o triunfo do modernismo sobre a EXEGESE CATÓLICA

13 -Vaticano Ii contra a inerrância da Sagrada Escritura

O Prelúdio

Em 25 de janeiro de 1959, três meses após sua eleição, João XXIII, na Basílica de São Paulo, faz o anúncio imprevisto da convocação de um concílio ecumênico. Em 17 de maio é nomeada a Comissão antepreparatória, presidida pelo cardeal Secretário de Estado, S.Em. cardeal Tardini, com o encargo de recolher e examinar as proposições, os votos formulados pelos dicastérios da cúria romana, pelos bispos, pelas universidades católicas. Em 5 de junho de 1960. começa a fase preparatória, com a constituição de dez comissões «que devem se ocupar do estudo dos assuntos a serem discutidos no concilio». A comissão teológica é presidida pelo cardeal Ottaviani, com o teólogo P. Tromp S.J. como secretário. As comissões preparatórias trabalharam intensamente durante dois anos, até junho de 1962. Em 13 de julho de 1962, três meses antes da abertura do concílio, o Papa enviou aos bispos membros os sete primeiros esquemas a discutir, de que fazem parte as quatro primeiras constituições dogmáticas, entre as quais De fontibus Revelationis - As fontes da Revelação (Sagrada Escritura e Tradição).

O dominicano holandês Schillebeeckx, professor na Universidade Católica de Nimègue, principal autor do tristemente célebre Catecismo Holandês (catorze graves erros dogmáticos), enviou aos bispos um comentário no qual critica violentamente as constituições dogmáticas citadas, sob pretexto de que representariam somente uma corrente ou uma escola de pensamento teológico (e não, como representam na realidade, o pensamento constante e imutável da Igreja). Schillebeeckx pede igualmente que a discussão do primeiro esquema (que acha inoportuno) sobre a Sagrada Escritura, seja adiada (para ter tempo de influenciar os padres conciliares), e que se dê prioridade ao esquema sobre a liturgia, que considera como «uma verdadeira obra prima» [1]. Schillebeeckx tem o apoio do episcopado holandês, do qual ele é o teólogo de confiança. Notar que no topo do episcopado holandês se acha um ex-aluno do Instituto Bíblico Pontifício, o cardeal Alfrink.

As versões latina, inglesa e francesa do comentário de Schillebeeckx são preparadas e Mons. van Valenberg, capuchinho holandês, manda imprimir mil e quinhentos exemplares, que são distribuídos aos bispos de todos os países, ao chegarem à capital do mundo católico. As conferências episcopais e os outros bispos se conformam com o veredicto do dominicano holandês e enviam petições à presidência do Concílio pela rejeição das constituições controvertidas. É o prelúdio.

Exemplo típico do modernista, cheio de si, contestador de Roma, como seus colegas jesuítas (padre Schmulders, etc ... ) que cooperaram com o catecismo holandês, Edward Schillebeeckx, O.P. é a alma do episcopado holandês, como Karl Rahner, S.J. e seu jovem aluno são a alma do episcopado alemão (o jovem Joseph Ratzinger é o teólogo do cardeal Frings), e como Chenu, O.P. e Congar, O.P. são os inspiradores do episcopado francês. Serão eles, junto com De Lubac, S.J., os principais inspiradores dos erros e ambigüidades tão freqüentes nos textos equívocos do grande emaranhado de idéias do Vaticano II [2].

A primeira «vitória»

11 de outubro de 1962: inauguração solene do Vaticano II. João XXIII pronuncia a alocução de abertura, Gaudet Mater Ecclesia, na qual se misturam, com tranqüilizadoras garantias («o XXIo Concílio Ecumênico... quer transmitir pura e intacta, sem atenuações nem desvios, a doutrina»), os sinais de um otimismo alarmante e de uma inversão radical da orientação eclesial; «Pensamos dever nos dissociar inteiramente dos profetas de infelicidades que prevêem incessantemente o pior, como se o fim do mundo estivesse próximo... Para eles, a sociedade contemporânea não passa de ruínas e calamidades»; «Uma coisa é a substância da antiga doutrina do depositum fidei, e outra a forma que ela reveste» [ao mudar esta, entretanto, chegarão a mudar também, abusadamente, a substância]; «A Igreja sempre se opôs a estes erros, muitas vezes também os condenou com a maior severidade. No presente, entretanto, a Esposa de Cristo prefere utilizar o remédio da misericórdia... Esta vem ao encontro das necessidades de hoje, mostrando a validade de sua doutrina ao invés de renovar as condenações» [como se fosse possível mostrar a validade de uma doutrina sem condenar o erro oposto] etc...

No sábado, 13 de outubro de 1962, o secretário geral do Concilio, S. Ex. Pericle Felici, inicia o envio do «primeiro escrutínio para eleger os membros das Comissões do Santo Concílio» (dezesseis membros para cada uma das dez comissões, cento e sessenta ao todo). Enquanto o Mons. Felici explica o procedimento a seguir, um dos dez presidentes do Concílio, o cardeal Lienart, levanta-se de improviso e pede que o voto seja adiado e que se dê às conferências episcopais tempo de se consultarem sobre a capacidade dos candidatos. Na prática, é a rejeição das duas listas «curiais» remetidas aos padres conciliares contendo, na primeira, os nomes de todos os participantes do Concilio (todos elegíveis), e na segunda, a lista dos membros ou conselheiros das comissões preparatórias (assinalados pela Santa Sé por seu preparo e experiência adquiridas na fase preparatória do Concílio). O cardeal Frings apóia o pedido do cardeal Lienart, igualmente em nome dos cardeais König e Döpfner. O pleito é acolhido pela Presidência do Concílio (o primeiro Presidente é o cardeal Tisserant). Um bispo holandês grita: «É nossa primeira vitória!» [3].

Os vencedores

Quem são os vencedores? R. M. Wiltgen, autor do livro citado [1], chama-os A Aliança Européia, porque ela reúne, na luta contra a cúria romana (e a ortodoxia), bispos holandeses (Alfrink), franceses (Tisserant, Lienart, Garrone... ), belgas (Suenens), alemães (Frings, Döpfner), austríacos (König). A estes se juntaram alguns italianos (Montini, Lercaro) e o cardeal Bea, do qual o dominicano Congar diz em suas notas (9 de novembro de 1961): «O cardeal Leger é muito severo sobre os esquemas doutrinais [entre os quais o da Sagrada Escritura] e está decidido a descartá-los pura e simplesmente. O cardeal Bea, disse-me, está ainda mais decidido e pronto, para isto, a arriscar sua vida e sua púrpura... »

Os principais cardeais da Aliança Européia são antigos alunos do Instituto Bíblico Pontifício: Alfrink, Lienart, Frings, König... Todos são fascinados pela «nova teologia» e pela «nova exegese», e não toleram o freio imposto por Roma ao «desejo ardente de novidade» (São Paulo) que emerge de todo lado. É o jesuíta neomodernista Giacomo Martini que descreve assim o «contexto histórico em que nasceu a idéia de um novo concilio ecumênico: A situação geral da sociedade e da Igreja nos anos 1945-1959 é caracterizada por dois aspectos (...), no interior da Igreja, um contraste entre as orientações abertas [eufemismo para neomodernistasJ e conservadoras [palavra pejorativa para: defensores da ortodoxia]. As tendências conservadoras da igreja, fortes sobretudo no centro [sic! é a Roma católica dos sucessores de Pedro], emergem (...) nas freqüentes intervenções romanas que culminaram em Humani Generis. As orientações abertas são defendidas por diversas figuras representativas na Itália [jesuítas do Instituto Bíblico Pontifício] e na França, pelos padres operários, da Nova Teologia. É a tendência conservadora que prevaleceu com a suspensão e o fim dos padres operários (1954-1959) e as medidas preventivas [censuras e condenações de Humani Generis], contra Danielou, de Lubac, Congar, Chenu, Murray ...» [4]. «A situação - continua Martini - transforma-se com Vaticano II, onde aqueles que haviam sido censurados têm um papel de primeiro plano, com a promoção ao cardinalato de Danielou (1969) [por Paulo VI] e de De Lubac (1983) [por Wojtyla], com o restabelecimento dos padres operários (1965) ...» [5]. E pelas manobras dos «novos teólogos», elevados da posição de «censurados» à de inspiradores e condutores do Concílio, a «nova teologia» ou neomodernismo tomará cuidadosamente o lugar da doutrina católica eterna. Neomodernismo do qual o próprio Maritain disse: «O modernismo do tempo de Pio X comparado à febre neomodernista moderna, é um simples resfriado» [6]. É a Nova Teologia que, segundo o jesuíta Henrici «tornou-se a teologia oficial do Vaticano II» [7].

Assim se cumpriu a clara previsão do cardeal Billot, interrogado por Pio XI sobre a oportunidade de convocar um concilio ecumênico para completar Vaticano I, que ficara interrompido: «Enfim, eis a razão grave, que me parece militar absolutamente a favor do não: a retomada do Concilio é desejada pelos piores inimigos da Igreja, isto é, pelos modernistas, que já se preparam - como atestam os indícios mais claros - a aproveitar dos "États Generaux" da Igreja para fazer a revolução, o novo 1789, objeto de seus sonhos e de suas esperanças. Inútil dizer que não conseguirão, mas voltaríamos a ver os dias tão tristes do fim do pontificado de Leão XIII e do inicio do de Pio X; veríamos ainda pior, que seria a destruição dos frutos trazidos pela encíclica Pascendi, que os tinha reduzido ao silêncio» [8].

Billot não tinha sido o único a duvidar de um concílio dominado e dirigido pelos neomodernistas. O cardeal Frühwirth, por sua vez, denunciava «o desejo ardente de inovações e de modernidade»; o cardeal Laurenti previa: «alguns terão talvez tendências audaciosas e inovadoras»; o cardeal Bonzano estava muito preocupado pelo «risco de que um certo número de bispos, especialmente estrangeiros, tentem acentuar seus próprios direitos, em oposição às prerrogativas do primado do Soberano Pontífice, sob o pretexto de que Roma centraliza demais» [9]. Notem que o cardeal Billot afirmava sua certeza de que a Igreja superaria esta crise muito grave ("eles não conseguirão"), mas somente depois de ter previsto coisas ainda piores que os tumultuados tempos modernistas do passado.

Pio XI e Pio XII renunciaram sabiamente a convocar o Concilio. Não foi assim com João XXIII, sobre quem o promodernista Montini exercia sua influencia. Seu «otimismo ingênuo» o impedia de ver os erros contra os quais a Igreja lutava há mais de um século" Acreditava realmente que o «remédio da misericórdia» bastaria para neutralizar todos os erros contra os quais seus predecessores lutavam há dois séculos?

Segunda e terceira «vitórias»

Voltemos ao Concilio.

Porque os neomodernistas atacaram a nomeação dos membros das Comissões Conciliares? Basta lembrar as normas do Concílio: «As Comissões conciliares corrigem e eventualmente preparam, segundo a opinião expressada pelos Padres durante as Congregações gerais, os esquemas dos decretos e dos cânones» [10].

A «lista internacional» dos elegíveis, preparada pela Aliança Européia e composta de cento e nove nomes, cuidadosamente escolhidos entre os cardeais, arcebispos e bispos de «espírito liberal [11], elegeu oitenta por cento de seus candidatos. Assim, os membros da corrente neomodernista figurarão em maioria em cada uma das dez comissões do Concilio. Logo os veremos em atividade.

Neste mesmo 13 de outubro, dia desta «primeira vitória», tendo os Padres saído da sala, realizou-se uma reunião dos Presidentes do Concílio. Os cardeais Frings, Lienart, Alfrink apoiaram a proposta de Schillebeeckx, que o episcopado holandês fez sua, de discutir primeiro o esquema sobre a liturgia, enviando a um segundo tempo o exame da constituição dogmática fundamental sobre a Revelação (De fontibus Revelationis). Em 15 de outubro, os dez presidentes obtiveram o placet de João XXIII. É a segunda «vitória» dos neomodernistas, prelúdio da rejeição total do esquema sobre as «fontes da Revelação».

O primeiro esquema discutido durante o Concilio foi, corno queria Schillebeeckx, o da Liturgia (de 22 de outubro a 13 de novembro de 1962). Em 14 de novembro, finalmente, o cardeal Ottaviani apresentou o esquema sobre as fontes da Revelação. Nele, a doutrina católica é proposta com a maior clareza: Tradição apostólica e Sagrada Escritura, inspiração, inerrância absoluta dos Livros Sagrados, os Evangelhos e seus autores, historicidade, etc ... A reação veio com violência: «O esquema não agrada», repetem, um após outro os cardeais da Aliança Européia, de Alfrink a Bea; «estes textos não se adaptam às finalidades de um concílio pastoral e ecumênico». Argumento genérico, que mesmo o Padre conciliar mais despreparado seria capaz de rebater. Em 20 de novembro, o Conselho da Presidência decide perguntar à assembléia se é preciso continuar ou suspender a discussão. Vai-se ao voto. Sobre dois mil duzentos e nove votantes, a maioria de dois terços necessária para suspender a discussão é de mil quatrocentos e setenta e três, que não é atingida. Mil trezentos e sessenta e oito Padres pedem a suspensão e a rejeição do esquema, mas oitocentos e vinte e dois votam pela continuação da discussão. Pelo regulamento. a discussão deve continuar. Mas os cardeais oponentes, Bea, Lienart, Frings e Leger, após consultas agitadas, obtiveram de João XXIII que a discussão fosse suspensa. O esquema seria refeito por uma comissão especial, logo constituída e formada por membros da Comissão Teológica e do Secretariado para a Unidade dos Cristãos, com os dois presidentes respectivos: Ottaviani e Bea; seis outros cardeais nomeados pelo Papa fizeram parte: os eternos Lienart, Frings, etc. Daí sairá Dei Verbum.

Era a terceira vitória. A vitória decisiva: todo o trabalho de dois anos da fase preparatória era, assim, jogado no lixo e, com ele, a doutrina católica exposta na sua integridade com precisão e clareza. O esquema dogmático sobre a Igreja terá a mesma sorte (1 de dezembro), «Preocupações pastorais», «ecumenismo» são desculpas. Nos seus esquemas substitutivos, os neomodernistas instilam sutilmente os erros da «Nova Teologia».

Tentativa de ajuda

Examinemos a inerrância absoluta da Sagrada Escritura em Dei Verbum. Depois falaremos, separadamente, da historicidade dos Evangelhos.

A inerrância absoluta da Sagrada Escritura é verdade de fé, implicitamente definida na solene afirmação do Concilio Vaticano I sobre a inspiração [12]. Inerrância de fato e de direito; isto é, a Sagrada Escritura não somente não contém erros, mas não pode conter erro algum. É a doutrina católica de sempre [13]; é a «fé antiga e constante da Igreja» [14]. Se há uma verdade dogmática afirmada, ensinada, defendida com continuidade e clareza desde o inicio da Igreja até hoje, essa é a da origem divina dos Livros Sagrados e da inerrância que se lhe segue: é justamente porque Deus é o autor da Sagrada Escritura que ela não pode conter erros. E como Deus não é autor somente das partes que tratam da fé e da moral mas de toda a Sagrada Escritura, é toda a Sagrada Escritura que é isenta de erros, e não somente as partes que tocam a fé e a moral, com ou sem as partes que lhe são estreitamente ligadas.

A inerrância absoluta, pois, faz parte do «depósito da Fé». «É preciso acreditar - escreve São Tomás - que tudo que é contido na Sagrada Escritura é verdadeiro; desta forma, aquele que o negasse seria herético» [15]. E ainda: «É herético dizer que se acha alguma coisa falsa não somente nos Evangelhos, mas em qualquer Escritura canônica» [16]. É o eco fiel da doutrina dos Padres, de toda a Tradição católica, confirmada, contra os erros dos tempos modernos, pelo Magistério dos Pontífices romanos: Leão XIII, Bento XV, Pio XII [17].

Eis porque, no esquema elaborado pela comissão preparatória e rejeitado pelas manobras dos neomodernistas, a inerrância absoluta da Sagrada Escritura é claramente formulada e ilustrada em dois parágrafos. n° 12: De inerrantia ut consectarium inspirationis, e n° 13: Quomodo inerrantia dijudicanda sit.

Também no esquema seguinte, preparado pela Comissão mista presidida por Ottaviani e Bea, não havia dúvidas sobre a inerrância absoluta da Sagrada Escritura: «Como Deus é afirmado ser o autor principal de toda a Escritura e que Ele o é, segue-se que toda a Escritura, sendo divinamente inspirada, é isenta de todo erro» [18]. Neste segundo texto, que substitui o texto inicial, há somente um pequeno sinal de alarme: o termo «inerrância» desapareceu do título do capítulo. Não é mais De scripturae inspiratione inerrantia et compositione litteraria, mas De Sacrae Scripturae inspiratione et interpretatione. É só o prelúdio. O verdadeiro golpe é tentado quando este segundo texto passa à comissão doutrinal, para retoques e a redação definitiva e, em particular, para os capítulos que tratam da Sagrada Escritura, a uma subcomissão presidida pelo bispo holandês de Haarlem, I. van Dodeward, antigo aluno do Instituto Bíblico Pontifício. Dodeward tenta fazer aprovar pelo Concílio a «nova» doutrina ou, para ser claro, a velha heresia que circula no Instituto Bíblico que queria uma inerrância da Sagrada Escritura não mais absoluta, mas limitada somente aos fatos concernentes à fé e à moral [19].

Eis o texto corrigido: «Uma vez que tudo o que os autores inspirados ou hagiógrafos afirmam deve ser considerado como inspirado pelo Espírito Santo, é preciso considerar também, por conseqüência, que os livros da Sagrada Escritura, cada um na sua integridade, ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade salutar». O texto não fala mais de imunidade de erro, mas de verdade salutar, salvífica, contida sem erro na Sagrada Escritura. A frase pode ser compreendida assim, e é o sentido evidente: a Escritura inspirada ensina sem erro, somente as verdades pertinentes ao dogma e à moral.

Talvez se contasse com o cansaço dos padres conciliares (era a última sessão) para que a modificação passasse despercebida: cinqüenta e seis padres pedem a rejeição total do texto; cento e oitenta e quatro pedem a supressão do adjetivo «salutarem»: e cerca de trezentos, senão mais sugerem mudanças diante desse inaceitável «veritatern salutarem» [20].

«Todos estes Padres [que se opuseram ao "salutarem"] - escreve o padre Caprile - no fundo não achavam a expressão suficientemente precisa, apesar da comissão (...) ter se apressado a explicá-la largamente: pareceu à comissão que ela devia acrescentar o adjetivo salutarem (...) porque por ele entendem-se igualmente todos os fatos que, na Escritura, são ligados à história da salvação».

Na realidade, esta explicação não é nada clara nem suficiente. Ainda mais que este texto, no mínimo equivoco, torna o lugar do primeiro texto, muito claro, elaborado pela comissão preparatória, e é realmente espantoso que a maioria dos membros da comissão doutrinal do Concilio tenha permitido que esse texto fosse apresentado para a aprovação dos Padres.

O Instituto Bíblico Pontifício intervém

É o próprio padre Caprile S.J. que nos fornece a chave desse fato: «Alguns, referindo-se a uma opinião do Instituto Bíblico e à opinião de quase todos os exegetas [escolhidos a dedo] da Comissão Doutrinal, achavam que a fórmula era oportuna, de acordo [?!] com as precedentes decisões do Magistério, marcando um progresso [?] na exposição teológica do problema e acalmando a consciência [logo nada tranqüila] dos exegetas» [21]. «Novos» exegetas, naturalmente, que estudam a Bíblia pressupondo que ela contém contradições insanáveis, senão verdadeiros erros. No voto apresentado ao Concílio pelo Instituto Bíblico Pontifício, fala-se, de fato, no parágrafo 4, de «inerrância (...) que deve ser [de novo?] conciliada com a historicidade.» [22] Decididamente, as intrigas do Instituto Bíblico Pontifício, no interior e no exterior do Concílio, para obter a ratificação de sua «nova exegese» têm por testemunhas os próprios neomodernistas. Basta reler o que Grolet escreve sobre as «causas profundas» que determinaram a rejeição do esquema De fontibus Revelationis, redigido pela Comissão Teológica preparatória, presidida pelo cardeal Ottaviani (Santo Oficio): «1o. A maioria de seus membros e de seus conselheiros tinha uma atitude teológica resolutamente conservadora [compreenda-se: ortodoxa]; 2o. Os biblistas especializados [compreenda-se: os «novos» exegetas], aí se achavam em número muito reduzido (...). Sintoma ainda mais revelador: para proporcionar assistência autorizada ao trabalho dessa comissão, nenhum especialista foi escolhido no corpo docente de um organismo tão oficial como o Instituto Bíblico Pontifício de Roma. A coisa estava tão ostensiva que na mesma época, alguns meios romanos empreenderam uma rude campanha contra este mesmo Instituto e contra as orientações atuais da exegese católica» [23]. E em nota são citados o artigo de Mons. A. Romeo, a réplica do Instituto Bíblico Pontifício em Verbum Domini e meu comentário ao Monitum da Sagrada Congregação do Santo Ofício [24]. A luta  surda contra o Santo Oficio, assim, foi transferida e continuada pelo Instituto Bíblico Pontifício, em pleno Concílio!

A intervenção de Paulo VI

A subcomissão da qual Dodeward é presidente e a própria comissão doutrinal, apesar da oposição manifestada pelos Padres contra o «salutarem» e, mais ainda, apesar das razões alegadas e dos argumentos apresentados, recusaram-se a corrigir o texto. A resistência se divulgou rapidamente e desde 8 de outubro, como testemunhará o padre Caprile S.J., («por intermédio de um eminentíssimo cardeal, um importante grupo de Padres, provavelmente os mesmos que tinham proposto suprimir a expressão discutida, fez chegar ao Pontífice um memorando. O documento afirmava que a fórmula "veritas salutaris " tinha sido voluntariamente introduzida, para restringir a inerrância apenas às coisas sobrenaturais, concernentes à fé e aos costumes; que essa fórmula se opunha abertamente ao ensinamento constante da Igreja, que iria deixar o campo livre para a audácia dos exegetas; que se fosse admitida, iria trazer um golpe muito grave à vida da Igreja ...

O comportamento e os atos da subcomissão eram também ai duramente julgados: ela não se teria dado conta das observações dos Padres; não teria dito claramente o número dos oponentes; teria respondido de modo confuso aos argumentos contrários; não teria introduzido na nota os trechos mais importantes do Magistério Pontifical que haviam sido inseridos no projeto apresentado pelos cento e oitenta e quatro Padres, etc. Outras vozes, vindas ao Papa por diversas vias, espontaneamente ou solicitadas, apresentavam todo tipo de apreciações» [25].

Quanto a mim, a chamada telefônica de um excelente prelado advertiu-me logo do acréscimo arbitrário do adjetivo «salutaris» no texto. Foi-me fácil lembrar, numa grande ficha datilografada, a doutrina da Igreja sobre a inerrância absoluta da Sagrada Escritura, de fato e de direito. Por intermédio do vice-presidente da Comissão doutrinal, o dominicano cardeal M. Browne, minha ficha chegou a Paulo VI.

O Soberano Pontífice interveio com a carta de 18 de outubro de 1965, na qual a Comissão é convidada a «considerar com uma reflexão renovada e séria a oportunidade de suprimir do texto a expressão "veritas salutaris '', expressão relativa à inerrância da Sagrada Escritura».

O adjetivo «salutaris» foi eliminado a contragosto, mas se introduziu a seguinte adjunção: «veritatem, quam Deus nostrae salutis causa Litteris Sacris consignari voluit». Tem-se assim o texto definitivo, aprovado em seguida: «Como então tudo o que os autores inspirados ou hagiógrafos afirmam deve ser considerado como afirmado pelo Espírito Santo, é preciso considerar também, por conseqüência, que os livros da Sagrada Escritura ensinam com exatidão, fielmente e sem erro a verdade que Deus quis que fosse ensinada nas Sagradas Escrituras para nossa salvação» [26].

Apesar da proposição relativa acrescentada, o texto definitivo do Concilio pode (e deve) ser entendido corretamente à luz segura da doutrina católica de fé divina. É verdade que não se fala de inerrância, mas há o inciso «sine errore», que exprime a mesma coisa. O inciso «nostrae salutis causa», em seguida, se refere diretamente ao verbo «consignari voluit» (Deus quis nos dar os Livros Sagrados «para nossa salvação»); este inciso não limita a palavra «veritatem», o que fazia o adjetivo precedente «salutarem». Por tal, não se pode considerar que isto seja o equivalente de «veritatem salutarem» suprimido pela vontade dos Padres conciliares e pela intervenção de Paulo VI. Resulta claramente do «iter» do texto conciliar, que tal era o pensamento dos Padres conciliares que o aprovaram.

Eis, a título de exemplo, o que escreve o salesiano Dom Giorgio Castellino (hoje falecido), antigo «professor da Universidade de Latrão, titular do curso livre de assiriologia na Universidade de Roma, subsecretário da Comissão Pontifícia para os Estudos Bíblicos, membro da Comissão Pontifícia para a Nova Vulgata e expert conciliar»:

«Muitos Padres contestaram o acréscimo do «salutarern» porque, contrariando as precedentes afirmações do Magistério eclesiástico, parecia restringir a inerrância somente às coisas relativas à fé e aos costumes. Cento e oitenta e quatro Padres pediram a supressão do adjetivo «salutarern»; outros propuseram diversas modificações. A Comissão doutrinal explicou que «salutaris» tinha sido acrescentado para indicar o objetivo da inspiração, não para restringir o quadro [da inerrância] às questões de fé e de costumes (...). Entretanto, como no passado se havia tentado manter a limitação da inspiração às questões de fé e de costumes, e como a Igreja tinha resolutamente tomado posição contra essas tentativas, considerou-se mais oportuno eliminar esse adjetivo que parecia referir-se a essas posições discutidas e condenadas pela Igreja. Isto foi feito sob o conselho da Autoridade Superior, apesar de que, quando o texto foi submetido ao voto definitivo, o «salutarern» tinha desaparecido». [27]

Aparece também claramente no voto dos Padres que tal era a compreensão que a maioria deles tinha da correção: dois mil cento e cinqüenta e quatro placet, incluindo os Padres que tinham rejeitado «veritatem salutarem».

A interpretação neomodernista

Tal não era, entretanto, o pensamento dos neomodernistas infiltrados na Comissão Conciliar. Existe, na realidade, uma interpretação do texto conciliar que considera a correção «veritatem quam Deus nostrae salutis causa Litteris sacris consignari voluit», como o equivalente exato do «veritatern salutarern», que os Padres e o próprio Paulo VI lançaram ao ostracismo. Entre os principais participantes dessa interpretação de Dei Verbum acha-se o padre jesuíta Ignace de la Potterie, S.J. do Instituto Bíblico Pontifício [28]. Esta interpretação foi retomada e relançada pela La Civilta Cattolica, de 4 de janeiro de 1986 [29], e circula também livremente na imprensa «católica» de massa. Pior ainda, o Novo Catecismo a adotou e foi ainda mais longe, exumando o «veritatem salutarem» suprimido da Dei Verbum pela vontade dos Padres e intervenção de Paulo VI! [30].

Segundo o Pe. de la Potterie, a afirmação principal do texto conciliar seria a seguinte: «Os Livros da Escrituro ensinam a verdade que Deus quis consignar nas Cartas Santas tendo em vista a nossa salvação». Então, «a verdade que é preciso procurar na Sagrada Escritura é a verdade salvífica e não outro tipo de verdade, de ordem puramente profana. Segue-se que, do ponto de vista da história exata - que não é aquela dos autores bíblicos - todas as particularidades relatadas na Bíblia não são necessariamente sempre «verdadeiras», isto é, realmente acontecidas na objetividade dos fatos. Mas, mesmo nestes casos, esses detalhes conservam toda sua «verdade», todo seu sentido, na ordem da salvação. Assim, por exemplo, na genealogia de Jesus (Mt.) é dito que entre Abraão e Jesus, houve três vezes catorze gerações. Do ponto de vista histórico é certamente inexato. Mas esta genealogia conserva toda sua verdade para o sentido que o autor lhe dá (...), isto é, que Jesus, «filho de David, filho de Abraão» era o herdeiro das promessas messiânicas, o Messias esperado durante toda a história de Israel [31].

Comecemos pelo exemplo dado: «é dito que entre Abraão e Jesus houve três vezes catorze gerações. Do ponto de vista histórico, é certamente inexato». Não! Do ponto de vista de um crítico que quer achar na Bíblia uma descrição dos fatos tal como exigem os modernos, é inexato. Em troca, é perfeitamente exato do ponto de vista de um semita, de um judeu, contemporâneo de São Mateus, e dos autores sagrados (e o próprio Deus), que escreviam naquela época, e diretamente, para os contemporâneos. Cada estudante de teologia, em seus primeiros contatos com o estudo da Sagrada Escritura, aprende a conhecer o gênero literário particular que constituem as genealogias entre os semitas.

Jesus - ensinam os evangelistas e o próprio Deus - descende de Davi; eles ensinam com a genealogia, partindo de Davi para chegar a Jesus. Ora, se nesta genealogia não há verdade histórica, é a própria «verdade bíblica» que cai (ou o ensinamento relativo ao Messias), porque esta verdade é proposta pelo evangelista e pelo próprio Deus na genealogia e por meio da genealogia. Toda verdade «bíblica» - para nos adaptar à terminologia e à distinção inventada por estes «inovadores» - exige a verdade histórica, a realidade do fato, a historicidade do fato sobre o qual ela repousa. Enfim, é uma simples questão de lógica! Eliminado este exemplo que não ilustra nada (senão a confusão desejada sobre a qual prospera a «nova exegese»), passemos ao texto do Concilio.

Para propor sua interpretação, o Pe. de la Potterie desloca o inciso nostrae salutis causa. do verbo da oração relativa (consignari voluit) ao objeto da oração principal (veritatem). Mas esse deslocamento foi rejeitado pelo próprio cardeal Bea que, sabendo da polêmica existente entre mim e de la Potterie, tomou posição assim no seu último livro: «Se (...) o Concílio quisesse introduzir aqui um novo conceito, diferente daquele exposto nos recentes documentos do Magistério supremo - que por sua vez refletem, como vimos, as afirmações dos Santos Padres - deveria tê-lo explicado explícita e claramente». Agora perguntamos: existem (em Dei Verbum) indícios que permitam uma interpretação restritiva da inerrância? A resposta é absolutamente negativa. Não existe o menor indicio neste sentido. Ao contrário, tudo fala contra uma interpretação restritiva.

E sobretudo, mesmo quando a Comissão Teológica defendia a expressão «a verdade salutar», ela explicou que esta proposição não pretendia restringir a inerrância bíblica às coisas da fé e da moral (...). Além disso, além desta explicação, a expressão «a verdade salutar» foi finalmente suprimida do texto e substituída por uma expressão diferente, justamente para evitar o mal-entendido de se querer restringir o quadro da inerrância bíblica.

Perguntamos, por conseqüência, se o texto atual comporta ou não uma interpretação restritiva da inerrância. A resposta é sem dúvida negativa. A primeira prova é que aqueles - em primeiro lugar o próprio Santo Padre - que se inquietavam com os possíveis mal-entendidos que poderiam surgir da fórmula «a verdade salutar», têm, ao contrário, aceitado a forma atual. Isto significa que eles não viam nela interpretações restritivas da inerrância.

Efetivamente, a forma atual não admite tal interpretação. Por quê? Porque a idéia de salvação não é mais ligada diretamente ao substantivo «verdade», mas ao verbo «quis que fosse fixada por escrito»; noutras palavras, a frase na qual o texto fala de salvação explica o fim para o qual Deus quis que fosse composta a Escritura, e não a natureza da verdade que foi assim fixada [32]. E em nota, o cardeal Bea explica mais simplesmente: «(b) A coisa pode explicar-se também do seguinte modo: a frase em questão, a saber "os livros da Escritura ensinam (...) sem erro, a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse fixada por escrito nos textos sagrados", se compõe de dois elementos, o primeiro responde diretamente à questão "quais as verdades que os livros da Sagrada Escritura ensinam sem erro?" E a resposta é: esta verdade que Deus quis que fosse fixada por escrito nos textos sagrados. O segundo elemento, por si mesmo, responde à questão: para que fim Deus quis que esta verdade fosse fixada nas Cartas Santas? E a resposta é: para nossa salvação».

A trapaça

Nada disso impediu que, com esta «nostrae salutis causa» ("a verdade que Deus quis que fosse fixada para nossa salvação nos textos sagrados"), os experts neomodernistas tenham introduzido no texto conciliar uma ambigüidade, uma destas numerosas «bombas relógio» que fazem explodir no momento favorável. Se o texto do Concilio tivesse evitado a prolixidade e tido o cuidado da clareza e precisão, hoje não seria possível essa interpretação modernista, que introduz em Dei Verbum uma verdadeira heresia. O fato de que essa heresia tenha realmente sido a intenção dos neomodernistas da Comissão conciliar é confirmado pelo padre Umberto Betti O.F.M., atual reitor de Universidade Pontifícia do Latrão, que na época era secretário da subcomissão que preparou a versão definitiva do texto [33]. Falando das correções introduzidas, ele escreve: "O capitulo III foi examinado em 4, 6 e 19 de outubro [1965, para propô-lo em seguida ao voto exclusivo]. Na realidade, havia uma só questão importante, relativa ao no. 11, onde se fala da verdade ou inerrância da Escritura. Esta prerrogativa divina era limitada à verdade salutar» [34]. Logo, na própria confissão do padre Betti, a adjunção furtiva do «salutarern» tinha por fim limitar a inerrância absoluta da Sagrada Escritura, apesar de todos as garantias contrárias fornecidas em sessão por esta Comissão aos Padres conciliares, e narradas acima nos escritos do jesuíta Caprile e do salesiano Castellino. Podemos concluir que estas garantias eram voltadas unicamente a enganar os Padres, para obter deles um voto favorável! Fato extremamente deplorável, que se reproduzirá freqüentemente durante este Concilio dominado pelos neomodernistas, decididos a impor por todos os meios as heresias da «nova exegese» e da «nova teologia», explorando a boa fé de uma maioria ignorante, confiante, «ultrapacifista, que se felicita sempre por tudo», como escreve o mesmo Betti [35], e que, na última fase do Concilio, estava cansada. Quanto ao texto definitivo, Betti escreve: «o texto foi modificado de modo a dizer que os livros sagrados contém sem erro "veritatem, quam Deus nostrae salutis causa litteris sacra consignaria voluit". Nesta fórmula, a inerrância da Escritura não é circunscrita nela mesma [?] às verdades salutares, mas afirma-se que o caráter de toda Escritura é somente religioso. Isto significa que, sendo o fim estabelecido por Deus a nossa salvação, só em vista dela é que Ele levou os hagiógrafos a escrever» [36].

Ou a clareza não é maior qualidade do padre Betti, ou no Concílio se quis justamente isto: que todo o assunto da inerrância ficasse vago, jogando um véu sobre a doutrina católica ensinada e defendida com continuidade e precisão desde o início da Igreja até hoje.

Francisco Spadafora

 

[1] ver R. M. Wiltgen, Le Rhin se jette dans le Tibre, ed. du Cédre. Paris 1973. pág. 23.

[2] Para a documentação dos acontecimentos conciliares, ver meu livro «La Tradizione contre il Concilio» que cita cuidadosamente as fontes oficiais, e a obra de Wiltgen já citada.

[3] R. Wiltgen, obra citada, pág. 17

[4] R. Latourelle S.J., Vaticano II - Bilancio e Prospettive. Ed. Cittadella Assise 1. pág. 27 Sumario;

[5] Ibid

[6] Le Pavsan de la Garonne

[7] 30 Dias, dezembro de 1991

[8] G. Caprile, Il Concilio Vaticano II, vol. V, 1968, pág. 688; cf. Vol. I, parte I, 1966; pág. 3-29.

[9] Ibid.

[10] conf. G. Caprile, op cit., vol I parte II, págs. 599-607.

[11] R. Wiltgen. op cit. pág. 18.

[12] Denz 1809.

[13] ver M Nicolau, Sacrae Theologiae Summa I, BAC 61, Madrid 1962. pág. 1064 e seg.; F. Spadafora, na revista Renovatio, outubro de 1966, págs. 45-62: J. Renié, Manuel d' Écriture Sainte, Lyon-Paris. VI edição 1949, págs. 55-61. Introduzione alla Bibblia, dir. Moraldi-Lyonnet: lntroduzione Generale, de G. Perrella-Vagaggini. Turin 1953, págs. 5 e seg.: Höpf-Leloir, Introduzione Generale, Nápoles-Roma 1958: Institutiones Biblicae, do Instituto Bíblico Pontifício, Roma 1951; A. Merk - A. Bea págs. 85-90.

[14] Leão XIII, Providentissimus Deus: ver também Pio XII, Divino Afflante Spiritu. Para urna exposição mais detalhada ver SimSimNãoNão, janeiro de 1995.

[15] «Hoc tenendum est quod quidquid in Sacra Scriptura continetur verrum est, alias qui contra hoc sentiret esset haereticus» - Quodl. XII. q. 16 art. 26

[16] «Haereticum est dicere quod aliquid falsum, non solum in Evangeliis, sed etiam in quacumque canonica scriptura inveniatur» - in hoh. 13. lt. I, I.

[17] ver SimSimNãoNão, janeiro de 1995.

[18] «Cum ergo totius Scripturae Deus principalis auctor affirmetur et sit, inde totam Scripturae divinitus inspiratam ab omni prorsus errore immunem esse consequitur»

[19] SimSimNãoNão, cit.

[20] ver G. Caprile, Tre emendamenti allo schema sulla revelazione in la Civilta Cattolica de 5 de fevereiro de 1966, págs. 213-227.

[21] Ibid pág. 225.

[22] «Evangelia inerramia gaudent... quae... cum historicitate conciliando est». Ver: «Acta et documenta du Concile», Série I - Antepraeparatoria - vol. IV, parte I. «I Studia et Vota». págs. 128-173.

[23] Études, janeiro de 1966, pág. 99-113.

[24] SimSimNãoNão, setembro e outubro de 1995.

[25] G. Caprile, art. cit. pág. 225.

[26] ver Höptl-Letoir, Introductio Generalis in S.S. Nápoles-Roma, 1958. pág. 81 e seg: «Logo, é de pleno direito que a Comissão Bíblico fala de 'dogma católico" da inspiração e da inerrância da Sagrada Escritura» E também todos os autores católicos.

[27] La Costituzione dommatica sulla Divina Revelazione. Elle Dici, Turin-Leumann, 1966; ver também G. Castellino, L´inerranza della Sacra Scritura, in Salesianum, II, 1949, pág. 25-55.

[28] Artigo na Nouvelle Revue Théologique, de fevereiro de 1966, págs. 149-169: La verité de la Sainte Écriture et l´Histoire du salut d´après la c. dog. Dei Vergum; (Exposição e refutação em meu estudo na revista do cardeal Siri, Renovatio, outubro de 1966: L´inneranza della Sacra Scrittura, págs. 45-62). O jesuita de la Potterie sustenta ainda sua interpretação na obra L´esegesi cristiana oggi, em que o cardeal Ratzinger figura entre os colaboradores.

[29] La rivelazione nella vita della Chiesa. La Civilta Cat., 4 de janeiro de 1986, págs. 3-14.

[30] ver SimSimNãoNão de setembro de 1994. O novo catecismo não é católico. A nova armadilha da "verdade salutar".

[31] I. de la Potterie, l´esgesi cristiana oggi, pág. 154.

[32] A. Bea, La Parola di Dio e l´umanitá, Cittadella Ed. Assise 1967, pág. 186-191.

[33] ver Betti, La Costituzione dommatica sulla Divina Révelazione. Elle Di Ci, Turin, 1966, nota 3, pág. 27.

[34] Ibid., pág. 45.

[35] Ibid., pág. 27.

[36] Ibid., pág. 45.