, para lograr o favor e reservar outro para a sua necessidade. Assim se fez quando a Senhora se dignou aparecer-lhe: e vendo, ainda que só por um relâmpago, tanta graça e tão aprazível beleza; quis mui depressa abrir ambos os olhos, para melhor lográ-la. E já no mesmo instante, tinha a Virgem desaparecido. E o seu devoto, ainda que se achasse meio cego, dizia consigo, com grande mágoa e sentimento: Que teria importado se eu perdesse mil olhos, se mil tivesse? Ó, se durasse mais aquele favor! Assim vos ausentastes, ó Mãe amabilíssima; vi-vos, e não vos vi, ó beleza incrível: com este pinguinho de orvalho me acendestes mais a sede. Ó, já que não ceguei totalmente de ver, cegue eu agora de chorar! Mas vós, ó Sacratíssima Virgem, mais piedosa sois do que eu posso imaginar. Ora, Senhora, vinde ainda outra vez; vinde, ó formosíssima: eu de boa vontade quero cegar de todo; antes o terei por grande interesse. Estes, e outros semelhantes requerimentos fazia aquele devoto: e é tão pia e benigna a Senhora, que admitiu a petição, e a despachou melhoradamente. Porque a mesma luz excessiva, que no primeiro relâmpago o deslumbrou, e lhe cegou um dos olhos, no segundo lhe deixou a vista restituída e clara.
 
(De "Tratados Diversos", pág. 397-398)

A urna espiritual

Do P. Fr. Sebastião de Sta. Maria:
 
Este verdadeiro religioso, capucho da província de S. José, sendo uma vez repreendido pelo prelado com rigor, e sem culpa sua, ficou não somente quieto mas alegre. Perguntado pela causa disto, respondeu: Não quer, irmão, que esteja alegre um pobrezinho a quem Deus faz digno de padecer alguma coisa por seu amor?

Sermão sobre o amor

I — O Amor Pureza: João Batista e João Evangelista
 
Por dois modos distintos a Graça de Deus nos é manifestada, segundo vemos nos exemplos tirados das Escrituras ou da história da Igreja, ou ainda da vida dos Santos e de outros fiéis servos de Deus. Encontramo-los entre os Apóstolos do Senhor, representados pelas duas figuras mais significativas daquela pequena comunidade privilegiada: S. Pedro e S. João. S. João é o Santo da Pureza e S. Pedro é o Santo do Amor. Não que amor e pureza se possam separar; não, pois, como se um Santo não tivesse em si e desde logo todas as virtudes; não como se S. Pedro não fosse tão puro pelo muito que amava ou S. João amasse menos pela sua pureza. As Graças do Espírito não podem separar-se uma das outras; uma implica todas as outras o que é o amor senão um comprazimento, uma entrega total do homem a Deus? O que é a impureza, por outro lado, senão o tomar de alguma coisa deste mundo, algo de pecaminoso, para objeto das nossas paixões, em lugar de Deus? O que é, senão um deliberado voltar costas da criatura em face do seu Criador, e uma procura insaciável de prazer não na transbordada presença de alegria, de luz e de santidade, senão à sombra da morte? Portanto, o homem impuro não pode amar Deus; e aqueles que secos se tornaram de amor não podem realmente ser puros; em qualquer objeto havemos de fixar os nossos afetos, e nisso havemos de achar contentamento; ora, não podemos pôr a nossa alegria em dois objetos, tal como não podemos servir a dois Senhores, que um ao outro sejam contrários. Muito menos ainda, pode o Santo ser imperfeito na pureza ou no amor, porque não será este, fogo claro e límpido, se a substância que o alimente não for inalterável e puríssima.

Os sofrimentos morais de Nosso Senhor durante a Paixão

Não há passagem da vida de Nosso Senhor que não seja de profundidade imensa e que não proponha à meditação matéria inesgotável. Tudo que lhe diz respeito é infinito; e o que à primeira vista divisamos não é mais que a superfície do que começa na eternidade e na eternidade acaba. Seria pois temerário, para quem não é santo nem doutor, querer comentar os seus atos e as suas palavras a não ser por via da meditação. Mas a meditação e a oração mental são tão necessárias aos que desejam alimentar em si a fé e o amor verdadeiros, que nos será sem dúvida permitido, caros irmãos, deter aqui nossa atenção, e, tomando por guia os santos que nos precederam na tarefa, discorrer sobre temas que na verdade mais convidam à adoração do que ao exame.

A Missa não é somente a Comunhão

A Missa
 
Faltam luzes acerca da missa, a não raro a educação sobre esse mistério de amor é incompleta. Compreender o mistério de fé do altar é mercê altíssima. Que regozijo, ainda que em penumbra!
 
Deve-se basear a piedade na doutrina; caso contrário, é piedade sentimental, piedade de poeta. Não são as flores o essencial, mas o altar. Quando não há altar, onde pondes as flores? Se não há um fundo de doutrina, sobre que apoiareis a piedade?...
 
Veni, Sancte Spiritus. Venha o Paráclito com suas luzes! Glória ao Pai, pelos incomparáveis dons que nos dera! Glória ao Filho, pelo mistério da Sexta-Feira Santa! Glória ao Paráclito, que nos ensinara a erigir o altar para imolar o Cordeiro sem mancha à glória da Trindade. Per Christum Dominum nostrum, pontífice, mediador e hóstia.

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