Vida dos Santos (6)
“Dos mártires daqueles dias, nenhum chamou tanto a atenção do público no México e no resto do mundo como o Jesuíta Miguel Agustín Pro. Pro foi morto por um pelotão de fuzilamento em frente das câmeras dos jornais que o governo trouxera para gravar o que esperava ser o constrangedor espetáculo de um padre implorando por misericórdia. Foi uma das primeiras tentativas modernas de usar a mídia para a manipulação da opinião pública com propósitos anti-religiosos. Mas, ao invés de vacilar, Pro demonstrou grande dignidade, pedindo apenas a permissão de rezar antes de morrer. Após alguns minutos de prece, levantou-se, ergueu seus braços em forma de cruz – uma tradicional posição de oração mexicana – e, com voz firme, nem desafiante, nem desesperada, entoou de forma comovente palavras que desde então se tornaram famosas: 'Viva Cristo Rey'.
[Nota da Permanência] O texto que se vai ler foi tirado do apêndice histórico da edição brasileira da obra de Gertrud von le Fort (A Última ao Cadafalso, trad. de Roberto Furquim, Quadrante, São Paulo, 1998), e tem por base o livro de Bruno de Jesus Maria, O.C.D, Le Sang du Carmel ou la véritable passion des seize carmelites de Compiègne, Plon, Paris, 1954 e o informe do Secretariatus pro monialibus, Curia Generalis O.C.D., As Bem-aventuradas mártires de Compiègne, Roma, S.d. As citações entre aspas, exceto quando é indicado o contrário, provêm dos manuscritos da Irmã Maria da Encarnação.
Pequena introdução da matéria
Gostaríamos, contemplando as santas, mães dos santos, tecer uma coroa à maternidade divina da Virgem Maria.
Quando Deus resolveu unir nossa natureza humana à pessoa de seu Filho único, entre todas as filhas de Adão, destinou, escolheu uma mãe, foi Maria. Assim a predestinação de Maria está inseparavelmente unida à predestinação de Jesus. Ao lado do homem Deus, está a mulher eleita, bendita entre todas; essa mulher é sua Mãe.
PRIMEIRA PARTE: OS PARADOXOS DA SANTIDADE
I — O AMOR E O ODIO.
No dia da festa de Santa Catarina de Sena, ouvimos no intróito da missa estas palavras que convêm à nossa santa de modo admirável: Dilexisti justitiam et odisti iniquitatem.
No dia 30 de abril a Igreja comemora a festa de Santa Catarina, que viveu numa das épocas mais perturbadoras da história do Ocidente tanto para o mundo, que nos fins do século XIV se despedia da civilização medieval e preparava os critérios de uma nova civilização, como para a Igreja, que sofria a divisão, o cisma, a crise do papado, e já começava a sentir as aflições que cem anos mais tarde produziriam a Reforma.
São Lourenço foi escolhido como padroeiro secundário da Capela Nossa Senhora da Conceição, por causa de sua presença na fundação da cidade de Niterói, antiga Aldeia de S. Lourenço dos Indios. A primeira igreja construída na cidade ainda hoje é visitada. Construída pelos índios, sob o comando do beato José de Anchieta, que encenou nos seus átrios o Auto de São Lourenço, que citamos a seguir.
Beato José de Anchieta
Auto de São Lourenço, Ato I
Pois teu amor, pelo meu
Tais prodígios consumou,
Que eu, nas brasas onde estou,
Morro de amor pelo teu.
Por Jesus, meu Salvador,
Que morre por meus pecados,
Nestas brasas morro assado
Com fogo do seu amor.