OS “FRUTOS” DO CONCÍLIO

 

Recebemos e respondemos:

«Reverendos padres de sì sì no no:

Gostaria de perguntar-lhes o que ganhamos os católicos com o Concílio. Pelo que posso comprovar, o Concílio não nos abriu de par em par as portas do paraíso para que possamos entrar nele em carro triunfal. Meus pais e meus catequistas me ensinaram que os mandamentos começam com uma premissa: “Eu sou o Senhor teu Deus e não terás outros deuses fora de mim”. No Credo se diz: “creio em um só Deus”, e também “creio na Igreja una, santa, católica; professo um só batismo”; e igualmente se diz que “fora da Igreja [una, santa, católica] não há salvação”.

Ademais, agora se recebe a comunhão na mão e de pé, ao mesmo tempo que diante do Santíssimo exposto se pode estar comodamente sentado; o jejum eucarístico é quase inexistente; meu pai me contava que vira coisas tremendas nas igrejas [...] . Mas hoje se vêem mais: o Papa indo rezar com os protestantes, os budistas, os judeus, e também entrando em uma mesquita após descalçar-se altivamente (não se prosternou por terra, mas isso talvez porque seus achaques o impedissem).

Em outras palavras, o Deus único e verdadeiro foi rebaixado de categoria. Já não merece as honras que nós, os católicos, lhe tributávamos no passado. Meu pai estava horrorizado por tudo o que havia visto e por isso não ia nunca à igreja quando se celebravam os ofícios; apesar de tudo, ia quase diariamente, mas sempre quando não estavam os padres. Eu procuro fazer o mesmo. Agradecer-lhes-ia que me dissessem se estou errado.»

 

Carta assinada

 

Resposta

 

O que ganhamos com o Concílio, vemo-lo claramente há 27 anos: o triunfo do clero incrédulo e desobediente ao magistério constante e infalível da Igreja (triunfo efêmero, porque portae inferi non praevalebunt, mas ruinosíssimo para as almas); o silêncio culpável dos eclesiásticos bons mas timoratos, que por isso levam «em vão [e para sua própria ruína] o nome de pastores» (São Gregório Magno), e, por último, a desorientação ou a perversão de grande parte do rebanho.

Não falamos da honra de Cristo e da sua Igreja, conquanto devêssemos tê-la posto em primeiro lugar; honra pisoteada hoje, nesta verdadeira “hora de Judas”, por seus próprios ministros.

São Pio X lamentou na encíclica Jucunda sane que a sociedade civil, conquanto gozasse de tanta luz proveniente da civilização cristã, não só rejeitava aquela vida sobrenatural que, encerrando e reforçando todas as outras energias da vida, até as de ordem natural, «foi e continua sendo ainda a fonte principal e amiúde única de tão grandes bens», mas que punha também «em perigo a raiz primeira da árvore [da vida] que é a Igreja, e se esforça por secar seu suco vital, para que a ruína desta seja mais segura e ela não brote mais». Por acaso podemos dizer nós outra coisa dos eclesiásticos “modernizados”, que parecem ter assumido também o ódio do “mundo moderno” à Igreja?

Pois, se os tivesse animado a ilusão funesta de prestar um serviço à Igreja conquistando mais facilmente os equivocados partindo ao meio a Verdade indivisível, hoje, mais de trinta anos depois, deveriam ser mais que capazes de constatar que malbarataram suas energias para edificar sobre areia e que, em vez de salvar os equivocados, estão perdendo seu rebanho e se estão perdendo a si próprios. Mas assim é: « (...) desvaneceram-se nos seus pensamentos, e obscureceu-se o seu coração insensato; porque, dizendo ser sábios, tornaram-se estultos» (Rom 1, 21-22).

E que devemos fazer nós? Examinar tudo à grande luz do magistério infalível (solene e constante) da Igreja; permanecer fiéis a todo o custo; fazer todo o bem que por hora seja possível realizar, e estar seguros de que Deus providebit. Sim, Deus onipotente e misericordioso proverá do necessário a sua Igreja e as almas que o buscam com coração sincero. No decurso dos séculos, inimigos poderosos se levantaram contra a Igreja dentro e fora, hereges isolados ou em massa, como os arianos; a Igreja pareceu oscilar, seus inimigos chegaram a ter a ilusão de tê-la vencido. Mas eles passaram, enquanto a Igreja permanece. Os primeiros cristãos não hesitaram ao ver a Igreja nascente em perigo e reduzida pelo martírio dos fiéis e pelas defecções dos fracos. Tampouco nós devemos nem podemos hesitar hoje, após dois mil anos de vitórias, e apesar das guerras e dos triunfos parciais e momentâneos dos inimigos: «as potências infernais não prevalecerão»; «o céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão».

Quanto à pergunta sobre a missa, respondemos que temos o dever de procurar e freqüentar, na medida em que o possamos, os centros de missa tradicional, e, quando não o possamos, continuaremos obrigados a santificar as festas com a oração, as boas obras e a instrução religiosa, hoje mais necessária que nunca, porque muitos católicos foram enganados pelos eclesiásticos neomodernistas e continuam a ser por causa, precisamente, de sua culpável ignorância até das verdades de fé mais elementares.