A
Teologia
do
Sacrifício
da
Missa
A “Confissão
de Augsburgo”,
protestante,
viu
bem
a
mudança
radical
do
novo
rito
da
missa,
ao
declarar:
“Nós
fazemos
uso
das
novas
preces
eucarísticas (católicas)
que
têm a
vantagem
de
pulverizar
(reduzir
a
pó)
a
teologia
do
Sacrifício”
(“L' Eglise d' Alsace”,
dez/73
e jan/74.
Apud
“La Messa di Lutero”,
por
Dom
Lefebvre).
Essas “preces
eucarísticas” da
missa
nova,
oficialmente
em
número
de
quatro,
mas
que
já
são
muito
mais,
correspondem ao
único
“Cânon” da
Missa
tradicional. É a
parte
central
e sacrifical da
Missa,
e
que
fica
entre
o “Sanctus” e o “Pater Noster”. É
exclusiva
do celebrante
que
deve pronunciá-la
em
latim
e
em
voz
baixa
(Concílio
de Trento). Nela tem
lugar
a
grande
“Ação
sacrifical de Jesus
Cristo”,
que
Ele
renova na
Consagração.
É
através
dela
que
Cristo
se
torna
presente
realmente,
e se coloca
sob
as
Espécies
Sacramentais
em
estado
de
Vítima
imolada.
Aí
renova
Ele
a
oblação
sacrifical
que
fez de
si
mesmo
ao
Pai
na
Cruz.
E
isso,
em
virtude
da
Ordem
(Sacramento
do
sacerdócio)
que
deu aos
Apóstolos
de fazerem o
mesmo
que
ele
tinha
feito
(Lc. 22,19).
É o
seu
ato
sacrifical,
que
é
único
e
uno,
e
que
foi realizado uma
vez
por
todas,
cruentamente
na
Cruz
e misticamente, na
última
Ceia.
E
que,
por
sua
ordem,
de
novo
se
torna
presente,
de
modo
místico,
mas
real,
em
cada
verdadeira
Missa.
Assim,
deu Jesus
cumprimento
à
profecia
de Malaquias: “Do
nascente
ao
poente
(...) e
em
todo
lugar,
será oferecido ao
meu
nome
uma
oblação
pura”
(Mal.
1,11).
A
Santa
Missa
abrange
ou
realiza os
quatro
fins
do
Sacrifício:
o latrêutico
ou
de
adoração;
o eucarístico
ou
de
ação
de
graças;
o propiciatório
ou
de
expiação;
e o impetratório
ou
de
súplica.
O
fiel,
unindo-se
por
esses
atos
a Jesus
Cristo,
que,
na
Missa
como
na
Cruz,
é ao
mesmo
tempo,
Sacerdote
e
Vítima,
participa dos
frutos
da
Redenção
e cumpre os
seus
deveres
fundamentais
para
com
Deus.
Desses
frutos
também
participam
todos
os fiéis espalhados
pelo
mundo.
O
caráter
sacrifical da
Missa
católica
é indicado
por
vários
modos:
a)
Por
ser
a renovação e perpetuação, de
modo
incruento, do
Sacrifício
da
Cruz,
o
qual,
por
sua
vez,
deu
cumprimento
aos
sacrifícios
figurativos do
Antigo
Testamento.
Jesus
Cristo
unificou, na
Cruz
e na Ceia-Missa, os
vários
aspectos
dos
sacrifícios
figurativos da
Antiga
Aliança
indicados
acima
(nº 4 deste).
b) Pelas
palavras
de
sentido
sacrifical da
liturgia
dos
sacrifícios
figurativos do
Antigo
Testamento,
das
quais
Jesus fez
uso
na
última
Ceia:
“Isto
é o
meu
Corpo
que
é
entregue
por
vós”,
e “Este
é o
Cálice
de
meu
Sangue
que
é derramado
por
vós”.
Note-se o
verbo
no
tempo
presente
(texto
original),
indicando
um
derramar
de
seu
Sangue
no
próprio
ato
consecratório.
c)
Pela
realização
da “morte
sacramental”
de Jesus
significada
através
da
Consagração
das
espécies
do
pão
e do
vinho,
em
separado. A
separação
sacramental
do
Corpo
e do
Sangue
significa e realiza misticamente a
morte
de Jesus
Cristo.
d)
Pelo
ofertório,
com
as
preces
que
o acompanham, e
que
indicam explicitamente
que
a
Santa
Missa
é
sacrifício,
e
sacrifício
propiciatório,
isto
é,
que
desagrava
a
Deus
pelos
pecados,
para
os
quais
impetra o
perdão.
De
fato,
nele o celebrante declara
que
o oferece “...
por
seus
pecados...,
pelos
de
todos
os fiéis
vivos
e
defuntos...
para
que
a
todos
aproveite a
vida
eterna”.
e)
Por
fim,
a
Fé
da
Igreja
que
sempre
professou essa
verdade
e no
Concílio
de Trento sentenciou infalivelmente
contra
os
protestantes:
“Se
alguém
disse
que
a
Missa
é
só
Sacrifício
de
louvor,
e
não
propiciatório (...) seja
anátema
(Denz. Sch. 1753).
“Sacrifício
de
louvor”
era
o
que
ainda
admitia Lutero.
Não
basta,
porém,
isso
para
termos
toda
a “teologia
do
sacrifício”,
que
é
necessário
admitir-se
completa
e
que
a
Confissão
protestante
de Augsburgo declara “ter
sido pulverizada pelas
novas
preces
eucarísticas” da
missa
nova.
Por
isso,
a
primeira
medida
de Lutero
contra
o
caráter
sacrifical da
Missa,
foi a supressão do
ofertório,
que
mais
explicitamente o
expressa.
Depois
fez as outras mudanças. Foi
igualmente
o
que
fez Paulo VI na
nova
missa,
transformando o
ofertório
em
uma
simples
apresentação
de
dons
conforme
prática
judaica
na
suas
sinagogas.
Em
seguida,
Lutero alterou as
palavras
da
instituição,
fazendo da
parte
consecratória e da
narrativa,
que
são
bem
distintas, uma
só,
e mandando
pronunciar
tudo
em
tom
narrativo e
em
voz
alta.
Tudo
para
suprimir
qualquer
idéia
de
ação
pessoal
do celebrante e
pois,
toda
a
idéia
de
sacrifício;
e
assim
inculcar
nos
assistentes
a
idéia
protestante
de
simples
ceia-memorial.
Também
a reforma de Paulo VI, do
rito
da
Missa,
alterou a
forma
da
Consagração,
transpondo
para
fora
dela as
palavras
“Mysterium fidei”, e suprimindo o
ponto
gráfico
que
separava
bem
a
parte
narrativa,
da
parte
consecratória, de
modo
que
o celebrante é
levado
a
pronunciar
tudo
em
tom
narrativo
como
quem
apenas
conta
um
fato
acontecido no
passado,
e
não
como
quem
faz uma
ação
pessoal,
que
torna
de
novo
presente
a
mesma
realidade
operada
por
Jesus
Cristo,
e
por
Ele
ordenada
que
fosse renovada perpetuamente
mediante
o
ministério
do
sacerdote
(Lc. 22,19).
Vê-se
pois,
por
essa
pequena
amostra
– e há
muitos
outros
pontos
nos
quais
a
missa
nova
não
é
mais
a
pura
expressão
da
Fé
Católica
–
como
é de
suma
importância
a
nossa
fé
nesse
aspecto
da
Missa
como
sacrifício.
Aí
está a
prova.
Os
protestantes
tomam
ares
de
festa
com
a
sua
supressão,
através
da
Missa
nova.
No
entanto,
não
ficou nisso
toda
a reforma
luterana
do
rito
da
Missa,
mas
tendo
por
objetivo
suprimir
a
própria
Missa,
partiu Lutero
para
a supressão do
sacerdócio
católico,
que
fora
instituído
por
Jesus
Cristo,
para
garantir
a perpetuidade do
santo
Sacrifício
da
Missa.
Pois
ele
sabia
bem
que
sem
sacerdote
verdadeiro
não
há
missa
verdadeira,
mas
simples
ceia-comemorativa da
última
Ceia
celebrada
por
Cristo.
Por
isso,
seguindo
esse
mesmo
espírito,
a
atual
reforma do
rito
da
Missa,
feita
por
Paulo VI, apresenta uma
clara
tendência
a
prescindir
do
padre
como
único
sacrificador
da
Divina
Vítima
no
sacrifício
do
Altar.
De
fato,
a “Institutio generalis”,
que
promulga o
novo
rito,
ao
dar
uma
definição
de
Missa,
que
os
protestantes
assinariam, apresenta a
Missa
como
sendo constituída
essencialmente
pela
“assembléia
dos fiéis reunidos
para
celebrar
o
memorial
do
Senhor,
sob
a
presidência
do celebrante”.
Note-se
que
foi acrescentada
posteriormente
a afirmação de
que
o celebrante “agit in persona Christi” (age no
lugar
de
Cristo
e
como
seu
representante), [mas
esta]
não
alterou a afirmação de
que
quem
celebra o “memorial
do
Senhor
é a
assembléia
dos fiéis” (cf. Institutio Generalis, nº 7), e
não
o
sacerdote,
sozinho.
Preparou-se
assim,
a
negação
explícita
da
própria
presença
sacramental
e
real
de Jesus
Cristo
na
Divina
Eucaristia,
como
atualmente
os neo-modernistas
mas
avançados
estão fazendo. Os neo-catecumenais,
por
exemplo,
que
proíbem os fiéis de se ajoelharem na
Consagração,
porque
- dizem -
tudo
não
passa
de
simples
símbolos.
Eis
aí
a
prova
de
que
a
Nova
Missa
leva
gradualmente
ao protestantismo.
É o
bastante
para
já
se
entender
porque
os
Cardeais
Ottaviani e Bacci,
em
carta
a Paulo VI, ao
lhe
apresentarem o “Breve
Estudo
Crítico
da
nova
missa”,
tenham afirmado: “O
novo
rito
da
Missa
se distancia de
modo
impressionante,
no
seu
todo
e
nos
seus
pontos
particulares,
da
teologia
católica
da
Missa”.
Também
ultimamente, o
Cardeal
Stickler declarou
que
“o
novo
rito
da
Missa
é uma
adaptação
à
idéia
protestante
do
culto”.
Ele
cita
também
o
escritor
francês
Jean Guitton
que
escreveu o
seguinte:
“O
Papa
Paulo VI
me
confiou
que
era
sua
intenção
assemelhar,
o
mais
possível,
a
nova
liturgia
ao
culto
protestante”
(em
“Fideliter”, nº 109).
Isso
confirma o
que
já
havia
dito
o
perito
em
Liturgia,
Mons. Klaus Gamber: “A reforma
litúrgica
de Paulo VI foi
mais
radical
que
a de Lutero” (Em
“A Reforma
Litúrgica
em
questão”
- Ed. Francesa,
com
prefácio
do
Cardeal
Ratzinger).
Dom
Licínio Rangel
(Revista
teológica
Sim,
Sim,
Não,
Não;
edição
portuguesa, Nº 99,
julho
de 2001)