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John Vennari (7)

Francisco afirma que concubinos podem ter a "graça do verdadeiro matrimônio".

                             

Nosso Senhor comandou a Pedro que confirmasse seus irmãos na Fé (S. Lucas 22,32), mas Francisco deleita-se em fazer todo o contrário.

Em 16 de junho, em uma sessão de perguntas e respostas durante conferência em Roma, Francisco sinalizou que quem vive em "fiel" concubinato recebe a "graça do verdadeiro matrimônio por causa de sua fidelidade". Mas, ao contrário do que afirma o Papa, o concubinato nunca traz consigo a graça do verdadeiro matrimônio, pelo fato de em si ser uma desgraça.

Na continuação de três anos de comentários irresponsáveis, que provocam escândalos em escala mundial, Francisco falou da situação na Argentina, onde a maioria dos que freqüentam aulas de preparação para casamento vive em concubinato.  Conforme o registro de Catholic News Agency:   Leia mais

 

Capítulo 3 -- A profanação dos domingos e la Salette

Juntamente com a necessidade de se fazer reparação pelas blasfêmias, Nosso Senhor falou com a Irmã Maria de São Pedro sobre a necessidade de aplacar a Justiça Divina provocada pela dessacralização do domingo. O núcleo da mensagem pode ser resumido nas palavras da própria Irmã Maria:

“...[Nosso Senhor] ordenou que eu recebesse a santa comunhão todos os domingos:

1º em espírito de emenda honorável e de reparação por todos os trabalhos que se fazem nesse santo dia;

2º com o propósito de aplacar a justiça divina, pronta para punir, e de pedir a conversão dos pecadores;

3º enfim, para obter que se impeça o trabalho aos domingos."1

A irmã relata então o pedido de Nosso Senhor pelo estabelecimento de uma arquiconfraria especial para reparação das blasfêmias e da profanação causada pelo trabalho aos domingos. O próprio Jesus chama-a de “a mais bela obra sob o sol”. 2 Ele insiste, entretanto, ser necessário obter um Breve Pontifício para estabelecer a Arquiconfraria de Reparação, pois, de outra forma, a obra não teria fundamento nem futuro.

 

O Segundo e o Terceiro Mandamentos

À luz dos pedidos de Nosso Senhor, cabe uma pequena revisão do que se deve e não se deve fazer considerando o Segundo e o Terceiro Mandamentos. Trata-se de um breve resumo daquilo que encontramos em catecismos anteriores ao Vaticano II.

O Segundo Mandamento é Não Tomar Seu Santo Nome em Vão. Ordena que se tenha reverência ao se falar de Deus e das coisas santas e que se cumpram as promessas e votos feitos. Proíbe a blasfêmia, o uso irreverente do nome de Deus, que se fale sem respeito das coisas santas, as falsas promessas e a quebra de votos.

O Terceiro Mandamento é Guardar Domingos e Festas. Ordena que se vá à Missa aos domingos e em dias santos de guarda. Proíbe que se falte à Missa por culpa própria; trabalho servil desnecessário; compras e vendas públicas; julgamentos na corte.

Considerando apenas esses pontos, vemos uma das muitas razões pelas quais as revelações de Nosso Senhor à Irmã Maria de São Pedro são mais urgentes hoje do que quando dadas na década de 1840. À medida que entramos no 50º aniversário da revolução do Vaticano II 3, testemunhamos uma completa desconsideração pela santificação do domingo, em que a maioria dos católicos não se comporta de maneira diferente daquela de seus vizinhos ateus. Aos domingos, os shoppings centers enchem-se de clientes e os supermercados abarrotam-se de compradores. Como deve entristecer Nosso Senhor que o Dia do Senhor seja atualmente apenas mais um dia de comércio! A gravidade da ofensa a Deus pelo desrespeito ao Terceiro Mandamento é resumida nas próprias palavras de Nosso Senhor à Irmã Maria de São Pedro. Em 1847, Ele lamentava: “Os judeus me crucificaram na sexta-feira, mas os cristãos me crucificam no domingo.4

Os pedidos do Céu por reparação pelos pecados contra esses Mandamentos não foram feitos apenas à Irmã Maria. As mensagens dadas a essa santa carmelita estão ligadas a outro dramático evento que ocorreu simultaneamente numa pequena e sonolenta vila nas montanhas do sudeste da França.

 

La Salette

A Irmã Maria de São Pedro estava cada vez mais pesarosa porque o arcebispo de Tours não parecia disposto a emitir uma opinião sobre as revelações que ela vinha recebendo de Nosso Senhor, ainda mais por saber da importância da Obra de Reparação e do terrível castigo que se seguiria se os pedidos de Nosso Senhor não fossem atendidos. Nas profundezas de seu pesar, voltou-se para Nossa Senhora. Escreve ela:

“Sua Excelência não queria se decidir em favor da obra; sua prudência o impedia de tomar a iniciativa. Eu vi bem que só haveria esperança e consolação para mim na oração, pela intercessão de Maria, nossa poderosa advogada...” 5

E continua:

“...e eu recitava todos os dias o Rosário a fim de obter a salvação da França e o estabelecimento da Reparação em todas as cidades do reino; todas as minhas orações e comunhões, todos os meus desejos, todos os meus pensamentos se dirigiam a essa obra tão cara ao meu coração. Teria desejado, se possível fosse, proclamá-la por toda a França e fazer conhecer à minha pátria os infortúnios que a ameaçavam. Ah! Como sofro por ser a única depositária de algo tão importante, e estar obrigada a guardá-lo no silêncio do claustro!” 6

Lançou então um sincero apelo a Nossa Senhora:

“Virgem Santa, aparecei a alguém no mundo e deixai-lhe saber o que me é comunicado a respeito da França.” 7

Não sabemos a data exata em que a Irmã Maria fez essa oração, mas o Padre Janvier nos conta que foi bem antes de setembro de 1846. O padre também nos diz que, de 23 de março a 4 de outubro de 1846, a Irmã Maria não recebeu qualquer mensagem de Nosso Senhor. Houve silêncio. E foi durante aquele período que, em 19 de setembro de 1846, a Santíssima Virgem apareceu aos pequenos pastores Maximin e Mélanie em La Salette.

A mensagem de Nossa Senhora de La Salette foi uma reafirmação das palavras de Nosso Senhor para a Irmã Maria de São Pedro. Sobre o que alertou Nossa Senhora? Sobre “a impiedade que se exerce livremente pelo desprezo dos mandamentos de Deus, notadamente pela profanação do domingo e pela blasfêmia” 8. Isto é, pelos pecados contra o Segundo e o Terceiro Mandamentos. Advertiu ainda: “Se o meu povo não quiser se submeter, serei forçada a deixar cair o braço de meu Filho; está tão pesado que já não o posso mais reter.” 9

Na aparição de Nossa Senhora em La Salette, “a imagem do crucifixo estava sobre o seu coração; os instrumentos da Paixão, o martelo e a pinça, um de cada lado, ornavam seu peito.” 10

Léon Dupont, o fidedigno “Santo Homem de Tours”, foi um dos poucos a quem a madre superiora confiou o conteúdo básico das mensagens de Nosso Senhor à Irmã Maria. Assim, quando o Sr. Dupont soube que Nossa Senhora, em 1846, estava pedindo uma reparação praticamente idêntica à que Nosso Senhor pediu à Irmã Maria de São Pedro, creu em La Salette instantaneamente. Uma revelação, por assim dizer, reforçava e confirmava a outra. Da mesma forma, a irmã acreditou imediatamente em La Salette, vendo-a como uma resposta à oração que havia feito com tanto amor e angústia: “Virgem Santa, aparecei a alguém no mundo e deixai-lhe saber o que me é comunicado a respeito da França.”

Há assim uma profunda conexão entre a mensagem de La Salette e as revelações à carmelita de Tours. Veremos adiante que Nosso Senhor faz à Irmã Maria de São Pedro referência especial aos “instrumentos de minha Paixão”; os mesmos instrumentos que Maximin e Mélanie viram cercando o Coração de Nossa Senhora de La Salette. Antes, porém, de falarmos sobre essa conexão, temos de nos concentrar sobre o que foi o núcleo das mensagens de Nosso Senhor à carmelita: o pedido por Reparação e Devoção à Sagrada Face de Jesus. Veremos que Nosso Senhor está buscando “Verônicas para limparem e honrarem minha divina Face, que tem poucos adoradores” 11, e conheceremos em maior detalhe uma das mais poderosas devoções que o Céu já deu à humanidade. O próprio Jesus disse à Irmã Maria de São Pedro: “Por minha Sagrada Face, fareis prodígios.” 12

  1. 1. VSSP, p. 265.
  2. 2. VSSP, p. 290.
  3. 3. O texto de J. Vennari foi publicado originalmente em 2014. [N. do T.]
  4. 4. VSSP, p. 382.
  5. 5. VSSP, pp. 258-259.
  6. 6. VSSP, p. 259.
  7. 7. Ibid.
  8. 8. VSSP, pp. 259-260. Pe. Janvier refere-se ao texto do segredo de La Salette escrito por Mélanie em 1851 para ser entregue ao Bem-aventurado Pio IX. [N. do T.]
  9. 9. Conforme citado em VSSP, p. 260.
  10. 10. VSSP, p. 260.
  11. 11. VSSP, p. 215.
  12. 12. Abbé P. Janvier, M. Dupont et L’oratoire de la Sainte-Face, Tours, 3ª edição, 1880, p. 70.

Capítulo 2 -- A Seta de Ouro

Por meio de sua forte vida de oração, seu grande senso de recolhimento e as luzes especiais que recebeu do Céu, a Irmã Maria de São Pedro estava sendo preparada para uma obra especial. Aqui chegamos às dramáticas revelações sobre a Obra de Reparação. Em 25 de agosto de 1843, Festa do Rei São Luís IX, um dos patronos da França, a Irmã Maria recebeu uma mensagem especial de Nosso Senhor:

“Então Ele me abriu seu Coração e, recolhendo lá as potências de minha alma, dirigiu-me estas palavras: ‘Meu Nome é blasfemado em todo lugar; até as crianças blasfemam!’ E me fez entender o quanto esse medonho pecado fere dolorosamente, e mais que todos os outros, seu divino Coração; pela blasfêmia, o pecador amaldiçoa-O na face, ataca-O abertamente, aniquila a Redenção e pronuncia ele mesmo sua condenação e seu julgamento. A blasfêmia é uma seta envenenada que fere continuamente seu Coração: Ele disse que queria me dar uma seta de ouro para feri-lo deliciosamente e cicatrizar as feridas de malícia que os pecadores lhe infligem.” 1

A oração ditada por Nosso Senhor tornou-se familiar para muitos de nós, a Seta de Ouro:

“Que seja sempre louvado, bendito, amado, adorado, glorificado o santíssimo, sacratíssimo, sumamente adorável, incompreensível, inefável Nome de Deus no Céu, na Terra e nos infernos, por todas as criaturas saídas das mãos de Deus e pelo Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar. Assim seja.” 2

Essa é a oração dada diretamente por Nosso Senhor à Irmã Maria de São Pedro como reparação especial pelas blasfêmias. Padre Janvier, como será visto depois, explica que o pecado da blasfêmia manifesta-se, na verdade, de várias formas.

Comentando essa bela oração, diz a Irmã Maria:

“Nosso Senhor, tendo me dado essa seta de ouro, acrescentou: ‘Presta atenção a este favor, porque te pedirei contas.’ Naquele momento, parecia-me ver sair do Sagrado Coração de Jesus, ferido por esta seta de ouro, torrentes de graças para a conversão dos pecadores...” 3

 

Que seja conhecida

Aqui chegamos ao ponto difícil para a Irmã Maria de São Pedro. Naturalmente, ela não tinha qualquer problema para rezar a oração. A dificuldade, entretanto, era que Nosso Senhor havia ordenado que ela tornasse a oração conhecida e a divulgasse. Em outras palavras, que a oração fosse impressa e distribuída amplamente para que as pessoas pudessem rezá-la. Para uma freira de clausura, essa é uma tarefa intimidadora. Como atender aos pedidos do Senhor sem violar sua vida carmelita? Seu voto de obediência a impede de embarcar no projeto por conta própria. Seu voto de pobreza faz com que lhe seja impossível pagar pela impressão, ou mesmo pedir que outros financiem o projeto sem primeiro receber permissão de sua Superiora. E ainda há o complicado inconveniente de se ter uma carmelita imprimindo santinhos com orações que “recebeu do Céu”. Ela sabia que nem ela nem católico algum podiam publicar uma só palavra até que a autoridade da Igreja tivesse investigado tudo e dado aprovação.

Ainda assim, Nosso Senhor tinha-lhe manifestado seus desejos. Havia apenas uma maneira de realizá-los e a irmã sabia qual. Ela agora seria obrigada a relatar as palavras de Nosso Senhor para a reverenda madre, o que não era tarefa fácil. Sabe-se que, normalmente, a última coisa que uma madre superiora deseja é ter uma de suas freiras dizendo que ouve vozes do Céu. De certa forma, trata-se do pesadelo de toda superiora, porque ela carregará o fardo de discernir se as ocorrências supostamente sobrenaturais vêm de Deus, de um autoengano ou do diabo.

A primeira resposta da superiora foi proibir a irmã de voltar a pensar no assunto e até de praticar a devoção. Esta é, de fato, uma boa reação carmelita, coerente com os ensinamentos de São João da Cruz. Irmã Maria de São Pedro obedeceu prontamente, ainda que esta obediência tenha lhe causado grande sofrimento.

As religiosas sempre foram encorajadas, ainda que não obrigadas, a revelar suas lutas interiores a suas superioras. Por isso, não muito tempo depois, encontramos a Irmã Maria de São Pedro de joelhos na cela de sua superiora, explicando o tormento de sua alma. Encontrava-se dilacerada pelo desejo de se conformar aos pedidos de Nosso Senhor e pelas ordens contrárias de sua superiora, a quem devia e prestava obediência religiosa. Enquanto isso acontecia, um pequeno folheto caiu de um livro que a madre superiora tinha nas mãos e que estava lendo quando a irmã entrou na cela. A madre, que nunca antes havia reparado no folheto, pegou-o do chão e ficou estonteada ao ler o título:

Advertência ao Povo Francês

Com o subtítulo:

Reparação inspirada para aplacar a ira de Deus

Espantada, a Reverenda madre voltou-se para a Irmã Maria e disse sorridente: “Minha irmã, se eu não te conhecesse, tomar-te-ia por feiticeira.” 4 Isso porque ali estava um folheto defendendo o mesmo tipo de Reparação sobre a qual a Irmã Maria de São Pedro vinha insistindo com tanta intensidade.

O folheto tem ele mesmo uma história interessante, tendo sido publicado em 1819 na França por um sacerdote chamado Padre Soyer, posteriormente bispo de Luçon. Dom Soyer ainda era vivo, de forma que a Reverenda madre escreveu-lhe pedindo mais informações sobre o folheto. O prelado respondeu que havia publicado essa advertência a pedido de uma freira carmelita em Poitiers, chamada Irmã Adelaide, uma alma eleita a quem Nosso Senhor havia se manifestado pedindo orações de reparação pelas blasfêmias. 5

Ora, acontece que a Madre Adelaide havia falecido em 31 de julho do mesmo ano de 1843, apenas 26 dias antes de a Irmã Maria receber a primeira revelação de Nosso Senhor sobre a Seta de Ouro, quando Nosso Senhor fez o mesmo pedido: orações especiais de reparação pelo pecado de blasfêmia. Parece, então, que temos aqui a passagem de bastão de uma carmelita para outra a respeito dos reiterados pedidos de Nosso Senhor por uma Obra de Reparação pelos pecados de blasfêmia.

Por causa disso e de uma série de outras razões 6, a madre superiora passou a considerar a possibilidade de que as alegadas mensagens recebidas pela irmã pudessem ser genuínas.

A superiora consultou alguns padres entendidos no assunto para obter orientação e a irmã foi encorajada a comunicar suas revelações a seus dois confessores. Isso foi interessante, uma vez que nenhum dos confessores se mostrava bem disposto em relação a freirinhas que alegavam receber mensagens do Céu e, como acabou acontecendo, ambos passaram a crer firmemente na autenticidade das revelações da Irmã Maria de São Pedro.

O primeiro deles, Padre Pierre Aleron, ficou tão convencido que foi o primeiro na diocese a estabelecer a Obra de Reparação em sua paróquia. Como será visto adiante, foram necessários cerca de 35 anos para que a devoção recebesse aprovação eclesiástica, e o Padre Aleron afligiu-se com essa demora.

O segundo confessor, Padre Jean Salmon, possuía traços curiosos. Era mais velho, muito escrupuloso, praticamente surdo e servia no tribunal diocesano. Quando se lê a descrição que o Padre Janvier faz dele, tem-se a impressão de que o Padre Salmon aterrorizava sem intenção o tribunal por causa de sua escrupulosidade. Tinha a tendência, segundo diz respeitosamente o Padre Janvier, “a ver a influência do demônio em muitas coisas inocentes.” 7 Apesar de seus escrúpulos, o Padre Salmon ficou convencido das operações divinas na alma da Irmã Maria de São Pedro, chegando a defender sua causa quando necessário 8.

 

“A Terra está coberta de crimes”

Chegamos agora à citação que abriu este estudo. Em 24 de novembro de 1843, Nosso Senhor falou as seguintes palavras à Irmã Maria de São Pedro:

“Até o presente, mostrei-te apenas em parte os desígnios de meu Coração, mas hoje quero mostrá-los a ti por completo. A Terra está coberta de crimes! Meu Pai está irado com a violação dos três primeiros Mandamentos de Deus. A blasfêmia para com o Santo Nome de Deus e a profanação do Santo Dia do Senhor completam a medida das iniqüidades. Esses pecados subiram ao Trono de Deus e provocaram sua cólera, que irromperá se sua justiça não for aplacada. Em nenhuma outra época esses crimes alcançaram tal ponto. Desejo, e muito ardentemente, que se forme uma associação devidamente aprovada e organizada para honrar o Nome de meu Pai.” 9

Continua a irmã: “Nosso Senhor fez-me assim entender que queria, por esta obra de reparação, conceder misericórdia aos pecadores.” 10

Nosso Senhor, então, acusou a França de ser culpada especialmente de blasfêmia e a ameaçou com o castigo divino. Apreensiva, ela perguntou: “Meu Senhor, permita-me perguntar: se se fizer esta reparação que desejais, perdoareis de novo a França?” 11 Ao que Nosso Senhor respondeu:

“Eu a perdoarei mais uma vez, mas, note bem, uma vez. Como esse pecado de blasfêmia se estende por toda a França e é público, é necessário que essa reparação seja pública e se estenda a todas as cidades; ai daqueles que não fizerem essa reparação!” 12

Padre Janvier, ao comentar essas palavras, dá uma extensa explicação sobre os diferentes tipos de blasfêmia, incluindo o fato de que a maçonaria é uma blasfêmia. Ele fala também da culpa da França ― a culpa pública ― de promover idéias maçônicas. Essas observações do Padre Janvier são baseadas diretamente nas palavras de Nosso Senhor para a santa carmelita. Como será visto adiante, Nosso Senhor mencionou especificamente os “blasfemadores e sectários” 13 e os inimigos da Igreja, assim como “a malícia dos homens rebeldes”. Escreve o Padre Janvier:

“À blasfêmia grosseira do iletrado junta-se a blasfêmia doutrinal do livre pensador. Da rua e da praça pública ela passou aos salões, às escolas e chegou aos lares; foi entronizada nos teatros e cafés; espalha-se com orgulho e sem disfarce nos discursos, livros e brochuras, e nessa multidão de folhetos ou escritos periódicos com que somos inundados a cada dia.”

“(...) Pelo espírito revolucionário do qual [a França] se tornou na Europa o centro principal e a fornalha mais ativa, pelo ateísmo prático que professa em seu governo e em suas leis, ela exerce, em relação à blasfêmia, um tipo de proselitismo universal tão funesto para os indivíduos quanto para as sociedades.” 14

  1. 1. VSSP, p. 119.
  2. 2. VSSP, pp. 119-120. “A irmã interrompe sua emocionante história para explicar uma palavra contida nesse ato de louvor: ‘Como senti’, diz ela, ‘certo assombro de que Nosso Senhor me tenha dito: nos infernos, Ele teve a bondade de me fazer compreender que sua justiça era glorificada lá. Rogo, por outro lado, que se observe que Ele não me disse no inferno, mas nos infernos: o que pode compreender o purgatório, onde Ele é amado e glorificado pelas almas sofredoras. A palavra inferno não se aplica somente ao lugar onde estão os réprobos; a Fé nos ensina que o Salvador, após sua morte, desceu aos infernos, onde estavam as almas dos justos; e não reza a Santa Igreja ao seu Divino Esposo para arrebatar as almas de seus filhos das portas do inferno: A porta inferi erue, Domine, animas eorum? (Ofício dos Defuntos).’” Padre Janvier, então, comenta: “A essas explicações pode-se ajuntar que São Paulo se serviu da mesma expressão com um sentido análogo numa de suas Epístolas, onde diz ‘que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e no inferno.’” (Fl 2,10) VSSP, p. 120.
  3. 3. VSSP, p. 120.
  4. 4. VSSP, p. 126.
  5. 5. Cf. VSSP, pp. 126-127.
  6. 6. Por volta dessa época, a madre superiora tinha ficado doente. Nosso Senhor tinha dito à Irmã Maria de São Pedro que se a Reverenda madre permitisse que as irmãs rezassem “uma novena de reparação diante do Santo Sacramento pela reparação das blasfêmias contra o santo Nome de Deus”, Ele cobriria a comunidade com graças especiais e restauraria a saúde da superiora. A Reverenda madre concordou. As freiras do convento, mesmo enquanto rezavam a novena, nada sabiam sobre as mensagens do Céu recebidas pela Irmã Maria. Após a novena, a Reverenda madre foi curada. Ver VSSP, pp. 131-133.
  7. 7. VSSP, p. 138.
  8. 8. O relato sobre os dois padres encontra-se em VSSP, pp. 135-139.
  9. 9. VSSP, pp. 149-150.
  10. 10. VSSP, p. 150.
  11. 11. VSSP, p. 152.
  12. 12. Ibid.
  13. 13. VSSP, p. 228.
  14. 14. VSSP, pp. 154-155. [Ênfase adicionada]

Capítulo 1 – A Santa Carmelita

Em 24 de novembro de 1843, Nosso Senhor disse as seguintes palavras à carmelita francesa, Irmã Maria de São Pedro:

“A Terra está coberta de crimes! Meu Pai está irado com a violação dos três primeiros Mandamentos de Deus. A blasfêmia para com o Santo Nome de Deus e a profanação do Santo Dia do Senhor completam a medida das iniqüidades. Esses pecados subiram ao Trono de Deus e provocaram sua cólera, que irromperá se sua justiça não for aplacada. Em nenhuma outra época esses crimes alcançaram tal ponto.”

Este pequeno escrito traz à luz as revelações de Nosso Senhor à Irmã Maria de São Pedro, uma carmelita francesa que viveu de 1816 a 1848. Essas revelações gozam de plena aprovação da Igreja Católica, tendo sido altamente recomendadas pelo renomado beneditino do século XIX, Dom Guéranger, autor da célebre obra L'Année Liturgique (O Ano Litúrgico).

As palavras de Nosso Senhor à Irmã Maria parecem mais urgentes hoje do que quando recebidas há mais de 170 anos. Elas fazem parte de uma “tradição” de avisos do Céu para a humanidade sobre seus ultrajes contra Deus, a grande necessidade de reparação e a ameaça de castigos divinos de um Deus “que já está muito ofendido”. Essas revelações à Irmã Maria de São Pedro constituem também um fundamento para as aparições de 1917 de Nossa Senhora em Fátima.

 

Padre Janvier

Este estudo é baseado em materiais de fonte primária, entre os quais destaca-se Vie de la Sœur Saint-Pierre (A Vida da Irmã Maria de São Pedro). Esse livro, publicado apenas 36 anos após a morte da carmelita, foi escrito pelo Padre Pierre Janvier, um fervoroso promotor das Obras de Reparação. Sua tradução para o inglês, de 1884, traz o Imprimatur de 1881 de Dom Charles-Théodore Colet, Arcebispo de Tours. 1

Desde o início, Padre Janvier relata que sua narração da vida da Irmã Maria é baseada em cinco fontes primárias francesas:

  1. A Vida da Irmã Maria de São Pedro, escrita por ela mesma em obediência à ordem de seus superiores.
  2. Seus escritos privados sobre seu estado interior e o objetivo de sua missão.
  3. Os anais do Carmelo de Tours, onde viveu a Irmã Maria.
  4. Entrevistas pessoais conduzidas pelo Padre Janvier com freiras que conheceram a Irmã Maria, incluindo sua Madre Superiora e confidentes mais próximos.
  5. Um breve estudo sobre a vida da Irmã Maria, de autor anônimo, que se espalhou pela França após sua morte, criando interesse local sobre a carmelita.

Também foi utilizado como fonte o livro do Padre Janvier sobre Léon Dupont, publicado apenas nove anos após a morte do venerável.

Léon Dupont esteve intimamente ligado ao convento da Irmã Maria de São Pedro. Conhecido como o “Santo Homem de Tours”, foi o mais zeloso promotor dos pedidos de Nosso Senhor por reparação e devoção à Sagrada Face. Possuía pendurada na parede de sua sala de estar uma grande imagem da Sagrada Face, diante da qual ardia uma lâmpada com óleo sagrado. Essa sala, convertida em oratório com permissão do bispo, recebia inúmeros visitantes. Por meio da devoção à Sagrada Face, tantos milagres aconteceram na sala de Léon Dupont que o Beato Pio IX chegou a chamá-lo “o maior taumaturgo da história da Igreja”. 2

Aqui, entretanto, nosso foco será a Irmã Maria de São Pedro, que, de 1843 a 1848, recebeu mensagens especiais do Céu em relação à “Obra de Reparação” pelos pecados de blasfêmia e pela profanação dos Domingos, assim como pedidos de reparação à Sagrada Face de Jesus.

 

 “Trocada no Berçário”?

A Irmã Maria de São Pedro nasceu em 4 de outubro de 1816, Festa de São Francisco de Assis, tendo como nome de batismo Perrine Elvery. Ela conta um episódio de quando tinha apenas um mês de idade: 

“Minha babá, tendo saído por um instante, deixou-me no berço. Uma de suas filhas pequenas pegou-me no colo e aproximou-me do fogo, querendo sem dúvida me aquecer; mas escorreguei de seus braços e caí no fogo. Conservei para sempre no rosto uma marca daquele acidente.” 3

Apesar de seus piedosos pais a terem educado na Fé e nos rudimentos do ensino católico, Perrine não era, por assim dizer, uma criança angelical. Sua própria mãe lamentava o fato de a pequena ser tão levada: “Certamente foi trocada no berçário: não é possível que um filho nosso seja tão mau como essa criança.” 4

“Colérica, teimosa e muito imprudente” 5 é como a Irmã Maria de São Pedro descreveu mais tarde seus traços da primeira infância. Apesar de suas faltas, entretanto, a pequena Perrine possuía um bom espírito e aceitava os castigos que suas más ações lhe mereciam; por fim, conquistou autodomínio, aprendeu suas devoções e, ainda em tenra idade, desenvolveu intenso amor pela oração.

Perrine tinha apenas doze anos quando sua mãe morreu. Não passou muito tempo, foi trabalhar como costureira. Alimentando seu “dom de oração”, como o Padre Janvier o descreve, fazia comunhões espirituais freqüentes, mesmo quando ocupada com seus afazeres cotidianos. Sua santidade e senso de recolhimento irradiavam sobre as colegas de trabalho, que logo passaram a procurá-la em busca de aconselhamento espiritual e edificação.

Acreditando ser chamada a uma vocação religiosa, colocou-se nas mãos de um diretor espiritual que foi um verdadeiro dom do Céu. Esse santo confessor declarou que, ao lidar com alguém que poderia ter vocação, tinha “por princípio só enviar ao convento aqueles aspirantes suficientemente provados, esperando que, uma vez que entrassem no claustro, não os veria sair de lá.” 6 O sacerdote guiou-a na preparação para sua vida como religiosa, especialmente ensinando-a como vencer suas paixões.

Numerosos obstáculos retardaram sua entrada na vida religiosa. Por um tempo, parecia que seria conduzida à Ordem Hospitaleira, o que não era sua primeira escolha. Seu grande desejo era entrar para o Carmelo. Ainda assim, Nosso Senhor a confortava durante esse período de aflição. Após receber a Sagrada Comunhão certo dia, no que pode ter sido a primeira comunicação mística, Nosso Senhor lhe falou interiormente:

“Minha filha, amo-te muito para te abandonar mais tempo a tuas perplexidades; não serás irmã hospitaleira; isto é apenas uma provação; já cuidamos de tua recepção; serás carmelita.” E uma voz poderosa repetiu várias vezes: “serás carmelita.” 7

Como boa católica, anotou imediatamente essas palavras para submetê-las ao diretor espiritual. Ao entregar o papel dobrado ao confessor, e antes que este conhecesse seu conteúdo, o padre irrompeu com suas próprias boas notícias. Tinha acabado de receber uma carta que o informava que ela havia sido aceita no mosteiro das carmelitas em Tours.

 

Uma Herança de Fidelidade

O Carmelo de Tours, que havia aberto suas portas para a jovem Perrine, era abençoado com uma rica história. Foi fundado em 1608 pela Irmã Ana de São Bartolomeu, que viria a se tornar a primeira Superiora da casa. Amiga devota de Santa Teresa d’Ávila, Irmã Ana esteve presente em seu leito de morte.

Quando as carmelitas chegaram a Tours em 1608, encontraram a cidade “repleta de hereges” descendentes dos huguenotes. A presença das santas carmelitas, como sempre, ocasionou a conversão de vários desses não-crentes à Fé Católica. O legado desse Carmelo foi de fidelidade e coragem diante de alguns dos piores inimigos da Igreja. Não apenas permaneceu firme à verdade católica durante a heresia jansenista, como sobreviveu à Revolução Francesa, embora com cicatrizes. Durante a Revolução, o governo pressionou as freiras a fazerem o novo “Juramento de Lealdade”. Nenhuma delas se submeteu. Por essa recusa, foram retiradas do convento e lançadas num pátio onde ficaram expostas a intempéries climáticas de toda sorte. Uma freira idosa e cega de 87 anos morreu devido a esses maus tratos. Ainda assim, qualquer que fosse o ambiente que as cercasse, as freiras perseguidas mantiveram vivas a Fé, a Regra e o espírito de sua Ordem. Talvez tenha sido durante esse período que melhor entenderam a descrição da vocação carmelita feita por Santa Teresa d’Ávila: “Minhas filhas, não estais aqui para repousarem e vos alegrarem, mas para trabalharem, sofrerem e salvarem as almas!” 8

Em 1822, tendo a França optado por um ateísmo mais amistoso e gentil, foi permitido que as carmelitas retornassem a seu convento em Tours. Dezessete anos depois, a jovem Perrine, que veio a se tornar a Irmã Maria de São Pedro, chegou à casa, foi admitida à Ordem, perseverou alegremente em seu noviciado e fez sua profissão definitiva de votos em junho de 1841.

  1. 1. J. Vennari utilizou, em seu estudo, uma edição americana do livro do Pe. Janvier. Nesta tradução para o português, as citações desse livro foram traduzidas diretamente da edição francesa. [N. do T.]
  2. 2. Extraído da contracapa de The Holy Man of Tours, Tan Books, 1990.
  3. 3. Abbé P. Janvier, Vie de la Sœur Saint-Pierre, Libraire Larcher, 2ª edição, Paris, 1884 (referido doravante como VSSP), p. 3.
  4. 4. VSSP, p. 4.
  5. 5. Ibid.
  6. 6. VSSP, p. 19.
  7. 7. VSSP, p. 48.
  8. 8. Citado em VSSP, p. 72.

As revelações da Sagrada Face de Jesus

 

AS REVELAÇÕES

DA

SAGRADA FACE DE JESUS

por John Vennari

 

Nota da Permanência: O texto que se vai ler foi escrito pelo saudoso escritor norte-americano Joseph John Vennari, fundador do Catholic Family News. Profundamente devoto do rosto de Nosso Senhor, morreu após ter recebido os sacramentos e benções da Igreja no rito tradicional no dia 4 de abril de 2017 — uma terça-feira (dia da semana dedicado à devoção à Sagrada Face) do mês de abril (mês que também se associa à essa devoção).

 

Tradução: Fabiano Rollim

Fátima se tornará um santuário inter-religioso?

Apresentamos aos nossos leitores e fiéis, extratos do relato de John Vennari sobre o Congresso Ecumênico realizado em Fátima (Portugal), onde a heresia e a idolatria foram ostentadas como num estandarte, ali mesmo onde por seis vezes a Mãe de Deus apareceu aos três pastorinhos, trazendo para o mundo os mais graves e sérios apelos já ouvidos dos Céus. Mais uma vez somos obrigados a constatar que as autoridades da Igreja estão empenhados, muito empenhados na construção de uma Outra religião. 

 

FÁTIMA SE TORNARÁ UM SANTUÁRIO INTER-RELIGIOSO?

Relato de um jornalista que esteve lá

 

 

por John Vennari

 

De 10 a 12 de Outubro de 2003, uma conferência pan-religiosa ocorreu em Fátima com o nome "O Presente do homem — o Futuro de Deus: o lugar dos santuários em relação ao sagrado”. Foi ela organizada no Centro Pastoral Paulo VI, próximo ao santuário de Fátima em Portugal. Eu viajei à Fátima para cobrir o Congresso e participar dos três dias de evento, que continha algumas das mais explícitas heresias que eu jamais encontrei.

Descrevia-se como um Congresso “Científico”, o que não é a palavra que usaríamos para descrevê-lo na América do Norte, onde o descreveríamos como um Congresso “Acadêmico”. De todo modo, o Congresso era formado por teólogos modernos e sacerdotes, que discutiam a importância dos santuários religiosos — qualquer santuário, seja ele católico, budista ou hindu.  

Os dois primeiros dias continham diversas conferências, unicamente de católicos, entre as quais se incluíam as do Bispo de Leiria-Fátima, D. Serafim de Souza Ferreira e Silva; do Cardeal Patriarca de Lisboa, José da Cruz Policarpo; do famoso “teólogo ecumênico”, Padre Jacques Dupuis; e de vários outros Ph.D de Portugal.

No Domingo, nas sessões presididas pelo Arcebispo Michael J. Fitzgerald, Prefeito do Conselho Pontifício do Vaticano pelo Diálogo inter-religioso, representantes de diversas religiões — incluindo budistas, hindus, islâmicos, ortodoxos, anglicanos e católicos — deram seu testemunho da importância dos “santuários” em suas tradições religiosas.

Mais tarde, a imprensa portuguesa publicou que o objetivo deste Congresso era o de transformar Fátima em um santuário inter-religioso.

       

 

A sessão inter-religiosa da manhã de Domingo, presidida pelo Arcebispo Fitzgerald. Aqui, ele divide a mesa com um budista, um hindu e um muçulmano.

 

 

O Congresso Ecumênico

O tema dos “Santuários”, escolhido para este congresso, reflete o ‘mínimo denominador comum’ ecumênico, que prevalece há quarenta anos.  É uma abordagem que minimiza as diferenças doutrinais entre as várias religiões e enfatiza “aquilo que temos em comum”.

O que todas as religiões têm em comum? Todas elas acreditam em algum tipo de “Deus”; organizemos, portanto, um simpósio ecumênico para falar sobre os vários aspectos de “Deus”. Todas as religiões acreditam em orações; façamos, então, um encontro pan-religioso para que todos possam “dividir” suas experiências sobre orações. Todas as religiões têm santuários; preparemos, assim, um Congresso inter-religioso para discorrer sobre a importância dos santuários nas várias tradições religiosas. E, assim, “Santuário”, segundo a perspectiva pan-religiosa, foi o foco do recente Congresso em Fátima.

Anátema nestes Congressos é reconhecer o fato de que a Igreja Católica é a única religião verdadeira, estabelecida e desejada por Deus, e que todas as outras religiões são falsas, são sistemas criados por homens, e seus adeptos acreditam em falsos deuses. Como tais, estas religiões constituem um pecado mortal objetivo contra o Primeiro Mandamento: “Eu sou o Senhor teu Deus, não tenhais outros deuses diante de mim”.  Os falsos deuses do budismo, hinduismo e islamismo são os “outros deuses” que o Primeiro Mandamento proíbe a toda humanidade de venerar.

Isto também se aplica ao Protestantismo, uma vez que os protestantes acreditam em um Cristo que jamais existiu. Eles acreditam em um Cristo que não estabeleceu uma Igreja para ensinar, governar e santificar todos os homens. Eles acreditam em um Cristo que não estabeleceu um Papado. Eles acreditam em um Cristo que não quer que honremos Sua Santíssima Mãe. (E nós sabemos, da Mensagem de Fátima, que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria). Eles acreditam em um Cristo que não estabeleceu sete Sacramentos como os principais meios para que alcancemos a graça para a salvação. Eles acreditam em um Cristo que não estabeleceu o Sagrado Sacrifício da Missa. Em resumo, os protestantes prestam culto a um falso Cristo, ou seja, a um falso Deus. É isto o que o bem-aventurado Papa Pio IX ensinou em seu Syllabus de 1864, que é um erro acreditar que o “Protestantismo não é nada mais que outra forma da mesma verdadeira religião Cristã”. [1]  

Assim, na regra objetiva, é impossível a qualquer não-católico, não importa quão bem intencionado, obedecer ao Primeiro Mandamento. [2] Nós podemos, então, compreender porque o Concílio de Trento proclamou infalivelmente que, sem a Fé católica, “é impossível agradar a Deus”.

Esta tradicional e verdadeira doutrina católica é posta de lado nestes eventos inter-religiosos, e, de modo geral, na prática ecumênica. A nova teologia ecumênica, ao revés, diz que os membros de todas religiões fazem parte do “Reino de Deus”, e que são “parceiros iguais no diálogo”. A religião católica pode possuir a “plenitude da verdade”, mas todas as outras religiões fazem igualmente parte do plano de Deus. Esta, particularmente, é a tese do teólogo modernista Padre Jacques Dupuis, que falou no Congresso na tarde de sábado. 

 

        

Pôster com o logo do Congresso.

 

 

As sessões de Sexta:

De início, estava cético de que conseguiria fazer uma avaliação justa do Congresso. As conferências foram feitas em Português, uma língua que não falo. O Congresso tinha tradução simultânea em inglês, mas os tradutores não eram muito bons. Um dos quais era praticamente inútil: transformava parágrafos inteiros dos textos dos palestrantes em simples frases, e frases não muito compreensíveis. Por sorte, duas das mais importantes conferências foram feitas em inglês.

Do que pude compreender dos palestrantes portugueses, eles falavam, de modo geral, sobre “Santuários” na linguagem da moda da nova Igreja: “O Santuário é um altar de purificação e esperança”, um “lugar de refúgio contra a tentação de prazer e poder”. “Santuário” é parte do “mistério” na “busca pela santidade, encarnação e transcendência”. Tenha em mente que os palestrantes se referem aqui aos santuários religiosos de todas as religiões, sejam santuários de Nossa Senhora, sejam templos pagãos.     

Era de se esperar que um Congresso em Fátima sobre Santuários tivesse ao menos uma conferência sobre o Santuário de Fátima. Nada. O Santuário de Fátima foi apenas lembrado incidentalmente, e apenas muito de vez em quando. A mensagem de Fátima, ou mesmo a história de como o Santuário de Fátima veio a existir, não recebeu nenhuma atenção. O Rosário, o Imaculado Coração, a visão do inferno, os cinco primeiros sábados, a reparação pelos pecados, todos os elementos constitutivos da Mensagem de Fátima não foram sequer mencionados. [v. Apêndice I com a programação do Congresso]

Na Sexta-feira, foram realizadas conferências que trataram da “Natureza Pastoral/Científica dos Santuários”. Nos foi dito que “Aquilo que ocorre em um santuário é uma expressão do povo de Deus em ação.” Um professor citou com alvoroço uma bizarra declaração do Padre modernista Eward Schillebeeckx: “a história da salvação não é necessariamente a história da revelação”. Outro conferencista falou indistintamente de Fátima, Meca e Kioto, colocando assim a verdadeira Igreja de Cristo no mesmo nível das falsas crenças; e situando as aparições verdadeiras de Nossa Senhora de Fátima — um evento presenciado por 70.000 pessoas no Milagre do Sol — no mesmo nível das fábulas e supertições das falsas religiões. Não é isto zombar do Deus verdadeiro e blasfemar contra Nossa Senhora de Fátima? [3]

 

Neste Congresso de Fátima, o Padre Jacques Dupuis desdenha publicamente de um dogma definido pela Igreja.

 

 

Padre Dupuis

Conforme o já mencionado, duas das mais importantes apresentações foram feitas em inglês: a do padre ecumênico Jacques Dupuis, no sábado, e um breve discurso do Arcebispo Michael J. Fitzgerald, no domingo. Estas eu compreendi perfeitamente, e fiquei horrorizado com o que foi dito.

Como alguns leitores talvez já saibam, eu cobri vários destes eventos pós-conciliares, incluindo Seminários da Nova Evangelização, Dias Mundiais da Juventude e Rock’n’Roll, barulhentas reuniões do Movimento Carismático, e Noites de Diálogo Judaico-Católico. [4] Mas a mais explícita heresia que jamais ouvi em qualquer destes eventos veio da boca do padre jesuíta Jacques Dupuis, algumas poucas centenas de metros distante de onde Nossa Senhora de Fátima aparecera.

O padre Jacques Dupuis é um teólogo ecumênico, progressista, que entrou para a ordem dos Jesuítas em 1941. Neste Congresso, ele propôs sua tese de que todas religiões são positivamente desejadas por Deus. Disse que não deveríamos nos referir às outras religiões como “não-cristãs”, uma vez que este é um termo negativo que os descreve “por aquilo que pensamos que eles não são”. Ao contrário, disse o padre, deveríamos nos referir a elas como às “outras”.

Ele se desfaz da verdade de que há apenas uma única Igreja verdadeira, fora da qual não há salvação, apesar deste ensinamento ter sido definido de forma infalível por três vezes. A definição mais explícita e vigorosa do “fora da Igreja não há salvação”, foi pronunciada de fide no Concílio de Florença: 

“A Santíssima Igreja Romana crê, professa e prega firmemente que ninguém que não esteja dentro da Igreja Católica — não apenas pagãos, mas também judeus, heréticos e cismáticos — jamais poderá tornar-se partícipe da vida eterna, mas que será votado ao fogo eterno, “que foi preparado para o demônio e seus anjos” (Mt 25, 41), a não ser que, antes da morte, se una a ela; e que tão importante é a unidade deste Corpo Eclesiástico, que apenas aqueles que permanecem dentro desta unidade podem lucrar dos sacramentos da Igreja para a salvação, e que apenas eles poderão receber recompensa eterna por seus jejuns, suas esmolas, e outros trabalhos de piedade  cristã e deveres de soldado cristão. Ninguém, não importa quão grandes e numerosas sejam suas esmolas, ninguém, ainda que verta seu sangue em nome de Cristo, poderá ser salvo se não permanecer no seio e na unidade da Igreja Católica.”[5]

Como sabem os católicos, sempre que a verdadeira Igreja estabelecida por Cristo — a Igreja Católica — ensina uma declaração solene, de fide, ela está pronunciando de modo infalível que a doutrina definida é uma verdade revelada por Deus “que não pode nem enganar nem ser enganado.” Um católico tem de crer em todas estas verdades definidas para sua salvação. Negar um dogma infalível da Igreja é chamar Deus de mentiroso, dizer a Ele que aquilo que Ele nos revelou não é verdade. [6]

São Luís de Montfort, fiel a esta verdade revelada, ensina, “não há salvação fora da Igreja Católica. Aquele que resistir a esta verdade,  perecerá.” [7] Do mesmo modo, Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja, reafirma, “A Santa Igreja, Romana, Católica e Apostólica, é a única igreja verdadeira, fora da qual ninguém pode ser salvo.” [8]

No entanto, o padre Dupuis, no recente Congresso de Fátima, demonstrou publicamente desprezo por esta verdade definida e pelo ensinamento de santos e doutores da Igreja. Sobre este ponto, “fora da Igreja não há salvação”, padre Dupuis disse com desgosto, “Não é necessário lembrar aqui aquele texto horrível do Concílio de Florença de 1442”. Ouvi isto com meus próprios ouvidos e gravei em fita.

Deste modo, padre Dupuis disse à platéia que uma definição infalível da Igreja Católica está errada, e que a Revelação divina de Deus é uma mentira.

Esta é a mais explícita heresia que já encontrei em uma destas conferências pós-conciliares.  Normalmente, os conferencistas dançam ao redor do dogma que negam, mas não o padre Dupuis. Não, ele diz abertamente que uma doutrina definida pela Igreja é um “texto horrível” que tem de ser rejeitado.

Como os ouvintes reagiram à audácia da conferência de padre Dupuis? Com grande aplauso no final de sua palestra.

O mais perturbador é que na sala estava a alta hierarquia portuguesa, toda ela alvoroçada com a apostasia de Dupuis.

Sentado exatamente à minha esquerda, estava o Reitor do Santuário de Fátima, Monsenhor Luciano Guerra, que aplaudiu a conferência de Dupuis (eu registrei isto em foto, veja abaixo). À minha direita esta o Delegado Apostólico de Portugal, isto é, o representante papal para Portugal, que também aplaudiu Dupuis. Também aplaudiram o Bispo de Leiria-Fátima, D. Serafim de Souza Ferreira e Silva, que ainda se recusa a permitir a Missa Tridentina do “Indulto” em sua diocese. 

 

Mons. Luciano Guerra, o Reitor do Santuário de Fátima, aplaudindo a heresia de Dupuis.

 

Durante o aplauso, não pude ver o Cardeal Patriarca de Lisboa de onde estava. Mas é certo que ele concorda com a tese ecumênica de Dupuis. Mais tarde, no mesmo dia, um pequeno grupo de católicos tradicionais questionou o cardeal sobre a nova orientação inter-religiosa [v. apêndice II deste trabalho para saber como pensa o Cardeal]. Um jovem citou uma passagem do livro de Irmã Lúcia, Os Apelos, onde ela explicava fielmente o Primeiro Mandamento. O cardeal respondeu, “Irmã Lúcia não é mais um ponto de referência hoje, uma vez que temos um excelente, que é o Concílio Vaticano II”. [9] Em outras palavras, o cardeal diz que o novo ensinamento ecumênico do Vaticano II eclipsa o ensino tradicional católico sobre o Primeiro Mandamento, que proíbe a adoração de falsos deuses, como transparece nos escritos de Irmã Lúcia. 

Por anos a fio, católicos dedicados disseram que a razão de Fátima ser hoje subestimada e eclipsada é porque a nova religião ecumênica do Vaticano II a substituiu. [10] Sou grato por ter o cardeal abandonado todo fingimento e ter admitido esta desgraça diretamente. Isto explica porque a presente hierarquia ecumênica considera falsamente Fátima como de menor importância. 

No Congresso, padre Dupuis também disse que o propósito do diálogo não é converter os não-católicos mas, contrariamente, ajudar “o cristão a tornar-se um melhor cristão, e o hindu um melhor hindu”.

Padre Dupuis falou mais adiante que “os cristãos e os “outros” são co-membros do Reino de Deus na história”. Ele também disse que “o Espírito Santo está presente e opera nos livros santos dos hindus ou dos budistas; que está presente e opera nos ritos sagrados dos hindus”. Assim, conforme Dupuis, o Espírito Santo está presente e atuante nos “ritos sagrados” e “livros sagrados” das falsas religiões. Não admira que um proeminente católico ecumênico beijasse o Corão.

Uma exposição mais detalhada da conferência apóstata do padre Dupuis aparecerá em uma futura continuação. Por agora, quero re-enfatizar que os delegados do Congresso — incluindo o Cardeal de Lisboa, o Bispo de Fátima e o Reitor do Santuário de Fátima — aplaudiram a conferência de Dupuis como se fora magnífica. Pior ainda, no dia seguinte, o Arcebispo Michael Fitzgerald, chefe do Conselho Pontifício do Vaticano para o Diálogo Inter-religioso, falou que “o padre Dupuis ontem explanou a base teológica da instituição das relações [dos católicos] com pessoas de outras religiões.” Em outras palavras, o Arcebispo Fitzgerald prestou homenagem às heresias de Dupuis.

O Arcebispo Fitzgerald disse mais adiante que ele concordava com o padre Dupuis nisso de que “a união com Deus não se restringe às pessoas que pertencem à Igreja.” A Igreja, conforme esta nova concepção, não deveria proselitizar. Não é o propósito do diálogo “converter” os “outros” ao Catolicismo. Isto é sem sentido, uma vez que membros de todas as religiões, segundo Dupuis, já fazem parte do “Reino de Deus”. Ao invés, “A Igreja”, diz Fitzgerald, “está lá para reconhecer a santidade que há nas outras pessoas, o elemento de verdade, de graça e beleza presente nas diferentes religiões”, e “tentar produzir uma maior paz e harmonia entre os membros das outras religiões”. Talvez este Congresso deveria ter se chamado, “Fátima na Era de Aquário”.

 

Arcebispo Fitzgerald

 

 

A Igreja Católica x A Nova Religião

Qualquer um com um conhecimento rudimentar da Fé Católica sabe que a religião inter-religiosa promovida nesta Conferência de Fátima é contrária ao ensinamento católico e um blasfêmia perante Deus. Como mencionado, o Concílio de Trento definiu infalivelmente que, sem a fé católica, “é impossível agradar a Deus”. [11] A Igreja Católica também definiu três vezes ex cathedra que há apenas uma verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica, fora da qual não há salvação. [12] E como ensina o Vaticano I, nem mesmo um Papa pode mudar um dogma definido, caso contrário, verdades dogmáticas jamais teriam sido verdadeiras. [13]

O bem-aventurado Papa Pio IX reiterou a verdade de que “fora da Igreja Católica não há salvação”, ao combater o crescente “catolicismo liberal” de seus dias. Ele disse:

“Temos de mencionar e condenar novamente aquele erro pernicioso do qual se têm imbuído certos católicos, que pensam que aqueles que vivem no erro, que não têm a fé verdadeira e que estão separados da unidade católica, podem obter a vida eterna. Esta opinião é absolutamente contrária à fé católica, como é patente pelas próprias palavras de Nosso Senhor (Mt. 18, 17; Mr 16, 16; Lc 10,16; Jo 3, 18), bem como das palavras de São Paulo (2 Tt 3, 11) e de São Pedro (2 Pd 2, 1).  Entreter opiniões contrárias a esta fé católica é tornar-se um desgraçado incrédulo.” [14]

O Papa Leão XIII, elaborando a mesma doutrina, ensinou, “uma vez que a ninguém é permitido ser negligente com o culto devido a Deus... somos obrigados a cultuá-Lo do modo que Ele nos mostrou ser de Sua vontade ... Não pode ser difícil descobrir qual é a verdadeira religião, se com imparcialidade e seriedade se a procura; pois as provas são abundantes e evidentes ... De todas estas [provas] é evidente que a única religião verdadeira é aquela estabelecida pelo próprio Jesus Cristo, e a que Ele confiou à sua Igreja para que a protegesse e propagasse.” [15]

Do mesmo modo, o Papa Pio XII reafirmou esta doutrina no contexto de uma oração à Santíssima Virgem:

“O Maria, mãe de misericórdia e morada da Sabedoria! Iluminai as mentes envoltas nas trevas da ignorância e do pecado, para que elas possam claramente reconhecer que a única religião verdadeira de Jesus Cristo é a Santa, Católica e Apostólica Igreja Romana, fora da qual nem santidade nem salvação se pode encontrar.” [16]

Desde estas fontes, e desde outros incontáveis ensinamentos do Magistério, é claro que a única religião positivamente desejada por Deus, a única religião na qual “santidade e salvação se pode encontrar” é a Santa Igreja Católica estabelecida por Cristo.

A Sagrada Escritura, do mesmo modo, ensina infalivelmente que as falsas religiões não agradam a Deus, e que a maior caridade que podemos ter pelos “outros” é trabalhar e rezar por sua conversão à única e verdadeira Igreja de Cristo. Nosso Senhor ordenou a Seus discípulos, “ide e ensinai”, não “ide e dialogai”. Ele disse: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28, 19). “Aquele que acreditar e for batizado será salvo, aquele que não crer, será condenado.” (Mc 15, 16)

Quando Nosso Senhor fala em acreditar, ele não se refere a uma crença vaga em qualquer religião, mas sim crença n’Ele e em tudo que Ele ensinou. É por isso que São João, o Apóstolo do amor, disse, “Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é um Anticristo, que nega o Pai e o Filho”. (1 Jo 2, 22). Assim, Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo, Budismo, qualquer religião que rejeite o Cristo, conforme a Escritura, é religião do Anticristo. No que diz respeito às religiões heréticas, como, por exemplo, os “ortodoxos” e os protestantes, S. Paulo nos diz que falsos credos são as “doutrinas dos demônios”. 

Contrariamente às noções do padre Dupuis, as religiões do Anticristo e os falsos credos dos heréticos, que são “doutrinas dos demônios”, não podem ser desejadas por Deus. Tampouco se pode considerar que seus adeptos façam parte do “Reino de Deus”.

Assim, não pode existir uma nova “unidade ecumênica” que busque unir católicos com os membros de falsas religiões em uma noção herética do “Reino de Deus”. O Papa Pio XI com razão ensinou em sua encíclica de 1928 contra o ecumenismo, Mortalium Animos: “A Unidade não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer e de uma só fé entre os cristãos.” Do mesmo modo, Papa Pio XII ensinou em sua Instrução sobre o Movimento Ecumênico que “A verdadeira união somente poderá vir do retorno dos dissidentes à única e verdadeira Igreja de Cristo (a Igreja Católica).”[17]

Mas, no presente, a heresia inter-religiosa é dominante, e se ergue para reclamar o Santuário de Fátima como sua próxima vítima.

 

Fátima: Um Santuário inter-religioso?

Na ocasião, não vi relatos deste Congresso na imprensa religiosa ou secular. Duas semanas depois, no entanto, a edição de 1o. de Novembro do periódico Portugal News [V. Apêndice III com o original desta notícia], sediado em Lisboa, publicou em Inglês um artigo intitulado “Fátima se tornará um Santuário Inter-religioso”. O artigo dizia, “Os representantes que participaram do congresso inter-religioso anual “O Futuro de Deus”, promovido pelo Vaticano e pelas Nações Unidas, outubro, em Fátima, foram informados de que o Santuário se tornará um centro onde todas religiões do mundo se reuniram para prestar culto a seus diversos deuses.”     

A notícia citava o Reitor do Santuário, Monsenhor Guerra, que disse no Congresso que Fátima “mudará para melhor”. Portugal News acrescentava ainda esta citação de Mons. Guerra: “O futuro de Fátima, ou a adoração de Deus e de Sua Mãe neste Santuário sagrado, tem de passar pela criação de um templo onde as diferentes religiões possam se misturar. O diálogo inter-religioso em Portugal, e na Igreja Católica, está ainda em um estágio embrionário, mas o Santuário de Fátima não está indiferente a este fato e já se abriu à idéia de tornar-se, por vocação, um centro universal.”

“Monsenhor Guerra”, diz o periódico Portugal News, “assinalou que o fato mesmo de ser Fátima o nome da filha muçulmana de Maomé, é um indício de que o Santuário tem de se abrir para a coexistência de várias fés e crenças. Segundo o Mons.: “Temos, portanto, de assumir que foi da vontade da Santíssima Virgem Maria que as coisas acontecessem desta maneira.” Católicos tradicionais que se opuseram ao Congresso foram descritos pelo Monsenhor como ‘antiquados, tacanhos, extremistas fanáticos e provocadores’.”

Cito o Portugal News neste ponto porque não ouvi Monsenhor Guerra fazendo estas declarações no Congresso. Mas, novamente, pode ser que eu a tenha perdido. Monsenhor Guerra falou em Português, e, como já fiz notar, a tradução simultânea para o inglês era de péssima qualidade. Apesar de tudo, a idéia de Fátima se tornar um Santuário “inter-religioso” é consistente com tudo que ouvi naquele fim-de-semana, especialmente no domingo, quando membros de várias religiões deram seus testemunhos sobre a importância dos “Santuários” em suas tradições religiosas. 

Os conferencistas deste Domingo incluíam católicos, ortodoxos, anglicanos, hindus, muçulmanos, bem como um budista que convidou a todos para visitar o santuário Budista Zenkoji, no Japão; e até distribuiu a cada um panfletos coloridos do santuário de sua religião.

Mas o testemunho do católico proveu-se o mais problemático, e foi, talvez, um presságio do que em breve teremos em Fátima.

O Padre Arul Irudayam, reitor do Santuário Mariano da Basílica de Vailankanni, na Índia, discorreu inicialmente e belamente sobre a história deste santuário, onde ocorreu uma aparição de Nossa Senhora. O Santuário recebe milhões de peregrinos por ano, incluindo muitos hindus.  

Padre Irudayam então se regozijou que, como mais um avanço da prática inter-religiosa, os hindus executem hoje suas cerimônias religiosas na igreja.

Claro está, os conferencistas ficaram entusiasmados de ouvir que uma igreja católica é utilizada para o culto pagão, mas eu fiquei aterrorizado. A Sagrada Escritura ensina claramente que “os deuses dos gentios são demônios”. (Sl 95, 5). E a verdade de que os deuses hindus são demônios foi confirmada por um dos maiores missionários de todos os tempos, São Francisco Xavier.

 

Um Budista distribui a todos os presentes um panfleto convidando à visita ao santuário budista de Zenkoji.

        

Durante as missões, S. Francisco Xavier encontrava uma particular alegria na companhia de seus pequenos discípulos. Ele se impressionava com o enorme comprometimento que estes moços demonstravam, e com a avidez com que aprendiam as preces e ensinavam-nas aos demais. Os moços “também tinham um grande horror pelas práticas idólatras dos pagãos”, em outras palavras, pelas práticas do hinduísmo. Os moços freqüentemente “reprovavam seus pais e mães se acaso se envolvessem com as cerimônias pagãs, e corriam ao padre, para contar-lhe a respeito.”

Quando S. Francisco Xavier ouvia que, “fora da povoação havia alguém praticando idolatria, ele reunia todos os moços — e isto foi algo que ele também fez em outras aldeias que visitou — e com eles ia ao lugar onde foram erigidos estes ídolos. Os moços destruíam as imagens de barro dos demônios até transformá-las em pó. Depois cuspia e pisava nelas.” O biógrafo de São Francisco Xavier explica que estes moços “agindo assim, mais insultavam os demônios do que os honravam os seus pais.” [19]

Ainda que este episódio possa deixar os sacerdotes ecumênicos indignados, é claro que São Francisco Xavier reconheceu com toda razão que “os deuses das gentes são demônios”; no caso, os “deuses” do hinduísmo. No entanto, estes “demônios” são adorados no santuário Vailankanni de Nossa Senhora, na Índia. O reitor do Santuário de Fátima, bem como os demais participantes, aplaudiram o discurso em que se falou sobre a prática de hinduísmo no Santuário católico.

É claro que, se os católicos não se organizarem e protestarem, será apenas uma questão de tempo para que esta blasfêmia ocorra em Fátima, especialmente uma vez que projetos estão a caminho para a construção de um novo Santuário em Fátima. 

Portugal News informou: “o Santuário de Fátima está prestes a passar por uma total reconstrução, com uma nova basílica, em formato de estádio, a ser construída perto da existente, construída em 1921.” [20] Cerca de um ano atrás, eu vi uma foto da maquetes. Trata-se de uma monstruosidade moderna abominável, que mais parece o hangar futurístico de uma nave espacial. 

 

Acima, o horrendo Santuário de 40 milhões de euros que a hierarquia modernista de Portugal planeja construir em Fátima.

 

Castigo

A nova religião ecumênica proposta em Fátima, ameaça a salvação de incontáveis almas, uma vez que diz aos não-católicos que permaneçam na escuridão de suas falsas religiões. Ela também ameaça ser causa de um grande castigo.

No início do século XX, o eminente sacerdote europeu Cardeal Mercier, citando o permanente ensino dos Papas, declarou que a Primeira Guerra Mundial foi, em verdade, uma punição pelos crimes das nações, que colocaram a única Religião Verdadeira no mesmo nível das falsas crenças (como o faz a religião ecumênica promovida no Congresso de Fátima). Disse o Cardeal Mercier:

“Em nome do Evangelho, e sob a luz das Encíclicas dos últimos quatro Papas, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII e Pio X, eu não hesito em afirmar que este indiferentismo religioso, que põe no mesmo nível a religião de origem divina e as religiões inventadas pelos homens, para incluí-las no mesmo ceticismo, é a blasfêmia que clama aos céus por castigo na sociedade, mais ainda que os pecados dos indivíduos e de suas famílias.” [21]

O que diriam o Cardeal Mercier e os Papas por ele citados desta nova tentativa de produzir uma “paz e harmonia entre as religiões”, onde os sacerdotes católicos colocam a única religião verdadeira como um “parceiro igual” das falsas religiões e credos pagãos? Como Deus reagirá a esta “blasfêmia que clama aos céus por castigo na sociedade”? Que tipo de castigo o céu enviará, uma vez que à terra de Fátima, santificada pela presença de Nossa Senhora, e ao Santuário a ela consagrado, se permite que seja dessacralizado com o culto de falsos deuses? Em face disto, os católicos não podem ser complacentes.

O mais perturbador de tudo, é que a nova religião ecumênica proclamada neste Congresso de Fátima, é de fato a religião da maçonaria. Disse Yves Marsaudon, maçom, em aprovação:

“Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da maçonaria... em nosso tempo, nosso irmão Franklin Roosevelt, reivindicou para todos eles a possibilidade de “adorar a Deus, conforme os princípios e convicções de cada um”. Isto é tolerância, e é também ecumenismo. Nós, maçons tradicionais, nos permitimos parafrasear e transpor esta sentença de um celebrado estadista, adaptando-a às circunstâncias: católicos, ortodoxos, protestantes, israelitas, muçulmanos, hindus, budistas, livre-pensadores, livre-crentes, para nós, estes são apenas os prenomes: Maçonaria, é este o sobrenome.” [22]

Esta religião maçônica é hoje promovida em Fátima. Eu a ouvi, da fala macia do padre Jacques Dupuis. No entanto, as palavras de Dupuis eram um torrão de doutrina maçônica do submundo coberta de açúcar. Foi o Papa Pio VIII que disse da maçonaria, “seu deus é o diabo”. [23]

No entanto, não nos deveria surpreender que almas consagradas tenham sucumbido ao poder do demônio. Irmã Lúcia o predisse, quarenta anos atrás. 

 

Os Avisos de Irmã Lúcia

Em sua entrevista de 1957 com o padre Fuentes, irmã Lúcia fez o profético aviso:

“Padre, o demônio está prestes a engajar-se em uma batalha decisiva contra a Santíssima Virgem. E o demônio sabe o que mais ofende a Deus, e o que, em pouco espaço de tempo, conseguirá para ele o maior número de almas. Assim, o demônio faz tudo para conquistar as almas consagradas a Deus, porque, deste modo, o demônio conseguirá deixar as almas dos fiéis abandonadas por seus guias, e assim mais facilmente as derrubará.”

Irmã Lúcia continua,

“O que mais aflige ao Imaculado Coração de Maria e ao Coração de Jesus é a queda das almas religiosas e sacerdotais. O demônio sabe que os religiosos e padres que se afastam de sua bela vocação arrastam consigo um número de almas para o inferno... o demônio quer conquistar as almas consagradas. Ele os tentará corromper para adormecer as almas dos leigos e, assim, levá-los à impenitência final...”[24] 

As palavras proféticas de irmã Lúcia desdobram-se perante nossos olhos no Congresso pan-religioso de Fátima. Aqui vemos o demônio “conquistar as almas” consagradas a Deus. Vemos padres, religiosos, bispos, que “se afastam de sua bela vocação” de ensinar as verdades da fé católica, e que “arrastam consigo um número de almas para o inferno” por seu perverso ensino ecumênico.

O Cardeal de Lisboa, o Bispo de Fátima, e o Reitor do Santuário, todos fizeram o juramento anti-modernista em suas ordenações. [25] Um juramento perante Deus é um ato sagrado, e trair tal juramento é um pecado mortal contra o Segundo mandamento, “Não falarás o nome de Deus em vão”. Contudo, estes todos no Congresso de Fátima traíram este juramento ao propor uma nova religião modernista que diz que as verdades católicas de ontem não podem ser “verdades” católicas de hoje. Como Mons. Fenton assinalou décadas atrás, “o homem que ensinou ou, de qualquer modo que seja, colaborou na disseminação ou proteção do ensinamento modernista” após ter feito o juramento anti-modernista, “se conspurcaria, não apenas como um pecador contra a fé católica, mas também como um vulgar perjuro”. [26]

Podemos concluir que o Padre Jacques Dupuis, o Cardeal José da Cruz Policarpo de Lisboa, o Bispo Serafim de Sousa Ferreira e Silva, de Fátima-Leiria, e o Reitor do Santuário de Fátima, Mons. Guerra, promoveram o modernismo e, assim, são pecadores contra a fé católica e também vulgares perjuros. É um crime contra Deus e contra a justiça que estes homens mantenham a autoridade na terra de Portugal, onde apareu Nossa Senhora.

Na década de 90, em uma estação de rádio mexicana, o reitor do santuário de Guadalupe negou a verdade de que Nossa Senhora de Guadalupe apareceu em Tepayac. A população do México indignou-se e protestou contra a audácia. Em um ano, o Reitor do Santuário tinha saído. [27] O mesmo tem de ser feito em Fátima.

Católicos em todo o mundo tem de unir e protestar contra o escândalo que ocorreu, e que continuará a ocorrer, contra a fé católica e contra a Mãe de Deus. 

Devemos igualmente nos unir em súplicas de reparação pelas blasfêmias contra a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo, cuja Mãe veio em Fátima trazer uma mensagem a todo o gênero humano, Mãe que hoje é traída por sacerdotes da alta hierarquia, e, mais especialmente, da hierarquia de Portugal.

      

Notas:

1. Papa Pio IX, Syllabus, 1864, Proposição Condenada #18. Popes Against Modern Errors: 16 Papal Documents, (Rockford: Tan, 1999), p. 30.

2. Em 1944, o eminente teólogo belga, Padre Francis Connell, tendo por base o ensino constante dos Papas, lembrou aos católicos que eles têm um dever de caridade de dizer aos não-Católicos que eles estão em grande risco de perder suas almas se permanecerem no erro. Ele disse, “longe de minimizar a exclusividade da religião católica, nosso povo deveria ser instruído sem hesitação, sempre que a ocasião permitir, e deveria ser avisado aos não-católicos que nós os consideramos privados dos meios ordinários de salvação, ainda que seja ótima as suas intenções.” Citado do Padre Francis Connell, "Communication with Non-Catholics in Sacred Rites, American Ecclesiastical Review, Set., 1944.

3. Nossa Senhora de Fátima pediu especificamente pelos primeiros cinco sábados em reparação pelas blasfêmias contra Seu Imaculado Coração, blasfêmias que são o fruto destas falsas religiões. 

4. Publicado em Catholic Family News.

5. Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, 4 de Fevereiro de 1442. 

6. V. The Source of Catholic Dogma, Ludwig Ott (primeira edição em 1960, reprint feito por Tan Books, Rockford, IL), pág. 4-6.

7. Extraído de Hail Mary, Full of Grace, Still River, MA, 1957, pág. 107. Também poderíamos citar São Francisco de Assis, que disse firmemente, “Todos aqueles que não acreditaram que Jesus Cristo é realmente o Filho de Deus, estão condenados. Também o estão todos que vêem o Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo e não acreditam que é verdadeiramente o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor ... também estes estão condenados!”. Citado de Admonitio prima de Corpore Christi (Quaracchi edition, pág. 4), citado de Johannes Jorgensen, St. Francis of Assisi, (New York: Longmans, Green and Co., 1912), pág. 55. 

8. Instructions on the Commandments and Sacraments. Devemos notar que Mons. Joseph Clifford Fenton, antigo editor do The American Ecclesiastical Review, e um dos mais eminentes teólogos do século XX, alertou que a doutrina do “fora da Igreja não há salvação” é um dos principais dogmas negados em nosso tempo.” Em 1958, quatro anos antes do Vaticano II, Mons. Fenton escreveu, “Em cada era da Igreja houve alguma porção de sua doutrina que os homens estiveram inclinados a mal interpretar ou mesmo negar. Em nosso tempo, é a parte da verdade católica trazida com especial clareza e força por São Pedro, em seu primeiro sermão de missionário em Jerusalém. É, de algum modo, impopular hoje insistir, como o fez S. Pedro, que aqueles fora da verdadeira Igreja de Cristo estão necessitados de abandonar suas próprias posições e ingressar na ecclesia. Não obstante, esta verdade é parte da própria revelação de Deus.”( V. Mons. Joseph Clifford Fenton, The Catholic Church and Salvation, Newman Press, 1958, pág. 145.) 

9. Documentation Information Catholique Internationale (DICI), November 3, 2003. 

10. V. "It Doesn’t Add Up", de John Vennari, especialmente a última parte, "Don’t Rain on My Charade", The Fatima Crusader, Edição #70, Primavera 2002. Disponível on-line:http://www.fatima.org/library/cr70pg12.htm

11. Sessão V, sobre o Pecado Original. V. Denzinger #787. 

12. V. texto do Concílio de Florença supracitado.

13. “O Espírito Santo não foi prometido ao sucessor de Pedro para que, pela revelação do Santo Espírito, possam eles revelar novas doutrinas, mas para que, com Seu auxílio, possam eles guardar santamente a revelação transmitida pelos Apóstolos e pelo depósito da Fé, e o possam fielmente expor.” (Concílio Vaticano I, sessão II, cap. IV, Dei Filius). O eminente teólogo Mons. Fenton emprega este texto para explicar que “os dogmas católicos são imutáveis... as mesmas idênticas verdades são sempre apresentes ao povo como reveladas por Deus. Seu significado nunca muda.” (We Stand With Christ, Mons. Joseph Clifford Fenton, (Bruce, 1942) pág. 2.)

14. Citação do livro The Catholic Dogma, de padre Michael Muller (Benzinger Brothers, 1888), p. xi. É nossa a marcação em negrito.

15. Papa Leão XII, Encíclica Immortale Dei, citada a partir de The Kingship of Christ and Organized Naturalism, padre Denis Fahey (Regina Publications, Dublin, 1943), págs. 7-8. 

16. The Raccolta, Benzinger Brothers, Boston, 1957, No. 626 (O Destaque é nosso).

17. Instructio (Instrução da Santa Sé sobre o Movimento Ecumênico, 20 de Dezembro de 1949). A íntegra da tradução em inglês foi publicada em The Tablet (London), 4 de Março de 1950. 

18. Portugal News, edição on-line, 1o. de November de 2003.

19. Francis Xavier, His Life and Times, Volume II, India, 1541-1545, George Schurhammer, S.J. (tradução inglesa publicada pelo Instituto Histórico Jesuita de Roma em 1977), pág. 310.

20. Talvez seja este um erro tipográfico do Portugal News. A pequena Capelinha foi construída em 1921. A presente Basílica do Santuário de Fátima foi construída em 1951. 

21. Carta pastoral do Cardeal Mercier, 1918, The Lesson of Events. Citado em The Kingship of Christ and Organized Naturalism, padre Denis Fahey (Dublin: Regina Publications, 1943), pág. 36. 

22. Yves Marsaudon, Oecumènisme vu par un Maçon de Tradition (págs. 119-120). Tradução inglesa tirada de Peter Lovest Thou Me? (Instauratio Press, 1988), pág. 170. 

23. Papa Pio VIII, citado em Papacy and Freemasonry, Mons. Jouin.

24. Fatima in Twilight, Mark Fellows, (Niagara Falls: Marmion, 2003), pág. 145.

25. Todos padres tinham de fazer este Juramente anti-modernista até que, tragicamente, foi ele abolido por Paulo Vi em 1967. Aparentemente, todos os padres que menciono foram ordenados antes de 1967. Mas, mesmo se um padre não fizer o juramente, ele está, ainda assim, proibido de promover o Modernismo ou qualquer outra heresia. É ainda contra a Fé Católica fazê-lo.

26. "Sacrorum Antistitum and the Background of the Oath Against Modernism," Mons. Joseph Clifford Fenton, The American Ecclesiastical Review, Outubro de 1960, págs. 259-260.

27. V. Fatima Priest, Francis Alban (Pound Ridge: Good Counsel Publications, 1997), Capítulo 14, pág. 160 (2a. edição).

Do pentecostalismo à apostasia

O Concílio de Trento definiu dogmaticamente que sem a Fé Católica, "é impossível agradar a Deus." 1

 A Igreja Católica também definiu ex cathedra, que só há uma verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica, fora da qual não há nenhuma salvação. 2

Papa Leão XIII, explicitando o ensinamento sobre este ponto, ensinou:

"Desde que a ninguém é permitido ser negligente no serviço devido a Deus …. somos absolutamente obrigados a adorar Deus da maneira que Ele mesmo mostrou que deseja ser adorado … Não deve ser difícil descobrir qual é a religião verdadeira se esta é procurada com uma mente imparcial e sincera; as provas são abundantes e evidentes …. De todas estas [provas] é evidente que a única religião verdadeira é a estabelecida por Jesus Cristo mesmo, e Ele encarregou à Sua Igreja de proteger e propagar esta fé." 3

Destas fontes, e de incontáveis outros ensinos do Magistério, está claro que a única religião positivamente desejada por Deus é a religião estabelecida por Cristo mesmo, a Igreja Católica.

Todavia, na Liturgia da Sexta-Feira Santa no Vaticano, em 2002, o Pregador da Casa Pontifícia, o padre Capuchinho Raniero Cantalamessa, disse que as outras religiões " não são meramente toleradas por Deus … mas positivamente desejadas por Ele como uma expressão da riqueza inesgotável da Sua graça e de Seu desejo de que todos sejam salvos." 4

Isto, em resumo, é apostasia.

São João, o Apóstolo do Amor, disse: "Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho" (1Jo 2,22). Assim, Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo, Budismo e qualquer religião que rejeita o Cristo, de acordo com a Escritura, é uma religião do Anticristo.

A respeito das religiões heréticas, como por exemplo, a "Igreja Ortodoxa" e o Protestantismo, São Paulo ensina-nos que falsos credos são "doutrinas de demônios'' (1Tm 4,1).

Como, então, podem as religiões do Anticristo, e falsos credos de heréticos, que são "doutrinas de demônios", serem consideradas como "não meramente toleradas por Deus mas positivamente desejadas por Ele"? Isto significaria dizer que Deus positivamente deseja a existência de religiões que ensinam que Jesus Cristo não é Deus e o Salvador da humanidade (como fazem as religiões não-cristãs). Significa que Deus positivamente deseja a existência de religiões que, tal como o protestantismo, ensinam que Cristo não estabeleceu a Igreja, não estabeleceu a Sagrada Eucaristia e não estabeleceu os Sacramentos. Também significa que essas seitas protestantes que permanecem no ódio contra a devoção a Bem-Aventurada Mãe de Deus, são positivamente desejadas por Deus. E isto, apesar do fato que Nossa Senhora de Fátima pediu os Cinco Primeiros Sábados de reparação para com as blasfêmias contra seu Imaculado Coração, que são justamente os frutos destas falsas religiões.

Em resumo, o sermão do Pe. Cantalamessa pretende dizer que Deus positivamente quer o erro. Que Deus positivamente quer mentiras. Que Deus positivamente quer o mal.

Nosso Senhor certamente permite o mal, porque não interfere com a vontade livre do homem. Mas é blasfêmia afirmar que Deus deseja algo de mal, visto que Deus não pode desejar senão aquilo que é bom.

Jesus está cheio de orgulho?

As blasfêmias do Pe. Cantalamessa não terminam aqui. Ele também afirma que Deus é "humilde ao salvar", e a Igreja deve seguir o exemplo. "Cristo é mais preocupado com que todas as pessoas sejam salvas do que com o fato de que elas devam conhecer quem é seu Salvador”. Disse isso para um grande público na Basílica de São Pedro, que incluiu o Papa João Paulo II e altos oficiais do Vaticano.

Pode soar doce o que ele disse, mas o Pe. Cantalamessa indiretamente acusa Jesus Cristo de orgulho. Quando diz, "Cristo é mais preocupado com que todas as pessoas sejam salvas do que com o fato de que elas devam conhecer quem é seu Salvador”, este é um “piedoso” desprezo ao ensinamento pré-Vaticano II de 2000 anos que assegura ser necessário para a alma, conhecer, amar e servir Cristo neste mundo, se deseja ser feliz com Ele eternamente no próximo. O Pe. Cantalamessa assim defende o ensino heterodoxo [e herético] do Pe. Karl Rahner dos “cristãos anônimos”.

 De fato, somente há 50 anos atrás, se um estudante de sete anos de idade, expressasse esta nova doutrina do Pe. Cantalamessa, ele teria sido considerado inadequado para receber sua primeira Sagrada Comunhão. Agora, 40 anos dentro da "nova Primavera” de Vaticano II, esta apostasia é pregada em uma Sexta-Feira Santa no Vaticano pelo pregador da Casa Pontifícia.

Este episódio também revela uma das muitas desvantagens da Internet. As notícias da homilia do Pe. Cantalamessa foram transmitidas ao redor do mundo via Internet a milhares de católicos que, de outro modo, nunca teriam ouvido falar dela. O resultado é que muitos católicos receberam as palavras do Capuchinho transmitidas em São Pedro supondo que, de alguma maneira, elas se aproximam do nível de Ensino do Magistério. Isto não é verdade. O discurso do Pe. Cantalamessa na Sexta-Feira Santa é simplesmente outra homilia cheia de erros feita por um carismático. E nada mais do que isso.

O Pregador Pentecostal do Papa.

Quem é o Pe. Raniero Cantalamessa?

Para descobrimos sua história, nós devemos voltar ao ano de 1977, na Conferência Carismática pan-denominacional, realizada em um estádio de futebol americano na cidade do Kansas, Missouri. Esta Conferência foi assistida por 50.000 pessoas de pelo menos 10 denominações diferentes incluindo batistas, católicos, Episcopalianos, Luteranos, judeus Messiânicos, "cristãos" sem denominação, Pentecostais e Metodistas Unidos. 5

Em certo ponto da mesma, em que o protestante Bob Mumford pregava aos 50.000 presentes, Mumford levantou para cima sua Bíblia e disse, "E se você der uma espiada no fim do livro, Jesus vence!" Isto fez a multidão entrar em pandemônio. O estádio de futebol inteiro repentinamente estourou numa longa aclamação, num "louvor-frenesi", que durou aproximadamente 17 minutos.

Os carismáticos chamam isto de "o Impacto do Espírito Santo". Interpretam este entusiasmo natural, essa exacerbação de ânimo, como o Espírito Santo “movendo-se através da multidão”, unindo a multidão (contendo católicos e membros de várias denominações), e inspirando este júbilo delirante. Isto, de acordo com eles, é a "derrubada das barreiras denominacionais”, que é, segundo eles, positivamente desejada pelo Espírito Santo, mesmo que isto desafie 2000 anos do ensinamento católico sobre uma Única e Verdadeira Igreja de Cristo. Também desafia o ensino tradicional católico que proíbe católicos de empenharem-se em positiva camaradagem religiosa com falsas religiões. 6

Apesar disso, na Conferência da Cidade do Kansas, lá estava um sacerdote Capuchinho chamado Pe. Raniero Cantalamessa que tinha ido de Milão para aquele lugar, investigar o Movimento Carismático. Ficou tão impressionado com aquele louvor-frenesi baseado numa algazarra barulhenta, que ele próprio se tornou, na gíria carismática, um "ungido pregador da Renovação Carismática." 7

Em 1980, este mesmo Pe. Cantalamessa foi designado pelo Papa João Paulo II como Pregador da Casa Pontifícia. Agora, para este "ungido pregador", é dado um púlpito na Basílica de São Pedro, em uma Sexta-Feira Santa, para contar ao mundo que Deus O protestante Bob Mumford foi convidado para falar aos “católicos” carismáticos. Que "espírito" ele está transmitindo? positivamente deseja falsas religiões.

Não é de estranhar que outro teólogo papal, Cardeal Luigi Ciappi, que teve acesso ao Terceiro Segredo de Fátima de forma completa, disse "No Terceiro Segredo é revelado, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará pelo topo." 8

O erro não é um dom do Espírito Santo

O sermão da Sexta-Feira Santa do Pe. Cantalamessa é uma de muitas poderosas demonstrações de que o Movimento Carismático não é verdadeiramente de Deus. Os carismáticos reivindicam, diretamente ou indiretamente, que eles têm uma “linha quente” especial (hotline) para o Espírito Santo, que outros cristãos não possuem. Proclamam especialmente serem cheios do Espírito! Mas se um católico "é cheio do Espírito", deve ser evidente por suas palavras e ações que ele está cheio com os Sete Dons do Espírito Santo.

Um dos Sete Dons do Espírito Santo é o Dom de Inteligência, que dá um entendimento mais profundo para a alma, das verdades reveladas. O Pe. Adolph Tanquerey define-o como "um dom que, sob a iluminadora ação do Espírito Santo, dá-nos uma percepção profunda das verdades reveladas, sem entretanto nos dar uma compreensão dos mistérios em si mesmos.” 9

O efeito do Dom de Inteligência é que nos capacita a penetrar no núcleo mesmo das verdades reveladas e nos dá uma profunda compreensão delas. Contudo, dos carismáticos, que continuamente vangloriam-se de "serem cheios até o transbordamento com o Espírito," constantemente jorram erros religiosos10

. Longe de possuírem o Dom de Inteligência, eles demonstram desconhecerem até as verdades mais fundamentais e básicas da Fé católica.

De fato, como se pode ver em meu livro Close-ups of the Charismatic Movement, o movimento Carismático na Igreja Católica foi fundado, como um todo, num objetivo pecado mortal contra a Fé.

Em 1967, um grupo de católicos em Pittsburgh participaram de uma reunião pentecostal protestante. Os protestantes, que como membros de uma religião herética não possuem nenhum poder sacramental, impuseram suas mãos sobre os católicos. Estes católicos começaram a tagarelar em "línguas" e proclamaram estarem "cheios com o Espírito até o transbordamento”, como um resultado disso.

As ações destes católicos desobedeceram ao Código de Direito Canônico de 1917, que estava em força (vigente) até 1983. O cânone 1258 determina que "absolutamente não é lícito para o fiel estar ativamente presente e nem tomar parte em cerimônias não-católicas". Contudo, de acordo com os carismáticos, os católicos serão recompensados com um influxo especial do Espírito Santo se eles transgredirem a lei da Igreja.

Além disso, procurando santidade de membros de seitas não-católicas, desafiam o ensino Católico de que nenhuma salvação nem santidade é achada em religiões não-católicas. O Papa Pio XII reafirmou esta doutrina dentro do contexto de uma oração a Santíssima Virgem:

“Ó Maria, Mãe de Misericórdia e Sede da Sabedoria! Ilumine as mentes envolvidas na escuridão da ignorância e do pecado, para que eles possam claramente reconhecer a Santa, Católica, Apostólica, Igreja Romana, como a Única e Verdadeira Igreja de Jesus Cristo, fora da qual nem santidade nem salvação podem ser encontradas" (RAC: 626,11).

Por contraste, o "Pentecostalismo Católico”, nas palavras de seu estimado pregador, proclama que religiões não-católicas nas quais "nem santidade nem salvação podem ser encontradas", são positivamente desejadas por Deus.

Aqui nós vemos uma, das muitas maneiras nas quais o "Pentecostalismo Católico" conduz a apostasia. 

  1. 1. Sessão V sobre o Pecado Original. Veja Denzinger Nº 787.
  2. 2. A Igreja definiu esta verdade três vezes. A definição mais explícita e enérgica vem do Papa Eugênio IV quando definiu ex cathedra no Concílio de Florença em 4 de fevereiro de 1442: "A Santíssima Igreja Romana firmemente acredita, professa, e prega que nenhum desses que habitam fora da Igreja Católica, não somente pagãos, mas também judeus, heréticos e cismáticos, jamais podem ser participantes da Vida Eterna, mas que eles devem entrar no fogo eterno "que foi preparado para o demônio e seus anjos," (Mt 25, 41) a menos que antes da morte eles se juntem a Ela; … Ninguém, embora sua caridade seja tão grande quanto possível, ninguém, ainda que derrame seu sangue pelo Nome de Cristo, pode ser salvo a menos que dentro de si permaneça obediente e unido a Igreja Católica".
  3. 3. Papa Leão XIII, Encíclica, Immortale Dei, apud Denis Fahey, The Kingship of Christ and Organized Naturalism (Dublin: Regina Publications, 1943), pp.7-8.
  4. 4. Todas as citações do sermão do Pe. Cantalamessa são de 02 de abril de 2002, Catholic News Service report.
  5. 5. Veja detalhes em John Vennari, Close-ups of the Charismatic Movement, (TIA, Los Angeles, 2002), Capítulo I.
  6. 6. Papa Pio XI, Encíclica Mortalium Animos; George Hay, "Ecumenismo Condenado pelas Sagradas Escrituras."
  7. 7. Eu vi Kevin Ranaghan contar esta história na Conferência Carismática “Católica” de 30º aniversário em Pittsburgh. A Conferência, chamada "Testemunha" (Witness), é produzida em cassete por Resurrection Tapes.
  8. 8. Apud Gerard Mura, "The Third Secret of Fatima - Has it Been Completely Revealed?" (O Terceiro Segredo de Fátima – Ele foi completamente revelado?) Catholic Family News, março 2002.
  9. 9. Adolph Tanquerey, The Spiritual Life: A Treatise on Ascetical and Mystical Theology, (Tournai: Desclee, 1930), pp. 627-628.
  10. 10. para maiores detalhes, veja J. Vennari, Close-ups of the Charismatic Movement, passim.
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